Quarta-feira é “O” dia: pode a semana estar a correr mal, pode o fim de semana ser uma miragem mas há sempre o jantar do cardume para recarregar energias e recordar o que é realmente importante: os amigos, o comer e o beber, o falar de tudo e de nada e sai mais uma crónica que se faz tarde.

Desta feita, rumámos àquele que, dizem os entendidos, é um dos melhores restaurantes de leitão, a Norte, o Flor do Ave, na Trofa. E, embora desfalcados, porque 25% de nós não puderam acompanhar-nos (MS, sentimos a tua falta, miúdo!), tentámos fazer jus ao espírito do cardume e comemos como se estivéssemos todos juntos (literalmente, comemos por mais alguns, pronto).

O Flor do Ave tem duas enormes salas, sendo que nos estava reservada a do primeiro andar. Note-se que, em dias de maior afluência (fins de semana e épocas especiais como Natal, Páscoa, dias de namorados e afins), convém reservar mesa, já que não é raro a casa, ainda que preparada para muita gente, estar cheia até ao telhado. Hoje, o andar de baixo estava composto (mas não lotado) e, no de cima, para além da nossa mesa e durante as quase 3h que por lá passámos, só três outras receberam gente.

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Os pedidos, depois das entradas (pão de mistura e melão com presunto, que não pedimos mas consumimos com prazer) foram consensuais: leitão para todos! Por sugestão do empregado (solícito e eficiente, ainda que não muito simpático), vieram duas doses que, segundo ele, seriam suficientes para quatro pessoas (faltou-nos o MS mas levámos o Carapau honorário JC), mais um vinho de boa memória para a Carapau RV.

O bicho estava de facto delicioso: bem temperado, pele estaladiça, suculento e com um molho que, ainda que muito espesso, era soberbamente apimentado, a puxar a vinhaça fresquinha. A salada, embora generosa e bem servida, pecava por um tempero sensaborão. Já das batatas, fininhas e com sal q.b., não se poderia esperar mais.

O que esperávamos mais era quantidade, claro está, que isto é cardume de muito alimento: as sugeridas duas primeiras doses (cada uma com oito pedaços, quatro por pessoa) foram-se num ai e lá tivemos de pedir mais do mesmo: mais duas, pois com certeza.

E comemos tudo, tudinho, até ao fim, que é feio deixar comida no prato, sobretudo quando ela sabe como esta nos soube (e tem o preço que tem, mas já lá vamos). Passados às sobremesas, a escolha não foi fácil e não necessariamente por um bom motivo: as opções são as tradicionais e não constam de vitrina onde possam ser apreciadas por alguém que come, antes de mais, com os olhos. Ainda assim, fizemos o desgraçado do empregado número 2 (porque o primeiro já estava, nesta fase, sentado a uma mesa com a cozinheira, a ingerir massa bolonhesa, enquanto restávamos nós como últimos clientes) abrir todas as caixas nas quais recebem as sobremesas que mandam fazer fora.

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Optámos por um leite creme (desta feita amornado a pedido e queimado na hora, para o Carapau convidado), uma mousse (para o
AV) e uma charlote de chocolate (para a AA, a RV fez gazeta ao doce), que receberam apreciação unânime: cumpriram mas não deslumbraram. Com os cafés, pedimos a conta, de que o empregado 2 fez o favor de se esquecer (aquilo já devia ser sono), deixando-nos à espera por mais de 15min, após os quais acabámos por interromper o repasto do primeiro empregado, a ver se nos vínhamos embora.

E foi aí que doeu. Doeu muito. Todos nós já comêramos leitão, todos nós já saboreáramos bom leitão, sobretudo na terra deles, perto de Coimbra, mas NUNCA pagáramos semelhante quantia por quantidade similar: 37€ a cada comensal, por quatro doses, duas garrafas de vinho, uma entrada (com quatro pedaços de melão e presunto), pão, 3 sobremesas e 3 cafés.

Pelas nossas contas, ter-nos-ia ficado mais barato rumar a Sul, em carro a gasóleo, e ir fazer a incursão à zona da Mealhada.

Ainda assim, para os resistentes nortenhos que prefiram ficar mais perto de casa (meia hora, pela estrada nacional, vinte minutos pela A3, com 95 cêntimos de portagem para cada lado, sendo que nós preferimos a primeira hipótese), registem o dia de descanso do pessoal, para não irem ao engano, na certeza de que o Restaurante Flor do Ave não desilude. Mas dói.

 

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Ana Andrade

Ana Andrade

Agridoce, de tempero forte e gargalhada salgada.
Ana Andrade

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8 replies
  1. Avatar
    Rui Pinho says:

    Eu posso-vos dar sugestões, mas evitem a Mealhada. A zona do leitão é a Bairrada e não a Mealhada, ao contrário do que muita gente pensa. Na Mealhada acontece o que vos aconteceu na Trofa, pagam muito, principalmente pelo nome. Obrigado pela dica. Esse já posso evitar.

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    • AA
      AA says:

      Erro meu, Rui, não por desconhecimento, mas por hábito.
      Ainda assim, garanto-te que já fui muito feliz a comer leitão tanto na Mealhada como em Cantanhede, por pouco mais de metade do preço, e até em Coimbra e Negrais, Sintra.
      Não deixes de ir ao Flor do Ave, se o dinheiro te estiver a pesar no bolso! :D
      Beijinho, bom fim de semana!

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  2. Avatar
    Barbara Taborda says:

    Experimentem o Zé Pacheco dos Leitões, em Baguim do Monte – Rio Tinto. Não é longe e o leitão é do melhor. E vem, claro, devidamente acompanhado pela batata estupidamente estaladiça e de salada com laranja tira-gosto!
    Quanto ao preço, sempre que lá fui, não achei exorbitante, mas tudo depende do tamanho do vosso estômago!
    Aguardo a vossa posta, para saber se de facto este leitão é melhor que o da Flor do Ave :)

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    • AA
      AA says:

      Muito obrigada, Bárbara, pela sua sugestão.
      O tamanho dos nossos estômagos ainda nos vai levar à ruína, mas pode ser que ainda não seja desta. :)
      Acrescentaremos o Zé Pacheco à nossa lista. Volte sempre!

      Responder
  3. Avatar
    Juliana says:

    E o “Fernando dos Leitões” (acho que se chama assim) que é bem pertinho d’A Grelha, hum? Fazem la um leitãozinho de comer e chorar por mais! Também é paragem habitual :D
    E se os Carapaus estiverem na disposição de uma sandocha de leitão (com o verdadeiro “pão das maminhas”, não sei o nome), é ir a Espinho, a uma casa com o mesmo nome da anterior. Também é bom! Fica muito perto da rua 23.

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