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Carapaus de Comida

A Padaria Portuguesa

Crítica de Ana Andrade, 27 de agosto de 2015. Pastelaria

Estávamos em finais de 2010 quando começou o zunzum: José Diogo Quintela, um dos Gato Fedorento, seria sócio num projecto comercial que pretendia abrir uma série de novas padarias em Lisboa, com o ambicioso nome de A Padaria Portuguesa – e o engraçado é que, quase cinco anos volvidos e muitas lojas depois (já vão nas 31, na zona da grande Lisboa, e pretendem abrir mais umas quantas até ao fim de 2016), já ninguém se lembra disso: a rede de padarias, que cresce como cogumelos dos bons, em cada esquina da cidade (e fora dela, nas cidades circundantes), vale por si mesma, em nome próprio.

Mais uma vez, estamos perante um fenómeno estranho: há quem adore a coisa, há quem não entenda o sucesso, há quem o denigra por estar em todo o lado e por toda a gente parecer gostar (ao menos a aferir pela afluência na maioria delas, seja a que horas for), há quem ache que o capital venceu mais uma vez e blábláblá. Pois nós, Carapaus simplórios e mais preocupados com sabores do que com tendências, aplaudimos, sim senhores. Francamente, nunca pensámos que Lisboa tivesse mercado para tanta nova loja de vender pão e bolos – mas estávamos, claramente a ser totós, porque tem, e não nos parece que tenha arruinado quem quer que seja (e, se tivesse, viver em democracia também é isso: se houver alguém ao lado melhor do que nós, porque não há-de ganhar, ora essa?). Damo-vos um exemplo: entre o Largo do Camões e o do Calhariz, ali mesmo no Chiado, há pelo menos três padarias e uma fábrica de pastéis de nata, incluindo a que hoje dá nome à posta, e todas elas têm clientela (e, se não tivessem, alguma coisa estariam a fazer mal).

Trazemo-vos este estaminé (que na verdade são três), porque recentemente, na minha passagem por Lisboa, vi-me na necessidade de tomar o pequeno-almoço na rua (que é coisa que jamais faço, se puder evitá-lo) e A Padaria Portuguesa (APP) foi a minha salvação: nas lojas de Campo de Ourique, Camões/Chiado e Amoreiras comi três excelentes pequenos-almoços, pela módica quantia de 2,50€ cada um, e que me fizeram desejar que APP se esticasse para o estrangeiro, abrindo urgentemente estaminés em Londres e Milão (cidades que visitarei nos próximos meses).

Pelo valor indicado, temos direito a um sumo de laranja (mesmo) natural, um croissant ou pão à escolha misto (ou só com fiambre, ou só com queijo, ou só com manteiga, ou qualquer combinação dos três ingredientes) e o belo do café para rematar. E se a coisa já parece boa só assim na teoria, na prática é mesmo bestial, porque os croissants são fresquíssimos, o pão é variado e maravilhoso (provei o de sementes e o de centeio) e tudo o mais parece apetitoso (a tarte de lima e os pãos-de-Deus são-no mesmo).

O serviço e o aspecto das instalações não é o mesmo em todas as sucursais: a loja do Camões é uma confusão de gente, o que leva a que a limpeza das mesas não seja tão eficaz (mas a vista do primeiro andar e da esplanada é privilegiada), a de Campo de Ourique é muito mais familiar e “arrumadinha” (embora apinhada, também ela), a do Saldanha ou das Amoreiras são mais calmas (dependendo, evidentemente, da hora) e imagino que, nas demais, as experiências sejam também diversas – como a maioria das coisas na vida (felizmente).

Também há menus de almoço e sandes com muitíssimo bom ar, compotas e biscoitos e um manancial de coisas janotas que só não me fizeram regressar mais vezes porque há um mundo de coisas a descobrir e Carapau é bicho curioso. Mas viva APP, que nos proporcionou magníficos apetites.

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10 comentários antigos

Os comentários estão fechados.

Sofia Carvalho, 27 de agosto de 2015

Sou fã! O pão de Deus é de comer e chorar (muito) por mais!

Ana Andrade, 27 de agosto de 2015

Mesmo! :)

, 27 de agosto de 2015

Tudo de muito boa qualidade. Gosto

Ana Andrade, 27 de agosto de 2015

Eu também fiquei fã. :)

, 27 de agosto de 2015

O Pão de Deus é de facto soberbo, mas a qualidade geral é a todos os níveis bastante boa, embora a muito afamada Bola de Berlim não me tenha agradado particularmente - a meu ver a Natário em Viana do Castelo continua a ser imbatível no que a esta bomba calórica diz respeito. De qualquer modo, é mais um projecto que prova que ainda é possível reinventar a roda - e não é caso único. Continuação de boas postas! DF

Ana Andrade, 27 de agosto de 2015

Para mim, bolas de Berlim só nas praias do Algarve, sem creme. Condescendo com as da Leitaria da Quinta do Paço, porque são de chantilly. Ou seja, só as provaria para dizer "blherc" e a culpa continuava a não ser deles. :) Não acho que sejam a melhor pastelaria/padaria que conheço, mas são com certeza, e sem hesitações, coisa muito boa. (Obrigada!)

Constança Marques Stracquadanio, 28 de agosto de 2015

Gosto muitoooo! Do pão de Deus em particular, mas acho tudo de muito boa qualidade e o atendimento é simpático.