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Champ's da Baixa Bistrô | Brunch | Porto

Era tempo de mais uma refeição mensal das Fab Four (desta feita transformadas em Fab Five) e decidimos que seria um brunch (porque foi assim que a tradição começou): a AC havia lido qualquer coisa de bom sobre o brunch em regime de buffet desta Champanheria da Baixa Bistrô (misteriosamente intitulada de Champ’s da Baixa, nalgumas publicações, o que imagino que se prenda com a existência prévia de outro estaminé com nome surpreendentemente parecido), procedeu à marcação com antecedência e, no dia e hora marcados, lá estávamos nós.

Ora a coisa começou mal, logo nessa altura: aquando da reserva, não deixaram que agendássemos para as 13h porque teriam “um grupo muito grande a essa hora” – o que nos pareceu bem, sobretudo depois de termos chegado e verificado o tamanho da mesa com o buffet: tratando-se de self service e sendo incomportável que mais do que quatro ou cinco pessoas se servissem ao mesmo tempo, seria muito frustrante estar ali sem podermos chegar à comida. Marcáramos, por isso, para as 13h30; qual não é o nosso espanto, portanto, quando entramos e nem grupo grande nem sinal da nossa reserva. Claramente alguém se enganara redondamente na data – o que foi de alguma forma mitigado porque nos arranjaram mesa, mas a verdade é que poderíamos ter começado mais cedo, evitando a confusão que começou a gerar-se a partir das 14h.

O espaço, para mim, é mítico: ali funcionou, durante a minha adolescência e princípio da adultez, a Maluka – célebre loja onde enfeirei muita calça de ganga e um ou outro par de texanas. Nunca imaginei que aquilo desse um bom restaurante – e, afinal, não-imaginei muitíssimo bem: ainda que, de fora, as janelas grandes e redondas (e a esplanada) deem muito charme à coisa, a parte de dentro, com um primeiro andar em sacada, é escura e sombria (como aferirão pelas fotografias anexas), ao que não ajudou o dia cinzento. Gosto da árvore que “nasce” de dentro do bar, a meio da sala, mas não do ínfimo) espaço entre meses e, sobretudo, de haver uma mesa colada àquela onde devemos servir-nos – é tudo pouco prático, apesar da decoração de bom gosto e da pequena zona de sofás, para quem aguarda por mesa.

Uma vez sentadas, tratámos de nos fazer à vida, porque somos gente desenrascada – e os funcionários devem ter-nos tirado imediatamente a pinta porque nenhum nos explicou o modo de funcionamento do brunch. Pelos menus deixados em cima da mesa e pela experiência anterior da IFM, confirmámos o self service e a possibilidade de podermos mandar vir um prato quente, entre a oferta de ovos (omeleta com ervas, ovos mexidos, ovos Benedict, ovos Clementine, omeleta de bacon e ovos estrelados com bacon) e de panquecas (com açúcar e canela, com mel e nozes, com natas e frutos vermelhos e com Nutella).

Era tempo, portanto, de aproveitar que a mesa de buffet parecia ainda intocada, e fomos servir-nos. Tudo ali tem belíssimo aspeto: as cores são lindas e há um ou outro prato que não é comum ver-se noutros espaços – ainda assim, para um restaurante daquela dimensão, teria de haver, pelo menos, mesa similar no andar de cima ou, então, no ponto oposto, atrás do bar, para assegurar que os clientes não se atropelam. Para além disso, parece que é comum as reposições demorarem imensamente, pelo que não me fiz rogada: enchi dois pratos em vez de um, para prevenir a maçada de ter de esperar, quando me levantasse outra vez.

Creio que provei um bocadinho de tudo (exceção feita para os fiambres e enchidos, que raramente como fora de casa, nem eu mesma sei porquê) e gostei particularmente da seleção de pão, que sinto ser, em certa medida, descurada pelos brunches da Invicta (ao menos os que conheço): pão é um dos meus alimentos preferidos e ver que este estaminé lhe dá protagonista, oferecendo-o fresquíssimo e de muitos tipos, merece o meu aplauso. Para o acompanhar, havia, para além de queijos vários e carnes frias, manteiga numas minitacinhas (que eram tão poucas que nem percebemos se as podíamos trazer para a mesa) e compotas. Também havia uma torradeira à disposição, mas eu, que acho sacrílego tostar pão fresco, nem lhe toquei. Um aplauso também para os croissants, de tipo francês e fantásticos em termos de frescura, sabor e ausência de gordura em excesso. Gostei muito de ali ver arrufadas, que me remetem para a infância: são raras neste tipo de oferta e eram especialmente boas.

Provei também uma tentativa de iogurte+granola+compota servidos em copos de shot – o que não funcionou de todo porque o talher não conseguia chegar ao fundo – e não gostei nadinha: a granola era mole e demasiado doce (não me pareceu, de todo, caseira) e o iogurte demasiado açucarado.

Depois, havia mais frios e folhados, sendo que destes tenho de destacar os tomates recheados (muitíssimo bons) e as mini-quiches (bem saborosas). Não gostei de uma espécie de roscas de bacon, porque a massa folhada estava dura e sem graça – este foi, sem dúvida, o item menos bom de toda a experiência. Como saladas, não havia grande diversidade, mas sempre degustei uma de tomate com mozarela e manjericão (mistura que nunca falha), outra de beterraba com queijo de cabra e uma outra, de massa – nenhuma me encheu as medidas, mas gostei da sua presença.

Entretanto, lá chamámos alguém para pedir os quentes: perante a minha pergunta de o que eram exatamente ovos Clementine, o funcionário que nos calhou na rifa respondeu com um sábio “são ovos com molho Clementine”. Obviamente, porque sou torcida, perguntei o que era exatamente isso – e, ainda assim, atirou-me “ah, mas quer mesmo saber o que é o molho?”. Respondi que com certeza – e lá teve o desgraçado de ir à cozinha, o que estava a tentar evitar desde início. Não foi para chatear (embora possa ter parecido) mas acabámos por pedir quatro Benedicts e umas Panquecas com natas e frutos vermelhos – e tudo foi aplaudido (menos o desconhecimento do empregado e respetiva tentativa de camuflagem).

A acompanhar tudo isto, tínhamos à disposição chá frio, limonada, sumo de laranja (estes à discrição) ou sangria de espumante e vinho (2 copos por pessoa) ou ainda uma flute de espumante: eu fui na sangria, de que me servi a meu bel prazer, na ausência dos funcionários – não ultrapassei os dois copos, e poderia tê-lo feito, só porque aquilo parecia um suminho fracote, não tinha qualquer personalidade. Mas aplaudo a existência de opções com álcool, que nem todos os brunches têm. Também é possível pedir café com leite.

As sobremesas constavam também da mesma mesa e havia algumas coisas boas: os quadradinhos de brownie estavam um sonho, os morangos com natas (pouco doces) também, e uma espécie de queques com recheio de natas e morango apresentaram-se com muito sucesso – o que encerrou muitíssimo bem a experiência, finalizada com um café.

Se acho os 22,50€ excessivos para a oferta? Acho. A concorrência, mesmo ali ao lado, oferece similar e é bem mais barata. Mas a qualidade do que se come é indiscutível e acho que vale a pena a visita – embora não seja sítio onde tencione regressar, pelo valor inflacionado.

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Champ’s da Baixa Bistrô | Porto

Morada: Rua de Sá da Bandeira, 467
Localidade: Porto

Telefone: 223 235 254
Horário: Seg a Qui – 12:00 às 01:00 | Sex e Sáb – 12:00 às 02:00 | Dom – 12:00 às 24:00
Aceitam reservas? Sim

No Zomato
Champ's da Baixa Bistrô Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
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Maus Hábitos | Vícios de Mesa | Brunch | Porto | Carapaus de Comida

Foi uma belíssima surpresa, esta nossa ida ao restaurante do espaço Maus Hábitos, a convite da gerência (circunstância que quem por cá anda há mais tempo sabe que raramente aceitamos). Na verdade, até começarmos a ser servidos, jamais esperámos pelo que aí vinha, provavelmente porque esta vossa criada desenvolveu uma espécie de resistência aos brunches de menu fixo, tendendo a preferir (quase dogmaticamente) os que oferecem a opção de buffet: não sei, pareceu-me sempre que seriam mais capazes de agradar a mais gente, sobretudo a mim, que não sou de gostar todos os dias da mesma coisa.

