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Santo Burga | Leça da Palmeira | Carapaus de Comida

Há já muito tempo que me perguntava o que teria o Santo Burga de especial: todas as apreciações que lia, nomeadamente na Zomato, teciam-lhe rasgados elogios, o que despertava a gula, para além da curiosidade; depois, abriu um Santo Burga ali na zona da Constituição, onde passo amiúde, mas fui-lhe resistindo: a ideia era visitar o original, porque era o que me parecia justo. O problema é que eu raramente vou para Leça, a não ser quando se trata de fazer praia, pelo que a coisa não estava a dar-se, até que o encerramento inesperado do Bar Azul, num dia em que lá íamos aos caracóis, acabou por espoletar a visita – seria naquele dia e não se falava mais nisso.

Chegámos cerca das 13h20 e o estaminé, que tem uma dimensão acanhada (embora muito simpática por ter vidro em três frentes, uma das quais viradas para o mar de Leça), estava cheiíssimo, já com meia dúzia de pessoas à espera. Felizmente, não estávamos com muita pressa, pelo que nos dispusemos a esperar (mesmo tendo percebido que as pessoas que ocupavam o restaurante não estavam propriamente preocupados com as horas que levavam a comer) – para o que também contribuiu a simpatia de quem nos atendeu, que até nos indicou onde devíamos aguardar sem apanhar com a ventania que se fazia sentir naquele dia.

Passados, talvez, uns vinte minutos, já perto das 14h, lá nos sentámos, numa mesinha para duas pessoas, tão gira como o resto da decoração, que alinha numa tendência que não é propriamente original em chafaricas do mesmo calibre, mas que tem alguns toques únicos que são de louvar. A partir daqui, as coisas correram de forma bem lesta, apesar da casa ainda cheia.

Como se tratava de um almoço-com-tudo-aquilo-a-que-temos-direito, começámos por pedir entradas, optando por um Santo Azeiteiro (azeitonas pretas e gordas, em marinada de alho e ervas, servido com o belo pãozinho de água que nos acompanhou sempre) e um Santo Caramelo (pão de alho com cebola caramelizada e mozarela) – e se adorámos o primeiro, não fiquei fã do segundo, senti que algo falhava, e estou convencida de teria gostado mais se o queijo viesse derretido e o pão ligeiramente tostado. Entretanto, decidíramos hidratar a refeição com uma nova cerveja artesanal portuense, a Nortada (a fábrica fica mesmo no centro da cidade, e Sá da Bandeira), sendo que aceitámos a sugestão de quem nos atendeu e fomos para a Bonfim, uma Vienna lager, de que gostei bastante (nada como a Super Bock ou a Sagres, tenho de confessar, mas coisa simpática).

Depois, os pratos principais: o TR foi para o Santo Gema (160g de novilho, queijo cheddar, presunto serrano, ovo estrelado, tomate, alface e mostarda do burga) e eu optei pelo Santo Assunção (160g de novilho, cebola caramelizada, bacon grelhado, queijo da serra amanteigado, tomate e molho burga), sendo que pedimos um com batatas às rodelas e outro com batatas aos palitos, para desfrutarmos de ambas. E que dizer do monte de comida que nos puseram à frente? Uma maravilha, tudo. Claro que, se soubesse o que sei hoje, teria prescindido das entradas, porque tinha as sobremesas em mente e ficámos cheiíssimos.

Não posso deixar de referir o pão: não sou de todo apreciadora do tradicional pão-de-hambúrguer, demasiado refinado e nada saboroso, e aqui o pão (cozido no local) é tipo pão de água, o que valorizo imensamente. Depois, há a torre de ingredientes, de muitíssima qualidade, mas que é impossível comer com dignidade – não aconselhável, portanto, para primeiros encontros e/ou refeições de trabalho com quem não se conhece bem: tentei os talheres, continuei com as mãos e não há hipótese de parecer refinada a comer tamanha delícia. As batatas também são especialmente boas, em qualquer dos formatos, assim como a Nortada na versão Massarelos, que dividimos, só para empurrar o resto.

