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Hamburgueria do Mercado da Foz | Porto | Carapaus de Comida

Há já algum tempo que andava para ir experimentar os estaminés mais ou menos recentes do Mercado da Foz, que coexistem com um punhado de bancas que vendem frutas, legumes e flores. Afinal, trabalho a dois passos e é sempre uma boa alternativa à mesmice da cantina ou à marmita no gabinete, quando se trata de almoçar por lá – pelo menos quando temos uma amiga que vem ter connosco ou em dias de festa, já que comer hambúrgueres e cachorros todos os dias não é propriamente o meu sonho.

Marcado que estava o almoço com a CP, encontrámo-nos à porta do Mercado, que está em obras, e, depois de uma voltinha (pequenina, porque este espaço é bem pequeno), decidimo-nos pela Hamburgueria do Mercado da Foz, o primeiro estabelecimento, à esquerda – onde, de resto, encontrei uma série de gente conhecida, já que este espaço é muito frequentado por estudantes da vizinhança, seja da Universidade Católica ou dos colégios e escolas das redondezas. De resto, há ali o cuidado de oferecer um Menu Estudante que, por menos de 5€, dispõe de um hambúrguer, limonada e batata frita.

Não usufruindo nós do estatuto de estudante (ao menos o tradicional, já que, se quisesse bater o pé, a condição de doutoranda permitir-me-ia usufruir de descontos em todo o lado em que não se institui também uma idade máxima para a “profissão”), tratámos de olhar para a ementa, que apresenta 8 tipos de hambúrgueres de carne de vaca, uma opção vegetariana (de cogumelos), uma de peito de frango panado e um prego no pão. Todos os itens incluem batata frita, mas somente os hambúrgueres mais simples (o Mercado e o Castelo do Queijo) oferecem também a bebida.

Absolutamente assoberbadas pelas opções, não tanto porque sejam muitas, mas porque nos parecem todas demasiado parecidas, pedimos conselho ao funcionário (seria gerente ou dono? Fiquei com essa sensação, mas não posso jurar) que nos atendeu, que era de uma educação, disponibilidade e paciência louváveis (logo depois de nós, entraram na divisão de pré-pagamento meia dúzia de rapazinhos de um colégio vizinho, animados e barulhentos, que foram tratados como velhos amigos e clientes – que provavelmente até serão). Foram-nos recomendados dois, o Boavista (pão brioche com sementes de sésamo, hambúrguer de novilho, alface iceberg, ketchup, maionese de alho, queijo das ilhas e ovo) e o Tripeiro (pão brioche com sementes de sésamo, hambúrguer de novilho, alface iceberg, molho barbecue, queijo flamengo e linguiça pincante); porque a ênfase recaiu sobretudo no primeiro, com a sugestão de substituirmos o ketchup por compota de cebola, comprámos imediatamente a ideia.

Não nos foi referido porquê e quais são as circunstâncias, mas cada hambúrguer tem uma versão Slim e uma XL, sendo que nos foi vendida a primeira – e bem, porque não imagino o tamanho descumunal da outra, que custaria mais 1€. Simpaticamente, foram-nos oferecidas as bebidas, por ser a nossa estreia na Hamburgueria, o que considero um ato que merece aplauso, pela amabilidade, mas também um ato digno de um verdadeiro marketeer, o que vale a minha ovação. Uma vez pagas as refeições, que ficaram por 6,35€ a cada uma de nós (pagámos apenas o hambúrguer e o café, já que as batatas vêm incluídas e as limonadas foram oferecidas), sentámo-nos numa mesa ali perto, já que dentro do mini-estaminé só existem dois ou três lugares, ao balcão.

As cadeiras são de ripas, com pés de metal, tal como as cadeiras – o que faz destas uma coisa um nadinha desconfortável e daquelas uma base muitíssimo instável, o que levou a que uma das nossas limonadas fosse entornada ainda mal nos sentáramos. E eu percebo que a ideia seja recolher o material quando se fecha o tasco e que a malta coma depressinha e se ponha a andar, mas, ainda assim, não faria mal apostar mais na qualidade da mobília.