Mas adiante: o espaço não era, para mim, novidade, embora tenha sido sobejamente mais agradável conhecê-lo durante o dia, não só porque a sala de refeições (que, de noite, se transforma em bar e espaço dançante) fica airosamente ampla, com as suas muitas janelas viradas para a Rua de Passos Manuel (e não só) mas também porque as cores das outras salas e da esplanada merecem ser vistos. Uma nota negativa para todo o percurso desde a entrada do prédio (mesmo em frente ao coliseu, ao lado de um parque de estacionamento) até ao 4.º andar (onde fica o Vícios de Mesa e restantes Maus Hábitos): o elevador é dos antigos (mas ainda não vintage, se é que me entendem) e nada confortáveis, para além de que, quer no rés-do-chão quer já no quarto andar, o chão “cola” às solas dos ténis.

Haviam-nos reservado uma mesa mesmo junto às janelas que dão para o Coliseu do Porto mas, ainda assim, a simpática funcionária que nos acompanhou durante toda a refeição teve a amabilidade de nos perguntar se preferiríamos ficar na esplanada – que é um sítio amoroso, mas como eu gosto mais de ver gente (nem que seja os trabalhadores do coliseu, nos pisos de cima, ou os transeuntes pequeninos, no andar de baixo), preferi o interior. Também nos foi disponibilizada a ementa, para que pudéssemos tomar conhecimento das várias opções de brunch disponíveis, sendo que acabámos por optar pela que nos apeteceu mais adaptada às circunstâncias, o Brunch Para Partilhar a Dois (30€); em alternativa, haveria o Brunch Para Um, similar ao primeiro mas com um nadinha menos de coisas boas (por 14,50), o Mini-Brunch, mais arraçado de pequeno-almoço generoso (9,50€) ou o Brunch à La Carte, em que cada prato tem um determinado preço e é o cliente quem combina as suas preferências.

O Brunch escolhido assemelha-se em tudo a um banquete, pensado criteriosamente: depois de nos ser perguntado o que desejamos beber (café americano e/ou limonada, de entre os quais escolhemos esta última – e não acumulámos porque nenhum aprecia café americano), é trazida a sopa que, no caso, era de abóbora e batata-doce e estava uma especialidade – o que é ainda mais significativo se pensarmos que eu não sou uma apreciadora de sopa e só gosto de consistências muito cremosas e equilibradas, como foi o caso. Depois, já com as bebidas, o primeiro petisco: pão em carcaça de mistura (fresquíssimo e estaladiço) com lascas mesmo muito finas de queijo parmesão e manteiga caseira de ervas – tudo muitíssimo bom, assim, como o constante da lousa (que, aqui, fazem o papel de travessas) seguinte, com tomate confitado (conjugado com o queijo e o pão ficou um pitéu), iogurte com frutos vermelhos e granola e tacinhas de salada de fruta.

Era, então, tempo para servir os quentes, que estavam a ser cozinhados enquanto degustávamos os primeiros sabores: vieram ovos mexidos polvilhados de pimenta (quanto a mim, passados em demasia, mas eu gosto deles muito cremosos e mal cozinhados, sendo que não o transmiti) e tiras de bacon bem crocante vieram tortillas de trigo de salmão fumado/ricota e de espinafres salteados/ricotta, ambas acompanhadas do molho do chefe, de sabores frescos (a tomate e salsa, pareceu-me); veio uma sandes americana com tudo aquilo a que temos direito, no mesmo pão de mistura e com dois ovos estrelados a desfazerem-se (para nenhum dos Dois se ficar a rir) e vieram duas panquecas tradicionais, uma com compota de frutos silvestres (que acompanhei com a fruta servida anteriormente) e outra com um curd de limão muito bem conseguido.

Evidentemente que, nesta altura, mesmo com a limonada a ajudar a empurrar tudo, e apesar dos belíssimos sabores de que desfrutáramos até então, já tínhamos os estômagos bem perto do knock-out – e, no entanto, Carapau que faz por merecer o nome só abandona o ringue por desistência do adversário que, no caso, ainda tinha para nos oferecer uma belíssima mousse. Ainda por cima, ouvíramos dizer na mesa ao lado que era imperdoável sair dali sem degustar a sobremesa, pelo que tratámos de nos recompor e ouvimos a proposta: havia mousse de chocolate branco, de chocolate negro e de caramelo. Ora, na inconveniência de pedirmos as três (não só porque não queríamos abusar da generosidade mas sobretudo porque estávamos incapazes de ceder à gula), fiz o costume: pedi a recomendação de quem mais sabe da poda, isto é, de quem ali trabalha – e foi-nos vivamente aconselhada a de caramelo, a que adimos a de chocolate negro. E estavam ambas dignas de ser devoradas: cremosas e geladas (mas sem a consistência do gelado), qualquer uma delas brilharia sozinha mas, em conjunto, aquilo soube a sonata gastronómica.

Penitencio-me, por, até agora, ter preferido, de forma quase acrítica, os brunches em formato de buffet: o Maus Hábitos/Vícios de Mesa provou-me que é possível comer à grande e à portuguesa, por um preço simpatiquíssimo, um menu que eu não escolhi mas que assino por baixo e que me proporcionou belíssimos apetites.

Eis mais um estaminé que recomendaremos vivamente, quando nos vierem perguntar por brunches “bons e baratos”.

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Maus Hábitos | Vícios de Mesa | Porto

Morada: Rua de Passos Manuel, 178, Piso 4
Localidade: Porto

Telefone: 937 202 918
Horário: Ter a Qui – 12:00 às 15:00 e 20:00 às 23:00 | Sex e Sáb – 12:00 às 15:00 e 20:00 às 24:00 | Dom – 12:00 às 16:00
Aceitam reservas? N/A

No Zomato
Vícios de Mesa - Maus Hábitos Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
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Percebes - Tasco do Mar | Marisco | Famalicão | Carapaus de Comida

Quando a SC o sugeriu, a primeira reação foi de surpresa arraçada de desconfiança: que diabo, então íamos marcar um dos nossos jantares (mensais) para Vila Nova de Famalicão, a 30 quilómetros da costa (primeiro tinha escrito 50, não só porque sou péssima a calcular distâncias mas sobretudo porque gosto de drama, mas a coisa não funcionou), quando o menu era de marisco e tínhamos coisas tão boas mesmo no litoral? O que vale é que somos todas umas fáceis e, se uma diz que X é bom, as outras alinham e não se fala mais nisso – o que nunca deu mau resultado.

O Percebes – Tasco do Mar fica numa zona em que o estacionamento não é a coisa mais fácil do mundo, o que é agravado pelo facto de o restaurante também ter um serviço de takeaway muitíssimo requisitado (o que eu percebo lindamente, depois de lá ter estado), o que leva a paragens em segunda fila e torna a coisa ainda mais complicada. De todo o modo, mais para cima ou mesmo na avenida em que entronca a rua Ernesto Carvalho, consegue arrumar-se a burra e ir comer descansado.

Felizmente, a SC achou por bem reservar mesa; de outro modo, não teríamos grande sorte, já que o Percebes, tendo bastantes lugares sentados, entre o piso de entrada e a cave, estava completamente lotado – sendo que houve mesas usadas duas vezes, durante o serão (isto sabemos nós, porque comemos devagarinho a vamos observando os vários turnos). Agora, o facto de haver muitos lugares não significa que o sítio seja espaçoso porque, na verdade, não o é: as mesas estão quase encavalitadas , de tão chegadas umas às outras, e é fácil entrar na conversa da família ao lado (ou, pior, ela na nossa), pela proximidade da mobília.