Evidentemente, não poderíamos sair sem experimentar as sobremesas, sobretudo depois de termos conhecimento de que tudo se faz ali mesmo. Assim, das três possibilidades existentes, optámos pela Tarte de Lima e pela Tarte de Mousse, que dividimos, mais uma vez: a primeira estava mesmo muito boa; da segunda não gostei tanto, porque não apreciei a base, que parecia uma espécie de pão desajustado, mas adorei a mousse, em si.

Contas feitas, a dolorosa não chegou aos 20€ por estômago, mas não esqueçamos as entradas, a opção por cerveja artesanal, e as sobremesas – normalmente, não seria tão glutona, numa hamburgueria, o que desceria imenso a conta. Vale, por isso, a pena, a deslocação a Leça, para juntar a magnífica vista de mar aos bons apetites; agora já me sinto com legitimidade para conhecer o estaminé da Constituição, que fica bem mais perto de mim.

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Santo Burga | Leça da Palmeira

Morada: Rua Helena Vieira da Silva, 52
Localidade: Leça da Palmeira

Telefone: 917 164 625
Horário: Ter a Dom – 09:00 às 24:00
Aceitam reservas? Sim

Data da Visita: 22 de Setembro de 2017
No Zomato
Santo Burga Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
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Mamma Bella | Restaurante Italiano | Leça da Palmeira | Carapaus de Comida

Já ouvira falar da Mamma Bella há algum tempo, só não me lembro em que circunstâncias: quando alguma coisa me parece bem, junto-a ao rol dos “a visitar” e, na primeira oportunidade, lá vou eu (o que é cada vez mais difícil, dada a parafernália de estaminés a abrir, a toda a hora, no Grande Porto). Aproveitei o meu dia de aniversário e um jantar com a Mãezinha (a festa rija fez-se noutro dia) para tratar de riscar este estaminé de comida italiana da lista – o que fiz telefonando primeiro, porque não gosto de ir ao engano: marquei mesa para daí a meia hora, porque a sala (que é relativamente pequena) estava cheia.

Quando chegámos (a Mamma Bella fica numa transversal da Avenida marginal de Leça da Palmeira), lá estava, ao cantinho, uma mesinha para duas pessoas e, enquanto nos dirigíamos a ela, reparámos em duas coisas: desde logo, o imenso colorido da decoração, com posters sobretudo alusivos a Baiona e quadros com dizeres informativos ou marcantes; por outro lado, é claro que a clientela da casa é maioritariamente jovem, o que se explica também pelos preços muitíssimo simpáticos, para a oferta em causa.

Começámos por aceitar os pãezinhos com manteiga de alho que nos foram trazidos ainda a escaldar, envoltos em alumínio (e que bons que estavam!) e pedimos duas pizzas: a Vicenza (frango, cogumelos e bacon) para a Mãezinha e a Verdi (tomate fresco, cogumelos e espinafre) para mim, bem como uma litrada de sangria, que escolhemos branca a conselho do funcionário, que a descreveu como mais frutada e leve.

Apesar da casa cheia que nem um ovo, a bebida veio logo depois (carregadinha de ananás, um apontamento de que gostei especialmente) e as pizzas também não tardaram: não são enormes, mas têm um bom tamanho individual, para além de que são caseiríssimas e de contornos incertos (caraterística que me agradou particularmente, só porque sim). A massa é fininha mas nada seca, os ingredientes são frescos, saborosos e vêm em dose generosa (sobretudo o queijo, que para mim é fundamental) e as combinações de sabores são simples e bem-sucedidas.

