Casa Vasco

No número 152 da Rua do Padrão, na Foz, ali mesmo onde era o Cafeína Wine & Tapas (onde fui um punhado de vezes e de que gostava muito), é hoje a Casa Vasco, de Vasco Mourão, o proprietário da antiga Fooding House, agora rebaptizada, e dos vizinhos Cafeína e Terra, no mesmo quarteirão e, numa perpendicular, logo acima, do Portarossa. O local apresenta-se como uma “tasca rústica” mas não tenhamos ilusões: trata-se do rústico requintado, estudado, cuidado – e outra coisa não seria de esperar. O chão de mosaico e as paredes de madeira em tons de azul são simpáticos e convidativos – e o pormenor dos vasos com plantas acima das nossas cabeças, nas paredes, é giro e original.

A chafarica fica numa esquina e sofreu algumas alterações, quando passou de “sobrinha” do Cafeína a tasca em nome próprio: o espaço interior parece-me maior e a esplanada tem agora uma salamandra e está protegida dos elementos (que ali, na segunda ou terceira linha de praia, podem ser incomodativos, sobretudo no Inverno) por acrílico ou vidro (não fui verificar), o que permite que a luz continue a entrar e que se possa ver quem passa, o que nunca é de somenos, mesmo porque a vizinhança (e a frequência) é gira e bem-apessoada – um dos melhores cartões-de-visita desta casa é, sem dúvida, o ambiente, para o que também contribui a decoração, bem como a simpatia e disponibilidade dos funcionários.

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A Mesa

 

A nossa visita aconteceu ao almoço e foi, mais uma vez, uma refeição no feminino: eu e a RP volta e meia vamos pôr a conversa em dia, à mesa e, desta feita, ela desafiou-me para ir conhecer a Casa Vasco, que eu própria tinha na lista dos “a ir” desde que abriu, creio que algures em meados do ano passado. Estacionada a viatura (o que não é tarefa fácil, por ali, durante o dia) e com mesa marcada para a sala interior (nós chegámos quase às 14h00 e havia lugar na esplanada mas, ainda assim, aconselha-se a reserva), acabámos por optar ficar cá fora, mesmo porque o dia estava soalheiro e simpático (e eu fiquei colada à salamandra, claro) e convidava a respirar o ar do mar, que ali se sente.

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Havíamos espreitado previamente o menu (o conceito é o das tapas/petiscos, que felizmente se tem disseminado por estaminés vários na Invicta, com assinalável sucesso), e íamos com o olho em dois pratos: o Tataki de Salmão com Puré de Abacate e os Rolinhos de Alheira com Chutney, ambos para dividir – é esse o espírito, por ali. Como queríamos um terceiro elemento, acabámos por pedir conselho ao funcionário que fez o favor de nos (bem) servir e mandámos vir também as Quesadillas de Gambas. O serviço é eficiente e rápido (ou isso ou estávamos mesmo pegadas à conversa, já que estivemos à mesa cerca de duas horas e meia e nem demos por isso) e as hostilidades abriram-se com a chegada das bebidas (optámos por cerveja de pressão e uma Cola Zero) com que acompanhámos o couvert, que é qualquer coisa de delicioso: azeitonas retalhadas com raspa fininha de lima (e que gostinho bom), uma bola de manteiga caseira, servida com flor de sal (muitas palminhas, porque somos as duas “saleiras”) e um boião com uma marinada de tomate pelado e alho, a devorar com as magníficas fatias de pão de mistura que nos foram servidas para acompanhar – ainda mal nos tínhamos sentado. O mais extraordinário (ao menos em termos relativos e se comparado com ranhosices que nos vão servindo por aí) é que tudo isto custa apenas 1,80€ por pessoa. Palmas para a criatividade e ausência de especulação.