De resto, o espaço e a decoração não são, de todo, um ponto forte do Percebes: apesar da mobília branca, que confere ao local um aspeto airoso, a conjugação de castiçais de gosto duvidoso com candeeiros de teto do Ikea e imagens de peixum nas paredes deixa muito a desejar – mas isto sou eu, que sou uma esquisitóide, a falar: quem lá vai (eu incluída), estará tão concentrado no que come que se está nas tintas para a decoração.

Uma vez sentadas e já com um balde cheio de torradas com manteiga na mesa (não há mariscada que se preze sem torradas de pão branco com muita manteiga), a primeira coisa que constatámos (mesmo a SC e a MBC, que já conheciam o espaço) foi o baixíssimo preço das doses: que uma sapateira recheada custe menos de 7€ parece impensável, e o resto vai pelo mesmo caminho, pelo que foi ainda com alguma desconfiança que mandámos vir tudo o que nos apetecer, a saber: sapateira, camarão da costa, percebes (nem a SC nem a MFC nem a AC são grandes fãs, mas eu sou e não sei o que me parecia ir ao Percebes sem os trincar), zamburinas, amêijoas e pimentos padrón.

E o que dizer deste banquete, senão que passámos duas horas e tal consoladíssimas, a degustar tudo com o prazer de quem sabe que está a comer bem e vai pagar (muito) pouco? Sobretudo a sapateira fez as nossas delícias, mas tudo o mais era de qualidade muito boa e bem confecionado, o que me levou a afirmar que saía barata a deslocação. De resto, mandámos vir mais uma sapateira e mais três doses de pão, que a coisa estava a cair mesmo bem.

Para beber, pedimos sangria de champanhe e frutos vermelhos, sendo que esta não acompanha os preços ditos low cost: são mais de 10€ por um jarrinho que deu para três (a SC preferiu beberagem cocacoleira), mas só porque não nos quisemos esticar – estou certa de que marcharia outro, se não tivéssemos todas de conduzir uns bons quilómetros para regressar a casa.

Uma nota para o serviço que, apesar de simpático e as mais das vezes eficaz, apresenta algumas falhas, tanto nos tempos (a segunda sapateira demorou o que nos pareceu uma eternidade a ser servida, enquanto que a primeira quase irrompeu à nossa frente, assim que foi pedida) como no conhecimento dos pratos: foi perguntado a um dos funcionários se as amêijoas teriam coentros (nem a SC nem a AC gostam, incrivelmente), ele garantiu que não – e bastou uma prova para que nos apercebêssemos de que afinal sim.

Ainda assim, as pessoas são simpáticas e esforçadas: foi com agrado que recebemos o conselho de, aquando da sobremesa, optarmos pelas Natas do Céu, porque estariam fresquíssimas – e estavam de facto: nem sequer morro de amores pelo doce (não adoro doce de ovos) e gostei muitíssimo, tal como as manas AC e SC. Já a MBC quis o Crumbel (há erro ortográfico, há, mas não é meu) de Morango, que também mereceu nota positiva, pese embora não tão entusiasmada.

Mas o melhor veio mesmo no fim: tínhamos enchido o bandulho como gente grande, estávamos valentemente cheias e o total por estômago não chegou aos 16€ – e é por isso, minha gente, que esta vossa criada afirma que a distância vale a pena, quando estão em causa tão bons apetites.

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Percebes, Tasco do Mar | Vila Nova de Famalicão

Morada: R. Ernesto Carvalho, Ed. Turim Lj 6
Localidade: Vila Nova de Famalicão

Telefone: 252 376 420
Horário: Seg a Dom- 16h00 às 02h00
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Há já semanas que andávamos a matutar onde iríamos jantar antes do concerto no Pavilhão Multiusos, em Guimarães: sabíamos que teríamos algum tempo, já que o espetáculo estava marcado apenas para as 22h, mas ainda assim não daria para grandes repastos – e, de todo o modo, não prescindiríamos de mais uma oportunidade de jantarmos como deve ser, de preferência num sítio novo.

E foi a JP que, umas largas semanas antes, deu o mote à coisa: tendo estudado em Guimarães e regressando à cidade de quando em vez, aconselhou-me dois estaminés que achava que seriam do meu agrado; vai daí, uns dias antes, decidi-me por um deles, com o acordo da SC e da AC, as outras duas convivas. Escolhemos o Tapas e Manias (ó p’rá maravilha do nome, a remeter para o êxito intemporal de Marco Paulo), por ser um restaurante de petiscos, que achámos que seria exatamente o que nos apeteceria, e marcámos mesa com uns dias de antecedência (o que se aconselha vivamente, dado o espaço ser pequeno e rapidamente ter ficado cheio).

Naquele fim de tarde, chovia copiosa e ininterruptamente, o que dificultou a vida a quem, como eu, não conhece os cantos à cidade; ainda assim, vale dizer que, não sendo possível estacionar-se à porta (o Tapas e Manias fica mesmo no centro histórico, que está interdito à circulação automóvel), não é complicado parar o carro relativamente perto (deixámos os nossos junto ao tribunal) e caminhar o resto da distância.

Uma vez chegados, o espaço diminuto (caberão ali entre 20 e 30 pessoas, no máximo) mas bem aproveitado é a primeira coisa que salta à vista: não passam duas pessoas, simultaneamente, entre as mesas, isso é certo (e sabêmo-lo porque tivemos de aguardar, para não perturbar o serviço às mesas, sempre que pretendemos passar).

Uma vez instaladas, numa mesa para quatro beeeeem longe das portas de madeira e vidro (onde se acumulavam chapéus-de-chuva), fomos atendidas quase de imediato por uma das duas simpáticas funcionárias, a quem pedimos conselho sobre a quantidade de pratinhos a mandar vir: francamente, apetecia-nos um de cada e não se falava mais nisso. A indicação dada ia no sentido de escolhermos seis petiscos – e, de facto, foi o número acertado: claro que comeríamos mais, porque a gula fala sempre mais alto, mas ficámos absolutamente satisfeitas com aqueles e, de qualquer modo, não tínhamos tempo para mais.

Assim, vieram: o Camembert Crocante Com Frutos Silvestres, as Gambas Salteadas em Azeite, Alho e Malagueta, os Cogumelos Salteados com Nozes e Brie, a Alheira de Caça com Ovos de Codorniz, os Ovos Com Chouriço Gratinados e os Ovos Mexidos com Gambas e Cogumelos. Para beber, optámos por Coca-Cola Zero (elas) e uma cerveja Mahou (eu), que era o que havia mais próximo da minha amada Super Bock. Entretanto, foi-nos servido o couvert, que ingerimos com gule, e que era composto por azeite do bom salpicado de orégãos, queijo feta e azeitona miúda saborosíssima, tudo acompanhado de um pão branco tipo regueifa, que não me encantou.

Quanto aos petiscos, que foram chegando sucessivamente (o serviço é exemplar, nesse aspeto: não apenas não vem tudo ao mesmo tempo como nunca ficamos em espera), as nossas opiniões divergiram, embora tenham coincidido entre si. O Camembert, que vinha em forma de rolinho envolto em massa filo e acompanhado por uma belíssima compota de frutos vermelhos, foi bastante aplaudido: trata-se de coisa de confeção simples e sem mistérios, mas raramente falha. As Gambas agradaram-nos bastante mas todas achavam que poderiam estar mais picantezinhas (somos gente de sabores puxadinhos); já os Cogumelos terão sido o que menos nos agradou: estavam cortados demasiado finamente, algo gordurosos e sem grande sabor. A Alheira também era bastante boa (não a melhor que já comemos, mas francamente boa) e, sobretudo, estava muito bem cozinhada e crocante, sem pele; já os ovos de codorniz nada acrescentaram ao prato (e eu adoro ovos!), infelizmente. Gostámos dos Ovos Mexidos com gambas e cogumelos mas nem por isso dos Ovos gratinados: a combinação de sabores é maravilhosa (para além do chouriço, havia grelos) mas estava algo seca, o que se deveria provavelmente à exposição excessiva ao calor do forno.