No final, não pudemos resistir a uma sobremesa: a oferta não é muita, mas aceitámos a Mousse Surpresa (de limão) e o Gelado de Limão com Doce (de morango), ambas opções muito frescas e perfeitas para quem andava há três dias em overdoses de sobremesas (porque festa é festa). O melhor de tudo? O preço: comemos tudo aquilo a que tínhamos direito e a conta ficou por cerca de 14€ por estômago, o que me parece muito bom.

Uma nota para o serviço, muitíssimo bem-disposto e afável, adequado ao tipo de clientela presente (mas não sei se bem aceite por gente menos descontraída e com menos sentido de humor).

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Mamma Bella | Leça da Palmeira

Morada: Travessa Francisco Sá Carneiro, 95
Localidade: Leça da Palmeira

Telefone: 229 940 917
Horário: Seg a Dom – 12:00 às 14:30 e 19:00 às 22:30
Aceitam reservas? Sim

Data da Visita: 31 de Julho de 2017
No Zomato
Mamma Bella Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
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Rally Fish Rota Gastronómica 2017 | Matosinhos | Carapaus de Comida

O convite partiu do turismo de Matosinhos que, em parceria com a Zomato, resolveram reunir algumas das pessoas que gostam destas coisas dos comes&bebes, de modo a dar-nos a conhecer a segunda edição do Rally Fish, uma rota gastronómica em tudo semelhante à das tapas, que acontece duas vezes por ano no Porto (espreitem aqui uma das nossas experiências) e em Lisboa, mas com algumas particularidades que a distinguem. Desde logo, acontece no concelho de Matosinhos, entre o centro da cidade, Leça da Palmeira e (é uma novidade, este ano) Angeiras; depois, a entrada/tapa tem obrigatoriamente de conter peixe ou outro bicho do mar (exceção feita para as opções vegetarianas, que também são uma novidade interessante); finalmente, o que se come é acompanhado com vinho – que é escolhido por cada estaminé. Tratava-se, então de conhecer cinco dos 43 estaminés aderentes, pelo que marcámos encontro para as 19h, que estas coisas são sempre mais demoradas (e divertidas) do que um jantar tradicional.

Tivemos muita sorte: o fim de tarde estava ótimo e solarengo, apesar de ventoso, e facilmente nos deslocámos da Loja de Turismo Interativa (que fica ali em cima do areal, na praia do Titã) ao primeiro destino, o restaurante O Valentim (de que falámos aqui), que agora compreende também um hotel e um magnífico piso superior com terraço, de onde se avista o novo Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões e o mar. A entrada que nos aguardava era Petinga de Escabeche, servida com pão de mistura e um vinho verde branco: obviamente, devorámos cada pedacinho com apetite, mesmo porque o molho de azeite e os pimentos eram um convite ao mergulho do pão – tarefa a que procedemos sem pudor.

O próximo estaminé requereu uma pequena viagem de carro (felizmente, o João e a Joana já haviam preparado tudo e deixado os carros ali mesmo em frente): o Los Ibéricos fica junto ao Forte de Leça da Palmeira (quase coladinho ao Batô) e é, como o nome deixa adivinhar, um restaurante de tapas de inspiração espanhola (mas não só). Antes de tudo o mais, fiquei muito agradada com o espaço, que é de muito bom gosto, espaçoso e de pé direito alto, com madeiras bonitas – mas o melhor estava ainda para vir: adianto já que este foi a chafarica que mais me encantou e não será difícil perceber porquê. Os responsáveis pelo Los Ibéricos tiveram a inteligência de perceber que, porque estava ali gente ligada à publicação gastronómica, seria interessante darem-nos a conhecer mais do que têm para oferecer; e tiveram a elegância de o fazer formidavelmente. Assim, antes mesmo de nos trazerem a entrada do Rally Fish, serviram-nos umas tábuas de presunto (macio e saboroso) e queijo (delicioso), que fomos trincando com o pão fatiado (muito bom) que já nos esperava. Depois, veio a entrada programada, Gambas em Tempura com Maionese de Alho – que estavam boas (sobretudo a maionese) mas não foram de todo o que mais me encantou, mesmo porque a “tempura” era mais um polme de panado; não me interpretem mal, era coisa muito boa, mas comi melhor, ali mesmo. Veio um camembert panado com molho de frutos vermelhos que estava uma delícia, umas gambas al ajillo de chorar por mais, uns huevos rotos com presunto que nunca falham, uns montadinhos de lombinho de porco preto, ovo e piquillo (que mereciam uma ovação), uma travessa de legumes na prancha (espargos, curgete, tomate e cogumelo – tudo delicioso e um belo apontamento verde) e, a cereja em cima do bolo, uns mexilhões gratinados acabadinhos de sair do forno que me fizeram dar razão ao funcionário que nos disse: “menina, o Universo existe para que esta entrada possa ser servida” – subscrevo inteiramente. Foi uma estada ótima, esta no Los Ibéricos (tal como tivemos oportunidade de dizer ao Chef que, simpaticamente, veio cumprimentar-nos) e, por mim, já não saía dali – mas havia ainda mais três estaminés para experimentar e o dever chamava-nos.

