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Ramen Break | Porto | Comida Japonesa | Carapaus de Comida

O gatilho de tudo isto foi o Shiko (onde regressarei sempre, é um dos meus restaurantes preferidos): foi por lá que provei, pela primeira vez, aquele caldo-com-cenas que se tornou uma das minhas coisas preferidas de sempre; depois disso, foi a incursão ao RO, que foi o sucesso que relatámos aqui na chafarica – vai daí, não poderíamos deixar de ir àquele que foi, tanto quanto sabemos, o primeiro estaminé inteiramente dedicado ao ramen, na cidade do Porto (e, suponho, arredores). O mais estranho é que o Ramen Break fica a menos de um punhado de quilómetros de minha casa, sempre em linha reta e, por mais que lá passe (e passo amiúde), não teria dado por ele se não me tivessem chamado atenção para a sua existência.

De resto, tudo no Ramen Break é discrição, ao menos na medida em que escolheu situar-se longe do bulício da Baixa, ali entre a Boavista e Cedofeita ou, para os que conhecem a zona, entre os Liceus Carolina Michaelis e Rodrigues de Freitas – o que provavelmente justificará o seu horário atípico, já que só abre de quinta feira a sábado e não se fala mais nisso. Talvez a vizinhança não seja a maior consumidora do caldo japonês, mas a verdade é que as pessoas se deslocam ali, propositadamente, para o comer: foi o nosso caso e, coincidentemente, da PG e do ZM, com quem não estávamos há algum tempo e que acabaram por ser a nossa companhia para o almoço, tornando a coisa ainda mais simpática.

O espaço é o arauto do kitsch intencional (ele há bandeirinhas, andorinhas, gatinhos orientalinhos – e tudo o mais acabado em -inho), isto é: porque é pensado, torna apontamentos duvidosos em coisa de bom gosto. Eu cá, na minha limitada visão estética, adorei o mural colorido que reveste uma das paredes compridas, bem como os sinalefos que identificam as casas de banho feminina e masculina (só não quero aqueles robôs fofinhos aqui em casa já porque as minhas casas de banho são unissexo).

Mas vamos ao ramen, que é para isso que bosselências (pelo menos os que ainda não desistiram de me ler os testamentos) cá estão, verdade? Olhem, é coisa muito boa – pronto, acabei com o suspense. Ainda hesitámos entre dois deles, cada uma, mas a RP decidiu-se pelo Ramarati (noodles de trigo, pernil desfiado, bamboo menma, 1 ovo nitamago, cebola frita, cebolinho, molho de soja e manteiga de amendoim), enquanto eu optei pelo Ramazuki 2.0 (noodles, entremeada chashu, bambu menma, milho, meio ovo nitamago, cebolinho, sésamo narutomaki, nori, molho de soja e óleo de chili), que me foi dito ser “o preferido do Vítor” (que é o chef). De resto, quando pedi a opinião à simpática funcionária (ou dona, não sei) que nos atendeu, sobre qual seria o prato que me aconselharia, a resposta foi “são todos bons, foram todos criados por nós” – e eu gosto desta segurança que, no caso, é inteiramente justificada.

Depois, a PG e o ZM acabaram por pedir os outros dois pratos de carne (porque há mais quatro, vegetarianos), e acabámos por poder tirar o retrato a todos. Para que conste, não são só refeições bonitas, servidas em faiança do tipo Bordallo Pinheiro: são também estupidamente saborosas – e, decidimos por unanimidade e aclamação, a epítome da “comfort food” (a expressão funciona melhor no original inglês, perdoem-me!).

O único item que nos agradou um bocadinho menos foi a massa, que mais se assemelhava a esparguete do que às fininhas noodles, que tanto a RP como eu preferimos – mas ainda assim comemos a sopinha toda, como meninas bonitas. Já agora, o ZM, que já provou os oito pratos da casa, elegeu como o melhor o que comeu naquele dia: o Ramazonic 2.0, que é o mais picante dos carnívoros (mas mesmo assim suportável, tanto que ele acrescentou molho picante), e leva noodles, carne picada picante, espinafres, milho, meio ovo nitamago, cebolinho, narutomaki e nori. A PG quis o Ramazonic – e lá terei de voltar para provar qualquer dos dois.

Algo que não esperava provar (só o fiz porque os nossos convivas no-lo recomendaram vivamente) e muito menos gostar é o Mochi de chocolate: trata-se de um bolinho (acento no diminutivo) de arroz recheado que tem o tamanho de uma trufa, vem coberto de cacau em pó e custa uns infames 3€. Mas eles tinham razão, o único problema é que ingeriria mais meia dúzia, assim a carteira e o bom senso o permitissem

Foi o culminar de um almoço carregadinho de bons apetites, num espaço giro e airoso, de serviço simpático e eficaz (demorámos menos de uma hora, mesmo com direito a muita conversa) e uma conta absolutamente adequada: 15€, nem mais nem menos. Havemos de voltar, com certeza.

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Ramen Break | Porto

Morada: Rua Oliveira Monteiro, 280
Localidade: Porto

Telefone: 226 000 701
Horário: Qui a Sáb – 12:30 às 15:00 e 19:30 às 22:30
Aceitam reservas? Sim

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Terminal 4450 | Leça da Palmeira | Carapaus de Comida

Eis mais um estaminé que estava na lista dos “a visitar com urgência” praticamente desde que abriu, pois que não oiço senão dizer muito bem: o Terminal 4450, sito ali mesmo, no antigo terminal de passageiros do Porto de Leixões, do lado de Leça da Palmeira (onde, uma vez por outra, ainda é possível ver um navio “descarregar” passageiros), não só se encontra numa localização privilegiada como tem uma luz espetacular, daquelas que tornam tudo mais simpático.

Depois de estacionar o carro nas redondezas, o que se revela tarefa mais simples do que à primeira vista se pensa (baste enveredar pelas ruelas do outro lado da Avenida Antunes Guimarães), a entrada no Terminal é a primeira experiência engraçada: sobe-se de elevador (ou pelas escadas, para quem gosta de se massacrar para além do ginásio) e, depois, caminha-se por um corredor que faz lembrar as mangas que conduzem aos aviões, com vista para o rio.

Uma vez chegados ao restaurante, toda a grandiosidade (que se mantém na zona da receção e casas de banho, toda amadeirada e com elementos decorativos de um bom gosto despojado) torna-se aconchegante, apesar do pé direito alto: um grande balcão de madeira rústica, onde se servem os cocktails que fazem do Terminal também um bar, convive com bancos altos e uns sofás, para quem espera e gosta de ir bebericando; uma mesa de mistura anuncia noites musicais, em harmonia com as traves de madeira que remetem inevitavelmente para as construções náuticas.

A sala principal não é enorme e estava cheia que nem um ovo, o que parecia trágico para quem até tinha feito uma reserva, uma semana antes. Fomos convidadas por um dos funcionários (delicadíssimo e profissional, como todos os que passaram pela nossa mesa) a ficar numa sala mais pequena – e se o convite parecia indiciar uma experiência menor, pelo cuidado com que foi feito, veio a revelar-se uma coisa muito boa: a sala “ao lado” tem exatamente a mesma vista privilegiada, mas é bastante mais tranquila, o que é ótimo para quem, como eu, detesta ter de (e ouvir) falar alto às refeições.