Quanto às sobremesas, de que não quisemos prescindir, optámos por três itens diferentes, depois de muita hesitação. Eu fui na Delícia de Chocolate com Gelado de Framboesa, que estava bonzinho, mesmo porque se trata de mais uma combinação que raramente falha, para quem, gosta do género: o bolo era de mousse de chocolate e o gelado parecia caseiro. A SC quis o Leite-Creme, depois de se certificar de que era queimado na altura, mas acabou por não correr grande coisa: o creme era rijo e estava frio, em claro contraste com o açúcar acabadinho dever o lume. Quanto à Torta de Guimarães com Gelado de Baunilha, que acabou por ser com o de frutos vermelhos, é um daqueles típicos bolos de massa tenra recheado de uma mistura de ovos e chila e polvilhado com açúcar de pasteleiro – e a junção não agradou por aí além, porque o gelado acabou por ficar quase todo.

No fim, depois dos cafés, a conta, que se quedou pelos 17,70€ (transformados em 18,50€, por nossa vontade) – o que, não sendo caro, também não é propriamente barato, tendo em conta que não bebemos vinho e que não ficámos propriamente deslumbradas pela cozinha. Mas é sítio a visitar, certamente, mesmo porque outros petiscos ficaram por deglutir.

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Tapas e Manias | Guimarães

Morada: Praça de São Tiago 12
Localidade: Guimarães

Telefone: 932 959 888
Horário: Seg, Qui e Dom – 12h00 às 15h00 e 19h00 às 22h00 | Qua – 19h00 às 22h00 | Sex e Sáb – 12h00 às 15h00 e 19h30 às 23h00
Aceitam reservas? Sim

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Pé d'Arroz | Comida Vegetariana | Matosinhos | Carapaus de Comida

Foi muito por acaso que fomos parar ao Pé d’Arroz, de que jamais ouvíramos falar, até ao dia em que precisámos de marcar um jantar num sítio descontraído (eu e a RV iríamos diretas do treino) e que não fosse muito caro, na Foz ou ali por perto. E foi a RV que, nas suas pesquisas, descobriu o Pé d’Arroz, em Matosinhos (quase em frente ao Requinte), um estaminé mais ou menos recente de menu vegetariano, que nos oferece refeições em regime de buffet (algo que me agrada quase sempre.

Cheguei um bocadinho antes da hora marcada (reservámos mesa, como fazemos quase sempre, em todo o lado) e, porque a casa se encontrava ainda vazia, deu para apreciar o bom gosto do espaço em piso térreo: tudo muito simples, de linhas direitas, mas confortável e com boa luz (imagino eu, porque era de noite), graças a uma das “paredes” toda vidrada e com vista para um mini-pátio exterior.

Foi-me dada a escolher uma de duas mesas (escolhi a mais próxima da comida, obviamente) e, ainda, a sua extensão (podíamos ser cinco numa mesa de quatro, ou cinco numa mesa de seis, sendo que optei por esta solução, porque somos espaçosos), após o que me deram a conhecer o modo de funcionamento do jantar, bem como a disposição da comida, que se divide entre pratos quentes (dois, mais a sopa) e os frios, compostos sobretudo por saladas, cujo tempero fica a cargo do freguês (prerrogativa simpática, porque os gostos não são todos iguais, também a este respeito).

Enquanto esperávamos (porque chegámos em três levas), eu e a RV fomos dando cabo de uns palitos de pão com paté de beterraba e tofu; também havia um azeite aromatizado com limão, mas o sabor do azeite era de tal modo forte que não se sentia mais nada – o que não apreciei. Depois, vieram uns bocados de pão de alho variado, que estavam muitíssimo bons e, entretanto, com os comensais reunidos, tratámos de atacar o buffet, não sem antes pedirmos as bebidas (pagas à parte, bem como as sobremesas): houve tisana para mim, sumo natura para a RV, sangria para a JP e cerveja para o AG e o DQ – para que se veja que a heterogeneidade é nosso apanágio.

A vantagem destas coisas do buffet é que cada um come o que quer, na quantidade que apetece, e pela ordem que lhe aprouver – e isso é bestial. Eu comecei pela mesa dos frios, sendo que gostei particularmente das azeitonas e dos pimentos padron (nada original, bem sei), bem como dos ovos verdes e da salada de batata. Tudo o mais não me encantou por aí além, sobretudo porque havia duas saladas com mistura de fruta (ananás numa, uvas e melancia noutra), que é coisa que muito raramente me agrada. De resto, e quanto a mim, o Pé d’Arroz peca justamente por esta carência na oferta de pratos frios: gosto de ter duas mãos cheias (pelo menos!) de oferta, para haver a certeza de que se agrada a todos. Ou seja, ao fim da primeira ronda, acabei por repetir apenas aquilo de que gostava, sem qualquer dificuldade na escolha.

Nos pratos quentes, para além de uma sopa de lentilhas e caril (que não provei mas foi gabada lá na mesa), havia “bifana”, coisa muito simpática (certamente de tofu) mergulhada numa molhanga que não deixava os seus créditos em mãos alheias e servida (por nós, o que é ainda melhor) em carcaça de pão branco. Gostei, sim senhores.

Quando nos demos por satisfeitos, depois de todas as repetições que nos apeteceu, enveredámos pelos doces, que nos foram apresentados por um jovem funcionário: eram cinco as opções e as cinco acabaram por vir para a mesa, para que o escrutínio fosse absoluto – batemos palmas a todas elas, desde a coisa saudável sem açúcar nem glúten (com sementes de chia e manga) às mais tradicionais tarte de maçã com gelado de nata, petit gateau com gelado de limão (a escolha foi nossa, havia mais sabores e pareceu-nos caseiríssimo) ou uma espécie de banoffee com chocolate; houve uma outra que foi “montada” à nossa frente, com natas e café e crumble de frutos secos, que também mereceu o nosso aplauso. Adicionalmente, vieram uma espécie de brigadeiros salpicados de frutos secos e servidos em colheres – era uma oferta do chef, nessa noite, o que, para além de um gesto simpático extensível a todas as mesas, era muitíssimo bom.

Posto isto, vieram os cafés, mais dois (ou vinte) dedos de conversa e a necessidade de nos pormos a mexer, porque a casa, que entretanto enchera (com muitos estrangeiros, o que tem graça, porque não estávamos propriamente no centro do Porto ou em sítio de passagem), estava agora a querer apagar as luzes, aguardando só que os últimos convivas (nós!) se dignassem a ir pregar para outra freguesia.

Pedida a conta (que pode ser paga com cartão – hoje em dia, convém fazer esta referência), eis que o simpático repasto ficou por 16,50€ por pessoa, o que não está nada mal para o que efetivamente comemos. Cumpre-nos apenas esclarecer que o buffet fica por 9,50€ ao jantar e fins de semana (7€ ao almoço, em dias úteis), o que nos parece bastante convidativo para quem gosta de comida vegetariana (apenas alguns pratos são vegan, mas os que não são estão assinalados). Tenham bons apetites, se passarem por lá!

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Pé d’Arroz | Matosinhos

Morada: Rua Godinho, 866
Localidade: Matosinhos

Telefone: 935 681 523
Horário: Seg a Sáb – 12h00 às 15h00 e 19:30 às 23h00 | Dom – 12h00 às 15h00
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A minha primeira ida ao Honorato foi absolutamente fortuita: depois de passar meses e meses a ver fotografias e apreciações sobre o estaminé em Lisboa (Sei que há mais do que um mas ouvia falar, sobretudo, do do Chiado), eis que uma bela tarde de finais de Agosto, numa ida espontânea à Baixa, dei de caras com ele, ali mesmo, onde antes morava o Twins-Baixa, junto aos Clérigos e perto de tudo. Eram umas três da tarde, tinha tomado um segundo pequeno-almoço (dos reforçados) umas duas horas antes, mas não consegui resistir: fui dar as voltas que tinha de dar e, ainda não eram 16h00 e já lá estava: sem fome mas com muito apetite.

