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Terminal 4450 | Leça da Palmeira | Carapaus de Comida

Eis mais um estaminé que estava na lista dos “a visitar com urgência” praticamente desde que abriu, pois que não oiço senão dizer muito bem: o Terminal 4450, sito ali mesmo, no antigo terminal de passageiros do Porto de Leixões, do lado de Leça da Palmeira (onde, uma vez por outra, ainda é possível ver um navio “descarregar” passageiros), não só se encontra numa localização privilegiada como tem uma luz espetacular, daquelas que tornam tudo mais simpático.

Depois de estacionar o carro nas redondezas, o que se revela tarefa mais simples do que à primeira vista se pensa (baste enveredar pelas ruelas do outro lado da Avenida Antunes Guimarães), a entrada no Terminal é a primeira experiência engraçada: sobe-se de elevador (ou pelas escadas, para quem gosta de se massacrar para além do ginásio) e, depois, caminha-se por um corredor que faz lembrar as mangas que conduzem aos aviões, com vista para o rio.

Uma vez chegados ao restaurante, toda a grandiosidade (que se mantém na zona da receção e casas de banho, toda amadeirada e com elementos decorativos de um bom gosto despojado) torna-se aconchegante, apesar do pé direito alto: um grande balcão de madeira rústica, onde se servem os cocktails que fazem do Terminal também um bar, convive com bancos altos e uns sofás, para quem espera e gosta de ir bebericando; uma mesa de mistura anuncia noites musicais, em harmonia com as traves de madeira que remetem inevitavelmente para as construções náuticas.

A sala principal não é enorme e estava cheia que nem um ovo, o que parecia trágico para quem até tinha feito uma reserva, uma semana antes. Fomos convidadas por um dos funcionários (delicadíssimo e profissional, como todos os que passaram pela nossa mesa) a ficar numa sala mais pequena – e se o convite parecia indiciar uma experiência menor, pelo cuidado com que foi feito, veio a revelar-se uma coisa muito boa: a sala “ao lado” tem exatamente a mesma vista privilegiada, mas é bastante mais tranquila, o que é ótimo para quem, como eu, detesta ter de (e ouvir) falar alto às refeições.

Uma vez instaladas, e ainda antes de nos ser trazida a ementa, foi-nos apresentado o menu do dia, uma pechincha que, por 8,50€, nos serve o couvert, sopa, o prato do dia e uma bebida. Aceitámos imediatamente: bem sei que a especialidade da casa são as carnes puras (e não tardarei a voltar para um bife dos muito bons), mas é impossível não aceitar um negócio destes. Assim, começámos por trincar o pão (entre broa com chouriço e pão de mistura) com a manteiga de linguiça (coisa mesmo muito boa) e umas pipocas salgadas com orégãos que fizeram as nossas delícias. Passados uns minutos, veio um creme de brócolos irrepreensível (e eu nem sequer sou grande fã de sopa, a não ser daquelas que são para lá de boas, como esta).

O prato principal era Secretos de Porco Preto com Castanhas e Cogumelos, servidos com Arroz de Frutos Secos (num balde de alumínio) e devo dizer que a coisa estava uma especialidade, de tão boa. As quantidades servidas são sensatas e mais do que suficientes mesmo para gente de (bastante) alimento, como eu.

Inevitavelmente, não pudemos sair sem fazer uma incursão pela oferta de sobremesas, que parece ser outra das grandes forças do Terminal 4450, a aferir pela quantidade de sugestões que tive, mal artilhei uma fotografia do sítio onde estava, no meu Instagram: da Bola de Berlim (que passei por ser recheada com o tradicional creme de pasteleiro, que dispenso) ao Petit Gateau de abóbora com Gelado de Queijo da Serra, os conselhos eram muitos, mas acabei por seguir o meu instinto, que é muito chocolateiro, e decidi-me pelo Decadente de Chocolate, uma deliciosa fatia de bolo de chocolate em três texturas, que rivaliza com o que de melhor já comi, dentro do género. Para a mesa vieram ainda uma Mousse de Chocolate (o doce daquele dia) e uma Tarte de Limão Merengada que, apesar de gostosa e belíssima, só dececionou (em parte) porque o “merengue” era, na verdade, pedaços de suspiros (e a ideia não seria exatamente essa).

