Casa Santo António

Petiscos

Uma Casa Santa (que é tasca gourmet)

11 Mai , 2012   Galeria

Num mês dedicado à petiscada à portuguesa, e depois de uma primeira incursão, que ficou de certa forma aquém das nossas (sempre elevadas) expectativas, estávamos precisados de arrebitar as barbatanas: ainda assim, e porque as nossas reuniões de calendarização se fazem em 5 min, entre mensagens diurnas ou numa viagem de carro de 2kms, foi por puro golpe de sorte (se é que isso existe – mas isso é matéria para outras chafaricas) que, numa segunda saída (e após a já descrita e rigorosíssima disputa acerca dos restaurantes sobre os quais recairiam os nossos ávidos apetites, do género: “Olhem lá, vamos onde?” … “Hmmm, não falámos no restaurante X?” “Olha, não me lembro, mas vamos nessa!”) fomos parar à Casa de Santo António | Tasca Gourmet.

Dos três Carapaus, só o AV conhecia o estaminé e, baseados na experiência dele (duas refeições muito boas e uma a roçar o pobrezinho), íamos expectantes, ainda que nada apreensivos (a apreensão é mal que não pega em Carapau), mesmo porque, como sempre, estaríamos bem acompanhados: a já honorabilíssima IP juntou-se a nós, bem como a FV e o HS (e o rebento JS, que haveria de ter importância crucial para determinar um dos critérios de qualidade do restaurante que nos recebia), em estreia.

Casa de Santo António | A Guitarra Portuguesa

A Guitarra

A Casa de Santo António (aberta entre as 12h30 e as 14h3o, para almoços, e entre as 21h00 e as 24h, ao jantar) fica na Rua de São Bento da Vitória, entre a Torre dos Clérigos e a Cadeia da Relação, o que faz com que o estacionamento nas redondezas seja o maior dos problemas, se não estivermos dispostos a pagar parques públicos a peso de ouro; de qualquer modo, durante a semana, mais voltinha menos voltinha, não é tarefa difícil. E, porque o cardume faz os TPC’s, sabemos que se trata de um estaminé que era outrora frequentado pelos actuais donos, estudantes na Invicta; ora estes, saudosos dos tempos em que ali matavam a fome e acalmavam a gula, pegaram na tasca quando esta esteve para venda (há poucos anos) e reformularam-na, fazendo questão de lhe manter a alma e a boa cozinha. Pese embora não saibamos como era o antes, estamos habilitados a falar do depois de um restaurante (se assim lhe podemos chamar, dadas as suas especificidades) onde também há noites de fado e a alma portuguesa está impregnada, no resto dos dias: a música de fundo foi uma agradável companhia (tivemos Carlos do Carmos, Paulo de Carvalho, José Cid, tunas – provavelmente a aludir à época de Queima das Fitas em curso) – tudo do bom e do melhor, nem demasiado alto que se sobrepusesse às conversas, nem excessivamente baixo que não fosse audível).

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Casa de Santo António | A Decoração

A Decoração

Uma vez chegados, ao bater das 21h, fomos acolhidos por um dos donos que, num espaço mínimo (alberga cerca de uma vintena de comensais, o que torna a reserva obrigatória), rapidamente arranjou forma de instalar o carrinho de bebé do JS, ficando o seu trabalho constrangido pelo facto de ter de contornar atleticamente a “instalação” de todas as vezes que por ali passou – o que nos agradou particularmente e faz da Casa de Santo António um estaminé indubitavelmente baby friendly, mesmo porque, a partir de determinada altura, e apesar de o espaço estar lotado (de estudantes, sobretudo, nacionais e estrangeiros) e de a animação das vozes ser audível (e, contudo, não excessiva), o JS dormiu como… um bebé, pronto.

Passemos ao determinante: a comida. A Casa de Santo António, tal como outros estabelecimentos de género, não tem ementa, para além do que é apresentado em quadro de ardósia preta, escrito a giz, logo à entrada: o que nos foi proposto foi serem-nos apresentados os vários petiscos à disposição naquela noite (sendo que seria trocado qualquer deles de que, à partida, nenhum de nós gostasse), até que estivéssemos absolutamente satisfeitos. E assim foi: houve cenouras à algarvia (cozidas, temperadas com pimenta e provavelmente cominhos, muito agradáveis), azeitonas, pão e, depois, um não mais acabar de iguarias que foram trazidas a um ritmo óptimo, que só ficou comprometido quando o restaurante encheu e as mesmas duas mãos tiveram de servir toda aquela gente. Tivemos ovos com farinheira (unanimemente eleitos como um dos pontos altos da noite), punheta de bacalhau, chouriço assado (deveria ser por nós mas, por causa do bebé, o dono tratou do assunto em mesa vizinha e só tivemos de o cortar e comer), peixinhos da horta, favas com chouriço, bacalhau com natas, quiches (uma de atum com bacon, azeitonas e tomate, a outra de frango com cogumelos, ambas altas e deliciosas), umas moelas de comer e chorar por mais (eleitas como outro dos pontos altos da noite: para além de tenras e bem confeccionadas, apresentavam um molho diferente do comum, entre o molho de bife e os molhos indianos, com sabor a caril), rojões (sem sangue) com arroz de feijão, pataniscas bacalhau e bochechas de porco (divinas!).

Esgotámos todos os petiscos que a cozinha tinha para oferecer naquela noite (em conversa com o dono, soubemos que vão variando, em função das estações do ano e dos pedidos), cometemos a proeza de não ter de repetir, por estarmos já satisfeitos, e aplaudimos de pé cada um deles, à excepção das pataniscas de bacalhau: sensaboronas, faltava-lhes o peixe e as obrigatórias salsa e cebola, ficando-se quase só por uma fritura do polme e apenas sugerindo os ingredientes principais. Ainda assim, e dada a qualidade do restante, cremos que se terá tratado de uma situação pontual, que não define (de todo!) o que é a Casa de Santo António.

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Faltavam-nos apenas as sobremesas para nos certificarmos de que se tratara de uma incursão muitíssimo bem sucedida e a verdade é que tanto a mousse de chocolate (caseira) e o cheesecake (idem) só confirmaram a nossa intuição – de todo o modo, o cheesecake não foi consensual, uma vez que (felizmente, digo eu) não se tratava de um daqueles semi-frios que por aí se servem, com quase nada de queijo, muita nata e aqui vai disto; pelo contrário, a receita que ali tínhamos (e confirmámo-lo com o dono/empregado) era fiel à original norte-americana, sabia mesmo a queijo (o que não faz as preferências da RV e da IP mas preenche as minhas) e requeria forno. Eu adorei e comi (não, não provei, comi mesmo) das duas.

Com o café (Nespresso), veio a conta: 15,15€ a cada um dos seis pareceu-nos coisa pouca para o opíparo jantar, ainda que o AV tenha memória de ocasiões em que comeu sensivelmente o mesmo e terá pagado (sim, sim, não é “pago”, é mesmo “pagado”) dois ou três euros a menos – serão talvez os efeitos da inflacção troikiana e os Carapaus a contribuir para o seu termo.

Contas feitas e saldadas, eis que se passou mais um serão em que se tratou do estômago e do espírito, tendo o Cardume o prazer de poder recomendar, sem senãos, a Casa de Santo António a toda a sua freguesia.

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Ana Andrade

Ana Andrade

Agridoce, de tempero forte e gargalhada salgada.
Ana Andrade

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