A paragem seguinte foi o Sushi no Mercado (para onde nos dirigimos, obviamente, de carro), um espaço pequenino, mas muito bem decorado e interessante, por se situar justamente no Mercado de Matosinhos, onde ainda se vende tudo aquilo a que temos direito e sítio privilegiado para os restaurantes circundantes fazerem as suas compras fresquíssimas. Ali o petisco era dois Temaris, bolas de arroz com peixe do dia (no caso, salmão e atum) – o que permite, justamente, ir alterando o bicho de acordo com o que houver de melhor para servir. Gostei do que comi, embora não me tenha marcado pela originalidade ou sequer pelo sabor (mesmo porque não serviram wasabi); fiquei com alguma vontade de voltar, mais porque gostaria de experimentar o sushi “a metro”, que vi noutra mesa.

Nesta altura, e sobretudo por culpa do Los Ibéricos, já estávamos bastante cheios, mas ainda nos restavam dois estaminés para conhecer, sendo o próximo o Restaurante/Marisqueira Serpa Pinto, onde a simpatia é cartão de visita: sendo uma das bloggers do nosso grupo alemã, e tendo anteriormente manifestado curiosidade face a essa coisa estranha que é o percebe, foi com toda a disponibilidade que se prontificaram para lhe dar a provar (e ensinar a comer) a iguaria – e eu continuo a achar que as pessoas também são importantíssimas nos restaurantes. Aqui, o petisco era Recheio de Sapateira com Tostas, sendo que preferimos os finos, a acompanhar – e gostámos bastante do sabor e consistência do “patê”, sendo que eu preferiria ter ficado por aqui. Infelizmente, a simpatia acabou por se revelar contraproducente: quiseram trazer-nos o prato do Rally Fish do ano passado, uma espécie de massa filo com recheio indefinido e molho agridoce – e a impressão foi francamente má. A nota positiva é que, de facto, houve uma melhoria significativa na oferta, de um ano para o outro, porque o recheio de sapateira merece em absoluto a visita (sobretudo pelos 3€ que custa, com o copo de vinho).

Faltava-nos o último restaurante e a escolha recaiu no Dish – Sushi and Fish, ali na Heróis de França. Antes de mais nada, surpreendeu-me o espaço: o chão é magnífico e os apontamentos decorativos de muito bom gosto, o que nunca é despiciendo. O staff recebeu-nos já muito junto à hora de encerrar a cozinha – mas, ainda assim, com toda a boa vontade e simpatia. Éramos os únicos no restaurante e, ainda que estivéssemos já mais do que satisfeitos, ninguém quis deixar de provar a Ceviche à Dish, com peixe branco, abacate, puré de batata doce e coentros, que estava simplesmente deliciosa – e leve, que era justamente o que precisávamos. Adicionalmente, a simpática sushi woman Joana (como é bom ver uma mulher numa função tradicional e maioritariamente masculina!) serviu-nos uns nigiris de atum, com um acompanhamento de algas e flores comestíveis que estavam irrepreensíveis de bons. Para finalizar, ainda fomos conhecer a esplanada do terraço, que será em breve remodelada, e que me pareceu apetecível num fim de tarde estival.