Finalmente, os cafés e a conta: uma refeição deste calibre, com vinho e sobremesas, ficou por um pouco menos de 18€ por estômago, o que me parece muitíssimo razoável e justo. Claro que, porque não satisfiz toda a minha curiosidade, pretendo voltar em breve, para os bifes e mais sobremesas, de preferência ao jantar – isto porque a busca por bons apetites jamais cessa, por aqui.

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Terminal 4450 | Leça da Palmeira

Morada: Avenida Doutor Antunes Guimarães, Terminal dos Passageiros
Localidade: Leça da Palmeira

Telefone: 919 851 933
Horário: Dom a Qui – 12:30 às 15:00 e 19:30 às 23:00 | Sex e Sáb – 12:30 às 15:00 e 19:30 às 02:00
Aceitam reservas? Sim

No Zomato
Terminal 4450 Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
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Avenida 830 | Restaurante | Porto

Não há como acompanhar todas as novidades na cidade do Porto: também no que toca à gastronomia, há estaminés a abrir como se fossem cogumelos de geração espontânea. Ainda assim, quando li sobre o Avenida 830, não pude deixar de ficar com ele debaixo de olho: fica ali mesmo ao pé da Casa da Música, a cinco minutos do meu local de trabalho, e haveria de o ir experimentar em breve, sobretudo porque ouvira falar de um “menu executivo” por 8€, disponível à hora de almoço, em dias úteis.

Assim, mal se tratou de marcar um dos mais-ou-menos-regulares-almoços-durante-a-semana com a RV (Carapaua-fundadora e eternamente honorária), este menino foi um dos sugeridos por mim, sendo que a escolha definitiva aconteceu mais por exclusão de partes do que por outra coisa qualquer: o Avenida 830 faz o favor de estar aberto à segunda-feira (ainda que apenas à hora de almoço), ao contrário das outras duas sugestões. Vai daí, tratámos de marcar a coisa para as 13h (via aplicação Fork, que é simpática porque vamos acumulando pontos que acabam por proporcionar descontos, ainda que modestos) e lá fomos.

Fui a primeira a chegar e confesso que, embora tenha gostado de uma espécie de primeira salinha, mesmo junto à entrada, não fiquei impressionada quando entrei no espaço principal, que consiste numa looooonga sala (inicialmente tipo corredor, que desagua numa coisa mais arejada e, finalmente, na esplanada, onde outrora terá sido o jardim): a decoração, que muitos dirão minimalista, em tons de branco e cinzento, não abona a favor da sensação de conforto, antes dá um ar industrial (que não no bom sentido), frio.

Mas tudo bem, que o que nos interessa verdadeiramente é o serviço e o que se come – ainda que não nos tivéssemos importado nada que a mesa que nos calhou em sorte fosse na esplanada, que estava convidativa naquele dia de sol. De resto, é sítio onde me apetece voltar a breve trecho, mal o calor-como-deve-ser se instale de vez, mas adiante.

Fomos atendidas por um simpático funcionário, tão delicado que era difícil ouvir o que dizia. Explicou-nos em que consistia o menu executivo, composto por sopa do dia, pão, prato principal (à escolha de entre um de carne e um de peixe), bebida, sobremesa (opção de dois doces e fruta, naquele dia) e café. Também há serviço à carta, evidentemente, com ofertas de peixe, carne (há muitos bifes no menu) e alguns pratos vegetarianos, mas esse ficará para um eventual jantar que venha a ter lugar por ali.

