Saltar para o conteúdo
Carapaus de Comida

Tappas Caffé Candal

Crítica de Ana Andrade, 19 de março de 2012. Francesinhas

Tenho para mim que as melhores incursões são as que são combinadas no último minuto e decididas em cima do acontecimento. No sábado assim foi: telefonema de um para outra, de outra para a terceira e aqui vai disto - juntámo-nos aos convivas de quarta-feira (com uma pequena variação) e fomos às francesinhas, ao Tappas Caffé, no Candal, em Vila Nova de Gaia. Tratou-se de um regresso para uns, de absoluta novidade para outros e de mais um pretexto para o convívio que é, afinal, o que sempre nos moveu.

Trata-se de um espaço muitíssimo requisitado (o que aferimos pela quantidade de gente que aguardava mesa, quando saímos) - ao que não deve ser alheio o primeiro lugar que lhe foi atribuído pelo Projecto Francesinha no seu ranking das melhores francesinhas da Invicta - pelo que convém fazer reserva prévia; porque fomos cedinho, não houve tempo de espera e foi praticamente só chegar, sentar, pedir e comer.

Éramos oito: três Carapaus, três Carapaus-honorários (e repetentes, o que muito nos honra; faltou-nos uma carapaua-honorária que voou, temporariamente, para outras paragens) e dois mini-carapaus-honorários com grande potencial. As escolhas foram consensuais: à excepção dos minis, para quem se pediu o menu-criança, optámos todos pela francesinha especial (uma com ovo).

Enquanto esperávamos, foram-nos servidas azeitonas (bem) temperadas com azeite, alho e oregãos, bem como uns pratos com pataniscas (com bacalhau visível e saboreável mas com o senão de terem sido confeccionadas com excesso de farinha e o óleo de fritura estar ainda excessivamente presente), pedacinhos de bôla (saborosa mas com falta de recheio) e um presunto honesto mas pouco marcante.

Para beber, os comensais maiores de idade optaram pelas famosas Leiteiras, canecas de alumínio com uma capacidade de 4dl, que conservam a deliciosamente cerveja fresca - e sai já um brinde, antes que se faça tarde!

Para os desconhecedores, a particularidade que faz das francesinhas do Tappas algo de original entre as suas semelhantes é o facto de irem a tostar em forno de lenha, imediatamente antes de serem servidas.

Passemos à degustação. Nenhum de nós ficou deslumbrado, sobretudo à primeira trinca, mormente por causa do molho, algo adocicado - todavia, este primeiro quid pro quo rapidamente se resolveu, quando, a nosso pedido, a simpática empregada gritou lá para o fundo "sai um molho à homem!". E o dito era picante q.b., pelo que, misturado com o original, como que deu o tempero que nos faltava. O recheio não é extraordinário mas cumpre, bem como o pão que, não se destacando pela positiva, também não desagrada. O queijo, derretido no forno, é simpático, ainda que não maravilhe. As batatas, infelizmente, são das congeladas, ainda que tenham textura e sabor aceitáveis.

Em conclusão, temos uma francesinha que não fica na memória, de avaliação global como que morna e, por isso, perfeitamente aconselhável a qualquer dos nossos fregueses. Eu explico: pese embora nenhum de nós tenha ficado maravilhado, a verdade é que a nenhum se ouviu epítetos depreciativos (à excepção do problema do molho, já descrito) o que, por si só, e tendo em conta a iguaria em apreço, é bastante positivo.

Nota alta para o atendimento familiar e informal (o mini-carapau J. teve direito a atender o telefone e a dizer um "Tappas Caffé, boa noite") mas atento (os carapaus-miúdos tiveram direito a chupa-chupas no final), coroado pela oferta de dois tipos de licores, um "para homens" (uma qualquer aguardente que julgo capaz de deglutir alimentos ainda no esófago), outro "para mulheres e crianças" (uma espécie de sumo tutti frutti excessivamente doce, cuja constituição a RV acabou por conhecer, numa visita passada, mas que não desvelamos, para não estragar o elemento-surpresa), que fez as delícias dos nossos minis.

A conta (cuja factura nos foi disponibilizada, a pedido) não ofendeu: 15,70€ a cada um (sendo que dividimos o total por sete, considerando os dois miúdos como um elemento), sem sobremesa mas com cafés: o habitual, em casas similares.

À saída (por volta das 21h30, quando a noite de sábado estava a começar para a maioria), cerca de três dezenas de pessoas entre os 20 e os 40 aguardava animadamente mesa, distribuídos por três grandes grupos.

E o Tappas Caffé é justamente isso: um espaço jovem e bem disposto, a partilhar com amigos, de preferência apreciadores da melhor sandocha do mundo.

A Galeria de Fotografias

Mais em Vila Nova de Gaia