Em suma? Olhem, só tenho de agradecer à Joana, à Graça e ao João, do Turismo de Matosinhos, pelo convite e pela companhia: não foi só um serão bem passado, que me permitiu escrever esta posta de dois metros; foi a sensação de estar a jantar entre amigos, com pessoas que acabara de conhecer – e isso é um privilégio.

Quanto ao Rally Fish, creio que é mais uma ótima forma de conhecer alguns dos milhentos restaurantes de qualidade que Matosinhos tem para oferecer: é só reunir um grupo de amigos (ou não, que há quem adore degustar sozinho), olhar para o mapa que a organização oferece, escolher de acordo com um qualquer critério (espacial ou gastronómico, por exemplo) e preparar-se para ser feliz, nuns minutos ou horas de bons apetites.

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Terminal 4450 | Leça da Palmeira | Carapaus de Comida

Eis mais um estaminé que estava na lista dos “a visitar com urgência” praticamente desde que abriu, pois que não oiço senão dizer muito bem: o Terminal 4450, sito ali mesmo, no antigo terminal de passageiros do Porto de Leixões, do lado de Leça da Palmeira (onde, uma vez por outra, ainda é possível ver um navio “descarregar” passageiros), não só se encontra numa localização privilegiada como tem uma luz espetacular, daquelas que tornam tudo mais simpático.

Depois de estacionar o carro nas redondezas, o que se revela tarefa mais simples do que à primeira vista se pensa (baste enveredar pelas ruelas do outro lado da Avenida Antunes Guimarães), a entrada no Terminal é a primeira experiência engraçada: sobe-se de elevador (ou pelas escadas, para quem gosta de se massacrar para além do ginásio) e, depois, caminha-se por um corredor que faz lembrar as mangas que conduzem aos aviões, com vista para o rio.

Uma vez chegados ao restaurante, toda a grandiosidade (que se mantém na zona da receção e casas de banho, toda amadeirada e com elementos decorativos de um bom gosto despojado) torna-se aconchegante, apesar do pé direito alto: um grande balcão de madeira rústica, onde se servem os cocktails que fazem do Terminal também um bar, convive com bancos altos e uns sofás, para quem espera e gosta de ir bebericando; uma mesa de mistura anuncia noites musicais, em harmonia com as traves de madeira que remetem inevitavelmente para as construções náuticas.

A sala principal não é enorme e estava cheia que nem um ovo, o que parecia trágico para quem até tinha feito uma reserva, uma semana antes. Fomos convidadas por um dos funcionários (delicadíssimo e profissional, como todos os que passaram pela nossa mesa) a ficar numa sala mais pequena – e se o convite parecia indiciar uma experiência menor, pelo cuidado com que foi feito, veio a revelar-se uma coisa muito boa: a sala “ao lado” tem exatamente a mesma vista privilegiada, mas é bastante mais tranquila, o que é ótimo para quem, como eu, detesta ter de (e ouvir) falar alto às refeições.

Uma vez instaladas, e ainda antes de nos ser trazida a ementa, foi-nos apresentado o menu do dia, uma pechincha que, por 8,50€, nos serve o couvert, sopa, o prato do dia e uma bebida. Aceitámos imediatamente: bem sei que a especialidade da casa são as carnes puras (e não tardarei a voltar para um bife dos muito bons), mas é impossível não aceitar um negócio destes. Assim, começámos por trincar o pão (entre broa com chouriço e pão de mistura) com a manteiga de linguiça (coisa mesmo muito boa) e umas pipocas salgadas com orégãos que fizeram as nossas delícias. Passados uns minutos, veio um creme de brócolos irrepreensível (e eu nem sequer sou grande fã de sopa, a não ser daquelas que são para lá de boas, como esta).