Como o resto dos comensais que ali estavam (curiosamente, todos homens, provavelmente trabalhadores nas redondezas), optámos pela opção low cost e encetámos hostilidades com um creme de legumes que estava francamente bom e acabadinho de fazer (é que até escaldava!). Como prato principal, prescindimos ambas do frango na púcara e optámos pelas lulas recheadas com puré: estavam saborosas, embora muito provavelmente deixassem com fome estômagos mais vorazes; por outro lado, a RV encontrou um pedaço de palito numa das suas duas lulas, o que poderia ser perigoso e merece atenção por parte da cozinha.

Para sobremesa, havia bolo de profiteroles, aquilo que a casa designou de bavaroise de manga e salada de frutas; eu escolhi o primeiro, a RV a segunda. Desde logo, a bavaroise, se o era, não estava bem confecionada: parecia uma mousse, mais líquida do que cremosa, com pouca consistência, talvez porque a gelatina em placa usada não estava completamente diluída, o que levou a que fossem encontrados pedaços de gelatina no meio de uma textura que devia ser uniforme – de resto, esta foi a maior desilusão do almoço e a sobremesa não foi sequer terminada. Já o meu bolo de profiteroles estava agradável, embora não sensacional.

Vieram os cafés, deram-se mais duas de letra (tínhamos pressa mas não muita), fomos praticamente as últimas a sair (o Avenida830 fecha às 15h) e encerrámos do melhor modo, a pagar apenas 8€ por uma refeição completa e acima da média, para o preço.

De salientar que não é difícil encontrar estacionamento na zona: para além do parque (pago) da Casa da Música, não é difícil encontrar lugar junto ao cemitério de Agramonte ou numa das ruelas ali perto.

E é muito isto.

Bons apetites, sim?

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Avenida 830 | Porto

Morada: Avenida da Boavista, 830
Localidade: Porto

Telefone: 962 374 478
Horário: Seg a Qua – 10h00 às 15h00 | Qui a Sáb – 10h00 às 22h00
Aceitam reservas? Sim

No Zomato
Avenida 830 Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
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Cufra Grill | Porto | Cervejaria | Carapaus de Comida

Era o almoço do sábado que se sucedia aos dois dias natalícios e a ideia era aproveitar o sol e ir trincar qualquer coisa nas proximidades do mar, desfrutando do bom tempo (sol aberto e temperatura amena) que ainda se fazia sentir. Escolhemos o Cufra Grill, no topo do Edifício Transparente, não apenas porque havia gentes com desejos de francesinhas (sim, sim, as tainadas natalícias não nos encantam por aí além e ninguém se sentia especialmente farto de comida, na altura), mas também porque acaba por não ser muito complicado estacionar por ali e a oferta, em termos de ementa é vasta o suficiente para agradar a gregos, troianos e os que mais vierem (há comida tradicional portuguesa, bons bifes, as famigeradas francesinhas, peixe fresco e por aí vai). Read more

Fui passar uns dias a Lisboa, como tento fazer com alguma regularidade (menos do que a que gostaria e deveria, mas enfim), sobretudo no Verão (porque adoro a estação e adoro a cidade no Verão), para ver família e amigos e matar saudades deles e da terra que me viu nascer, sendo que aquelas pouco mais de 72 horas se revelaram um festim gastronómico – o que também não é novidade. Vai daí, e porque Carapau nunca deixa de o ser, mesmo em férias, trago-vos uma sucessão de meia dúzia de estaminés de índole variada e gamas diferentes (adoramos agradar a gregos e troianos, pronto), que apresentaremos aqui no estaminé por ordem cronológica, semana após semana. Read more