Daí a pouco mais de uma hora, tinha treino, pelo que sabia que não me podia esticar, mas macacos me mordessem se não sairia dali com uma perceção sobre o mérito da fama do Honorato. Vai daí, entrei no espaço, belissimamente decorado, com sofás fixos, numa mescla entre o diner de meados do século passado e um estilo contemporâneo bem interessante. O espelho a todo o comprimento, à esquerda, dá uma sensação de grandeza que a sala (comprida mas estreita) não tem. O imenso bar é a coqueluche de um sítio onde apetece estar.

Naquela tarde, não me foi difícil arranjar mesa, porque ninguém almoça às quatro da tarde, mas ainda assim havia várias mesas preenchidas, com locais e turistas – o que terá confundido o funcionário que me atendeu, já que me falou em castelhano desde que me recebeu, à porta, até ao momento em que me sentou numa mesa e me entregou a ementa no mesmo idioma. Juro que lhe falei sempre em português, mas convenci-me enfim de que falo mesmo muito depressa. Aproveitei a passagem de outra funcionária para desfazer a confusão mas ainda hoje estou para perceber o que ali se passou.

Porque estava limitada, tanto em termos de fome como de tempo, aproveitei a prerrogativa que a ementa do Honorato oferece: a possibilidade de escolhermos mini-hambúrgueres, que são um nadinha mais baratos do que os normais (e caríssimos, em termos relativos), para quando a gula (ou os constrangimentos, no meu caso) não permitem que nos afiambremos a eles. A escolha não foi difícil: de entre os 14 hambúrgueres artesanais oferecidos, não tinha como não escolher o que dá nome à casa. O Honorato vem com maionese, milho, alface, tomate, ovo, bacon e queijo cheddar, para além, obviamente, do tradicional (e bom) pão de hambúrguer em três fatias, intercaladas com os ingredientes mencionados e a belíssima carne picada, de qualidade superior. As batatas fritas são caseiras e quentinhas mas o ponto alto é mesmo a molhaca de maioneses com que são servidas: sabe a pickles, acho, ou então a outra coisa igualmente (muito) boa.

Nesta primeira visita, não fui capaz de comer mais nada (sabia que sofreria mais tarde, se o fizesse, na aula de Attack), mas sabia que regressaria em breve. Meu dito, meu feito: aproveitei o dia do concerto dos Ujos (Miguel Araújo e António Zambujo, para os 5% da população nacional que não foram a uma das noites dos Coliseus), a meio de Setembro e lá voltei eu, desta vez com mais fome e disponibilidade. Felizmente, chegámos cerca das 19h30: meia hora mais tarde, já se fazia fila à porta e a casa estava cheia que nem um ovo. À noite, o espaço torna-se ainda mais bonito e a presença de um DJ assegurava música-ambiente, ainda por cima de bom gosto. No balcão e fora dele, uma boa quantidade de funcionários (entre os quais a T., uma “velha” conhecida que adorei encontrar ali) assegurava que tudo decorria sobre carris, tanto na receção como nas mesas e conceção dos cocktais e paparoca.

Desta feita, deixei a Coca-Cola de lado e fui mesmo para os cocktails, no que fui acompanhada por Mãezinha, que foi comigo: ela optou pelo Berry Good, a conselho da simpática funcionária, e deliciou-se com a bebida sem álcool, composta de limão, puré de frutos vermelhos, hortelã, sumo de arando e amora fresca. Já eu, também depois de consultada a menina que nos atendia, fui no Melodream (adoro nomes inteligentes), com gin, meloa, manjericão e pepino, que adorei com paixão. De resto, não me passara pela cabeça acompanhar hambúrgueres senão com um fino bem tirado (e há ali simpática quantidade de cervejas de pressão) ou a coca-colinha da praxe, mas adorei a combinação.

Para pratos principais, e depois de saboreados os croquetes de entrada, escolhemos o Falcão (a mãezinha) e o Capitão Fausto (eu, confesso que muito pelo nome, mesmo porque tudo me parecia bem). O primeiro, para além da carnucha e do pão em três fatias, tem agrião, tomate, bacon, cebola e cheddar; o meu tem agrião, tomate, pickles, molho barbecue, cheddar e cebola – e ambos agradaram muitíssimo, apesar de, à primeira vista, parecer quase impossível ter ângulo de abertura dos maxilares para abarcar tamanha quantidade de comida. Reitera-se o elogio ao molho das batatas fritas, que é do melhor.

No fim, já estávamos a modos que cheias-até-cima, mas quando percebemos não só que havia sobremesa, mas também que só havia uma sobremesa, imediatamente decidimos que tínhamos de provar a Mousse de Chocolate: afinal, que estaminé tem tanta segurança num prato, qualquer que ele seja, para que o assuma como único, sem pretender agradar a gregos e troianos? O Honorato. E com toda a propriedade, devo acrescentar: a mousse, que é anunciada como sendo feita sem ovos (hmmm, mousse sem ovos? – desconfiou Mãezinha, que é uma clássica) e servida em frasquinho (como agora é costume disseminado), basta-se a si mesma e é das melhores que já comi na vida (e olhem que já fiz a folha a muita mousse). Tem consistência que faz lembrar a de brigadeiro, um crocante por cima e um sabor de comer e carpir por muito mais.

Se gostei do Honorato? Olhem, gostei tanto que considero os 20€ por estômago que pagámos adequados (embora elevados, face à concorrência) e elegi-o, à segunda visita, a minha hamburgueria preferida e pronto.

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Honorato Hamburgueria | Porto

Morada: Rua Cândido dos Reis, 12
Localidade: Porto

Telefone: 910 028 957
Horário: Dom a Ter – 12h00 às 24h00 | Qua e Qui – 12h00 às 02h00 | Sex e Sáb – 12h00 às 04h00
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Esquina do Avesso | Leça da Palmeira | Carapaus de Comida

Não sendo nós, de todo, das pessoas que mais fazem refeições fora, somos meninos para alinhar em incursões a um par de vezes por semana, sendo que em ao menos uma delas tratamos de conhecer estaminés novos: ora isto dá uma meia centena de restaurantes por ano, o que nem sequer é extraordinário. Ainda assim, é o suficiente para que nos permitamos descobrir o que está na berra, o que sempre esteve e o que não está mas adorava estar – e isto aporta um espírito crítico que nos deixa dizer de nossa justiça, sem medos, mas também nos torna mais exigentes: é difícil que nos surpreendem a é ainda mais complicado que nos deslumbrem.

É, por isso, com redobrado prazer que, esta semana, trazemos ao conhecimento do nosso Cardume um restaurante que nos encheu as medidas, sem reservas – não se trata sequer de um estaminé novo, porque o Esquina do Avesso já abriu há uns meses (tantos quantos a nossa vontade de lá ir, porque o conceito de imediato nos cativou), mas é coisa que recomendamos de olhos fechados a quem gosta dos bons comeres. Como veem, hoje nem há direito a suspense: ao segundo parágrafo, já estamos a afirmar que gostamos muito, e nem sequer é por distração.

Mas passemos à nossa experiência, ocorrida em meados de agosto, numa noite daquelas mais frescas mas com um sol lindo, o que torna o Largo do Castelo (Leça da Palmeira), onde fica a Esquina do Avesso, coisa ainda mais simpática. O único problema desta localização é que há ali carradas de outros restaurantes, pelo que o estacionamento pode ser complicado, mas arranja-se sempre qualquer coisa, nas ruelas para o lado de trás – eu tive sorte e estacionei a dois passos da porta, devo confessar.