Uma vez instaladas, e ainda antes de nos ser trazida a ementa, foi-nos apresentado o menu do dia, uma pechincha que, por 8,50€, nos serve o couvert, sopa, o prato do dia e uma bebida. Aceitámos imediatamente: bem sei que a especialidade da casa são as carnes puras (e não tardarei a voltar para um bife dos muito bons), mas é impossível não aceitar um negócio destes. Assim, começámos por trincar o pão (entre broa com chouriço e pão de mistura) com a manteiga de linguiça (coisa mesmo muito boa) e umas pipocas salgadas com orégãos que fizeram as nossas delícias. Passados uns minutos, veio um creme de brócolos irrepreensível (e eu nem sequer sou grande fã de sopa, a não ser daquelas que são para lá de boas, como esta).

O prato principal era Secretos de Porco Preto com Castanhas e Cogumelos, servidos com Arroz de Frutos Secos (num balde de alumínio) e devo dizer que a coisa estava uma especialidade, de tão boa. As quantidades servidas são sensatas e mais do que suficientes mesmo para gente de (bastante) alimento, como eu.

Inevitavelmente, não pudemos sair sem fazer uma incursão pela oferta de sobremesas, que parece ser outra das grandes forças do Terminal 4450, a aferir pela quantidade de sugestões que tive, mal artilhei uma fotografia do sítio onde estava, no meu Instagram: da Bola de Berlim (que passei por ser recheada com o tradicional creme de pasteleiro, que dispenso) ao Petit Gateau de abóbora com Gelado de Queijo da Serra, os conselhos eram muitos, mas acabei por seguir o meu instinto, que é muito chocolateiro, e decidi-me pelo Decadente de Chocolate, uma deliciosa fatia de bolo de chocolate em três texturas, que rivaliza com o que de melhor já comi, dentro do género. Para a mesa vieram ainda uma Mousse de Chocolate (o doce daquele dia) e uma Tarte de Limão Merengada que, apesar de gostosa e belíssima, só dececionou (em parte) porque o “merengue” era, na verdade, pedaços de suspiros (e a ideia não seria exatamente essa).

Finalmente, os cafés e a conta: uma refeição deste calibre, com vinho e sobremesas, ficou por um pouco menos de 18€ por estômago, o que me parece muitíssimo razoável e justo. Claro que, porque não satisfiz toda a minha curiosidade, pretendo voltar em breve, para os bifes e mais sobremesas, de preferência ao jantar – isto porque a busca por bons apetites jamais cessa, por aqui.

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Terminal 4450 | Leça da Palmeira

Morada: Avenida Doutor Antunes Guimarães, Terminal dos Passageiros
Localidade: Leça da Palmeira

Telefone: 919 851 933
Horário: Dom a Qui – 12:30 às 15:00 e 19:30 às 23:00 | Sex e Sáb – 12:30 às 15:00 e 19:30 às 02:00
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Terminal 4450 Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
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Namban Oporto Kitchen Café | Porto | Carapaus de Comida

O repto foi da RV: tínhamos de ir experimentar um estaminé oriental que havia nas Galerias Lumière, aqui no Porto – eu aceitei e lá fomos, assim mesmo, sem sequer saber o nome da coisa ou ler grandes críticas sobre o estaminé, mesmo porque, agora, sabemos que não as há.

A ideia era chegar o mais cedo possível, porque a RV já lá tinha tentado almoçar uma vez e desistira, por lhe haverem dito que a confeção demoraria cerca de vinte minutos; não conseguimos chegar antes das 13h (hora a partir da qual, tendencialmente, começam as enchentes, ali na baixa), mas estávamos lá à uma e creio que fomos as primeiras (e quase únicas, adianto – mas já lá iremos) clientes do dia.

O espaço é mínimo: há um balcão em L com alguns elementos decorativos, por detrás do qual se encontra a pessoa que lida diretamente com os clientes, uma ou duas mesas mínimas e, à direita, uma microcozinha onde outra pessoa se encarrega da preparação dos pratos. A ideia é que nos sentemos no espaço comum das Galerias Lumière, que é, justiça seja feita, uma das praças de alimentação mais simpáticas que conheço.

Uma vez chegadas, e depois de nos porem ao corrente do tempo de preparação do almoço (os tais vinte minutos), foi-nos introduzido o menu, que consiste em dois pratos, dos quais devemos escolher um, sendo que o prato, com os devidos acompanhamentos (comuns às duas opções) e um chá (ou “água aromatizada”, como é ali chamada, que não escolhemos) fica por 8,50€ — não é propriamente barato mas também não é excessivo, porque se trata de um tipo de cozinha diferente;  já a sobremesa do dia seria paga à parte. Optámos ambas pelos Hambúrgueres Japoneses de Novilho com Molho Espesso de Cebola e Gengibre e com Oroshi de Rabanete Daikon, em detrimento do prato vegano, Croquetes Japoneses de Batata Doce e Sementes de Sésamo Preto, Servidos com Maionese Caseira de Soja.

Passados exatamente vinte minutos, alguns depois de nos ser trazido a tal água aromatizada quente (ou mais a atirar para o morna, por que não morri de amores), lá veio o prato, coisa francamente bonita: num tabuleiro redondo de madeira clara, uma tijela de  alumínio com a sopa de miso (muito líquida e saborosa, embora um nadinha insonsa para o meu gosto saleiro), os dois hambúrgueres (minúsculos), um montinho de alga (a saber bem a mar), a salada do dia (de maçã e rabanete, surpreendentemente boa), um par de couves de Bruxelas num molho branco e arroz integral de couve (muito bom mas também algo insonso e meio frio).

Em geral, gostei muitíssimo dos sabores e, sobretudo, da qualidade da carne, francamente boa. Mas não posso deixar de dizer que as quantidades só bastarão a estômagos que se fartam com (muito) pouco ou que, como eu, tinham treino daí a duas horas (após o qual me senti esfaimada, por sinal, o que nem é hábito). Ou, ainda, que não se importem de lanchar pelas quatro da tarde – porque a coisa ainda por cima digere-se com muita facilidade (e esse é um ponto muito positivo).

Por outro lado, é dececionante que o Namban não sirva café e que haja dias em que não tem a anunciada (em cartaz reescrito diariamente) sobremesa do dia – fosse lá o que fosse, teríamos gostado de provar. Em vez disso, fomos remetidas para o estaminé do lado, que comercializa crepes e gelados e que “tira muito bem o café” – e nós acreditamos, mas não era o que nos apetecia, pelo que descemos a rua e fomos mas é enfardar cupcakes de red velvet e creme de queijo, para a recém-(re)inaugurada Spirito (que aconselhamos vivamente, sem qualquer reticência).

Deixa-nos, portanto, um sabor agridoce, este Oporto Kitchen Café: o conceito tem potencial, mas não subsistirá muito tempo, a servir um punhado de refeições por almoço (como foi o caso e, atrevemo-nos a adivinhar, será sempre), sobretudo porque o que oferece nem sequer mata a fome, só a adormece, e muito ao de leve.

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Namban | Oporto Kitchen Café

Morada: Galerias Lumière, Rua de José Falcão, 157
Localidade: Porto

Telefone: 915956478
Horário: Seg a Sex – 12:30 às 15:00 | Sáb – 13:00 às 15:30
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RO | Ramen e Outros | Porto | Carapaus de Comida

Iniciemos com um esclarecimento: soube que queria ir ao RO muito antes de ele abrir (o que aconteceu muito recentemente, em Novembro), mal a coisa começou a ser partilhada no Facebook, ainda em tom de mistério. Não que o efeito surpresa tenha grande resultado em mim per se, mas quando se trata de um restaurante de conceito inovador, no Porto, que tem como cartão de visita dois chefs que muito admiro, eu agarro a ideia e só descanso quando a concretizar.

