O Golfinho | Porto | Carapaus de Comida

Petiscos

O Golfinho | Porto

13 Nov , 2015   Galeria

O Golfinho estava na nossa lista de estaminés-a-visitar há tanto tempo que começou a ser deixado para trás. Mais: passo lá à porta carradas de vezes, quando calho de ir para a baixa, e nunca tinha dado pelo facto de que este mesmo Golfinho que queria conhecer era aquela chafarica (aparentemente) sem graça, numa localização privilegiada – fica ali na Sá de Noronha, a dois passos do super trendy Aduela, entre a Rua José Falcão e a Praça de Carlos Alberto – onde jamais me apeteceu entrar.

Acontece que o acaso, as mais das vezes, é o nosso melhor amigo: numa quinta-feira, um jantar combinado à pressa acabou por nos remeter para lá, graças aos afazeres profissionais da MJ, que não se despachou a tempo de irmos aos dois primeiros estaminés selecionados. Ora o Golfinho fecha à meia-noite, pelo que foi por exclusão de partes que lá fomos parar – não porque não houvesse mais sítios abertos às quase 23h, mas porque aqui a chata gosta de ir a sítios novos (e os amigos fazem a vontade), pelo que as duas condições teriam (idealmente) de estar reunidas.

Quando cheguei (faltavam dez minutos para as onze da noite), desci os pouco degraus que nos colocam um nadinha abaixo do nível da rua e dei com um espaço sobre o comprido, meio cheio de jovens adultos que falavam uma mescla de português e inglês, e achei tudo feio e um pouco frio – mas depois reparei no balcão e nos azulejos e percebi que também ali havia beleza, embora não imediata. Por detrás do balcão, um senhor baixinho (que creio o proprietário ou, pelo menos, o responsável-mor), olhou-me sem interesse e quase me desmoralizou quando me atirou um “é para comer? Mas olhe que a cozinha está a fechar…”. Caiu-me tudo: pelos vistos, o Golfinho fecha à meia-noite mas a cozinha pára às onze. Ora, para além de esfaimada, queria mesmo conhecer aquelas que se dizem ser umas das francesinhas com melhor qualidade/preço da cidade – e estava a ver o caso mal parado. Felizmente, a MJ e o HA chegaram nesse instante e os nossos olhares de bichos abandonados e famintos devem ter surtido efeito: “podemos servir prego no prato ou francesinha, apenas”. Negócio fechado, por nós: mandaram-se vir duas sem ovo, uma com, e todas com batata.

Entretanto, fomos bebericando o belo do fino Super Bock (como se pudesse haver alternativa…) e não tínhamos ainda começado a pôr as vidas em dia (nem as redes sociais, porque ali faz-se gáudio em não se disponibilizar wi-fi: o espaço é pequeno e, se se o fizesse, muitos clientes se perderiam) quando nos aterraram à frente as três maravilhas, servidas em recipiente de barro (quente, da ida ao forno a derreter o queijo), sobre prato comum. Ao lado, em duas travessas de alumínio, batatas fritas caseiras, acabadas de retirar do lume, e em quantidade imensa. “Agora só saem daqui quando tiverem acabado de comer isso tudo” – o dono, mais solto e muito simpático, não conhecia ainda os espécimes que tinha em sua casa.

As francesinhas do Golfinho são coisa original: as carnes estão lá todas na dose certa, mas não em quantidade absurda; o molho é saboroso (atomatado mas equilibrado) e mais líquido do que cremoso – e tudo isto torna esta sandes-invicta uma coisa quase leve (nas devidas proporções e tendo em consideração que uma francesinha nunca é propriamente um prato aconselhado a quem está em contenção calórica), que não me custou nada a digerir, mesmo tratando-se daquelas horas e de o dia seguinte ser de trabalho. As batatas são deliciosamente caseiras e só apetece mergulhá-las naquela molhanga e comê-las sem restar uma única – e foi o que fizemos, sem cerimónias.

No final, a conta ficou por 10,15€ por estômago (francesinha e dois finos para cada um) e percebemos a razão por que, tanto no Trip Advisor como na Zomato (ou, inclusivamente, nos já seis volumes dos cadernos que o dono mantém numa estante por detrás do balcão, em que convida cada cliente a escrever de sua justiça, algo que fizemos com gosto), o Golfinho está muitíssimo bem cotado – este é um dos casos claros em que as aparências enganam: pode ter-se muito bons apetites em sítios por que passamos e para que não olhamos duas vezes.

O Golfinho | Porto
4 Carapaus
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Positivos
a relação qualidade/preço a francesinha a simpatia do serviço
Negativos
o espaço pouco atraente
Resumo
Aqui come-se uma francesinha única e de qualidade, por um preço amigo, numa localização privilegiada.
Serviço4
Comida4.5
Preço/Qualidade4.5
Espaço3
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Casa de Pasto O Golfinho

Morada: Rua de Sá de Noronha, 137
Localidade: Porto

Telefone: 222 081 636
Horário:Seg a Sáb – 09h às 24h
Aceitam reservas? Sim

No Zomato
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Ana Andrade

Ana Andrade

Agridoce, de tempero forte e gargalhada salgada.
Ana Andrade

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