O nome do estaminé não é fruto do acaso: a casa faz mesmo esquina e, na primeira página da ementa, há o cuidado de nos explicarem o conceito de uma casa que já o era antes de ser, uma vez que nasce da “Tasca da Esquina” e vira-se “do avesso” para nos apresentar uma ementa original – mas já lá vamos. Comecemos pelo espaço: há uma esplanada cá fora, onde teria feito questão de ficar, não fosse o fresquinho dessa noite. Assim, quando me foi dada a escolher a mesa que reservara (a PG haveria de chegar um nadinha mais tarde), não hesitei muito: o piso térreo é mais bonito e bem decorado (as madeiras e os objetos escolhidos para ali figurar revelam a simplicidade do bom gosto que aconchega), mas o superior, embora mais pequeno, tem mais charme – e pudemos sentar-nos mesmo junto à janela junto ao teto, felizmente aberta.

Uma vez instaladas ambas as convivas, foi-nos facultada a ementa, que apresenta três sopas (a Do Dia, Caldo Verde e Sopa de Peixe) e três pratos “clássicos” (Bacalhau à Brás, Bife à Portuguesa e Bochechas de Porco à Alentejana), para além de duas opções em pão (prego e mini-hambúrgueres), para além dos petiscos por que o Esquina é conhecido. E estes, sendo treze, acabaram por nos assoberbar, porque tudo nos parecia bom – e é nestas alturas que peço sempre a ajuda-do-funcionário, o que também serve para aferir a qualidade do serviço: odeio pedir opinião e não ma saberem dar ou, pior, nem sequer terem grande conhecimento acerca do que é servido. Ora no Esquina do Avesso esse não é, de todo, o caso: a simpática funcionária que nos atendeu nesta fase soube responder a todas as nossas perguntas e, perante a nossa indecisão e pedido, aconselhou-nos a escolher 3 a 4 pratos, sendo que nos sugeriu aqueles que, no seu entender, seriam os mais apetecíveis – e desde já adianto, que hoje não há mistérios, que acertou no alvo.

Entretanto, havia-nos sido trazido o couvert, composto por pão do muito bom (fatiado, rústico), azeitonas saborosas (das miúdas) e uma trilogia de manteigas (manjericão, chouriço e milho – qual delas a melhor e mais fresquinha) que nos foi entretendo o palato e acompanhando a sangria de espumante e frutos vermelhos que escolhemos para beber.

Aguardámos pelos pratos principais muito pouco tempo (de resto, neste estaminé, o compasso está afinadíssimo e não há tempos de espera incomodativos): em primeiro lugar, vieram as Gambas Kataifi, que nos foram apresentadas como sendo um dos pratos mais pedidos – e eram de facto muito boas, aquelas quatro bichinhas envoltas numa massa frita (tempura) também usada no sushi, e servidas com molho sweet chili e maionese; logo depois, veio uma das estrelas da noite, o Scotch Egg de Pato Confitado, com o ovo mal cozido a fazer as nossas delícias (mesmo porque é um prato lindíssimo, para além de saboroso); em seguida, aquele que pensávamos que era o prato final: Gnochi Trufado com Cogumelos e Ovo Mole, coisa só para quem gosta muito de cogumelos (gordos e suculentos) dos muito bons. E nós gostamos, mas não ficámos satisfeitas, pelo que decidimos pedir o quarto prato que nos havia sido sugerido, o Pica-Pau do Mar – e que maravilha, outra vez: as gambas, as lulas, as amêijoas cheias, os mexilhões e o tomate cherry numa comunhão perfeita.

Agora sim, dávamo-nos por vencidas, mas não sem antes provarmos as sobremesas, porque a mousse de chocolate do Esquina do Avesso foi algo que me ficou na retina desde que lhe vi a fotografia, há já muito tempo. Paradoxalmente, outros sabores acabaram por se lhe sobrepor e a mousse acabou por ficar para outra oportunidade. Vieram o Mascarpone com Frutos Vermelhos e Suspiros para a PG (que eu provei e estava delicioso e fresco) e o Cheesecake de Manteiga de Amendoim e Caramelo Salgado para mim: ver dois dos meus sabores preferidos conjugados foi coisa para me impedir de pensar sequer noutro doce – e saboreá-los, num cheesecake desconstruído, foi de ir ao céu e voltar (mas muito mais feliz).

Para encerrar o festim, pedimos os belos do café e descafeinado (eu sou daquelas loucas que, se bebem qualquer coisa com cafeína depois das 16h, passam a noite em claro), que vieram com um delicioso bombom de caramelo rijo com recheio de chocolate, e a conta, que ficou em 32,20€ para cada uma de nós – preço simpático, se atentarmos na qualidade do que comemos (e na originalidade; afinal, trata-se de uma cozinha “de chef”), no modo como fomos servidos e na vontade com que ficámos de voltar depressinha.

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Esquina do Avesso | Porto

Morada: Rua de Santa Catarina, 102, Leça da Palmeira
Localidade: Matosinhos

Telefone: 912 286 521 | 223 238 074
Horário: Ter a Dom – 12h00 às 15h00 e 19:00 às 23h00
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Adega O Escondidinho | Petiscos | Porto | Carapaus de Comida

Fomos parar à Adega O Escondidinho por via de uma daquelas circunstâncias a que chamaríamos acaso: alguém disse a alguém que disse à RV que havia um estaminé muito discreto junto ao Jardim de Arca d’Água (na rua que o liga ao Campo Lindo) onde se comia divinamente – e isto não constitui acaso porque o que passa de boca em boca, entre gente que gosta dos bons comeres, é bem intencional. Ora estávamos em pleno Verão, naqueles dias que se prolongam até muito tarde e em que as temperaturas, mesmo no Porto, convidam a muita rua, pelo que não nos fizemos rogadas: numa quarta-feira (porque a Adega está fechada de domingo a terça-feira, o que é absolutamente incomum), depois de marcarmos mesa para a esplanada que sabíamos existir, lá fomos ver onde paravam as modas.

O estacionamento na rua não foi difícil, mas acho que tivemos sorte: trata-se de uma zona residencial, onde nem sempre deve ser fácil encontrar lugar para a burra; de resto, a MJ chegou depois de mim e da RV e foi estacionar já quase ao Campo Lindo. Depois, tratou-se de dar com o número de polícia, chegando a uma casa térrea, discreta mas elegante, com uma campainha que indica o estado normal da Adega do Escondidinho: porta fechada. Naquele dia, com certeza por mor de um calor inenarrável e na tentativa de chamar as correntes de ar (que se agradecem), bastou empurrar: entrámos num pequeno corredor com um teto feito de garrafas vazias (interessantíssimo) e, à esquerda, deparámo-nos com a sala interior, com capacidade para pouco mais de uma vintena de comensais, e de ar tradicional e quase austero, contrastando com a descontraída esplanada, onde escolhêramos ficar.

Dirigimo-nos ao espaço onde duas mesas estavam já ocupadas (seriam umas 20h) e ocupámos a mesa que um dos funcionários (seria dono?) amavelmente nos indicou, após o que nos foi facultado o menu e dadas algumas recomendações quanto ao que seriam os pratos do dia. Quase simultaneamente, foi-nos trazido um cesto com pães diversos (todos saborosos e frescos), uma tábua com ótimos queijo e presunto, que degustámos com prazer, bem como um paté de delícias do mar e pimento, servido naquilo que parecia uma lata de conserva e rodeado de tostinhas – estava maravilhoso e não sobrou um bocadinho para amostra.

Entretanto, era tempo de mandar vir a refeição principal, sendo que achámos que, numa noite de canícula, os petiscos seriam reis e senhores (embora os pratos principais tenham, também eles, despertado a nossa atenção: pareciam quase todos apetecíveis); para acompanhar, evidentemente, o belo do fininho, que ajudaria na hidratação e refrigeração. Assim, e com o acordo de todas, mandámos vir o Camembert Gratinado Com Mel (4,50€), os Folhadinhos de Alheira Com Maçã (2,75€), os Cogumelos Recheados (3,50€), as Moelas (3,75€), as Pataniscas de Bacalhau (4,75€) e os Ovos Rotos (4,75€) – a ideia era provar de tudo e passar o serão entre bons apetites e muita conversa jogada fora, com vagar.

