Lucha Libre | Porto | Carapaus de Comida

Cozinha Internacional

Lucha Libre | Porto

25 Ago , 2017   Galeria

Primeiramente, uma confissão embaraçosa: a pessoa nunca chegou a conhecer o Panca original, no Parque da Cidade. Eu sei, fustiguem-me, chamem-me nomes: parece impossível, mas é verdade. Por isso, quando a RP me disse que o nosso almoço, agendado para “quando o tempo estiver mesmo bom”, já não iria ser no Panca, porque este deixara de existir, quase me deu uma coisa fininha. No entanto, essas eram só as más notícias; a boa era a de que, no lugar do estaminé anterior, dedicado ao ceviche, da responsabilidade de Camilo Jaña e Ruy Leão (que sempre foi apresentado como algo sazonal e efémero), abrira um outro, em que os tacos são personagem principal. Jaña, juntamente com a mulher, Mafalda Sampaio, tratam dos apetites a todos aqueles que, de quarta a domingo, se dirigem ao espaço cedido pelo Soundwish, no Parque da Cidade – com a vantagem de estar aberto ininterruptamente do meio-dia e meia às 19h (coisa boa para almoços e lanches, portanto).

Chegámos cerca das 13h e algumas das mesas brancas de madeira, com bancos corridos (que darão, à vontade, para oito pessoas à larga), já estavam ocupadas. No pequeno “quiosque” onde se cozinha e se serve os convivas, a boa disposição é flagrante: há à-vontade e descontração, mescladas deficiência e eficácia. Tudo flui com naturalidade, mesmo quando os clientes não fazem a mínima ideia do que vão pedir (como nós) e há que explicar os menus e a carta pela enésima vez – creio que o menu “puramente sul-americano”, como é dito pelo Chef, contagia também as gentes, o que é muito positivo, sobretudo a meio de um dia de trabalho.

Tratámos de escolher o que seria o nosso repasto: por sugestão de quem nos atendeu, optámos por um menu do dia (meio ceviche, neste caso de salmão, dois tacos e uma bebida) e escolhemos mais um ceviche, um prato de tacos e um guacamole da carta – tudo para partilhar, de modo a que pudéssemos apreciar mais sabores. Para beber, escolhemos uma limonada sem açúcar (para a RP) e, para mim, um chá, cujo nome tive de apontar, sob pena de não o saber reproduzir: o mizudashimas tem matcha e sabe ligeiramente a mar – daquelas coisas que primeiro se estranham e depois… isso mesmo, todos sabemos como acaba a frase de Pessoa.

Passados uns minutos (5? 10?) fomos chamadas para levantar o resto da comida (e, para isso, por vezes usa-se um gramofone, com muita piada), o que requer que equilibremos os pratos numas tábuas disponibilizadas para o efeito (e para o que nos foi oferecida, gentilmente, ajuda – de que não precisámos), o que só pode ser aborrecido se estivermos no alto de saltos dos grandes, porque o chão de pedra com desníveis não é dos mais simpáticos para essas manifestações de elegância. Uma vez na mesa, é impossível não pegar no telefone para registar a coisa: a comida sul-americana é, de facto, muito fotogénica (e eu tenho sempre a desculpa do blogue, já se sabe).

Em termos de sabores, estava tudo muitíssimo saboroso. O guacamole não é, aqui, propriamente a “pasta” (com mais ou menos pedaços sólidos) que estamos habituados a comer em todo lado, é antes uma espécie de “picado” com todos os ingredientes que o compõem – e não estava nada mau, bem como os palitos de nachos que o acompanham. Gostei muito tanto do ceviche do dia (com salmão e algumas colheradas bem picantes) e do Peixeirada, que contém sempre um peixe branco (naquele dia, corvina) e leche de tigre. Os tacos, que são, afinal, a especialidade da casa, também valem muito a pena: os do dia (eram dois) eram de porco e estavam ótimos, mas gostei especialmente dos Healthy (contra todas as expectativas, já que nem estávamos inclinadas para os pedir, já que nenhuma de nós sai para comer propriamente preocupada com as versões fit dos pratos), com couves branca e roxa, quinoa, abacate e coentros.

Os sabores correspondem, portanto, ao bom aspeto que tudo tem – e foi por isso que não pude deixar de provar uma qualquer sobremesa (ou, pelo menos, foi essa a justificação que primeiro me ocorreu): de entre o punhado de opções disponíveis (que, naquele dia, não incluíam os gelados, que a RP gabara), optei pelas Hóstias com Dulce de Leche, porque sou da opinião de que tudo quanto tem leite condensado não pode, de todo, ser mau. E as hóstias são exatamente o mesmo que a parte não cremosa daquilo a que, na minha longínqua infância denominávamos de “bolachas de baunilha” (mesmo que o creme fosse de chocolate ou de morango; nesse caso, diríamos “bolachas de baunilha de chocolate” e estava o assunto arrumado), sendo que a sobremesa consiste numa espécie de “sandes” de hóstia, com recheio de leite condensado cozido (o tal “doce de leite”). Não desgostei, e sou menina para replicar em casa, mas confesso que esperava algo de mais surpreendente.

O cômputo geral é, no entanto, muito bom: o Lucha Libre é o típico restaurante de Primavera/Verão (e de Outono e Inverno, nos dias secos – por que não?), não só pela logística mas também pelos sabores. Os bons apetites cifraram-se em 16€ por estômago, ao que acresceram, 4€ e pouco da sobremesa e do café – não é propriamente barato, mas o menu do dia fica por 11€, o que é mais simpático para quem não for tão guloso.

 

Post Scriptum | Entretanto, soubemos que o o Chef Camilo Jaña se prepava para abrir um novo Panca, na Baixa; e, já agora, que o Chef Ruy Leão, seu parceiro no estaminé original, estava a tratar da abertura de um novo estaminé de ramen, na cidade – só boas notícias, portanto, para quem privilegia os bons apetites. Entretanto, ambos os projetos se concretizaram, para bem de todos.

Lucha Libre | Porto
4.5 Carapaus
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Positivos
  • Os ceviches
  • Os tacos
  • O espaço
  • o serviço
  • Negativos
  • A dependência da meteorologia
  • Resumo
    Afirma-se como sendo a primeira taqueria do Porto e diz-se puramente sul-americano: trata-se de um estaminé em pleno Parque da Cidade, onde se está belissimamente num dia de sol.
    Serviço4.5
    Comida4.5
    Preço/Qualidade4.5
    Espaço4.5
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    Copos & Cusquices | Porto

    Morada: Parque da Cidade, Avenida do Parque, 595
    Localidade: Porto

    Telefone: 912 949 752
    Horário: Ter a Sex – 12:30 às 20:00 | Sáb e Dom – 12:30 às 21:00
    Aceitam reservas? Sim

    Data da Visita: 23 de Junho de 2017
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    Ana Andrade

    Ana Andrade

    Agridoce, de tempero forte e gargalhada salgada.
    Ana Andrade

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