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Carapaus de Comida

Boulevard Burger House, Porto

Crítica de Ana Andrade, 26 de maio de 2017. Hamburgueria

Já tinha lido coisas bem simpáticas acerca desta hamburgueria que se assume de inspiração norte-americana, mas confesso que a sua localização tinha sido o fator que me impedira de a visitar – não que não goste da zona, entre a Maternidade Júlio Dinis e a Rua D. Manuel II, ali perto de Miguel Bombarda e de outros estaminés bem interessantes, mas tenho de lá ir de propósito, o que ainda não sucedera, sobretudo porque o estacionamento pode ser um pesadelo.

Mas acontece que era dia de uma visita histórica pela cidade, sendo que o seu término foi à porta dos jardins do Palácio de Cristal, pelo que se tratou de passar praticamente à porta da Boulevard Burger House, quando foi hora de regressar ao local onde tinha deixado o carro, mais para a Baixa – e achei que não poderia deixar escapar a oportunidade, mesmo não tendo feito reserva. Felizmente, não eram ainda 13h de um sábado e facilmente arranjámos mesa, sendo que o espaço, relativamente pequeno, mas com mesas de tamanho diverso (há inclusivamente uma a pensar em jantares de grupo, onde caberão 8 pessoas), nunca chegou a encher.

A decoração sóbria revela uma inspiração mista, entre os diners norte-americanos e pormenores que homenageiam o Porto, como o painel pintado, ao fundo. O pé-direito alto dá ao local um ar arejado e despojado, que me agrada pelo minimalismo nada assoberbante, com uns poucos apontamentos que lhe conferem caráter e originalidade. O balcão, embora de grandes dimensões, está recuado, como se não quisesse roubar protagonismo à sala, e as montras que dão para a rua fornecem toda a luz necessária, durante o dia (de noite, imagino que os candeeiros de teto, com abajours vermelhos, deem um toque giro).

Uma vez instaladas, tratámos de escolher o que haveríamos de degustar, sendo que não levávamos qualquer recomendação. Passámos a parte das entradas (embora me apetecesse as Onion Rings e as Bufallo Wings), com receio de que fosse comida a mais (eu tinha uma atividade física marcada, dali a horas), e quedámo-nos por dois hambúrgueres, sendo que todos são anunciados como vindo acompanhados de batata frita; podemos escolher o tipo de pão, entre pão-brioche (tipicamente americano) e pão de centeio com sementes, sendo que foi este o selecionado. Também poderíamos pedir que fosse servido no prato, mas acho sempre que a mística se perde, assim. Para beber, dois fininhos, pois claro, que ali são Super Bock (eu gosto de saber estas coisas, por isso as partilho, também).

Escolhemos o Bacon (carne de novilho, queijo cheddar, bacon, cebola caramelizada, alface, maionese e tomate) e o Setas (carne de novilho, queijo cheddar vermelho, tomate grelhado, bacon grelhado, setas, cebola crocante, azeite e alho) e ambos estavam mesmo muito bons, embora o primeiro viesse ainda mais loucamente recheado: são hambúrgueres altos, cheios de coisas, e confesso ter recorrido aos talheres disponibilizados, para não dar um espetáculo triste – mas são perfeitamente possíveis de comer com a mão.

Não posso, contudo deixar de dizer que o que mais me surpreendeu foi as batatas fritas aos palitos, ainda com casca e de soberbo sabor; como se não bastasse, a simpática funcionária (exemplar, devo dizer: não sou servida com tanta delicadeza e educação em sítios onde se cobra muito mais por um almoço) ofereceu-se para trazer as duas maioneses que a Boulevard Burger House disponibiliza, e a coisa ficou ainda melhor – não sei dizer se foi a de alho se a de manjericão que mais me agradou, mas garanto que ambas sabem a caseiro e são deliciosas.

Nesta altura, estava já muito bem impressionada: a comida é muito boa, o serviço é fantástico e já viria embora feliz – mas havia ainda um golpe final: os doces. Confesso que tive dificuldade em escolher, porque gosto muito das típicas sobremesas norte-americanas. Escolhida que estava a Apple Pie para a outra metade, estive muito indecisa entre o New York Cheesecake (de forno, como deve ser, e não como os semifrios que por aí se servem, alguns dos quais sem ponta de queijo) e o Brownie de Chocolate; pedi ajuda ao outro funcionário (igualmente gentil e competente) e, pela descrição dele, acabei por escolher o brownie, que foi descrito como estando “muito guloso”, nesta sua última formulação – e eu adoro casas que não deixa, de procurar melhorar os pratos que servem.

Bom, o que aí veio foi um deleite para os sentidos de quem não tem medo de coisas doces: a Apple Pie, alta e com passas, estava deliciosa, mas o Brownie… agarrem-me para não voltar lá tão cedo, só por causa dele: não é denso nem demasiado achocolatado, inclina-se um bocadinho para o caramelo, tem pedacinhos de suspiro e é de agradecer aos deuses das gentes gulosas. O meu veio com uma bola de gelado, também bom, de frutos vermelhos (sabor que nunca peço), mas passaria bem só com o bolo.

No final, os 15€ por estômago soaram-nos a mais do que justos, numa casa que nos proporcionou tão bons apetites. De referir, ainda, que ao almoço, durante a semana, há menus que tornam a refeição mais barata.

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