Isto hoje, caríssimo Cardume alargado, não tem qualquer ciência: vem o Cardume em sentido restrito lembrar-vos do evidente facto de que os Santos Populares estão aí em fila indiana para nos dar feriados e festejos, claro, mas também (e jamais menos importante) novas oportunidades para degustar (ou enfardar, é conforme o gosto da freguesia e nós cá acumulamos) preciosas iguarias.

E nós, para darmos o exemplo (que isto não é só escrevinhar, há para aqui muito trabalho de campo, resmas de investigação, carradas de ensaios), começámos já pelo Senhor de Matosinhos, antes que se fizesse tarde. Agarrei em mim e fui ter com a CP, uma das minhas companhias gastronómicas recorrentes (tenho várias, para poder ir a todas as capelinhas), num fim de tarde quente, já de Verão antecipado, mesmo ao centro de Matosinhos. Ela é uma mulher da terra, que conhece a zona como a palma das suas mãos, bem como todas as paragens obrigatórias da festa. Tínhamos três objectivos: ver as barraquinhas com produtos à venda, jantar e pôr a conversa em dia.

Estacionámos o carro perto e pusemo-nos ao caminho: a ideia era fazer todo o recinto da festa, começando ali mesmo, junto à câmara, até que nos apetecesse parar para comer – devagar, observando gentes, artesanato e outras vendas, enquanto dávamos à língua. E há ali coisas giras: porque fomos a uma hora sensata, conseguimos ver, sem pressas nem empurrões, bijutaria engraçada, presépios maravilhosos (o meu preferido era um mini, feito de sarapilheira), barros mil, bonecos, quermesses – coisas para todos os gostos. Infelizmente, a belíssima igreja que homenageia o santo que dá o nome à festa não pôde ser visitada por estar já fechada.

Mais abaixo, e dispensando o caldo-verde, parámos para o pão com chouriço (3,65€, custou o dito mais um refrigerante de lata) – não onde queríamos, porque isso obrigar-nos-ia a comer de pé, mas onde havia mesa para abancar. Com o porto de Leixões ao fundo e os últimos raios de sol a aquecerem-nos a alma e o corpo, saboreámos um pão ainda morno, generosamente recheado de um enchido que não escorria gordura e sabia mais que bem. Ao lado, estaminés de bifanas e de assados na brasa como deve ser: carnes, peixes, batatas, pimentos e tudo a que o comensal tem direito, caso o comensal pretenda uma refeição mais tradicional.

A nossa primeira etapa era findada e fomos a mais uma voltinha: comprámos rifas em quermesses (trouxe um dado e um detergente para máquina de roupa de 36 doses bem janota, mais um saco de pão que saiu à CP), azeitonas com fartura e não deixámos de ir à Associação Midas ver o que havia para ajudar (e lá veio mais uma t-shirt, e lá se assinou mais uma petição). Depois da canseira, era tempo de repor energias e a próxima paragem estava definida há muito: Mário das Farturas, pois com certeza.

Para justificar o enfardanço que aí viria, até demos mais uma voltinha pela zona dos carrosséis, que estava já a ficar cheia de gente – de notar que nos referimos à quarta-feira seguinte ao feriado municipal matosinhense, em que é suposto a coisa estar mais calminha. Só que nem por isso: aquilo era um manancial de gente, sobretudo casalinhos e famílias jovens, com filhos pequenos, mas também agregados completos com três gerações – e é engraçado perceber a transversalidade das festas populares, onde se encontra gente das mais diversas origens e interesses (o que é giro que se farta).

Quando abancámos no Mário, tínhamos a esplanada quase só para nós (relembro que encetámos hostilidades às sete da tarde, para precaver multidões e garantir que não dava para muito tarde) e rapidamente fomos atendidas: “meia dúzia de farturas das fininhas, quentinhas”, pediu a CP – e juntámo-lhes um Sumol de ananás para ela (“porque farturas destas só vão bem com Sumol de ananás”, diz ela) e uma Água das Pedras (porque não havia Frize Limão) para mim. E as meninas chegaram pouco depois, certamente vítimas de um milagre da multiplicação, porque havia ali bem mais de meia dúzia – só que não, porque para eles uma fartura é coisa quase de meio metro, cortada a meio (tínhamos uma dúzia, sem medos, ali).

E olhem, comemos o que pudemos e a sensatez deixou – é que até eu sei, sobretudo porque tinha tido uma consulta de medicina no trabalho, à tarde, que estas coisas podem não (me) engordar mas o colesterol corre o risco de disparar, que a pessoa já não vai para nova. Ainda trouxe um par delas para casa, pronto, sendo que este segundo repasto nos ficou por 3,25€ por estômago.

Nesta altura, já o recinto estava absolutamente invadido e o musicol dos carrosséis imparável, pelo que era tempo das donzelas recolherem ao coche que as levaria a casa, mesmo porque, apesar de a tarde parecer desmentir o facto, a verdade é que não estamos no Verão e os nossos trajes eram insuficientes para fazer face ao grizo que se levantou.

Sabem o que vos dizemos? Escolham o Santo (ou vários), divirtam-se e jamais se esqueçam dos bons apetites.

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2 Comments

  1. Não há como não gostar do Sr. de Matosinhos! Principalmente quando bem combinado de forma a ser exequível as andanças. Foi um belo fim de tarde e início de noite! E sim, desde criança que bebo sempre com as farturas sumol de ananás! É uma vez por ano que bebo e só assim me sabem bem!
    Até Domingo ainda há festa!
    Claúdia

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