Portu's | Ribeira | Porto | Carapaus de Comida

Comida Portuguesa

Portu’s | Ribeira | Porto

19 Fev , 2016   Galeria

Não fora a recomendação da CP, que gosta tanto de comezainas e de descobrir sítios novos como estes vossos criados, e provavelmente nunca teríamos chegado a descobrir o Portu’s (não confundir com o bar com o mesmo nome na Baixa, por onde passámos na Rota das Tapas dois anos a fio), ali meio escondido mesmo no começo da Rua dos Mercadores, se estivermos de costas viradas para o Cubo e para o Douro. Dizia-me ela que tanto os pregos como as francesinhas são coisa do além, já para não falar nas gambas-gigantes grelhadas (a apenas 2€ cada, não lembra ao diabo!). Por isso, no primeiro sábado de 2016, foi este o destino para um almoço em dia de sol, sem grandes discussões e por aclamação quase unitária.

Íamos sem grandes expectativas, para além do que nos fora recomendado (inclusivamente, acho que esperava um tascósio daqueles meio manhosos), pelo que foi com agradável espanto que me deparei com um espaço pequeno mas aconchegante e de bom gosto – e duas mesas de esplanada que, num fim de tarde quente, devem ser coisa perfeita. Lá dentro, uma primeira sala, com o balcão, ladeada por outra, que não levará mais de um quarteirão de comensais, aquecida por uma daquelas “lareiras” eléctricas verticais, típicas das esplanadas.

Felizmente, o meu instinto já treinado nestas coisas levara-me a marcar mesa para as 14h00 – de outro modo, não teríamos conseguido lugar, de tal forma o estaminé estava à pinha, entre locais e estrangeiros (predominantemente espanhóis).

Foi com muita simpatia que fomos recebidos pelos dois senhores que se encarregaram do nosso almoço – não fazemos ideia se algum deles seria proprietário mas era menina para jurar que sim. De resto, e para além das coisas boas que nos foram pondo na mesa (nomeadamente uns pãezinhos saborosos com manteiga empacotada, azeitonas magnificamente temperadas e uma bôla que nos asseguraram ser um “miminho da casa” e que estava divinal), tiveram o bom gosto de “dar o vinho a provar à senhora”, isto porque “quando uma mulher prova um vinho e diz que é bom, então ele é mesmo muito bom”. Apreciei a gentileza e a sapiência e não se enganaram: o vinho que nos foi sugerido, do Douro, era delicioso – mas o mérito foi todo da beberagem e de quem no-la aconselhou.

No que toca aos pratos principais, esta vossa serva não resistiu a uma posta mirandesa “estupidamente mal passada” (e como eu adoro quando os funcionários rejubilam perante este meu pedido: “já vi que a menina gosta mesmo de carne, como eu”, disse-me) que estava deliciosa e veio servida com batata frita às rodelas e grelos. O TD foi no Bacalhau à Braga, servido como manda a tradição e também muitíssimo apreciado; finalmente, a SD optou pelo bacalhau com natas, de que também gostou imenso – mas era tanto que metade teve de ser transportado para casa, numa caixa de plástico que imediatamente nos foi disponibilizada.

Prescindimos das sobremesas porque já não havia barriga para mais e o repasto ficou-nos por pouco mais de 18€ por estômago – o que, não sendo propriamente uma pechincha, é inteiramente justificado, pelos bons apetites que nos são proporcionados no Portu’s (o da Ribeira, não esquecer).

Adenda, um mês depois

Ora deu-se o caso de que, cerca de cinco semanas depois e ainda sem a posta publicada, esta vossa criada tivesse o privilégio de voltar ao Portu’s, num princípio de tarde com uma luz ainda mais bonita (parecendo que não, já só falta mês e meio de Inverno), para um almoço de sexta-feira com a CP, que primeiramente me deu a conhecer este espaço – que, de resto, já recomendei a amigos e só tem merecido os melhores elogios, coma-se o que se comer.

Desta feita, a ementa estava previamente escolhida: a CP insistia que eu tinha de provar as gambas e os pregos (e a francesinha, obviamente, mas essa terá de ficar para uma terceira visita, que não tardará) e que não quereria outra coisa – e, caramba, como eu gosto de ter amigas que me conhecem assim e que me fecham a semana em beleza…

Antes do encomendado, veio para a mesa o couvert com dois pãezinhos brancos e dois de mistura, mais as manteigas e o “miminho” da semana: uma morcela desfeita e com um sabor único, a puxar para o picante, que devorei – e isto só releva seriamente porque eu raramente gosto de morcela, apesar de insistir em provar. Fiquei colada nesta, que comi “barrada” no pão, intervalando-a com pedacinhos de pão com manteiga.

Entretanto, iam-se cozinhando as gambas que, minhanossassinhôra, por si só valeriam a visita: são gigantones, servidas com um molho de azeite, limão e alho, tão bem feitas que atá a casca marcharia. São servidas com fatias de pão branco, fininho, cobertas por um pouco de queijo. Connosco só sobraram mesmo as cascas e as cabeças esventradas de quatro desgraçadas, que deglutimos sem dó nem piedade.

(Quase) finalmente, os pregos – e não exagero se disser que são dos melhores que me lembro de comer em toda a minha vida. Desde logo, o pão é simples e escuro, com pouco miolo e côdea fresca e estaladiça, o que é sempre um bom cartão-de-visita. Depois, a carne, tenra como poucas, é servida exactamente como a pedimos (e eu insisto no estupidamente-mal-passado do costume, mas aqui percebem-me) – e lá veio a minha, vermelha e macia, acompanhada de uma bela fatia de queijo da Serra derretido. Juro que comia mais um par deles, não tivesse o meu estômago os seus limites.

Para acabar, algo não planeado: eis que nos é comunicado pelo Sr. Rui (agora sim, identifiquei o proprietário que se lembrava de mim da primeira visita, o que é incrível), um dos melhores anfitriões que conheço, que havia sobremesa nova a dar à costa: cheesecakes de maracujá, frutos vermelhos e lima, em formato de queque. A CP primeiro só condescendia em que pedíssemos um, para partilhar; depois lá a convenci a passarmos a dois, uma para cada, que dividiríamos. Finalmente, o bom senso imperou: que viesse um de cada que nós haveríamos de lhe tratar da saúde. E tratámos, com muito prazer, já que cada um estava melhor do que o anterior (e que o próximo também).

Conclusão? Se o Portu’s era uma certeza, agora tornou-se local de referência onde regressarei muitas vezes: não é qualquer lugar que nos proporciona a vizinhança do rio e do casario da Ribeira, uma ementa de comer e bramir por mais e um preço mais do que justo: 17,50€ a cada uma por apetites mais do que bons.

Portu’s | Ribeira | Porto
4.9 Carapaus
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Positivos
  • Localização
  • qualidade da ementa
  • serviço
  • Negativos
  • Espaço pequenino (é mesmo só para não deixar o espaço em branco)
  • Resumo
    Vale a pena fugir dos estaminés mais conhecidos da Ribeira e procurar este, quem sobe do Cubo pela Rua dos Mercadores. A comida é impecável, o serviço é ímpar e o espaço uma coisa aconchegante, onde apetece estar.
    Serviço5
    Comida5
    Preço/Qualidade5
    Espaço4.5
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    Portu’s | Porto

    Morada: Rua dos Mercadores, 6-12
    Localidade: Porto

    Telefone: 222 031 147
    Horário: Ter a Dom – 12h00 às 24h00
    Aceitam reservas? Sim

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    Ana Andrade

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    Agridoce, de tempero forte e gargalhada salgada.
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