Comida Portuguesa

Retrokitchen | Nut’Braga

24 Jul , 2015   Galeria

A posta de hoje é a prova de que, por vezes, falhamos no alvo – mas acertamos em local ainda melhor, mesmo ao lado. A malta explica: mal soubemos da abertura da Nut’Braga (temos uma posta sobre a loja do Chiado, pela Carapaua-ocasional LA, mas o Cardume fixo ainda não tinha experimentado a coisa), contactámos as Carapauas honorárias locais, a AC e a SC e tratámos de marcar uma tainada. Obviamente, a sobremesa estava decidida, agora faltava marcar o local para o repasto que a antecede, o que ficou a cargo das nossas anfitriãs – e que bem que elas escolheram, abençoadas: após deliberação breve, ficou decidido que iríamos ao Retrokitchen, espaço relativamente recente, que é propriedade de uns amigos das nossas amigas e sobre o qual já lêramos umas linhas elogiosas na imprensa especializada (com quem nem sempre concordamos, mas gostamos de ir cheiriscar para poder discordar – ou nem por isso).

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No dia marcado, chegámos a Braga pelas 20h, após o que, estacionados mesmo junto às arcadas da praça central e já na companhia da AC e SC, rumámos, a pé, para o Retrokitchen. A primeira impressão é a melhor: o restaurante tem portadas abertas para a rua, o que lhe permite integrar-se nela (e haverá poucas coisa melhores, numa noite quente de Verão). Os resquícios dos festejos de São João permaneciam, dois dias volvidos sobre o feriado e a decoração do espaço (simples, quase rústico) é um encanto: perdemo-nos em pormenores deliciosos, que registámos fotograficamente – e evidentemente que sabemos que este conceito não é novidade, mas o modo como cada um o aplica nunca deixa de surpreender.

Uma nota para um elemento decorativo cuja história nos foi contada pelas nossas anfitriãs: a Abelha Maia sita no pático das traseiras, junto às casas de banho, foi comprada pelos donos do Retrokitchen quando o café que a albergava fechou – afinal, várias gerações de meninos bracarenses foram embalados por ela, a troco de uma moeda, e não havia como deixá-la desaparecer. Ora se isto não é um cartão-de-visita bestial, não sei o que seja, não senhores.

Ora enquanto eu me perdia com as fotografias do local, já os meus confrades se haviam sentado e as primeiras iguarias iam chegando à mesa (não é preciso pedir, elas volatilizam-se ali à nossa frente): tínhamos amêijoas a modos que à Bulhão Pato (o tempero não estava mal mas o bicho em si era pequenote e pouco suculento), uma alheira com forte sabor a cominhos (que agradou 50% da mesa e não colheu aplausos da outra metade), pão tipo regueifa e um queijo brie temperado com azeite e orégãos e saidinho do forno que fez as delícias de quem adora queijo.

Depois, era tempo de passar aos pratos principais. No Retrokitchen não há lista: há o que nos dizem que está a sair da cozinha – e isso é de uma coragem genial, que só pode estar ancorada na certeza de que o que sai há-de sair bem. E têm toda a razão. Preterimos a moqueca de camarão, o misto de carnes grelhadas e o borrego e apostámos no bife (para a SF) e na posta à mirandesa (para o restante trio) – não que não nos apetecesse provar o resto mas nem nós temos estômago para tanto. E não nos arrependemos por um segundo: o bife foi servido com molho de natas e pimenta vermelha, que condizia de forma feliz com a travessa tipo Bordalo Pinheiro em que foi servida, e era acompanhado daquelas a que chamámos batatas-à-Retrokitchen, que são do melhor que já comemos na vida; as postas, altas e mal passadas, como pedimos, eram saborosíssimas, vinham carregadinhas de alho e acompanhada das mesmas batatas cortadas em rodelas grossas, que cremos primeiramente fritas e depois levadas ao forno, com alecrim (já disse que são divinas?). Foi-nos também servida uma salada verde que não é de todo o meu género, mas agradará certamente a imensa gente: com rúcula, nozes, coco e banana secos e mais umas coisas do género, estava temperada com mel (como, de resto, os verdes que haviam acompanhado as entradas) – e eu nestas coisas gosto mesmo é do belo vinagrete e de privilegiar alfaces, tomates, cenouras, rúculas, espinafres e agriões, sem mais (mas é uma questão de gosto não de qualidade, porque essa será consensual).

Depois de muita luta para deglutir aquilo tudo (eu como devagar, sou uma pastelona e falo pelos cotovelos, mas não sobra o que quer que seja), ainda pensámos em dispensar a sobremesa ali, já que o próximo destino era o estaminé da Nutella – mas os Carapaus residentes (o AV e esta vossa criada) não resistiram a comer ali mesmo um doce, como preparação para o resto: havendo cheesecake e tarte de lima (tão só – e nem era preciso mais), optámos ambos pela última opção e concordámos em que estaríamos talvez a comer a melhor fatia do género que as nossas papilas gustativas já tiveram o prazer de provar, tão bom era o equilíbrio de sabores e texturas e tão frescas eram as raspas do fruto.

Nesta altura, com a casa já lotada (no pátio exterior, uma festa de aniversário para 30 pessoas; atrás de nós, uma mesa com pelo menos uma dúzia de pessoas e duas crianças pequenas, e o resto das mesas completas), era tempo de agradecer os comeres (divinos!), os beberes (fomos num vinho branco aconselhado que nos soube belissimamente) e a simpatia no serviço (informal, competente, carregadinha de personalidade e humor), era tempo de fazer contas e ir pregar para outra freguesia: 19€ a cada um pareceu-nos manifestamente barato  pela experiência, pelo que também por isso o Retrokitchen é sítio a não perder.