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Chegados os pratos, os três em simultâneo, ali estivemos, a picar e na converseta, sem pressas nem pressões, sendo que tudo nos satisfez mas em graus diferentes: o Tataki (salmão braseado e polvilhado com sementes de sésamo) estava muito bom mas, quanto a mim, foi superado pelos Rolinhos de Alheira, muito semelhantes aos da Casa De Pasto da Palmeira, mas ainda assim diversos (são mais fininhos, comem-se preferencialmente à mão) e, quando a mim, com uma dose de Chutney demasiado somítica (aconselhava vivamente que se duplicasse a coisa). Já as Quesadillas, espécie de crepes com queijo e gambas gordas, sendo agradáveis, acabaram por ficar no terceiro lugar do pódio.

Os Comeres
Os Comeres

 

Passadas às sobremesas, a sintonia foi total (não por acaso, somos ambas as fanáticas da Nutella): veio o Brownie de Chocolate Quente e Frio e o Cheesecake de Chocolate, que dividimos, mais uma vez. O Brownie foi servido com uma bola de gelado de nata sobre um crumble delicioso e o Cheesecake vinha com uma quantidade generosa de morangos em calda de açúcar. O mais engraçado é que, sendo as duas loucas por chocolate, divergimos na apreciação: a RP preferiu o Brownie, que vai ao forno no recipiente de barro em que é servido, por ser menos doce e saber mais a cacau; esta vossa criada, que tem uma predileção por tudo o que é estupidamente enjoativo doce, entregou o coração e as papilas gustativas ao cheesecake, muito mais amanteigado e doce. (Mas aplaudimos ambas os dois.)

Cheesecake de Chocolate
O Cheesecake de Chocolate

Finalmente, os cafés e o inevitável regresso ao trabalho (dói sempre, mas tem de ser) com uma conta de 19,50€ a cada uma, o que nos pareceu justo e simpático, para o que comemos e tendo em consideração o tipo de espaço de que estamos a falar. De todo o modo, para quem prefere outro tipo de refeição, a Casa Vasco tem pratos “de faca e garfo” (prometo que também usámos os utensílios), tanto de peixe na brasa como de barbecue, e oferece ainda a opção Menu Almoço, que inclui por 12€, o couvert, uma sopa ou uma entrada, um prato principal (peixe, carne ou uma tapa) e uma bebida. Por mais 1,80€ acrescenta-se-lhe o gelado Feito em Casa do dia.

Sabem que mais? Se tiverem oportunidade, visitem muito, respirem fundo e aproveitem. Se há coisa que a Casa Vasco garante é bons apetites – sendo que todos os sentidos saem bem servidos.

Casa Vasco

Morada: Rua do Padrão 152, Porto
Telefone: 22 618 0602
Horário: Seg a Dom – 12h às 02h
Aceitam reservas? Sim

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3 Comments

  1. Ora eu disse que mal chegasse o sol (e o tempo permitisse iria)! Adorei o salmão e os folhados de alheira. Delirei com o cheesecake. Dos melhores que já comi. Não gostei do atendimento, lento e pouco simpático, apesar de sermos os únicos no restaurante. Nem direito a couvert tivemos… Quando pensei que se calhar tínhamos que pedir, já estava a chegar a comida e então nem pedi. Quanto ao terceiro petisco, escolhemos uns simples rissois de camarão, que se forem bons, são mesmo bons! Mas não eram. Apenas e tão só porque lhes faltava o camarão. Não basta saber a camarão e ter 10% de um camarão 60/80…
    E não achei agradável a esplanada. Muitos carros e autocarros. Dito isto, irei experimentar novamente.
    Claúdia

    1. Ohhh, a sério?? Que estranho, nós tivemos muita sorte então, o funcionário que nos atendeu era uma simpatia! Eu cá gosto da esplanada: tem essa confusão que descreves mas está protegida pelo separador de vidro e eu adoro ver quem passa.
      Mas lá está, não há o que quer que seja de universal (para além das ciências formais), tudo o mais depende de coisas como o juízo de gosto. :)

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