Falo do Francisco Bonneville, que tenho tido o prazer de ver crescer em competências, ao longo dos últimos oito anos e picos (só porque o conheci ainda enquanto estudante), e do João Pupo Lameiras, com cuja cozinha travei conhecimento na Casa de Pasto da Palmeira, justamente através do Francisco, que lá trabalhava também – e fiquei cliente, até hoje –, e que tem dado tantas cartas na oferta gastronómica do Porto, sendo considerado por muitos um dos chefs mais promissores da atualidade. Eu, que posso dizer estas coisas porque não sou especialista, acho que há muito que o João saiu do patamar da “promessa”, para ser já um crédito firmado – mas que sei eu?

O prato mais famoso que aqui se serve (porque há outros) é o ramen que, segundo a Wikipédia (que é útil para estas definições mais inócuas), é um “alimento japonês de origem chinesa, composto por filamentos longos de massa alimentícia mergulhados em caldo extraído de verduras, legumes, carcaça suína, bovina, de aves ou frutos do mar, temperados com shoyu, sal ou miso e decorado comumente com carne de porco, cebolinha, broto de feijão e broto de bambu”. Trata-se, portanto, de um caldinho cheio de cenas em geral e tanto eu como a RV lambemos os beiços quando pensámos nele, pelo que tratámos de agendar o nosso almoço-mesmo-junto-ao-Natal para lá.

Procedi à reserva de forma muito simples, através de mensagem no Facebook; a confirmação foi feita pela mesma via e pronto, tudo muito simples – infelizmente, no dia marcado houve uma pequena confusão e, imediatamente antes de chegarmos, duas outras pessoas foram sentadas na mesa que nos estava destinada, o que nos deixava duas opções: esperar um bocadinho ou sentarmo-nos ao balcão. Depois percebi que, para além da simpática sala do piso térreo, com mesas mesmo junto à vitrina que dá para a Ramalho Ortigão/Rua do Almada e outras em pequenos cubículos, perto das janelas das traseiras, há uma outra na cave – mas nós escolhemos sem hesitações o balcão, mesmo porque tanto eu como a RV gostamos de observar a azáfama das cozinhas (e de restaurantes que no-la dão a conhecer).

Uma vez sentadas, foi-nos apresentada a ementa, bem como o menu de almoço, que inclui, por 12,50€, um prato de ramen à escolha, bebida e café (e uma tacinha de gelado, por mais 50 cêntimos). Decidimo-nos por ele, embora soubéssemos de antemão que queríamos provar as sobremesas – mas pagá-las-íamos à parte. Decidimo-nos pelo Ramen Puro Shoyu (a RV), composto por noodles, cachaço do porco, ovo, ceboleto, bomi e nori, e pelo Tantan Ramen (eu), feito a partir de noodles, cachaço de porco, porco picado, sésamo, chili, ovo, ceboleto e nori. Para beber, pedimos, respetivamente, água e Cola Zero (ao almoço, dificilmente ingerimos outras coisas).

Enquanto esperávamos, já babosas pelo que víamos sair da cozinha, o Chef Francisco Bonneville serviu-nos, “como tentativa de compensação pela confusão com a mesa” (o que só demonstra belíssimas competências em termos de como-tratar-clientes) um Okonomyiaki (espécie de panqueca, como esclarece o menu) Misto, com couve, lulas, gambas, porco, bacon, molhos, nori, ceboleto e katsuobushi – e, minha nossa senhora das coisas boas, que delícia… a mistura de sabores pode afigurar-se algo difícil de resultar mas a verdade é que o resultado é ótimo. De resto, conceito não nos era estranho, já havíamos degustado algo semelhante no Shiko – mas este não se apresentou de todo menos bom, antes pelo contrário: uma perfeição.

Logo depois, vieram os ramen, servidos em tijela grande, com colher de pau funda para quem gosta de beber o caldo, e fumegantes de quentes. E o ramen, caro Cardume, é um deleite para os sentidos, seja porque as carnes se desfazem (sem se desfazer) de tão tenras, as noodles são macias sem estarem moles, o ovo vem (mal) cozido no ponto e o ceboleto dá um sabor incrível a tudo. O ato de comer ramen é, também ele, um ritual: como comentávamos ao almoço, não será o prato ideal para um primeiro encontro ou para um almoço de negócios, já que o melhor é pendurar o guardanapo ao pescoço e prepararmo-nos para alguma desordem, dependendo da aselhice de cada um. Seja como for, elejo ramen como um dos meus pratos favoritos: é comida de conforto, mas cheia de sabor e de bons nutrientes, não constituindo dos maiores pecados que conheço, em termos de facada numa eventual dieta.

Claro que nesta altura já estaríamos satisfeitíssimas fisicamente, mas mais depressa sairíamos dali a fazer o pino do que sem comer sobremesas, pelo que tratámos de pedir o Salame de Chocolate Branco e Wasabi (para a RV) e o Chocolate com Caramelo Líquido de Miso (para mim, que não posso ouvir falar de caramelo salgado sem querer mergulhar nele). Com eles, o Chef Bonneville trouxe-nos duas tacinhas de gelado “para provarem” (ele sabe que nos pelamos por estas coisas); um de chá verde polvilhado com um crocante de chocolate (muitíssimo bom) e o outro de sésamo (eleito unanimemente como o melhor dos dois), sendo que a opinião imediata de ambas foi que raramente se comem gelados que sabem tanto àquilo de que dizem ser feitos – são ideais para quem quer uma sobremesa mais leve e fresca. Já as sobremesas pedidas foram muito aplaudidas, não só pelo sabor como pela originalidade – que, de resto, é a pedra de toque deste RO.

Acabámos por ser as últimas a sair, na ante-ante-véspera do Natal, mas com uma imensa vontade de regressar mal seja possível: ficámos mesmo fãs. Pagámos 16€, cada uma, pela refeição (sem contar com os gelados e a panqueca) e a coisa sai barata, para aquilo que é oferecido – afinal, o ramen é dos pratos mais cosmopolitas do mundo, sendo que, na Invicta, ao que sei, só um outro estaminé, algures perto do Carolina Michaelis, o servia.

Na verdade, qualquer preço é bom quando nos são proporcionados tão bons apetites, pelo que aconselhamos vivamente o RO, a todos os apreciadores da oferta gastronómica.

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RO | Ramen e Outros | Porto

Morada: Rua Ramalho Ortigão, 61
Localidade: Porto

Telefone: 222 008 297
Horário: Dom a Qui – 12:00 às 23:00 | Sex e Sáb – 12:00 às 24:00
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A minha primeira ida ao Honorato foi absolutamente fortuita: depois de passar meses e meses a ver fotografias e apreciações sobre o estaminé em Lisboa (Sei que há mais do que um mas ouvia falar, sobretudo, do do Chiado), eis que uma bela tarde de finais de Agosto, numa ida espontânea à Baixa, dei de caras com ele, ali mesmo, onde antes morava o Twins-Baixa, junto aos Clérigos e perto de tudo. Eram umas três da tarde, tinha tomado um segundo pequeno-almoço (dos reforçados) umas duas horas antes, mas não consegui resistir: fui dar as voltas que tinha de dar e, ainda não eram 16h00 e já lá estava: sem fome mas com muito apetite.

Daí a pouco mais de uma hora, tinha treino, pelo que sabia que não me podia esticar, mas macacos me mordessem se não sairia dali com uma perceção sobre o mérito da fama do Honorato. Vai daí, entrei no espaço, belissimamente decorado, com sofás fixos, numa mescla entre o diner de meados do século passado e um estilo contemporâneo bem interessante. O espelho a todo o comprimento, à esquerda, dá uma sensação de grandeza que a sala (comprida mas estreita) não tem. O imenso bar é a coqueluche de um sítio onde apetece estar.

