Restaurante Filha da Mãe Preta | Carapaus de Comida

Comida Portuguesa

Na casa da Filha da Mãe (Preta)

10 Ago , 2012   Galeria

Foi ao ritmo de sons brasileiros e com o colorido dos tons de Verão que chegámos à margem norte do rio Douro. Como se um gesto de boas vindas se tratasse, actuava um grupo de capoeira, rodeado de transeuntes, turistas e passeantes de fim de dia (além dos Carapaus que por ali passaram, a caminho de mais uma incursão ordinária). A trupe era constituída pelos Carapaus residentes AA e eu próprio, a IP, a MAA e a RV a comporem o resto do Cardume.

Em Agosto dedicado a estaminés que se situem à beira-rio, escolhemos para esta semana o restaurante Filha da Mãe Preta, local badalado e bem afamado, na marginal do Cais da Ribeira, com a Ponte D. Luiz I e V.N. de Gaia do outro lado, como fundo. Fizémos, como é habitual (e como sempre aconselhamos o nosso querido Cardume a fazer), reserva uns dias antes. Tentámos que a reserva fosse feita para as 20h mas foi-nos pedido que comparecêssemos às 19h45. Depressa percebemos, já no local, que o pedido teria sido feito antecipando a enchente de turistas que se veio a verificar por volta da hora por nós escolhida.

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Restaurante Filha da Mãe Preta | As Entradas

As Entradas

Fomos surpreendidos pela efusiva recepção, mal pusémos a barbatana no largo passeio, cheio de mesas e cadeiras que formam uma esplanada semelhante à dos estaminés vizinhos, que antecede a entrada do restaurante. A Carapaua AA foi até recebida por nome, ainda antes de se anunciar (uma agradável, embora estranha, surpresa). O nosso maître d’ guiou-nos rapidamente pelo estaminé, interrompido apenas pelas nossas paragens para as habituais fotografias. Pelo caminho ficaram paredes forradas a azulejo e placas, várias, a lembrar tempos em que o rio galga a margem e invade os espaços ali plantados. Feita a subida até ao andar de cima, chegámos à sala de jantar principal, também ela com paredes pejadas de azulejos, dum lado reproduzindo a paisagem do Porto e do outro a de Vila Nova de Gaia. Após as explicações breves do nosso guia, fomos levados até à nossa mesa, não sem antes sermos avisados para cuidarmos das nossas cabeças aquando da passagem pelo baixo arco (que faz ainda parte das Muralhas Fernandinas, disseram-nos). O local que nos foi reservado para o antecipado banquete agradou-nos sobremaneira dado ser mesmo à janela, o que nos proporcionou um jantar com uma maravilhosa vista do Cais da Ribeira, Rio Douro e margem sul (como podem conferir pelas fotografias na galeria).

Penso que por aqui ficaram as melhores impressões. O que se seguiu foi um rol de pontos pouco positivos e outros declaradamente negativos. Quer-nos parecer que uma chafarica que tendo já alguma fama e bastante exposição a clientela estrangeira, não ganhe muito com a falta de requinte apresentada pelo Restaurante Filha da Mãe Preta. Exemplos disto apresentavam-se nos guardanapos, de papel, prato com manteigas e patés empilhados e porção de bolinhos de bacalhau “cobrados à unidade” (estes acabados de fritar e bastante bem fritos, sem ponta de óleo, embora alguns estivessem já frios, porventura reaproveitados duma porção anterior). Das entradas fazia parte também um partinho com azeitonas e pão, este já bastante seco, e alguma broa.

Seguiu-se então a leitura atenta da lista, em busca do que nos saciaria o apetite voraz naquela noite. A lista, por vezes trilingue, contém poucos elementos, o que normalmente é indicador da frescura dos ingredientes. A escolha foi rápida e pediu-se Filetes de Pescada, Filetes de Polvo, Lulas Grelhadas e Tripas à Moda do Porto (um dos pratos pelo qual é conhecido aquele estaminé). Cada prato tem direito a um (e só um) acompanhamento: arroz branco, arroz de feijão, batata frita ou cozida e salada. O serviço foi bastante confuso: o empregado teve alguma dificuldade em decorar todos os pratos e respectivos acompanhamentos (embora tivesse recusado a sugestão da AA para apontar os pedidos em papel); ficou algo confuso em relação a quem precisaria de prato e de novos talheres e novamente quando chegou a hora de trazer a comida para a mesa, a quem pertencia qual pedido.

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Restaurante Filha da Mãe Preta | As Tripas

As Tripas

Em relação à comida, toda ela foi servida quase fria (à excepção das Tripas), a maioria em travessas de grês, o que dava aos pratos servidos um aspecto de terem saído dum qualquer menu económico (voltamos à falta de requinte). Os Filetes de Polvo estavam tenrinhos embora envoltos numa quantidade algo exagerada de polme; os Filetes de Pescada aparentavam ser frescos e estavam bem fritos, com travo intenso a limão; as Lulas Grelhadas , de corpo saboroso mas tentáculos a saber a carvão. As Tripas à Moda do Porto foram a estrela da noite: segundo a MAA, embora o cheiro indiciasse uso excessivo de cominhos, estavam deliciosas e melhores do que as experimentadas por ela na Cozinha do Manel. O jantar foi todo regado a vinho verde branco da casa, bem fresco, embora não o sendo de todo, do tipo espumante (e até servido em flutes).

De referir que o tempo de espera entre fases da refeição é demasiado longo, o que torna a experiência fastidiosa, o que pode ser explicado parcialmente pela enchente de turistas na esplanada do restaurante. Chegada a hora das sobremesas, foi também chegada a hora de nova desilusão. Foi-nos dito que nenhuma das sobremesas seria caseira (informação corrigida algum tempo depois, dando-nos a opção de Pudim Francês, esse sim caseiro). Ninguém se mostrou muito entusiasmado com as opções. No entanto eu optei por umas Natas do Céu (única sobremesa que não merecia tradução literal na ementa estrangeira) que, embora não tenham desiludido, não tiveram o condão de deslumbrar (nem se esperava mais) e a AA por um Cheesecake de Morango que passou demasiado tempo no congelador.

Vieram os cafés e veio a conta e ficou uma experiência bastante mediana para relatar. Em jeito de conclusão, o Restaurante Filha da Mãe Preta valeu pela vista, pela recepção calorosa e pelas características do espaço. Em termos gastronómicos, foi perfeitamente banal (excepção feita às Tripas), o que nos deixa a impressão de que os 20,50€ pagos por cada Carapau, ficaram bastante além do real valor daquilo que nos foi servido e da experiência no todo.

Obrigado por este bocadinho.

Abreijos para todos!

FIlha da Mãe Preta

Morada: Cais da Ribeira 39, Porto
Telefone: 222 086 066
Horário: Seg a Sáb – 10h00 às 23h00
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Alexandre Vicente

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One Response

  1. […] Norte) e a responsável pela nossa ida ao D. Tonho, o que me fez temer: na verdade, e depois da experiência da semana passada, cheguei a pensar que os restaurantes do Cais da Ribeira pudessem eventualmente alinhar todos numa […]

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