Uma vez chegados os hambúrgueres, depressa concordámos num ponto: o pão, designado de “brioche com sementes de sésamo” é too much, o que o nome já adianta. É coisa quase doce e tem demasiado miolo, o que me incomoda sempre – e este é, para mim, o ponto menos bom do que ali se come, embora também não tenha gostado muito das batatas, que são meio sensaboronas e sem graça. Já o recheio do hambúrguer é coisa boa: os sabores são bem conjugados, o ovo é frito como deve ser e sabe a ovo (o que pode parecer redundante, mas não: há sítios onde o ovo parece plástico) e a carne é mesmo muito boa. Não é fácil comermos sem que corramos o risco de nos sujarmos todas (embora eu tenha conseguido essa proeza) e, sobretudo o ovo é um perigo – mas no fim sobrevivemos.

Em conclusão, a Hamburgueria do Mercado da Foz não é a primeira cozinha do género que recomendaria a quem me pedisse conselho sobre as melhores hamburguerias do Porto, mas não está nada mal e é simpático tê-la como vizinha.

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Hamburgueria do Mercado da Foz | Porto/strong>

Morada: Mercado da Foz, Rua de Diu, Loja 1
Localidade: Porto

Telefone: 967 150 060
Horário: Ter a Sex – 10:00 às 19:00 | Seg e Sáb – 10:00 às 14:00
Aceitam reservas? Sim

No Zomato
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O Buraquinho | Petiscos | Porto | Carapaus de Comida

Não exagero nem um bocadinho se disser que trago o Buraquinho debaixo de olho desde que abrimos este estaminé na blogosfera: talvez por termos ido ao Buraco (que não tem nada que ver com este, adianto já) no início do nosso percurso, ficou-me na retina a ideia de irmos conhecer esta outra chafarica, nos Poveiros, também dada ao que é tradicionalmente português, mas do ponto de vista do petisco – sim, que muito antes das “tapas” de que agora toda a gente fala, havia petiscos (que, de resto, nos ficam bem melhor).

Por isso, quando se tratou de (mais uma vez) jantar na zona dos Poveiros, porque havia uma peça para ver no Teatro Nacional de São João (que fica a 5 minutos, em andar atlético, vá), tratámos de ir bem cedinho, não só porque a peça era às 21h mas sobretudo porque queríamos comer com todo o tempo do mundo e sem ter de esperar para arranjar mesa, sendo que ouvíramos dizer que O Buraquinho enchia com facilidade. Vai daí, pouco passava das sete e meia quando chegámos.

A entrada faz-se directamente para uma escada que conduz à cave a meio, à esquerda, um sapo verde, que espero não passar de um bibelô de gosto duvidoso), onde o estabelecimento opera – como se verifica, também aqui o nome não é uma coincidência. Naquela altura, para além de dois casais mais ao fundo, tínhamos uma mesa de habitués que ali pareciam estar à muito tempo, à semelhança de dois outros indivíduos, ao balcão.

Num primeiro olhar, fixei-me imediatamente nas belíssimas broas e radiantes enchidos que se encontravam na montra do balcão. Depois, já sentada numa das mesas simples de madeira de linhas rectas, imaginei aquele mesmo espaço, há três ou quatro décadas, com chão de serradura, para absorver líquidos e outros lixos, e muito copinho-de-três a sair naquele balcão, Hoje, a higiene é exemplar e ali se servem muitas outras bebidas. De resto, do tascalhão que imagino ter sido um dia, resta apenas a casa de banho unissexo: limpinha, não me entendam mal, mas pouco conveniente, sobretudo se acontecer, como sucedeu comigo, que um cavalheiro resolva usar o urinol sem trancar a porta, o que fez com que, por milésimos de segundos, partilhasse com ele aquele momento de intimidade, perfeitamente dispensável.