Os pratinhos não vieram todos de uma vez, o que nos agradou bastante, mas não revelavam um cuidado que considero essencial (e que noto muito em restaurantes onde vou comer sushi): creio que, quando se servem pratos com peças individuais, deveria haver o cuidado de que estas fossem sempre em número igual (ou múltiplos) ao número de convivas sentados à mesa – de outro modo, há de haver sempre a circunstância esquisita de sobrar a peça-da-vergonha, mesmo se entre gente que está absolutamente à vontade, como é o caso. Mas adiante, tenho plena consciência que isto é uma mariquice minha que não chega a ser exigência; só acho de bom-tom, pronto.

Comecemos pelo menos bom, que é rápido e de menção curta: os folhados de alheira e maçã eram mesmo muito fraquinhos. O recheio era quase inexistente, a massa pouco estaladiça e sabiam a algo que eu poderia ter feito em casa – e acho que faria melhor, sem falsas modéstias. De resto, este foi o calcanhar de Aquiles da refeição, já que tudo o mais estava muito bom e foi degustado até ao fim, entre muitos comentários abonatórios: saliento os ovos rotos, que trinchámos de modo a que ficasse tudo misturado, e as pataniscas, altas e fofinhas (estas, curiosamente, em múltiplos de três: seis peças); os cogumelos, embora pequenos, também estavam muito saborosos e o Camembert foi uma delícia de comer.

Nas mesas ao lado, a satisfação também parecia uma constante, sendo que nós devíamos ser as únicas marinheiras de primeira água, a aferir pela familiaridade com que os outros comensais se comportavam e dirigiam aos funcionários – e isso é sempre bom sinal, porque só volta frequentemente quem está satisfeito. Quem parece voltar, também, em noites de calor, são as melgas/mosquitos, que se revelaram companhia pouco amistosa.

Aproveitámos para saber das sobremesas e eu e a RV não resistimos a terminar a noite com o doce – já a MJ é pouco ou nada doceira, o que invejo profundamente mas não consigo imitar. Veio, assim, uma Panacotta de Frutos Vermelhos para a RV, que ela apreciou, por ser pouco doce (justamente o que me faz afastar quase irremediavelmente de qualquer doce do género) e, para mim, um Fondue de Chocolate, servido com manga, ananás, morangos e maçã, sendo que esta ficou toda lá, porque não aprecio a conjugação de sabores.

No final do banquete, vieram ainda para a mesa uns copinhos com um licor que viemos a saber ser de ginja e que eu e a MJ bebemos, satisfeitas com o gesto simpático – ainda que nenhuma de nós aprecie licores. Já a RV teve de se obrigar a emborcar um gole, porque detesta a coisa – mas seria impossível não agradecer, bebendo, mesmo porque a ginjinha era bem janota. O serviço é muitíssimo cordato e atencioso, embora por vezes seja demorado, o que se prenderá com um volume maior de pedidos simultâneos.

Contas feitas, pagámos 16€ e uns cêntimos cada uma, o que nos pareceu muitíssimo barato, para um serão tão simpático e com tão bons apetites. Apetece voltar, sim senhores.

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Adega O Escondidinho | Porto

Morada: Rua Costa e Almeida, 259
Localidade: Porto

Telefone: 917 886 011
Horário: Qua e Qui – 19h00 às 24h00 | Sex e Sáb – 19:00 às 01h00
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O Diplomata | Petiscos | Porto | Carapaus de Comida

Tenho a sorte de ter duas amigas que trabalham na Baixa do Porto, relativamente perto uma da outra; tenho, adicionalmente, a felicidade de haver sempre um ou dois dias por semana em que tenho disponibilidade para me encaixar nos horários mais ou menos fixos delas e ir almoçar com ambas: costuma ser só uma horita e pouco, mas não só serve para matar saudades e pôr a conversa em dia, uma ou duas vezes por mês, como também para descobrirmos sítios novos, em trio (mesmo que os sítios não sejam novos para todas).

Desta feita, escolhemos o Diplomata, onde a JS já havia ido umas vezes, e de que eu ouvira falar amiúde, por mor das suas panquecas, que se dizem ser das melhores do Porto. Quando descobrimos, por meio da JS, que ali também se serviam menus de almoço, eu e a RV alinhámos imediatamente na sugestão de ser por lá o nosso repasto, numa segunda-feira quente de meados de Julho.

Quando chegámos, um nadinha antes das 13h, tínhamos o estaminé só para nós, pelo que pudemos escolher a mesa (mesmo a meio, para estarmos perto de tudo) e regozijarmo-nos com o fresquinho que ali se sentia, bem como com a belíssima vista para uma rua com um movimento que não enjoa. Entretanto, foi tempo de nos inteirarmos do menu de almoço do dia (a uns imbatíveis 3,20€), composto por sopa (de ervilhas) e uma tosta (de frango, queijo e ananás) ou salada (de beringela, queijo de cabra e compota de frutos silvestres) As bebidas do dia eram uma tisana qualquer (não decorei) e limonada – sem açúcar, para nosso gáudio (não há pior do que limonada açucarada: assim, quem quiser, que junte açúcar, deixando as amarguras para quem as prefere, como nós). Todas quisemos sopa, limonada e tosta, ainda que a RV tenha querido a dela como era oferecida e eu e a JS tenhamos pedido para trocarem o ananás por beringela, ao que a funcionária prontamente acedeu (e eu adoro gente descomplicada!).

As limonadas, servidas nos já costumeiros copos-que-são-frascos (e que eu uso imenso em casa, para aproveitar os frascos que, de outro modo, iriam para o vidrão), vieram muito rapidamente, seguidas das sopas, de que gostei particularmente (logo eu, que nem sou de todo apreciadora, embora goste bastante de algumas), embora não nos tenham parecido de ervilhas, ao menos enquanto ingrediente principal. A consistência era quase elástica de tão cremosa e aveludada, o que nos levou a tentar adivinhar como se lhe chegaria – a RV votava na Bimby como manufatora da coisa, a JS acrescentava que tinha de ter batata e eu, sendo eu, acreditei em ambas porque destas coisas só percebo da ótica do deglutidor. As tostas também não estavam más de todo (embora um nadinha secas para o meu gosto) e, de facto, com aquele tamanho de pão (são meias fatias de pão rústico) fica-se perfeitamente saciado, ao almoço. Foram servidas com chips de casca de batata (com batata agarrada, vá) temperada com sal e um molho de maionese e ervas de que gostei muitíssimo.

Nesta altura, já a JS tinha de regressar ao trabalho, pelo que ficámos, eu e a RV, para aquilo que, na realidade, me entusiasmara na ida ao Diplomata: as panquecas. E, ao observar o menu, verifica-se imediatamente ser essa a especialidade da casa: só no que toca à massa, temo-las simples, de aveia, de mirtilo e de chocolate, sem falar na miríade de acompanhamentos e toppings que lhes podemos adir. Escolhemos ambas a opção de duas panquecas (também há a de quatro), mas enquanto a RV quis as de mirtilo, sem mais nada (apesar da insistência da outra simpática funcionária, que faz as panquecas, em acrescentar um melzinho, que fosse), eu fui nas simples com mirtilo, chantilly e Nutella (“estupidamente” e  “gulosa” são os meus nomes do meio).

Pois devo dizer que as minhas expectativas, altíssimas, em nada saíram defraudadas – e só não digo que ali moram, de facto, as melhores panquecas do Porto, porque me falta experimentar aí 95% da oferta, mas posso dizer que são certamente as melhores que já comi. Desde logo porque são feitas na hora, a olho e por mão muitíssimo experiente: tivemos a sorte de ficar numa mesa em que assistimos ao processo, na cozinha. Depois, porque são saborosíssimas, fofíssimas, morníssimas e todos os superlativos absolutos sintéticos de que se lembrarem.

