Na verdade, a coisa estava combinada para a Casa de Pasto da Palmeira: tratava-se da comemoração dos meus X anos menos um dia com a família mais chegada (em termos geográficos) e disponível e queria dar-lhes a conhecer um dos estaminés que ultimamente me encheu as medidas. Mas a chafarica da Cantareira encerra à Segunda-feira (e, como não aceita reserva, não telefonámos – o que nos teria poupado a viagem). E a Cufra (hipótese seguinte) também, pelo que se tratou de puxar pela cabeça na tentativa de encontrar um local que nos agradasse aos quatro. Lembrei-me de um restaurante de que só tenho ouvido falar bem (tão bem que se diz que o preço acima da média é perfeitamente justificado): o Toupeirinho, na Rua do Godinho, em Matosinhos. E lá fomos, a medo, não fora também este encerrar no pior dia da semana para se sair para jantar.

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Depois de consultado o mapa, para ver como ir parar a uma rua que todos desconhecíamos, ao menos de nome (e viva o iPhone! – sendo que ninguém nos paga a publicidade), fomos esclarecidos pelo arrumador que me “ajudou” a estacionar (adoro quando reproduzem com as mãos as manobras que faço sozinha): o Toupeirinho estava aberto e tratava-se de “um restaurante muito famoso, menina”. À entrada, percebe-se porquê: a sala é pequena (e eu gosto de restaurantes pequenos) e muito acolhedora; por outro lado, está tudo ali,  à nossa frente, no balcão: os peixes do dia, os mariscos já prontos a ir à mesa ou por arranjar. O Toupeirinho passa, desde logo, uma mensagem de genuinidade a que não é fácil resistir.

O Toupeirinho | O balcão
O balcão

Chegámos cedo, cerca das oito e pouco da noite, e foi o que colmatou a falta de reserva (não esqueçamos que não era ali que íamos, o que também justifica a fraca qualidade das fotografias, tive de me desenvencilhar com o telefone): sendo um restaurante pequeno, que não levará mais do que 28 clientes (contámos as cadeiras), ou trinta, com muito boa vontade, não seria difícil termo-nos deparado com casa cheia e sermos enviados para outra freguesia. Mas a recepção afectuosa (sem ser forçada ou despropositada) mas formal do dono indicou-nos duas mesas que não estariam marcadas. Escolhemos a mais próxima do balcão, o tal onde o peixe e os mariscos frescos ainda trazem o cheiro do mar agarrado (porque o peixe fresco não cheira a peixe, cheira a mar!).

Uma vez sentados e colocados perante umas azeitonas deliciosamente temperadas, uma broa torrada com manteiga de ir à lágrimas (de alegria), um presunto fabuloso, uns pãezinhos de trigo acabados de sair do forno e os tradicionais cremes para os barrar (manteigas, queijos, patés), que tratámos de ir deglutindo com prazer, era tempo de escolher entradas e pratos principais. E aqui urge fazer uma ressalva: no Toupeirinho, a condição essencial é gostar de peixe. Pesem embora as (poucas) entradas de carne na ementa, seria um atentado ir a um estaminé como este e não optar, à cabeça, por habitantes dos mares: um perfeito desperdício.

O Toupeirinho | O linguado
O linguado

Quanto às entradas, foi fácil: percebes. E vieram quentes, cozidos na altura; e eram enormes e saborosíssimos e transportavam em si o Atlântico. Uma perfeita delícia. Quanto aos pratos principais, três de nós acertaram imediatamente: linguadinhos com arroz de legumes e não se falava mais nisso. Já eu, quis lulas e não havia (“só quando as há da costa, menina, daquelas grandes; não trabalhamos com importadas ou congeladas”), quis imperador e também não era dia, pelo que deixei que me recitassem o que tinha à minha disposição e acabei por optar por linguado grelhado. Felizmente, o dono escolheu “um dos mais pequeninos para a menina”, de outro modo ainda agora lá estaria a tentar fazer a folha ao bicho, que foi arranjado à minha frente, como quem adivinha que se há coisa que abomino (e daí comer tão poucas vezes peixes) é ter de saber onde há espinhas e tentar comer o peixe sem o desfazer. Quanto aos manjares propriamente ditos, só elogios, por parte de todos: sabor irrepreensível, cozinha e tempero sem mácula e, claro, serviço de primeira (tanto nos sólidos como nos líquidos: escolhemos um verde branco Muralhas, fresquíssimo, que nos foi sendo servido sem necessidade sequer de pensarmos que era preciso reabastecer os copos).

E depois foram as sobremesas, que já mal cabiam até num estômago anormalmente elástico como o meu – mas era preciso o esforço. Com duas desistências, pediu-se um leite creme e uma delícia de laranja, a que, por iniciativa do dono, se juntaram as famosas (soube-o depois) queijadinhas da casa, que justificam toda a fama do mundo. Quanto ao resto: a delícia estava bem e recomenda-se mas o leite creme, esse, excedeu-se: feito, todo ele, na altura e queimado a preceito, destronou qualquer outro do primeiro lugar do ranking dos leites-creme (se o houvesse).

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No final, chá de menta (o auxílio à digestão era já fundamental) e café para todos e uma conta que, não traduzindo propriamente valores pequenos (137€ por quatro cabeças – e desta vez não houve “contas à moda do Porto”, mas seriam menos de 35€ por pessoa), se revelou justíssima, tendo em conta o serviço e a quantidade e qualidade de tudo quanto ingerimos.

Como nota final para os mais distraídos, registe-se que este é o primeiro estaminé em que não fomos capazes de encontrar um único ponto negativo – o que anuncia, desde logo, a excelência do restautante Toupeirinho, que recomendamos de olhos fechados.
Vai daí, lá ou noutros locais, desejamo-vos, Cardume janota, os melhores dos apetites. Sempre.

Restaurante Toupeirinho

Morada: Rua do Godinho 27, Matosinhos
Telefone: 229 387 016
Horário: Seg a Sáb – 12h00 às 24h00
Aceitam reservas? Sim

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