Naquela tarde, não me foi difícil arranjar mesa, porque ninguém almoça às quatro da tarde, mas ainda assim havia várias mesas preenchidas, com locais e turistas – o que terá confundido o funcionário que me atendeu, já que me falou em castelhano desde que me recebeu, à porta, até ao momento em que me sentou numa mesa e me entregou a ementa no mesmo idioma. Juro que lhe falei sempre em português, mas convenci-me enfim de que falo mesmo muito depressa. Aproveitei a passagem de outra funcionária para desfazer a confusão mas ainda hoje estou para perceber o que ali se passou.

Porque estava limitada, tanto em termos de fome como de tempo, aproveitei a prerrogativa que a ementa do Honorato oferece: a possibilidade de escolhermos mini-hambúrgueres, que são um nadinha mais baratos do que os normais (e caríssimos, em termos relativos), para quando a gula (ou os constrangimentos, no meu caso) não permitem que nos afiambremos a eles. A escolha não foi difícil: de entre os 14 hambúrgueres artesanais oferecidos, não tinha como não escolher o que dá nome à casa. O Honorato vem com maionese, milho, alface, tomate, ovo, bacon e queijo cheddar, para além, obviamente, do tradicional (e bom) pão de hambúrguer em três fatias, intercaladas com os ingredientes mencionados e a belíssima carne picada, de qualidade superior. As batatas fritas são caseiras e quentinhas mas o ponto alto é mesmo a molhaca de maioneses com que são servidas: sabe a pickles, acho, ou então a outra coisa igualmente (muito) boa.

Nesta primeira visita, não fui capaz de comer mais nada (sabia que sofreria mais tarde, se o fizesse, na aula de Attack), mas sabia que regressaria em breve. Meu dito, meu feito: aproveitei o dia do concerto dos Ujos (Miguel Araújo e António Zambujo, para os 5% da população nacional que não foram a uma das noites dos Coliseus), a meio de Setembro e lá voltei eu, desta vez com mais fome e disponibilidade. Felizmente, chegámos cerca das 19h30: meia hora mais tarde, já se fazia fila à porta e a casa estava cheia que nem um ovo. À noite, o espaço torna-se ainda mais bonito e a presença de um DJ assegurava música-ambiente, ainda por cima de bom gosto. No balcão e fora dele, uma boa quantidade de funcionários (entre os quais a T., uma “velha” conhecida que adorei encontrar ali) assegurava que tudo decorria sobre carris, tanto na receção como nas mesas e conceção dos cocktais e paparoca.

Desta feita, deixei a Coca-Cola de lado e fui mesmo para os cocktails, no que fui acompanhada por Mãezinha, que foi comigo: ela optou pelo Berry Good, a conselho da simpática funcionária, e deliciou-se com a bebida sem álcool, composta de limão, puré de frutos vermelhos, hortelã, sumo de arando e amora fresca. Já eu, também depois de consultada a menina que nos atendia, fui no Melodream (adoro nomes inteligentes), com gin, meloa, manjericão e pepino, que adorei com paixão. De resto, não me passara pela cabeça acompanhar hambúrgueres senão com um fino bem tirado (e há ali simpática quantidade de cervejas de pressão) ou a coca-colinha da praxe, mas adorei a combinação.

Para pratos principais, e depois de saboreados os croquetes de entrada, escolhemos o Falcão (a mãezinha) e o Capitão Fausto (eu, confesso que muito pelo nome, mesmo porque tudo me parecia bem). O primeiro, para além da carnucha e do pão em três fatias, tem agrião, tomate, bacon, cebola e cheddar; o meu tem agrião, tomate, pickles, molho barbecue, cheddar e cebola – e ambos agradaram muitíssimo, apesar de, à primeira vista, parecer quase impossível ter ângulo de abertura dos maxilares para abarcar tamanha quantidade de comida. Reitera-se o elogio ao molho das batatas fritas, que é do melhor.

No fim, já estávamos a modos que cheias-até-cima, mas quando percebemos não só que havia sobremesa, mas também que só havia uma sobremesa, imediatamente decidimos que tínhamos de provar a Mousse de Chocolate: afinal, que estaminé tem tanta segurança num prato, qualquer que ele seja, para que o assuma como único, sem pretender agradar a gregos e troianos? O Honorato. E com toda a propriedade, devo acrescentar: a mousse, que é anunciada como sendo feita sem ovos (hmmm, mousse sem ovos? – desconfiou Mãezinha, que é uma clássica) e servida em frasquinho (como agora é costume disseminado), basta-se a si mesma e é das melhores que já comi na vida (e olhem que já fiz a folha a muita mousse). Tem consistência que faz lembrar a de brigadeiro, um crocante por cima e um sabor de comer e carpir por muito mais.

Se gostei do Honorato? Olhem, gostei tanto que considero os 20€ por estômago que pagámos adequados (embora elevados, face à concorrência) e elegi-o, à segunda visita, a minha hamburgueria preferida e pronto.

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Honorato Hamburgueria | Porto

Morada: Rua Cândido dos Reis, 12
Localidade: Porto

Telefone: 910 028 957
Horário: Dom a Ter – 12h00 às 24h00 | Qua e Qui – 12h00 às 02h00 | Sex e Sáb – 12h00 às 04h00
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Honorato - Clérigos Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
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Ó Maria | AMorino | Porto | Sandes | Gelataria | Carapaus de Comida

Foi num fim-de-tarde de muito calor, depois de um dos melhores dias de praia do ano, que se empreendeu esta incursão dupla não planeada: havia teatro e, já que se ia para a baixa, a ideia era tirar mais um estaminé da nossa imensa lista dos “a visitar”.

Escolhemos o Ó Maria, não apenas porque era um dos inclusos nessa enorme lista de intenções, mas também porque somos fãs assumidos desta nova vaga de restaurantes de fast-food-gourmet (categorização de nossa inteiríssima responsabilidade e sem qualquer rigor) e do que neles vamos apreciando. E o conceito deste, em particular, chamou-nos a atenção: a ideia é servir mini-sandes, para que se possa provar de mais do que uma, todas elas com nomes de Marias famosas e, ainda por cima, há menus que tornam a coisa mais baratinha (ao almoço, com certeza, mas também no resto do tempo).

O Ó Maria não nasceu, enquanto tal, há muito tempo (é de 2016) e situa-se na Rua da Conceição (mesmo na esquina com a Rua das Oliveiras/Rua General Silveira), tem na vizinhança próxima inúmeros outros estaminés que estão a dar brado (assim de repente, o Élebê, o Sins ou o Flow) e ocupa o espaço generoso daquilo que foi, em tempos, uma loja de móveis, de que herdou um aspeto algo industrial e despojado que lhe dá um charme especial. Gostei particularmente do pormenor de terem mantido a parede do fundo com um ar inacabado, com o cimento a não cobrir todo o tijolo, bem como da cave, onde se situam as casas de banho, que é tal qual um armazém cinzento – no melhor dos sentidos.

Marquei mesa, ainda da praia, porque não tinha a noção do afluxo de clientela num dia como aquele mas vim a verificar que, porque decidíramos jantar ainda antes das 19h30, tínhamos quase todas as mesas (lá dentro e mesmo na esplanada, que tem duas frentes) por nossa conta. De todo o modo, é sempre preferível prevenir, mesmo porque acredito que, umas horas mais tarde e/ou noutro(s) dia(s), fosse bem diferente.