O prato principal era Secretos de Porco Preto com Castanhas e Cogumelos, servidos com Arroz de Frutos Secos (num balde de alumínio) e devo dizer que a coisa estava uma especialidade, de tão boa. As quantidades servidas são sensatas e mais do que suficientes mesmo para gente de (bastante) alimento, como eu.

Inevitavelmente, não pudemos sair sem fazer uma incursão pela oferta de sobremesas, que parece ser outra das grandes forças do Terminal 4450, a aferir pela quantidade de sugestões que tive, mal artilhei uma fotografia do sítio onde estava, no meu Instagram: da Bola de Berlim (que passei por ser recheada com o tradicional creme de pasteleiro, que dispenso) ao Petit Gateau de abóbora com Gelado de Queijo da Serra, os conselhos eram muitos, mas acabei por seguir o meu instinto, que é muito chocolateiro, e decidi-me pelo Decadente de Chocolate, uma deliciosa fatia de bolo de chocolate em três texturas, que rivaliza com o que de melhor já comi, dentro do género. Para a mesa vieram ainda uma Mousse de Chocolate (o doce daquele dia) e uma Tarte de Limão Merengada que, apesar de gostosa e belíssima, só dececionou (em parte) porque o “merengue” era, na verdade, pedaços de suspiros (e a ideia não seria exatamente essa).

Finalmente, os cafés e a conta: uma refeição deste calibre, com vinho e sobremesas, ficou por um pouco menos de 18€ por estômago, o que me parece muitíssimo razoável e justo. Claro que, porque não satisfiz toda a minha curiosidade, pretendo voltar em breve, para os bifes e mais sobremesas, de preferência ao jantar – isto porque a busca por bons apetites jamais cessa, por aqui.

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Terminal 4450 | Leça da Palmeira

Morada: Avenida Doutor Antunes Guimarães, Terminal dos Passageiros
Localidade: Leça da Palmeira

Telefone: 919 851 933
Horário: Dom a Qui – 12:30 às 15:00 e 19:30 às 23:00 | Sex e Sáb – 12:30 às 15:00 e 19:30 às 02:00
Aceitam reservas? Sim

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Terminal 4450 Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
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Esquina do Avesso | Leça da Palmeira | Carapaus de Comida

Não sendo nós, de todo, das pessoas que mais fazem refeições fora, somos meninos para alinhar em incursões a um par de vezes por semana, sendo que em ao menos uma delas tratamos de conhecer estaminés novos: ora isto dá uma meia centena de restaurantes por ano, o que nem sequer é extraordinário. Ainda assim, é o suficiente para que nos permitamos descobrir o que está na berra, o que sempre esteve e o que não está mas adorava estar – e isto aporta um espírito crítico que nos deixa dizer de nossa justiça, sem medos, mas também nos torna mais exigentes: é difícil que nos surpreendem a é ainda mais complicado que nos deslumbrem.

É, por isso, com redobrado prazer que, esta semana, trazemos ao conhecimento do nosso Cardume um restaurante que nos encheu as medidas, sem reservas – não se trata sequer de um estaminé novo, porque o Esquina do Avesso já abriu há uns meses (tantos quantos a nossa vontade de lá ir, porque o conceito de imediato nos cativou), mas é coisa que recomendamos de olhos fechados a quem gosta dos bons comeres. Como veem, hoje nem há direito a suspense: ao segundo parágrafo, já estamos a afirmar que gostamos muito, e nem sequer é por distração.