De volta à mesa, já lá morava a ementa: curta mas coerente, contém sobretudo pratinhos tradicionais, com grande enfoque nos enchidos (que aprecio particularmente, se forem bons). Difícil era não me fugir o pedido para um dos meus costumeiros traga-um-de-cada-e-não-se-fala-mais-nisso, mas tive de resistir à tentação, porque havia ali dois apetites pouco afoitos – e pagar sem comer é que nunca.

A menina que nos atendeu teve uma paciência infinita para os bons três minutos que levámos a decidir, mas finalmente lá levou a encomenda (sem apontar, achei extraordinário: eu chegaria à cozinha e teria de voltar para trás). Vieram, sucessivamente, um pratinho de azeitonas talhadas absolutamente divinais, um cestinho com broa da muito boa, uma patanisca que sabíamos que viria fria (e só perde pontos por isso), porque estava na montra, mas ainda assim muito saborosa, e uma salada mista, para disfarçar. A acompanhar, um belo dum jarrinho do rosé da casa, com um nadinha de gás como eu gosto.

Sem pararmos para respirar nem deixarmos de dar ao dente, as iguarias continuaram a apresentar-se-nos sem interrupções (e eu gosto deste serviço que nunca nos deixa sem ter o que mastigar). Veio um prego no pão com queijo (inferior em qualidade a outros que já comemos, como o do Portu’s ou do vizinho Venham Mais 5, mas nem por isso mau), uma alheira com ovo no prato (as batatas fritas eram lamentavelmente de pacote, mas tudo o mais estava muito bom), um salpicão amolecido em azeite que não sei se vos diga se vos conte (foi o sabor da noite, para mim) e umas moelas que, não sendo das mais espectaculares que já comi (beneficiariam de um molho mais saboroso e picante).

E lá fomos picando daqui e dali, ao som das conversas da freguesia absolutamente eclética que acabara por encher a sala (e já havia gente em espera, escada acima): havia o casal de setentinhas arranjados e charmosos, a família comprida (eram uns oito) de miúdos e graúdos (certamente a apontar para o espectáculo da Comercial, que ocorreria no Coliseu pouco depois), o casalinho de recém-namorados (fazemos todos aquelas figuras parvas, não se preocupem), o grupo de portugueses e amigos estrangeiros e os três colegas ex-toxicodependentes a trabalhar numa dessas instituições que os ajudam na recuperação (só sei isto porque estavam mesmo colados à minha esquerda e fui apanhando pedaços de conversa).

No que toca ao docinho final, preterimos o do dia (bolo brigadeiro, que quando é bom é muito bom mas, quando é fracote, é um enjoo) porque tínhamos a La Copa na ideia – mesmo porque, imagine-se a coincidência, ficava-nos a caminho do TNSJ e tudo (com um desvio de umas dezenas de metros, pronto).

Contas feitas, não chegámos a pagar 9€ por pessoa (ou pagámos, mas só porque quisemos gratificar quem nos atendeu), o que é muito bom, tendo em conta o que comemos, a simpatia do serviço e o charme decadente de uma tasca que o sabe ser.

Até para a semana e nunca larguem os bons apetites, boa?

Então vá.

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O Buraquinho | Porto

Morada: Praça dos Poveiros, 33
Localidade: Porto

Telefone: 222 011 045
Horário: Ter a Qui – 11h00 às 22h30 | Sex e Sáb – 11h00 às 24h00 | Dom – 12h30 às 22h30
Aceitam reservas? Não

No Zomato
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Quando começámos a pensar este mês dedicado aos estaminés situados junto ao mar, o Restaurante Bar Azul, em Leça da Palmeira, ali entalado entre a Praia do Aterro (a Norte) e o Farol da Boa Nova (a Sul), praticamente em frente à Petrogal, foi um dos que saltaram imediatamente para os primeiros lugares da lista. Não se tratava, sequer, de uma novidade para mim ou para a RV, habituadas que estávamos a ir lá petiscar depois das corridas matinais de domingo, por sugestão da Carapaua honorária PG; mais: acabei por fazer lá o meu jantar de aniversário em 2011 e os convivas saíram todos compostinhos e satisfeitos. Read more