Rapidamente nos foi dada a escolher uma mesa pelo, àquela hora, único funcionário de serviço à sala e esplanada (haveria de chegar outra, pelas 20h); dentro do balcão, uma rapariga e dois rapazes (estes dois, claramente dedicados à construção das sandes, sendo que há um espaço de cozinha na cave, de onde chegam algumas coisas, por via de um mini-elevador) compunham o ramalhete de staff disponível às 19h15. Trazido o menu, a escolha não foi complicada: queríamos duas trilogias (três Mariazinhas + sopa ou batatas), sendo que uma viria com sopa e outra com batatas e, para beber, uma maracujada (para mim) e um fino.

As bebidas vieram de imediato e foi com gáudio que verifiquei que a limonada de maracujá não continha açúcar e a mescla era agradavelmente fresca e saborosa. A sopa tardou mais um bocadinho e as Trologias de Mariazinhas foram francamente morosas, sobretudo se tivermos em consideração que o restaurante estava praticamente vazio – ou seja, fiquei curiosa com a eficácia em dias de casa cheia. Bem sei que se trata de arranjar seis sandochazinhas diferentes, todas com o seu requinte, mas ainda assim achei o serviço demorado – e, contudo, cordial e descontraído, sempre, como gosto em estaminés do género.

Mas enfim, lá vieram as Mariazinhas: para o outro lado da mesa, vieram a Maria Albertina (coração de alcatra, queijo cheddar, rúcula e molho de mostarda, em bolo do caco), a Maria Pia (lombo de javali, queijo de cabra, tomate confit e pesto em bolo do caco) e a Maria Guadalupe (frango confit, amendoim, molho de tomate e especiarias e rúcula, em pão de alfarroba); para mim, para além de umas batatas fritas às rodelas fininhas, acabadas de fazer, temperadas com ervas e servidas com molho de maionese (divinas, também pelo modo como são servidas fisicamente), vieram a Maria Madalena (hambúrguer de alheira, queijo de cabra, espinafres em alho e cebola caramelizada em pão de alfarroba), a Maria Callas (cogumelos shiitake, queijo philadelphia, ratatouille de legumes e tomate confit em vianinha com sementes) e a Maria Eduarda (lombo de salmão, cogumelos shiitake e legumes salteados em molho teriyaki, em vianinha com sementes).

E devo dizer, meus amigos, que estas seis Marias, sem exceção, fora, vivamente gabadas durante todo o ato de degustação: os nacos de carne e de peixe são mesmo nacos (grossos e suculentos), os legumes imensamente saborosos, as combinações vencedoras, os recheios muitíssimo generosos e o pão… oh, caramba, o pão (de todos os tipos provados) é de outro mundo de tão fresco – e eu sou uma esquisitinha com o pão (que adoro), em casa como fora: só gosto do que é claramente fresco.

Vai daí, a visita ao Ó Maria é recomendadíssima por nós, sobretudo para quem gosta do tipo de comida: a localização é estupenda, o preço é amigo (sobretudo se optarmos pelos menus, que só têm vantagens: pagámos pouco mais de 11€ por pessoa) e o que lá se come é francamente bom.

Não provámos as sobremesas porque estávamos de olho na Amorino, gelataria já conhecida do Chiado, em Lisboa, mas que apenas naquela semana havia aberto portas, no Porto, na Rua de Santa Catarina (ali quem chega ao cruzamento com a Rua Formosa). Sempre gostei desta gelataria, não só pela variedade e originalidade de sabores como (e sobretudo, devo confessar), pelas waffles que servem, que são leves e crocantes, absolutamente deliciosas. Claro que a imagem de marca é o gelado servido em forma de flor, lindíssimo, mas desse nunca desfruto, porque nunca o peço servido em cone.

A afluência era assinalável, naquele princípio de noite de sábado: não seriam ainda 21h00 e o espaço, bastante pequeno e com dois punhados de lugares sentados (entre as mesas e um balcãozito) estava um bocado à pinha, pelo que a nossa ideia foi ir para a esplanada que, apesar de ser pouco apelativa (na verdade, são quatro mesas e umas cadeiras ali prantadas, em plena Santa Catarina, sem nada que delimite o espaço), sempre era mais arejada.

Infelizmente, o pessoal de serviço, embora certamente bem-intencionado, não é muito experiente, pelo menos no que toca ao produto da Amorino, o que levou a uma confusão com o caixa, que registou algo que eu não pedi: eu queria um waffle de caramelo salgado com uma bola de gelado e o tipo registou-me um waffle com duas bolas de gelado, alegando que “o topping é grátis e pode ser o que quiser”. Não era e não podia – mas salvou-me uma outra funcionária, que claramente dominava a cena (tanto no que toca ao serviço como à comunicação com os clientes e, sobretudo, em termos de conhecimento do produto) e que fez o favor de me servir o que eu pretendia (claro que paguei mais uns cêntimos, mas não é por aí que o gato vai às filhoses).

Depois de sentada, só tenho elogios a fazer ao que comi, mas quer-me parecer que, por exemplo, no Inverno, a Amorino será preterida em favor de muitas outras gelatarias que abriram na Baixa (apenas no último ano e meio, porque antes disso havia a Sincelo e pronto) e que têm lugares sentados e abrigados. Por outro lado, os seus preços também não são dos mais amigos, mas são os praticados pela marca em todo o lado: foram quase 9€ por um gelado de uma bola (que pode ter vários sabores, caraterística que adoro na Amorino) e um waffle com molho e uma bola de gelado.

E foi esta, minha gente, a crónica (já longa) de uma dupla incursão que nos proporcionou, como não poderia deixar de ser, excelentes apetites.

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Ó Maria | Porto

Morada: Rua da Conceição, 106
Localidade: Porto

Telefone: 223 295 805
Horário: Ter a Qui – 12:00 às 16:00 e 19:00 às 00:30 | Sex Sáb – 12:00 às 16:00 e 19:00 às 02:00 | Dom – 13:00 às 00:30
Aceitam reservas? Sim

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Amorino | Porto

Morada: Rua de Santa Catarina, 222
Localidade: Porto

Telefone: 222 010 219
Horário: Dom a Seg – 10:00 às 24h00
Aceitam reservas? N/A

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Lareira | Petiscos | Porto | Carapaus de Comida

No dia em que a seleção nacional de futebol jogou o apuramento para os quartos-de-final do Europeu (que terá acabado, quando bosselências se encontrarem a ler esta posta mas que, quando esta vossa criada escreve, está ainda na fase de jogos para aferir os países que disputarão as meias-finais), eu e a MJ, como mocinhas quase completamente alienadas do que se passa dentro das quatro linhas que somos, tratámos de ir pôr a conversa em dia à mesa (como deve ser), justamente à hora do jogo. (Note-se: batemos palminhas e rejubilamos com as vitórias, mas não sofremos com as derrotas nem condicionamos os nossos planos com os jogos.)

Ora terá sido justamente por esse facto que conseguimos, num sábado às nove da noite, uma mesa no Lareira, afamado estaminé de petiscos, que sabemos estar comummente cheio até ao teto – sobretudo aos fins-de-semana. Naquele dia, os aficionados da bola terão escolhido outras paragens para torcerem por Portugal (e muitos outros países, imagino, se as horas fossem outras, já que o Porto está afortunadamente inundado de gentes de muitas nacionalidades), o que permitiu que, à nossa chegada, nos fosse possível escolher mesa e tudo, já que apenas uma outra estava ocupada. Optámos, por isso, por uma pequenina junto à estrutura de pedra que dá nome à Casa – e ali ficámos, durante toda a refeição, a ver a maltosa a chegar, barriga cheia de nervos e vazia de comida. Na verdade, quando saímos, a chafarica estava cheia e havia gente em espera.