Saímos, portanto, muito contentes, não só com a experiência em termos absolutos, mas também com os preços amigos e com um espaço aparentemente despojado e cool mas com pormenores absolutamente deliciosos. O serviço é, também ele, simpático e eficaz.

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O Diplomata | Porto

Morada: Rua de José Falcão, 32
Localidade: Porto

Telefone: 960 188 203
Horário: Seg, Ter, Qui e Sáb – 09h30 às 20h00 | Sáb – 10h00 às 20h00 | Dom – 10:00 às 19:00
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Flow Restaurant & Bar | Porto | Carapaus de Comida

Não sei há quanto tempo terá aberto o Flow, numa zona em que os novos estaminés (de gama média a alta, também) pululam loucamente, mas diria que talvez há um ano e picos – e desde então que o tenho na lista como um dos “a visitar”. A ocasião (sempre ao jantar) já esteve marcada, já foi pensada, mas acabou por jamais se concretizar, por razões várias que não interessam nadinha. O que importa é que acabou por se trocar o jantar por um almoço e é dessa experiência que aqui venho dar conta, hoje.

Note-se que o Flow tem sido um dos restaurantes-da-moda, embora nos últimos meses o protagonismo vá recaindo noutros, que entretanto foram abrindo (inclusivamente na vizinhança); e eu, que não tenho nada contra tendências, a verdade é que não me costumo deixar convencer por elas só porque sim – é que nestas coisas, como nas demais, há as que correspondem à fama e há as que nem por isso, pelo que prefiro sempre comer para crer.

Tudo isto para dizer que o que nos levou (a mim e à RV, a minha companhia nesta incursão) a escolher o Flow foi, antes de mais nada, a localização (porque nos dava jeito, naquele dia) e, depois, a hipótese de, por 14€ (e não os 12€ que constam da Zomato, cumpre-nos avisar), podermos degustar pelo menos uma entrada e um prato principal, o que nos permitiria aferir se valeria a pena continuar a pensar num jantar, em que o valor final seria muitíssimo mais alto.

E permitam-me começar pelas primeiras impressões, que foram as mais fortes e perenes: o espaço é es-pe-ta-cu-lar. Lindo. Dos mais fantásticos em que esta vossa serva já entrou, seja enquanto Carapau seja à civil. É coisa para valer a pena pagar e não comer nada, que aquilo parece arraçado de monumento, tanto no que diz respeito ao que foi aproveitado no pátio, como no que toca à decoração que, desde o átrio ao bar e à sala principal é de um bom gosto irrepreensível: os azulejos no chão, as madeiras, os recantos em estilo árabe, os candeeiros que pendem do teto, as cadeiras à entrada, o piano de cauda, a luz, os apontamentos de clorofila – tudo tem a marca de quem sabe o que faz (e de quem aproveita o que de bom encontrou no edifício). Também o ambiente, ainda que descontraído e eclético (havia profissionais em intervalo de almoço, turistas, gentes de faixas etárias variadas), é requintado sem esforço (bem sei que é uma redundância porque nenhum requinte que mereça o epíteto será forçado, mas permitam-me a liberdade cronista), o que merece outro aplauso.

Ora portanto, até à altura em que nos sentámos na mesa, conduzidas por um funcionário que nos deu a escolher entre a sala principal e o pátio (e aconselhando-nos este último, já que a canícula não era muita e o espaço é de facto muito convidativo, sobretudo de dia), estávamos encantadas com cada pormenor – e é bem possível que eu tenha passado por turista deslumbrada (ou tão só por deslumbrada, vá), já que tentei registar tudo quanto me foi possível.

Uma vez sentadas, foi-nos trazido o couvert por outra funcionária (cujo tratamento por “as minhas senhoras” não me cativou; exemplifico: “as minhas senhoras já escolheram?” – ná, não aprecio), que aproveitou para recolher os nossos pedidos. Dois apartes, para já: o couvert está incluído no menu mas não é nada de especial (apenas umas fatias de baguete e um pedaço de broa [bastante boa, esta, devo dizer] para imergirmos no azeite); depois, só nos foi apresentada a carta com o menu de almoço – o que não sei se é procedimento habitual porque àquela hora não se serve mais nada, se aconteceu porque temos ar de pindéricas. Fica a dúvida, senhores.

Pareceu-nos que o menu seria alterado diariamente, e o que oferece é simpaticamente diversificado: para entrada, poderíamos optar ou por Sopa de Agrião, Croutons de Pão de Milho, Areado de Avelã e Azeite Extra Virgem ou por 2 Unidades de Crepes de Legumes e Camarão. Mandámos vir um de cada e à primeira dentada apercebi-me de que teria feito melhor se tivesse optado pela sopa, que a RV gabou, já que os crepes eram banalíssimos e poderiam ter vindo de um qualquer take away de comida asiática (talvez com um molho agridoce menos bom, devo conceder).

No que toca aos pratos principais, a escolha é mais vasta: há prato de carne, prato de peixe, prato de salada, prato de risotto e menu de sushi (sendo que este pode ser composto de dez peças variadas ou, por mais 2€, de 12 peças de sushi com sashimi), o que é bem mais do que a comum oferta de menus de almoço – e é quase impossível não haver ali qualquer coisa de que se goste. Claro que o meu problema é o oposto: gosto de (quase) tudo e o difícil foi escolher. Acabei por optar pela Salada de Carpaccio de Bacalhau Fumado, Húmus de Grão-de-bico, Broa Frita, Tapenade de Azeitona e Cebolinhas em Balsâmico – e estava boa, soube-me lindamente, mas tenho de destacar os croutons de broa (absolutamente divinos) e dizer que o húmus não me encantou pela consistência cremosa fininha. A RV foi para o Bacalhau Confitado a 55ºC, Açorda de Espargos Frescos e Hortelã, Ovo de Galinha e Aros de Cebola – e este era daqueles que se come desde logo com os olhos; lindíssimo, bem empratado, super-apetitoso. Depois de degustado, concluiu-se que, estando a açorda (ovo incluído) uma especialidade, o bacalhau tinha claramente passado do ponto (os tais 55 graus), apresentando-se seco e chato de comer.

Acompanhámos tudo com água servida de jarros (pelo que não sabemos sequer qual a sua proveniência, o que me parece indigno para um estaminé da gama do Flow), que é a bebida incluída no menu de almoço; obviamente, poderíamos ter escolhido um qualquer vinho ou refrigerante, mas não o fizemos, mesmo porque ambas gostamos de água (e também porque não nos apetecia pagar mais por um refrigerante e o vinho está fora de questão, quando se trata de ir trabalhar de seguida). Pedimos os cafés (também incluídos), porque a única sobremesa disponível (Semifrio de Coco, Abacaxi Caramelizado Com Hortelã e Vidrado de Kima) não nos encantou de todo, pelo que julgámos desnecessário gastar os 3€ que acresceriam à conta, caso a quiséssemos.

No final, a conta foi trazida num tablet (o que é moderníssimo e tal mas é coisa que detesto, mesmo porque é impossível de fotografar como deve ser) por aquela que calculámos que fosse a Chefe de Sala, uma jovem descontraída e simpática que atenuou um nadinha a ideia que até ali construímos acerca do serviço: funcionários esforçados mas aparentemente com falta de treino específico (o que se via nos pequenos detalhes), o que nos pareceu pouco condicente com toda a beleza envolvente.

Em resumo: o Flow não me maravilhou, de todo, enquanto experiência gastronómica. Mas que é um belíssimo espaço para um jantar (e não almoço) especial, ai disso não duvido sequer por um minuto – e apetece-me voltar, mais não seja para conhecer o resto da ementa e para perceber se posso gostar mais do estaminé.

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Flow Restaurante | Porto

Morada: Rua da Conceição, 63
Localidade: Porto

Telefone: 222 054 016
Horário: Seg – 20h00 às 24h00 | Ter a Sex – 12h30 às 15h00 e 20h00 às 24h00 | Sáb – 13h00 às 15h00 e 20h00 às 24h00
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