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Frida, Restaurante Mexicano

Crítica de Ana Andrade, . Comida Mexicana

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O México Sabe A Frida, Às Suas Cores E À Sua Magia, Sabe A Tortilla E A Tamarindo, Sabe A Milho E A Mezcal, Sabe A Cacau E A Tequila, Sabe A "Cocina Mestiza"! Uma Coronita Bem Gelada, Um Bom Copo De Vinho Ou Uma Deliciosa Margarita Que Acompanham De Maneira Perfeita Uns Tacos Bem Picantes, Uns Chiles En Nogada Ou O Melhor Guacamole Da Cidade São Motivos Mais Que Suficiente Para Visitar A Nossa Tasquinha Mexicana. No Frida Fazemos Questão De Receber Cada Cliente Como Um Amigo E, Por Isso, Às Vezes Não Admira Que Passemos Mais Tempo Sentado A Mesa Consigo Que Por Detrás Do Balcão. Estamos À Sua Espera E À Boa Maneira Mexicana... Mi Casa Es Su Casa!!!

Podíamos estar aqui com mil lérias e figuras de estilo rebuscadas, mas não há como dar voz a quem sabe apresentar-se (bem), sem falsas modéstias irritantes ou promessas que não sabe cumprir: o Frida é aquilo mesmo que diz ser no seu site, sem tirar nem pôr. Mais: esta vossa criada é menina para ser muito picuinhas, quando a fasquia está muito lá no alto (e o Frida é dos estaminés mais consensuais do Porto, nunca li uma apreciação que dissesse que era sequer mais-ou-menos, quanto mais mau), e olhem que todas as minhas expectativas foram superadíssimas, e com distinção.

O melhor Restaurante Mexicano do Porto e, certamente, de outras cidades, se nelas morasse.

Mas deixem-me contextualizar a coisa: a MAA, que calha de ser minha progenitora, parece finalmente ter perdido o medo do desconhecido, também no que toca à culinária. Não sei se foi por há uns tempos lhe ter dado a provar o meu guacamole (nem vou perguntar, para não me desiludir) mas uns dias depois disse-me, depois de ter andado a ler sobre gastronomia mexicana, que gostava muito de experimentar mais coisas – e não foi tarde nem cedo: marquei o Frida, antes que ela se arrependesse, mesmo porque era restaurante a que queria muito ir, há já algum tempo.

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Estávamos na penúltima segunda-feira (e, portanto, última semana) de Agosto e, ainda assim, à hora da abertura (pensávamos que seríamos as primeiras) já estavam duas ou três mesas ocupadas – curiosamente, todas com turistas, o que é engraçado, se pensarmos que o Frida não está propriamente em local onde se passe e entre: ali junto ao largo da maternidade, só lá vai ter quem tem esse propósito. Fomos recebidas pelo chefe de sala (e, creio, co-proprietário e marido da mentora do Frida) que simpática e educadamente nos deu a escolher entre dois tipos de mesas; a verdade é que, ainda que as que têm os sofás me pareçam mais convidativas, não pude deixar de me inclinar para aquela que tem um retrato de Frida a guardá-la.

Durante o serão, fomos sendo visitadas pelas duas pessoas de serviço na sala: quem nos recebeu e uma funcionária cuja língua-mãe é o castelhano cantado do outro lado do Atlântico, que prima tanto pela doçura e delicadeza como pelo conhecimento da ementa, para além de estar vestida “à mexicana”, com um trajo que me apetecia trazer para casa, de tão bonito. Mal nos sentámos, trouxe-nos o couvert: “Totopos acabadinhos de preparar, acompanhados de uma deliciosa «salsa de pica de gallo»” (é esta a magnífica entrada, na ementa), que consiste basicamente naquilo a que por cá chamamos de snacks de milho (os melhores que comi na vida, e ainda mornos de “frescos”) com um molho de cebola, tomate e pimento, que soube que nem ginjas. Os mesmos totopos vieram a acompanhar o Guacamole (delicioso) que pedimos com entrada e que fizemos acompanhar da melhor Marguerita que bebi na vida (não que eu beba margueritas a torto e a direito mas já tenho alguma vida e saboreei as suficientes para poder comparar): o bordo do copo tinha a quantia exacta de sal e o gelo manteve-se magicamente até ao último gole de líquido – juro que parecia magia e fiquei muito grata pela sugestão da funcionária. Já agora, disse-me um passarinho que também gosta de lá ir molhar o bico que a Marguerita de maracujá é de beber e suplicar por mais (fica, definitivamente, para a próxima.)

...snacks de milho (os melhores que comi na vida, e ainda mornos de “frescos”).

Entretanto, havíamos escolhido os pratos principais, o que se revelou tarefa dificílima: às vezes (quase sempre), gostava de ter carteira e estômago para provar toda a ementa e pronto. Vieram o Chile Ventilla (chile ancho recheado com queijo e feijão e coberto com molho de natas com um toque de chille pasilla – óptimo para vegetarianos, portanto) para a mãezinha e os Camarones Al Guajillo (camarões marinados em chile de árbol, acompanhado por arroz de banana) para esta vossa serva. Evidentemente que provámos o prato alheio e nem sei se vos diga, se vos conte: o que ali se serve, a avaliar pelo que provei, é coisa de excelência. As quantidades são muitíssimo bem pensadas, os sabores de outro mundo e as combinações vitoriosas: mas eu alguma vez pensei, sequer nos meus sonhos mais arrojados, rejubilar com arroz de banana, eu que nem sequer vibro com arroz e muito menos com banana?! Pois, mas aquele encheu-me as medidas, tal como os chile do outro lado da mesa, sendo que ambos são pouco apropriados para quem não suporta picante (eu adoro, claro).

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Nesta altura já estávamos plenamente satisfeitas mas mais depressa me obrigariam a dançar quizomba de leggings e crop top do que sairia dali sem comer sobremesa, santa paciência. Também aqui a selecção foi dificílima mas, com ajuda, lá se fez a escolha: a MAA foi pelo Pastel de 3 Leches (fatia de bolo húmido com toque de brandy e noz e cobertura de natas e morangos) e eu inclinei-me para o Pastel Impossible (bolo de chocolate e pudim) – ainda hesitei entre este e os Buñuelos Com Cajeta, mas pedi conselho e quando me disseram que aquele era mais doce, a decisão foi imediata. E já nem sei que mais diga sem parecer que fiquei absolutamente derretida com o Frida – mesmo porque fiquei, não adianta mentir. O bolo da mãezinha parecia bolo-de-aniversário, mas em muito bom, com um gosto extraordinário, de consistência macia e húmida (ela adorou) mas o meu encheu-me as medidas: o pudim de ovos era bom, mas a base de chocolate era daquela que até se cola aos dentes, de tão consistente, e o molho e os pedaços de morangos foram o apontamento que o tornaram ainda mais perfeito.

E depois há todo o espaço, carregadinho de pormenores deliciosos (a tal ponto que até eu achei que já estava a fotografar demais), e o ambiente, acolhedor e familiar sem ser intrusivo ou (é o termo) maçador (muito pelo contrário), uma casa de banho que cheirava melhor que qualquer outra (perdoem-me, ligo até a estas coisas), uma sala cheia mas não barulhenta, uma iluminação perfeita e… olhem, a vontade de regressar, sempre que puder.

Os nossos bons apetites ficaram por 30€ por estômago e o Frida é visita obrigatória para quem gosta (ou quer conhecer) a boa cozinha mexicana.

A Galeria de Fotografias

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