Estou para ir ao Lareira desde o final do ano passado e, por artes de berliques e berloques (ou porque era tarde, ou porque era cedo, ou porque chovia e o teatro era longe, ou porque o caraças), acabei por combinar e descombinar uma série de idas, até que surgiu esta, mal combinada e bem concluída: fomos, estivemos, comemos e podemos contar como foi.

Fomos muitíssimo bem recebida, por uma equipa jovem e bem-humorada, que acumula uma forma de estar descontraída com uma eficácia a toda a prova: bastava uma troca de olhares ou um sinal para que fôssemos imediatamente abordadas. Claro que o espaço não é grande (e é menos aconchegadinho do que eu estava à espera, não sei se sugestionada pelo nome), mas isso não é correlato necessário do bom atendimento – e aqui há-o, o que é meio caminho andado para eu ficar agradada.

A ementa é como eu gosto: curta e coesa (desconfio sempre de emantas magnânimas, porque ninguém sabe fazer bem muita coisa, santa paciência), adequada ao tamanho do Lareira e à tasca-moderna-e-petisqueira que faz as delícias de muitos. Creio que o ideal é reunir-se um grupo de quatro pessoas, para que se consiga cobrir a maior parte da oferta e provar de tudo um pouco; nós, sendo só duas, pedimos um cesto de pão, a tábua mista de queijos e enchidos e o pica-pau (que vem com outro cesto de pão).

Começámos pela tábua: havia ali vários tipos de queijos (só não peçam para os nomear: sou muito forte na degustação mas péssima na teoria), todos francamente bons, bem como paio, presunto e chouriço, tudo de qualidade e saborosíssimo. Vinha também uma tacinha com um molho de azeite, pimento e cebola, que degluti sozinha (e muito agradada). Uma palavra para o pão, que é absolutamente bestial: um, tipo pão-da-avó, cortado em fatias grossas, e outro, que me pareceu de mistura (ou talvez pão de lenha), às fatias – tudo fresco e muito bom.

E, depois, foi o pica-pau, prato que há de sempre fazer-me lembrar os fins de ano letivo nos tempos de faculdade, quando a malta se reunia, lá para a meia-noite, num dos muitos cafés de Coimbra, para fazer um intervalinho no estudo que, muitas vezes, acabava mesmo ali – que o calor era muito, a exaustão também e estar com os amigos é sempre melhor do que estudar. Este, do Lareira, em nada desilude: as carnes (vaca, linguiça e salsicha fresca) são boas e o molho é tão saboroso que marchou todo, embebido no pão. A acompanhar, os belos dos finos Super Bock: a noite estava quente, haveria GNR nos Aliados, e a cerveja é sempre a melhor companhia da petiscada.

A melhor notícia de todas é que este repasto ficou por apenas 10,25€ a cada uma de nós, pelo que o Lareira é dos sítios que mais me convencem, em termos de relação qualidade/preço: os petisqueiros que nem hesitem, que ali terão sempre bons apetites.

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Lareira | Porto

Morada: Rua das Oliveiras, 8,
Localidade: Porto

Telefone: 222 080 917
Horário: Seg a Qui – 12h00 às 23h00 | Sex e Sáb – 12h00 à 01h00
Aceitam reservas? Sim

No Zomato
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A Burguesa | Hamburgueria | Porto | Carapaus de Comida

Foi assim uma coisa a modos que espontânea: era hora de almoço, sabia que tinha de ir à Baixa tratar de um assunto e que era necessário que passasse no meu local de trabalho, que tenho a sorte que se situe na Foz; por outro lado, o sol brilhava com algum fulgor, pelo que tratei de encontrar nestes factos conjugados o pretexto de que precisava para ir conhecer a relativamente recente hamburgueria A Burguesa, no Edifício Transparente, ali mesmo paredes meia com Matosinhos. Já a tinha espreitado quando, há umas semanas, fôramos almoçar ao Picaba e, desta vez, não me escaparia, mesmo porque tenho sempre muita curiosidade em conhecer sítios que despertam impressões muito diferentes em quem lá vai e, quando a esta, li apreciações francamente boas e, outras, muito fraquinhas.

Quando chegámos, e depois de “inspecionarmos” o interior, bastante agradável, embora sem rasgos de genialidade criativa, rapidamente nos decidimos pela esplanada: apesar do vento tão tipicamente nortenho, os resguardos de acrílico sempre protegem qualquer coisa  (embora não completamente) – e, para quem não gosta de sol, há sombras garantidas pelos enormes guarda-sóis.

Escolhemos uma mesa a meio da esplanada, mais próxima da porta do estaminé do que do mar, porque pretendíamos que o serviço fosse rápido – e, na verdade, esse é um dos calcanhares de Aquiles d’A Burguesa: os jovens funcionários (incluindo aquele que julgo ser o gerente) são simpatiquíssimos e atenciosos, mas são de uma eficácia um pouco errática, sendo que aconteceu por mais do que uma vez termos terminado determinada etapa e querermos passar para a próxima e estarem os três à conversa, a uns quatro passos de nós, sem darem por isso. Não é nada de gritante, mas creio que é fator onde este estaminé pode melhorar consideravelmente, mesmo porque o espaço estava longe de estar cheio.

Quanto aos comes e bebes, optámos por uma limonada (eu) e um fino; a este respeito, só posso dizer que a minha bebida tinha açúcar a mais, o que, quanto a mim, pode estragá-la. O mais engraçado é que perguntei, antes de pedir, se era adicionado açúcar e responderam-me que “sim, mas muito pouco” – devia saber que há conceitos que são mesmo muito relativos. Quanto aos hambúrgueres, eu decidi-me, à bruta, por uma Burguesa Americana, que é coisinha para trazer dois hambúrgueres (240gr de carne do acém), tomate, alface, abacate, queijo cheddar, philadelphia, bacon e cebola caramelizada, em pão de sementes. A minha companhia optou por uma Burguesa d’Aves, que traz um bife de frango grelhado, alface, bacon, tomate seco e mostarda caseira, também em pão de sementes. E devo dizer que, pesem embora os magníficos recheios em ambos os pratos, o pão de sementes é mesmo muito fraquinho: seco, agarra-se aos dentes e ao céu-da-boca – é coisa sem gracinha alguma, que o restaurante só ganharia em fazer substituir. Sei que há outros dois tipos de pão (negro e bolo do caco), mas não os provei. De assinalar ainda que as Burguesas vêm servidas numa lousa, o que é bastante original e visualmente apelativo – e isto nunca é mau.

Já as batatas fritas são de outro campeonato e não tenho dificuldades em elegê-las como o que de melhor nos foi dado a comer: em palitos, caseiras, estaladiças, com casca e polvilhadas com sal de especiarias (sendo que me pareceu que o açafrão era uma delas e a pimenta outra), e acompanhadas com molho aioli (que, francamente, achei servido em quantidade forreta) eram de facto uma especialidade. Infelizmente, nem da ementa constavam alternativas nem nos foi dito que as havia – mas, ao que li, há-as, nomeadamente batata-doce, que teria ensejo em provar.