À segunda foi de vez: fizéramos uma primeira tentativa por alturas da Páscoa, mas fomos à maluca, sem marcação, e agora percebemos que fazê-lo é uma insanidade, já que o Brasão (restaurante/cervejaria com muita pinta, dos mesmos donos do Yuko e do Paparico, e aberta há uns meses ali mesmo entre a Rua do Almada e os Aliados) é estaminé para estar permanentemente cheio, recebendo pelo menos duas rodadas de comensais numa noite a meio da semana. (A este respeito, note-se que se fazem reservas todos os dias mas ao fim de semana, entre sexta e domingo, apenas para grupos de seis ou mais pessoas.) Read more

Não foi a primeira vez que nos deslocámos a Braga como Carapaus de Comida; em comum, dois factores: a companhia das manas AC e SC e o gosto pela descoberta de novos sabores, um nadinha mais a Norte. Lá rumámos, via A3, tendo como destino a Rua do Taxa, onde se situava o nosso primeiro destino, a Taberna Inglesa – um dos estaminés preferidos das nossas anfitriãs, na cidade onde vivem. Read more

Cervejaria Diu | Carapaus de Comida

Finalmente tive sorte com o clima, em noite de incursão gastronómica em que eu era o carapau de serviço! Temperatura exterior amena e, no interior, ânimos alegres e ansiosos, com o apetite de sempre. Apesar de, à volta da mesa, as cores clubísticas serem variadas, creio que todos estávamos dispostos a ter a mesma dupla vitória naquela noite: comer bem e ver o Benfica ganhar. Read more

Se há um tipo de estabelecimento em que o Porto é rico é aquele que aglomera os conceitos de restaurante, cervejaria marisqueira e snack-bar. Há-os em quantidade (e qualidade), quase todos na zona (alargada) da Boavista e, normalmente, porque cada cabeça sua sentença, o preferido de uns não é o preferido de outros, embora seja consensual que a qualidade é atributo de praticamente todos. Como se sabe, Carapau é bicho de gosto eclético e dificilmente terá a atitude do “gosto-deste-e-não-vou-a-outro”, o que nos abre um imenso leque de possibilidades; de todo o modo, esta vossa criada tem a tradição familiar dos almoços tardios na (no?!) Cufra desde muito novinha (as refeições de torradas a transbordar de manteiga, a acompanhar camarão da costa, ainda as pernas não eram compridas o suficiente para subir aos assentos do balcão sozinha, são parte das memórias infantis), pelo que há uma sensação de conforto quase caseiro ali – apesar de se tratar de uma casa que alberga dezenas de pessoas e de o sossego não ser a mais marcante das suas propriedades, é a sensação sempre renovada do regresso a um lugar onde já se foi (e continua a ser) feliz. Read more

Casa d'Avó Micas | Carapaus de Comida

A SC, que se estreou nestas andanças das carapauzadas, já nos havia avisado que não seria fácil encontrar a Casa d’Avó Micas. Foi preciso a ajuda do Tomás (o meu fiel dispositivo GPS) para que déssemos com aquela rua escondida e escura. A única luz que se via era mesmo a que irradiava do interior do nosso destino.

A sala de jantar é pequena e acolhedora, cheia de coisas que esperaríamos encontrar em casa dos pais dos nossos pais. Quando chegámos, já uma das mesas estava ocupada com fregueses, o que nos deixou com a sempre difícil tarefa de escolher qualquer uma das outras que estavam livres (não sei se se já vos aconteceu…). Lá nos decidimos por uma, bem no meio, de modo a absorvermos todo aquele ambiente, da melhor maneira possível. Read more

Este nosso rectangulozinho à beira mar plantado é a modos que uma ervilha, pelo que não foi de estranhar que, num fim de tarde à beira Ria (Formosa), enquanto se saboreava um gelado, me tivesse cruzado com a AL que, por coincidência, estava a gozar o seu último dia de férias também ali, em Cabanas de Tavira. Como ainda me restavam mais uns dias, a AL deixou-me umas recomendações gastronómicas, de entre as quais uma ida ao Restaurante Pedro, mesmo no fim da Avenida (não há que enganar, só há uma), no sentido poente-nascente. Read more