Petiscos

Uma incursão em três actos (e meio)

2 Jul , 2012   Galeria

O carapau AV não conhecia ainda os tão badalados cachorrinhos da Cervejaria Gazela nem as tão afamadas bifanas da Conga, que também seriam novidade para as carapauas, pelo que aproveitámos a última incursão do mês de Junho, dedicado à Baixa do Porto, para colmatar esta falha.

O primeiro acto deu-se na Cervejaria Gazela, onde os três Carapaus chegaram pouco depois das oito horas e onde já nos aguardava a AB, já habitué das incursões. Um pouco mais tarde juntou-se a nós o JC.

Gazela | O cachorrinho

O cachorrinho

O espaço é pequeno: um balcão grande em U com cadeiras a toda a volta, no centro da sala, delimita e separa a cozinha (onde se encontram todos os empregados) dos clientes. Quando chegámos a cervejaria já estava composta, com todos os lugares sentados preenchidos. Optámos por ficar num balcão, onde apesar da louça suja que por lá se encontrava (pratos e copos de cerveja), arranjámos um espaço que nos servisse. Pedimos um cachorrinho para cada um, um prato de batatas fritas e uma rodada de finos. A cerveja foi servida prontamente e era Super Bock. As batatas também não demoraram, eram caseiras, estavam bem fritas e escorridas. Os cachorros demoraram mais um pouco mas lá chegaram. O JC, que havia chegado mais tarde, pediu o cachorro depois, já havia fila à porta, e foi complicado de ser servido. O AV, que não viu nada de especial no cachorro, decidiu pedir um prego em pão. Aproveitámos e pedimos mais um prato de batatas e outra rodada de finos. O prego, apesar do seu bife ser tenro, não deixou memória e o segundo prato de batatas não chegou a ser servido. A confusão já se tinha apoderado da cozinha pelo que decidimos pedir a conta e passar ao segundo acto. Contas feitas, sete euros a cada para uma entrada bem regada com a já habitual cerveja.

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 O segundo acto dar-se-ía na Conga e o percurso até lá foi feito a pé, desde a Praça da Batalha até à Rua do Bonjardim (pouco acima do Rivoli). Quando chegámos, por volta das nove e um quarto, a casa das bifanas estava ainda praticamente vazia e foi fácil arranjar mesa para cinco, mesmo sem marcação. O empregado juntou de imediato uma mesa a outras duas que albergavam apenas quatro. Neste processo, o empregado deixou cair o suporte dos guardanapos, que se espalharam no chão. Fiquei agradavelmente surpreendida, apesar de não ser de esperar outra coisa, pelo facto do empregado os ter deitado todos ao lixo de imediato.

A entrada é marcada pela zona de confecção das bifanas, nuns tachos gigantes colocados em cima de umas bocas de gás, localizadas mesmo na montra do estaminé de onde sai uma baforada que marca os vidros e dá um aspecto de tasca à coisa.

Conga | A bifana

A bifana

Pedimos quatro bifanas, a AB absteve-se de comer na Conga pois para além das bifanas serem demasiado picantes para o seu palato, já não pensava noutra coisa que não a sobremesa. Para acompanhar, dois pratinhos de batatas fritas e finos para todos. As batatas pareciam caseiras; no entanto, apesar de bem fritas, chegaram à mesa mal escorridas, cheias de óleo. Para mim e para o JC tinham a vantagem de não terem sal, que foi colocado na mesa, a pedido. As bifanas, não sendo excepcionais, agradaram os comensais. Refira-se a particularidade da carne ser fatiada muito fininha e apresentar pouca gordura. A quantidade de picante, na opinião da maioria, é q.b.. O pão era fresco e a parte de cima estava estaladiça. O AV, a AA e o JC repetiram a dose mas o pão já veio mais mole não sendo tão agradável. No final, os cafés e a conta, que não foi dividida em partes iguais uma vez que nem todos haviam comido e bebido em partes comparáveis. Duas bifanas, dois finos e café resultou em sete euros por pessoa. Às quartas, quintas, sextas e sábados a casa das bifanas, como se auto denomina, fecha às duas da manhã mas nos restantes dias fecha às nove da noite. Enquanto jantávamos foi chegando gente, na sua maioria do sexo masculino, e quando saímos as mesas já estavam bem compostas não sobrando muitos lugares vazios.

Antes de passarmos ao último acto e porque julgámos que ainda seria cedo para irmos para o BBGourmet acatamos a sugestão da AA e fomos, mais uma vez a pé, até à Praça D. Filipa de Lencastre beber uns finos na esplanada do Rádio bar. Por volta das dez e meia, a baixa ainda se encontrava com pouca gente. Em pleno bar, um gatinho, ainda com poucos meses, muito brincalhão e à procura de dono, roubou completamente todas as nossas atenções.

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 Para chegar à tão esperada sobremesa, a degustar no BBGourmet, localizado em Bessa Leite, na antiga Maiorca, havia que pegar nos carros. Como éramos cinco, a AB e o JC deixaram os carros pela baixa e fomos todos juntos. A expectativa era alta, tínhamos andado a cuscar a extensa lista e a vontade de provar mais do que uma sobremesa era grande. Eu, o JC e a AA conhecíamos o restaurante e foi a AA que sugeriu uma ida lá, após ter visto numa revista que existia um menú sobremesa que, por seis euros, nos dava acesso a uma sobremesa à escolha, de entre todas as que figuram na lista, e uma bebida (um copo de vinho branco, tinto, espumante, água, refrigerante (talvez, pois não chegamos a essa parte), chá ou café.

A minha escolha recaiu sobre a tartelete de limão com variações de limão e violeta, o JC optou pelo bolo de chocolate com sua mousse e sorvete de limão, a AA optaria pela mesma sobremesa que o JC, mas como gostávamos de experimentar coisas diferentes e como a AA nestas coisas é uma fácil, prontamente alterou o seu pedido para o São Tomé em duas texturas com mousse mascarpone, a AB escolheu as variações de maracujá e o AV, intitulado pela AB como “Carapau au chocolat” por escolher invariavelmente mousse de chocolate sempre que a há, resistiu ao seu instinto e pediu o expresso com texturas de café em terras de avelã que trocou pelo mil-folhas de chocolate-laranja com variações cítricas uma vez que o expresso já teria partido e não voltaria a tempo de ser servido nas palavras de quem nos veio dar a notícia. O atendimento formal foi cortado por uma ou outra intervenção dos carapaus o que fez com que o empregado se soltasse e nos servisse com um pouco mais de sentido de humor. Para acompanhar foram servidos dois copos de vinho branco, Tavedo das caves Burmester, e três cálices de espumante Messias.

Os pratos demoraram um pouco a chegar, pois há que fazer um empratamento à maneira, e a AA ainda teve tempo para a sua performance da noite ao exemplificar um golpe de Muay Thai (arte marcial) muitas vezes confundido com o serrar um tronco ou mesmo tocar harpa!

O sabor das sobremesas estava de acordo com o aspecto, deliciem-se com as fotografias que vos apresentamos!

Ficámos com vontade de repetir a experiência no BBGourmet!

Um jantar diferente, muito bem passado e como sempre bem animado.

 FIM!

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Raquel Varela

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  1. […] (vejam lá se o Bourdain vai a estas chafaricas globalizadas ou se prefere ir enfiar-se nos nossos tascos preferidos), mas pronto, abriu. E está num edifício lindíssimo, ali entre a Rua do Almada e a Avenida dos […]

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