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Carapaus de Comida

Bushido

Crítica de Ana Andrade, 3 de maio de 2015. Comida Japonesa

A ideia de experimentar este relativamente recente restaurante de sushi havia surgido há já algum tempo mas, entretanto, outros se lhe sobrepuseram e só muito recentemente acordámos em ir experimentar o que havia neste espaço, numa perpendicular à Brito Capelo, em Matosinhos – onde, espantem-se, cerca das 20h a um dia de semana é facílimo estacionar mesmo à porta (e só por isso já havia pontos a favor, mesmo antes de ter pisado o chão do Bushido).

A ideia foi da RV, que de algum modo havia tido notícia da existência do Bushido, e eu e o TD, que somos fáceis de convencer (sobretudo se a argumentação incluir sashimi e arroz com peixe cru), alinhámos de imediato, mesmo porque havia a certeza de que, ao jantar, teríamos direito ao serviço em modo de festival (mais ou menos um come-o-que-te-apetecer-que-pagas-sempre-o-mesmo), que é coisa que nos apraz sobremaneira, já que temos apetites consideráveis e sempre muita vontade de experimentar o que é novo.

Comecemos pelo espaço que, não sendo grande (diria que albergará uns quarenta convivas – mas estou a fazer contas de cabeça, sem qualquer rigor), é simpático e acolhedor: as mesas estão bem dispostas (embora a nossa, por acaso, ficasse demasiado próxima da que estava junto dela – de tal modo que tive alguma dificuldade em entrar, por estar um casal já instalado, e eu nem sequer sou volumosa) e variam entre as quadradas e as redondas, para números diversos de comensais.

Quisemos ver a lista só porque sim, mas antes disso já encomendáramos o festival para três (e em boa hora o fizemos porque, meia hora mais tarde, o estaminé estava absolutamente cheio). Com as bebidas foi mais complicado: dispensámos as sangrias que nos disseram ser a especialidade da casa (estamos acostumados aos preços disparatados que se pedem por esses jarros de gasosa, bebida alcoólica e fruta) e quisemos cerveja – sendo que não a há servida a copo, a de garrafa é exclusivamente Heineken e, para piorar as coisas, só tinham duas no frio: quando passámos à segunda ronda, estivemos uma meia hora à espera que o líquido refrescasse minimamente.

De resto, o serviço é o calcanhar de Aquiles do Bushido: os funcionários (primeiro só um, mais tarde, dois) são simpáticos, prestáveis e bem-intencionados mas têm (sobretudo o primeiro) ainda muito a aprender em termos de atenção aos clientes – aconteceu por diversas vezes passarem por nós e nem repararem que tínhamos acabado uma etapa ou, pior, que estávamos de mão levantada a tentar chamar a atenção (e estamos a falar de um espaço pequeno, relembro). Isto torna tudo mais enfadonho e, sobretudo, pouco eficaz – o que nunca é boa ideia.

Quando veio o primeiro tabuleiro de sushi (já depois de termos ingerido, como entradas, uns crepes de legumes que não marcaram positiva ou negativamente), disposto com gosto e muita cor (o sushi tem esta vantagem de parecer quase sempre bem), a primeira coisa que reparámos foi que o acto de flamejar algumas peças que o pediam saiu, claramente, ao lado, tendo atingido o sashimi ao de leve – o que não é bonito e soa a descuidado. No que toca ao peixe cru, tudo bem menos o atum, que não era do melhor que já comemos; as outras peças eram banais mas saborosas e só uma coisa desiludiu em absoluto: o gengibre, amarelo e tão fibroso que se tornou impossível de degustar, em certas ocasiões.

Fizemos questão de mandar vir uma segunda rodada, evidentemente que porque ainda não estávamos satisfeitos (alguma vez estamos?!), mas também para aferirmos a criatividade do sushiman e a potencialidade do Bushido (que, até ali, ainda não convencera). O tempo de espera não foi exagerado, embora tenha ultrapassado o da primeira vez (o que não espanta: agora a casa estava cheia) e a percepção de que a criatividade não morava ali confirmou-se: exactamente as mesmas peças, foi o que nos foi oferecido. Ora o conceito de um festival de sushi, em que o que é servido fica ao critério do que apetecer ao chef (e nós fomos muito claros: não, não tínhamos qualquer pedido especial para a segunda rodada, queríamos o que o sushiman quisesse dar-nos a provar) aponta para algo mais do que aquilo: peças banais e repetidas, sem ponta de criatividade ou originalidade (são coisas diferentes).

No final, e já a medo, não quisemos arriscar nas sobremesas; jogámos seguro e dividimos aquilo que nos pareceu um valor incontestável: bolo de chocolate servido com uma bola de gelado (nas palavras da funcionária, todas as sobremesas têm o mesmo acompanhamento, variando os sabores). E, na verdade, foi a sobremesa que mais me marcou: o bolo de chocolate intercalava mousse com suspiro e o gelado de tangerina era agradável, embora demasiado doce para o palato da RV, por exemplo.

Veio um café, apenas, e a conta: 23,50€ pareceu-nos manifestamente excessivo para o que o Bushido tem para oferecer. Nomeadamente, que se paguem 18,50€ por um festival pouco animado é absolutamente desadequado – não bastariam os dedos das duas mãos para que apontássemos, muito de repente, uma quantidade de sítios onde, no Porto e do nosso ponto de vista (que vale o que vale), se come melhor comida japonesa e manifestamente mais barata.

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4 comentários antigos

Os comentários estão fechados.

phozzyjoao, 4 de maio de 2015

Obrigado pela info. Menos um onde gastar dinheiro mal gasto!

Ana Andrade, 4 de maio de 2015

Pode ser que entretanto o serviço se refine e o sushi se torne melhor (no sentido de distinto)...

, 4 de maio de 2015

Obrigada! Nem perco tempo nem dinheiro! Claúdia

Ana Andrade, 4 de maio de 2015

De facto, recomendaríamos muitos sítios antes deste. :(