Partimos depois para uma caminhada breve (que Braga não é grande) até à Nut’Braga, que se situa no coração da movida bracarense (é movida sim senhores, as movidas não têm de ser todas iguais, ora essa…), em plena rua-das-lojas e já perto da Brasileira. Não vacilámos perante a fila que indiciava um atendimento mais demorado, deixámos a AC a guardar mesa na esplanada e fomos os restantes três para o forno que é a loja (por favor, senhores, baixem-me a temperatura do ar condicionado, que ninguém merece…), onde um punhado de mesas iam sendo ocupadas e desocupadas, ao sabor dos apetites de quem por ali passava – e nós só sabemos isto porque, depois de, logo à entrada, termos procedido ao pré-pagamento, estivemos loooooongos minutos à espera de ser servidos.

E o que constatámos, durante esta mais de meia hora, é que, apesar da boa vontade, simpatia e paciência dos funcionários (depois chegou um quarto, que soubemos ser filho da proprietária, para ajudar com a loiça que se acumulava nas mesas e no lavatório), o modus operandi não está ainda oleado e há ali algum desperdício de recursos – nomeadamente no que toca aos crepes, que devem ser o item mais pedido da casa: só estava uma das plataformas a funcionar, quando poderiam estar ambas, mesmo só com um funcionário (desde que treinado).

Mas avancemos: nós queríamos uma dezena de churros e uma gaufre/waffle/chamem-lhe o que vos apetecer, mas descobrimos que estas estavam já esgotadas – o que achámos bizarro, já que nos pareceu que a massa dos churros (que ali não são fritos, felizmente, mas antes feitos numa máquina de prensa) seria exactamente a mesma que serviria para fazer as waffles. Mas prontamente trocámos a escolha e pedimos um crepe, que a malta não é complicada, bem como águas lisas e com gás e limão, para ajudar a desmoer.

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As nossas conclusões? Olhem, boa, boa é a Nutella e tudo o mais é enfeite que se dispensa, venha sob a forma de crepe (de que o AV não gostou nadinha) venha sob a forma de churros (de que gostei à primeira trinca e me cansaram depois): aquilo de que gostamos verdadeiramente é da pasta de chocolate e de avelã e, para a saborear, não precisamos de estar meia hora numa sauna, em pé, para ir buscar coisas que não nos dizem grande coisa. Queremos é Nutella e essa compra-se no supermercado, çânqiúvérimâche – e eis o que dizíamos no início: fomos a Braga pela Nut’Braga, viemos encantados com o Retrokitchen. Pagámos na Nut’Braga 2,50€ por estômago e fomos um nadinha mais adiante, à Brasileira, enfardar mais umas águas com gás, que a deglutição não seria fácil.

E assim se passou mais um serão bracarense, onde nunca nos faltam as boas companhias e os bons apetites.

Retrokitchen

Morada: Rua do Anjo 96, Braga
Telefone: 253 267 023
Horário: Seg e Qua a Sáb – 10h00 às 24h00
Aceitam reservas? Sim

Nut’Braga

Morada: Rua do Souto 135, Braga
Telefone: 919 803 323 | 222 010 763
Horário: Dom a Qui – 12h00 às 24h00 | Sex e Sáb – 12h00 à 01h00
Aceitam reservas? Não

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Ana Andrade

Ana Andrade

Agridoce, de tempero forte e gargalhada salgada.
Ana Andrade

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2 Responses

  1. Avatar Filipa diz:

    Sou seguidora assídua das vossas “postas” e adoro a forma tão descritiva com que escrevem, é quase viciante! Em relação à Nut’Braga, como é algo que conheço bem porque trabalhei lá em part-time, sinto-me quase no “dever” de partilhar o que sei eheheh. O ar condicionado está sempre na temperatura mínima mas como as máquinas estão todas a 200° e a loja é pequena e tem muita gente, é difícil estar fresca. Quanto ao filho da proprietária, é o contrário, é mais a mãe do proprietário! A massa de waffles não é a mesma que a massa de churritos. A massa de waffles vem de Liège (tem mesmo pérolas de açúcar ) e tem de levedar durante cerca de 6 horas e por vezes a massa acaba mais rapidamente do que o que se espera sendo impossível ter mais massa pronta devido ao tempo de levedação. Quanto à crepeira, as lojas Nut só têm uma (inclusive a Nut’Braga). Provavelmente confundiram a máquina do lado com uma outra crepeira mas essa é a máquina dos chocokebab que não dá de todo para fazer crepes.
    Tenho pena que não tenha sido uma experiência tão boa quanto estavam à espera!
    Também fui experimentar a Retrokitchen e fiquei fã :)

    • Ana Andrade Ana Andrade diz:

      Obrigada, Filipa, por todos os esclarecimentos, que tornam a experiência mais clara.
      Quanto à propriedade do espaço, as nossas informadoras estavam absolutamente convencidas que devia ser atribuída a uma mãe, mas também aceitamos o filho. :))))
      E percebemos perfeitamente todas as questões logísticas que invoca, a que jamais teríamos acesso do nosso ponto de vista. De todo o modo, o nosso problema é mesmo o de gostar de Nutella, ponto. Sem mais nada. Se gostássemos, teríamos feito a mesma descrição mas o final seria feliz. Assim, não foi, e a culpa é toda nossa, não da loja, que serve aquilo de que as pessoas gostam. :) Nós tínhamos de ir experimentar mas, francamente, já sabia que nada me sabe tão bem como a Nutella comida directamente do frasco – a excepção é um gelado de Nutella que comi em Roma, que conseguia ser mais fabuloso do que a original. :)
      Muito obrigada pelo seu comentário, beijinhos e bons apetites!

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