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Carapaus de Comida

Casa das Arepas, Porto

Crítica de Ana Andrade, 23 de dezembro de 2016. Cozinha Internacional

Já lera qualquer coisa sobre este novo estaminé, inaugurado no início de dezembro, na Rua da Picaria; adicionalmente, no fim de semana anterior, também à mesa, alguém me relembrou de que ele existia – e vinha a calhar para o jantar de segunda feira, visto que havia teatro no Sá da Bandeira às 21h30 e teríamos cerca de uma hora para comer qualquer coisa e pôr a escrita rapidamente em dia. É que o conceito da Casa das Arepas é justamente o de “fast food venezuelana”: se recorrermos à famigerada Wikipédia, que nestas coisas costuma ser mais ou menos fiável, temos que “a arepa é um prato de massa de pão feito com milho moído ou com farinha de milho pré-cozido nas culinárias populares e tradicionais da Venezuela, Colômbia e Panamá. É um dos pratos tradicionais e emblemáticos da Venezuela e Colômbia”, ou seja, estamos perante um novo espaço que oferece sandochas feitas a partir de arepas.

De resto, e para já (porque já li que a intenção é estender a carta, incluindo entradas e sobremesas), o que há ali é mesmo só isto: arepas. Os recheios variam e, por ora, temos alguns mais tipicamente sul americanos, intercalados com outros, claramente a puxar à portugalidade: imagine-se um que é praticamente uma francesinha, e um outro, arraçado de bacalhau com natas, ou mesmo aquele que é constituído de alheira, ovo estrelado e couve portuguesa.

Evidentemente, ou nem eu seria eu, apetecia-me desmesuradamente o que se assemelha à francesinha, mas a ideia acabou por me soar a parva: quis o Maracaibo, com frango, pimento e maionese de abacate, enquanto que a RP acabou por escolher o Bolívar, com feijão preto, bacon e queijo mozarela – todos os menus vêm com batata frita e “molho do chefe”.

Para beber, optámos pelo belo do fino, apesar de haver especialidades como os mojitos (tradicional e de frutos vermelhos) e a sangria de vinho do Porto – e ambas as opções me pareceriam muito bem, não fora o pouco tempo que tínhamos para a saborear, pelo que ficarão para uma próxima oportunidade. Também escolhemos as arepas grelhadas, já que a alternativa eram serem fritas – e temos gordura suficiente nas nossas vidas para a evitarmos, quando faz sentido que o façamos.

As sandochas não demoraram muito tempo a chegar, sendo que a casa estaria talvez com três quartos dos lugares ocupados e só se encontrava uma pessoa a servir às mesas – a RP fez uma pressãozinha aquando do pedido, dada a nossa limitação de tempo, mas creio que o serviço estava a ser relativamente rápido para toda a gente. E lá vieram, numa espécie de um prato-travessa: as batatas, a sandes e a tal molhaca. As batatas são claramente caseiras, cortada em palitos bem grossos, e bem saborosas; já o molho “do chefe” é apenas um eufemismo para o molho cocktail (maionese e ketchup) do costume, percebemos rapidamente – e, até aqui, nada de avassalador.

Já as sandochas, e ao contrário do que é comum, têm como elemento de interesse o que as reveste e não o recheio: as arepas são feitas de uma massa leve e simpática; mas, infelizmente, se a parte de baixo se apresentou fininha e crocante, a de baixo estava húmida, quase crua – e isso não me incomoda per se, mas gostaria de ver a crocância replicada. Já o recheio é assim uma espécie de meh: não é mau de todo, mas também não surpreendeu nem encantou nem avassalou.

O serviço é competente, sem grandes laivos de originalidade ou simpatia (sobretudo quando se tentou reservar, ao telefone, porque o site da Zomato o aconselhava, a empatia foi mínima – e ficámos a saber que só há marcação de mesa para um mínimo de seis pessoas), o espaço é despojado mas com alguma preocupação estética (as ripas verdes no teto e os apontamentos de vegetação demonstram-no) e, o melhor de todo, o preço é mesmo muito amigo da carteira: pagámos cerca de 6,50€ cada uma, o que não está mesmo nada mal para um jantarinho na Baixa.

Talvez regressemos, quando a ementa tiver outras atrações, mesmo porque o horário (corrido, entre as 12h00 e as 24h00) é muito simpático para quem gosta de comer fora das horas a que os estaminés da Baixa são mais disputados: não ficámos deslumbrados (porque a originalidade – ou a falta dela – acabou por ser dececionante) mas não desistimos dos bons apetites num sítio tão bem localizado e conveniente.

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