Mas passemos à nossa experiência, ocorrida em meados de agosto, numa noite daquelas mais frescas mas com um sol lindo, o que torna o Largo do Castelo (Leça da Palmeira), onde fica a Esquina do Avesso, coisa ainda mais simpática. O único problema desta localização é que há ali carradas de outros restaurantes, pelo que o estacionamento pode ser complicado, mas arranja-se sempre qualquer coisa, nas ruelas para o lado de trás – eu tive sorte e estacionei a dois passos da porta, devo confessar.

O nome do estaminé não é fruto do acaso: a casa faz mesmo esquina e, na primeira página da ementa, há o cuidado de nos explicarem o conceito de uma casa que já o era antes de ser, uma vez que nasce da “Tasca da Esquina” e vira-se “do avesso” para nos apresentar uma ementa original – mas já lá vamos. Comecemos pelo espaço: há uma esplanada cá fora, onde teria feito questão de ficar, não fosse o fresquinho dessa noite. Assim, quando me foi dada a escolher a mesa que reservara (a PG haveria de chegar um nadinha mais tarde), não hesitei muito: o piso térreo é mais bonito e bem decorado (as madeiras e os objetos escolhidos para ali figurar revelam a simplicidade do bom gosto que aconchega), mas o superior, embora mais pequeno, tem mais charme – e pudemos sentar-nos mesmo junto à janela junto ao teto, felizmente aberta.

Uma vez instaladas ambas as convivas, foi-nos facultada a ementa, que apresenta três sopas (a Do Dia, Caldo Verde e Sopa de Peixe) e três pratos “clássicos” (Bacalhau à Brás, Bife à Portuguesa e Bochechas de Porco à Alentejana), para além de duas opções em pão (prego e mini-hambúrgueres), para além dos petiscos por que o Esquina é conhecido. E estes, sendo treze, acabaram por nos assoberbar, porque tudo nos parecia bom – e é nestas alturas que peço sempre a ajuda-do-funcionário, o que também serve para aferir a qualidade do serviço: odeio pedir opinião e não ma saberem dar ou, pior, nem sequer terem grande conhecimento acerca do que é servido. Ora no Esquina do Avesso esse não é, de todo, o caso: a simpática funcionária que nos atendeu nesta fase soube responder a todas as nossas perguntas e, perante a nossa indecisão e pedido, aconselhou-nos a escolher 3 a 4 pratos, sendo que nos sugeriu aqueles que, no seu entender, seriam os mais apetecíveis – e desde já adianto, que hoje não há mistérios, que acertou no alvo.

Entretanto, havia-nos sido trazido o couvert, composto por pão do muito bom (fatiado, rústico), azeitonas saborosas (das miúdas) e uma trilogia de manteigas (manjericão, chouriço e milho – qual delas a melhor e mais fresquinha) que nos foi entretendo o palato e acompanhando a sangria de espumante e frutos vermelhos que escolhemos para beber.

Aguardámos pelos pratos principais muito pouco tempo (de resto, neste estaminé, o compasso está afinadíssimo e não há tempos de espera incomodativos): em primeiro lugar, vieram as Gambas Kataifi, que nos foram apresentadas como sendo um dos pratos mais pedidos – e eram de facto muito boas, aquelas quatro bichinhas envoltas numa massa frita (tempura) também usada no sushi, e servidas com molho sweet chili e maionese; logo depois, veio uma das estrelas da noite, o Scotch Egg de Pato Confitado, com o ovo mal cozido a fazer as nossas delícias (mesmo porque é um prato lindíssimo, para além de saboroso); em seguida, aquele que pensávamos que era o prato final: Gnochi Trufado com Cogumelos e Ovo Mole, coisa só para quem gosta muito de cogumelos (gordos e suculentos) dos muito bons. E nós gostamos, mas não ficámos satisfeitas, pelo que decidimos pedir o quarto prato que nos havia sido sugerido, o Pica-Pau do Mar – e que maravilha, outra vez: as gambas, as lulas, as amêijoas cheias, os mexilhões e o tomate cherry numa comunhão perfeita.