Também com as sobremesas houve confusão do género: não havia todas as do menu (embora nada o indicasse) e senti-me ligeiramente ougada, porque estava filada no Nutelíssima. Verbalmente, deram-nos conta do que havia à disposição (eram três doces), sendo que escolhemos a Delícia de Pêssego, por indicação de uma das funcionárias, e Cheesecake de Frutos Vermelhos. A primeira, uma espécie de doce com pudim e fruta, foi aprovadíssima; a segunda, um doce em camadas de bolacha ralada, creme de queijo e compota de frutos, tudo servido em frasco, estava francamente bom, mas não conseguiu fazer-me esquecer o quanto me apetecia o doce de Nutella.

No final, depois dos cafés, a despesa ultrapassou ligeiramente os 14€ por pessoa, o que, não sendo um disparate em termos absolutos, é um nadinha caro, ao menos por comparação a outros estaminés do género, de onde saímos bem mais felizes.

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A Burguesa | Porto

Morada: Edifício Transparente, Via do Castelo do Queijo, 395
Localidade: Porto

Telefone: 224 967 328
Horário: Dom a Qui – 10h00 às 24h00 | Sex e Sáb – 10h00 às 02h00
Aceitam reservas? Sim

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Flow Restaurant & Bar | Porto | Carapaus de Comida

Não sei há quanto tempo terá aberto o Flow, numa zona em que os novos estaminés (de gama média a alta, também) pululam loucamente, mas diria que talvez há um ano e picos – e desde então que o tenho na lista como um dos “a visitar”. A ocasião (sempre ao jantar) já esteve marcada, já foi pensada, mas acabou por jamais se concretizar, por razões várias que não interessam nadinha. O que importa é que acabou por se trocar o jantar por um almoço e é dessa experiência que aqui venho dar conta, hoje.

Note-se que o Flow tem sido um dos restaurantes-da-moda, embora nos últimos meses o protagonismo vá recaindo noutros, que entretanto foram abrindo (inclusivamente na vizinhança); e eu, que não tenho nada contra tendências, a verdade é que não me costumo deixar convencer por elas só porque sim – é que nestas coisas, como nas demais, há as que correspondem à fama e há as que nem por isso, pelo que prefiro sempre comer para crer.

Tudo isto para dizer que o que nos levou (a mim e à RV, a minha companhia nesta incursão) a escolher o Flow foi, antes de mais nada, a localização (porque nos dava jeito, naquele dia) e, depois, a hipótese de, por 14€ (e não os 12€ que constam da Zomato, cumpre-nos avisar), podermos degustar pelo menos uma entrada e um prato principal, o que nos permitiria aferir se valeria a pena continuar a pensar num jantar, em que o valor final seria muitíssimo mais alto.

E permitam-me começar pelas primeiras impressões, que foram as mais fortes e perenes: o espaço é es-pe-ta-cu-lar. Lindo. Dos mais fantásticos em que esta vossa serva já entrou, seja enquanto Carapau seja à civil. É coisa para valer a pena pagar e não comer nada, que aquilo parece arraçado de monumento, tanto no que diz respeito ao que foi aproveitado no pátio, como no que toca à decoração que, desde o átrio ao bar e à sala principal é de um bom gosto irrepreensível: os azulejos no chão, as madeiras, os recantos em estilo árabe, os candeeiros que pendem do teto, as cadeiras à entrada, o piano de cauda, a luz, os apontamentos de clorofila – tudo tem a marca de quem sabe o que faz (e de quem aproveita o que de bom encontrou no edifício). Também o ambiente, ainda que descontraído e eclético (havia profissionais em intervalo de almoço, turistas, gentes de faixas etárias variadas), é requintado sem esforço (bem sei que é uma redundância porque nenhum requinte que mereça o epíteto será forçado, mas permitam-me a liberdade cronista), o que merece outro aplauso.

Ora portanto, até à altura em que nos sentámos na mesa, conduzidas por um funcionário que nos deu a escolher entre a sala principal e o pátio (e aconselhando-nos este último, já que a canícula não era muita e o espaço é de facto muito convidativo, sobretudo de dia), estávamos encantadas com cada pormenor – e é bem possível que eu tenha passado por turista deslumbrada (ou tão só por deslumbrada, vá), já que tentei registar tudo quanto me foi possível.

Uma vez sentadas, foi-nos trazido o couvert por outra funcionária (cujo tratamento por “as minhas senhoras” não me cativou; exemplifico: “as minhas senhoras já escolheram?” – ná, não aprecio), que aproveitou para recolher os nossos pedidos. Dois apartes, para já: o couvert está incluído no menu mas não é nada de especial (apenas umas fatias de baguete e um pedaço de broa [bastante boa, esta, devo dizer] para imergirmos no azeite); depois, só nos foi apresentada a carta com o menu de almoço – o que não sei se é procedimento habitual porque àquela hora não se serve mais nada, se aconteceu porque temos ar de pindéricas. Fica a dúvida, senhores.

Pareceu-nos que o menu seria alterado diariamente, e o que oferece é simpaticamente diversificado: para entrada, poderíamos optar ou por Sopa de Agrião, Croutons de Pão de Milho, Areado de Avelã e Azeite Extra Virgem ou por 2 Unidades de Crepes de Legumes e Camarão. Mandámos vir um de cada e à primeira dentada apercebi-me de que teria feito melhor se tivesse optado pela sopa, que a RV gabou, já que os crepes eram banalíssimos e poderiam ter vindo de um qualquer take away de comida asiática (talvez com um molho agridoce menos bom, devo conceder).

No que toca aos pratos principais, a escolha é mais vasta: há prato de carne, prato de peixe, prato de salada, prato de risotto e menu de sushi (sendo que este pode ser composto de dez peças variadas ou, por mais 2€, de 12 peças de sushi com sashimi), o que é bem mais do que a comum oferta de menus de almoço – e é quase impossível não haver ali qualquer coisa de que se goste. Claro que o meu problema é o oposto: gosto de (quase) tudo e o difícil foi escolher. Acabei por optar pela Salada de Carpaccio de Bacalhau Fumado, Húmus de Grão-de-bico, Broa Frita, Tapenade de Azeitona e Cebolinhas em Balsâmico – e estava boa, soube-me lindamente, mas tenho de destacar os croutons de broa (absolutamente divinos) e dizer que o húmus não me encantou pela consistência cremosa fininha. A RV foi para o Bacalhau Confitado a 55ºC, Açorda de Espargos Frescos e Hortelã, Ovo de Galinha e Aros de Cebola – e este era daqueles que se come desde logo com os olhos; lindíssimo, bem empratado, super-apetitoso. Depois de degustado, concluiu-se que, estando a açorda (ovo incluído) uma especialidade, o bacalhau tinha claramente passado do ponto (os tais 55 graus), apresentando-se seco e chato de comer.

Acompanhámos tudo com água servida de jarros (pelo que não sabemos sequer qual a sua proveniência, o que me parece indigno para um estaminé da gama do Flow), que é a bebida incluída no menu de almoço; obviamente, poderíamos ter escolhido um qualquer vinho ou refrigerante, mas não o fizemos, mesmo porque ambas gostamos de água (e também porque não nos apetecia pagar mais por um refrigerante e o vinho está fora de questão, quando se trata de ir trabalhar de seguida). Pedimos os cafés (também incluídos), porque a única sobremesa disponível (Semifrio de Coco, Abacaxi Caramelizado Com Hortelã e Vidrado de Kima) não nos encantou de todo, pelo que julgámos desnecessário gastar os 3€ que acresceriam à conta, caso a quiséssemos.