Agora sim, dávamo-nos por vencidas, mas não sem antes provarmos as sobremesas, porque a mousse de chocolate do Esquina do Avesso foi algo que me ficou na retina desde que lhe vi a fotografia, há já muito tempo. Paradoxalmente, outros sabores acabaram por se lhe sobrepor e a mousse acabou por ficar para outra oportunidade. Vieram o Mascarpone com Frutos Vermelhos e Suspiros para a PG (que eu provei e estava delicioso e fresco) e o Cheesecake de Manteiga de Amendoim e Caramelo Salgado para mim: ver dois dos meus sabores preferidos conjugados foi coisa para me impedir de pensar sequer noutro doce – e saboreá-los, num cheesecake desconstruído, foi de ir ao céu e voltar (mas muito mais feliz).

Para encerrar o festim, pedimos os belos do café e descafeinado (eu sou daquelas loucas que, se bebem qualquer coisa com cafeína depois das 16h, passam a noite em claro), que vieram com um delicioso bombom de caramelo rijo com recheio de chocolate, e a conta, que ficou em 32,20€ para cada uma de nós – preço simpático, se atentarmos na qualidade do que comemos (e na originalidade; afinal, trata-se de uma cozinha “de chef”), no modo como fomos servidos e na vontade com que ficámos de voltar depressinha.

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Esquina do Avesso | Porto

Morada: Rua de Santa Catarina, 102, Leça da Palmeira
Localidade: Matosinhos

Telefone: 912 286 521 | 223 238 074
Horário: Ter a Dom – 12h00 às 15h00 e 19:00 às 23h00
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Em véspera de uma jantarada que reuniria a maioria dos Carapaus honorários que costumam acompanhar-nos semanalmente, foi uma incursão onde apenas o Cardume fixo compareceu – o que, em dez meses de existência (completados no passado sábado), aconteceu apenas duas vezes, facto com que nos congratulamos muitíssimo. Ainda assim, e porque se tratava de um fim de dia que marcará a história de um dos Carapaus, foi uma visita que por certo recordaremos no futuro (como todas as outras, de resto, por este ou aquele motivo). Read more

Quando começámos a pensar este mês dedicado aos estaminés situados junto ao mar, o Restaurante Bar Azul, em Leça da Palmeira, ali entalado entre a Praia do Aterro (a Norte) e o Farol da Boa Nova (a Sul), praticamente em frente à Petrogal, foi um dos que saltaram imediatamente para os primeiros lugares da lista. Não se tratava, sequer, de uma novidade para mim ou para a RV, habituadas que estávamos a ir lá petiscar depois das corridas matinais de domingo, por sugestão da Carapaua honorária PG; mais: acabei por fazer lá o meu jantar de aniversário em 2011 e os convivas saíram todos compostinhos e satisfeitos. Read more

A sugestão do JP, há uns tempos, levou-nos a escolher a Tasquinha dos Amigos como um dos alvos deste mês dedicado às petiscadas. Sem saber bem o que esperar, fomos até Leça da Palmeira, onde, depois de várias voltas , curvas feitas e pedidas direcções, chegámos finalmente ao nosso destino daquela noite. Desta vez não tivémos cardume alargado; foi uma das raras ocasiões em que os carapaus-fundadores jantaram consigo próprios. Read more

Restaurante A Cozinha da Maria | O Exterior

É já a segunda vez (a primeira, aqui) que dois terços dos Carapaus (AA e RV) aproveitam o aniversário de um amigo, em restaurante que constitui novidade, para fazer uma incursão do cardume, ainda que desfalcados de 33,3333…% dos seus membros. Desta feita, o PM o convidou e lá fomos, sempre de máquina em riste e iPhone para as notas, e com presentes à tiracolo, que havia 32 anos a festejar. Read more