No final, a conta foi trazida num tablet (o que é moderníssimo e tal mas é coisa que detesto, mesmo porque é impossível de fotografar como deve ser) por aquela que calculámos que fosse a Chefe de Sala, uma jovem descontraída e simpática que atenuou um nadinha a ideia que até ali construímos acerca do serviço: funcionários esforçados mas aparentemente com falta de treino específico (o que se via nos pequenos detalhes), o que nos pareceu pouco condicente com toda a beleza envolvente.

Em resumo: o Flow não me maravilhou, de todo, enquanto experiência gastronómica. Mas que é um belíssimo espaço para um jantar (e não almoço) especial, ai disso não duvido sequer por um minuto – e apetece-me voltar, mais não seja para conhecer o resto da ementa e para perceber se posso gostar mais do estaminé.

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Flow Restaurante | Porto

Morada: Rua da Conceição, 63
Localidade: Porto

Telefone: 222 054 016
Horário: Seg – 20h00 às 24h00 | Ter a Sex – 12h30 às 15h00 e 20h00 às 24h00 | Sáb – 13h00 às 15h00 e 20h00 às 24h00
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Flow Restaurant & Bar Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
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Poivron Rouge @ Crowne Plaza | Brunch | Porto | Carapaus de Comida

Gentes que gostais de brunches daqueles como deve ser, que aliam qualidade à diversidade, que têm um serviço atencioso e onde nada falha, não buscais mais: cancelai todas as outras experimentações em busca do melhor brunch da Invicta, que aqui o vosso Cardume preferido já o encontrou e trá-lo hoje, com provas documentais e tudo (é só espreitarem a nossa galeria de fotografias, lá mais abaixo).

Já há algum tempo que trazia o brunch do Poivron Rouge (o restaurante do Crowne Plaza, hotel que tem este nome desde 2014 e já teve alguns outros), ali mesmo a meio da Avenida da Boavista, debaixo de olho, pelo muito bem que lia a seu respeito. Aqui há tempos, decidi-me a marcar mesa para um domingo do início de Junho e, uns dias depois, tive de alterar a reserva para dois numa outra, para quatro+um (sendo o elemento adicional um bebé de 9 meses, que calha de ser gira que se farta – e não é só por ser minha sobrinha, vá), porque a malta vem de Lisboa ao Porto também para experimentar coisas novas. Ora esta circunstância agradou-me sobremaneira porque era uma oportunidade para apreciar o modo como um estaminé lida com a presença de crianças, nomeadamente uma de colo, para além das outras que por lá andariam.

Ainda antes de sairmos de casa, naquele domingo, liguei com uma dúvida de última hora: sim, tínhamos estacionamento gratuito à disposição, no parque do hotel, que fica na cave; um elevador leva-nos do piso inferior ao da receção, onde também se situa o restaurante. Logo à entrada, um menu dá-nos conta do festim que nos espera e, uma vez na sala principal, depois de recebidos pela Chefe de Sala, verificamos que a realidade ultrapassa as melhores expectativas (que, comigo, nunca são rasteirinhas): a zona onde está disposta toda a comida, no centro da sala, augura tudo de bom, pelo que foi com alegria que constatei que ficámos numa mesa privilegiada, junto às janelas (da altura do pé direito) viradas para a esplanada e Avenida da Boavista, a dois passos do banquete.

Uma vez sentados, foi-nos imediatamente trazida uma cadeira para a AA (sim, a sobrinha tem o nome da tia, imaginem o quão babosa sou, também por isso), que ficou sentada entre os pais PA e MF, e tratámos de ir buscar comida, enquanto a enchente não acontecia: reserváramos mesa para as 12h30min, justamente para que pelo menos uma parte da refeição fosse feita em paz e sossego – e, de facto, depois das 13h, 13h15min, começou a chegar gente suficiente para encher as duas salas disponíveis.

Tudo quanto aqui disser ficará sempre aquém da oferta do brunch do Poivron Rouge, seja porque me esquecerei de alguma coisa, seja porque não consegui provar tudo o que é posto à disposição, em regime de self-service, para que nos sirvamos tantas vezes quantas nos apetecer, até ao limite das 15h, altura em que as hostilidades se encerram.

E é aqui, minha gente, que gente ansiosa ficará à nora: é que há um mundo de coisas carregadinhas de bom ar para enfardar e apenas um estômago, de tamanho mais ou menos limitado (o meu é bastante elástico mas, ainda assim, não pude provar de tudo). Verificarão tudo o que digo na nossa galeria de fotografias, de onde constam retratos de todas as iguarias, bem como do menu. Ainda assim, tenho de salientar a oferta de sumos e limonadas naturais, os vários tipos de pão, as carnes frias, os imensos salgadinhos, as saladas, as frutas (infelizmente, algumas eram de calda, a saber: peras, ananás e pêssegos – o que jamais me agrada e não considero digno de estabelecimento deste cariz e só por isso não demos nota máxima na categoria “comida”, lá mais abaixo), os folhados (tantos!), os pregos com queijo em bolo do caco, os hambúrgueres de frango em pão de sésamo, os pratos quentes (que não provei), o creme de abóbora (que também não), as sobremesas muitíssimo diversificadas, os queijos, as bolachas para os queijos, eu sei lá.

Também temos à disposição um chef, pronto para nos preparar pratos de ovos, sejam eles mexidos, em omeleta ou Benedict (estes últimos serão confecionados na cozinha), o que me pareceu extremamente atrativo (sou a louca dos ovos), sobretudo depois de ver o empratamento, cuidado e bonito. A verdade é que todos acabámos por prescindir deste serviço: havia tanto por onde escolher e os ovos são algo que comemos amiúde em casa (ainda que muitíssimo menos bem apresentados) e decidimos libertar o estômago para os outros petiscos. De todo o modo, um dia em que volte (e voltarei, por certo), farei questão de pedir um qualquer prato de ovos.

Concomitantemente, há o serviço, absolutamente irrepreensível: junto de cada duas ou três mesas está uma ou duas pessoas, que vão levantando a loiça suja, trazendo mais talheres ou respondendo a qualquer dúvida ou solicitação que tenhamos; no nosso caso, ainda deram uma ajuda com a apanha dos pedacinhos de pão ou fruta com que a sobrinha ia testando tanto o palato como a lei da gravidade – mas de modo absolutamente descontraído e deixando-nos perfeitamente à vontade.

A respeito das criancinhas, e quanto às famílias que as têm naquelas idades mais mexidas, há uma sala para elas, com ligação à principal, onde podem estar à vontade, sem receio de maçar os outros (inclusivamente, há a mascote do restaurante, uma beringela de espuma vestida por um funcionário, que vai entretendo os petizes). E eu só posso aplaudir isto: ter crianças deve ser maravilhoso, conviver com elas é um espanto, mas tê-las a correr aos guinchos pela sala ou a enfiarem-se debaixo da nossa mesa (como me aconteceu, num outro brunch, umas centenas de metros acima) não é coisa que me agrade de todo – nem nos filhos dos outros nem nas “minhas” crianças.

Conclusão? Olhem, Cardumezinho, encontrámos o melhor dos brunches do Porto – isso é certinho. Os 20€ que se pagam estão inteiramente justificados (muito mais do que o menos que se paga em coisas similares) e é sítio que aconselharei muitíssimo e a que voltarei sempre que puder, porque bons apetites assim merecem regresso.

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Poivron Rouge @Crowne Plaza | Porto

Morada: Crowne Plaza Hotel, Avenida da Boavista, 1466
Localidade: Porto

Telefone: 226 072 500
Horário: Seg a Dom – 07h00 às 10h30, 12h30 às 15h00 e 19h30 às 22h30
Aceitam reservas? Sim

No Zomato
Poivron Rouge - Crowne Plaza Hotel Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
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