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Quatro Dias e Meio em Lisboa | Carapaus de Comida

Dia 1 – quarta feira, 2 de agosto de 2017

No primeiro dia, cheguei já depois de almoço (mas sem ter almoçado) e, depois da minha boleia do Oriente para o Chiado (onde ficaria nos próximos quatro dias), achei por bem tratar de repor calorias até à hora do jantar – a única coisa que havia marcado para aquele dia. Antes mesmo de ir deixar as bagagens ao alojamento, entrei no Botequim Brasil, um “boteco” com a melhor limonada de sempre (feita na liquidificadora, e com limão inteiro, não apenas o sumo), que pedi sem açúcar – um copo grande custa 2€. Também tem produção própria de pasteis salgados à moda brasileira (que ouvi serem bons, aos vizinhos de outras mesas), pão de queijo e boas saladas. A decoração mantém as madeiras antigas e é charmosa, os donos são simpáticos e vale a pena a visita, também pela possibilidade de provar os sabores do Brasil, que nem sempre são fáceis de encontrar por cá.

Quando viajo para onde quer que seja, nunca planeio grande coisa de antemão, com uma exceção: os sítios onde quero ir comer. Antes desta estada em Lisboa, fiz o TPC da ordem e decidi de imediato que a Bottega Piadina seria um dos sítios a visitar, tanto mais que ficava pertíssimo da rua onde estava alojada. Confesso que este estaminé de comida de rua italiana (assim se apresenta) superou as minhas expectativas e proporcionou-me um almoço à hora do lanche absolutamente maravilhoso. Gostei muito do espaço, que é charmoso e tem várias mesas (e bancos) altas, para além de uma esplanada, de onde se observa a movimentação da rua, o serviço é competente, simpático e merece aplauso, e minha piadina (a Mare, por conselho competente de quem me atendeu, porque não queria nada de muito pesado) estava de comer e desejar muito mais: quente, a escorrer queijo e carregada de salmão. A limonada é servida sem açúcar, como deveria ser em todo o lado (quem pretender, pode sempre adicioná-lo), tudo é rápido e eficiente e não prometo ir embora sem cá voltar. Do melhor que já vi, em estabelecimentos desta linha.

Tendo a não adorar cafés e restaurantes nos sítios mais turísticos da cidade e o Café Gelo, em pleno Rossio, acaba por ser daqueles sítios para-turista-ver. Passo para comprar uma água e, sobretudo, os copos com fruta cortada ou os sumos de fruta frescos do dia, que são muito bons. Os bolos têm bom ar, mas nem sempre estão frescos e o pão, que nunca comprei, será do mesmo género. Vale pela esplanada (gosto de ver quem passa, quando estou com tempo), pelos sumos e pela fruta.

O jantar já estava marcado há meses, com duas amigas que me levaram ao Italy Café – Lisbona: come-se muitíssimo bem neste espaço sito no Saldanha, que é dos melhores e mais genuínos que me foram dados a conhecer fora de Itália. Começámos com uma Burrata, para entrada, servida com pão de massa de pizza e presuntos cortados em fatias fininhas (coisa deliciosa!), e depois nenhuma de nós conseguiu não pedir a Pasta Alla Forma, uma maravilha de um esparguete envolvido num parmesão gigante, com presunto e cogumelos, feito mesmo ali à nossa frente, o que atiça ainda mais o apetite. Para sobremesa, aconselho vivamente o Semifredo Altorroncino com Cioccolato Caldo, se bem que os Cannoli também são boníssimos. Os preços não são baixos, mas são perfeitamente justos para o que se come e para a mestria do serviço. Só achei o espaço demasiado barulhento, o que me incomoda.

 

Dia 2 – quinta feira, 3 de agosto de 2017

Começamos a ter concorrência para a Padaria Portuguesa, tanto na oferta como na qualidade, com a diferença de que a Padaria do Bairro do Chiado (há mais três, pela cidade), a meia dúzia de passos da concorrente, tem um ar mais bonito e um ambiente mais tranquilo (ainda que igualmente atarefado.
O pão de deus é um sonho (fresquinho, quase húmido, por causa do doce de ovos) e a padaria tem muitíssimo bom aspeto, para além de uma imensa variedade. Depois deste primeiro dia, em que comi só um pão de deus, bebi um café e comprei uma água, haveria de voltar no sábado, com a família, para um pequeno almoço mais completo: o pão de alfarroba e o de mistura são muito bons, e a merenda também se aconselham. Sumo de laranja como deve ser, serviço simpático e uma sala enorme, que acomoda muita gente.

O almoço deste dia foi num dos mais badalados e consensuais restaurantes de Lisboa:  o Pistola y Corazón Taqueria apresenta uma excelente relação qualidade/preço para um restaurante mexicano cheio de pinta. Ao almoço, o menu com as entradas (quesadillas), três tacos à escolha, uma água aromatizada e café fica por 9€. Claro que nos juntámo-lhes uns cocktails (comia mexicana sem marguerita nem sequer sabe bem, na minha humilde opinião) e o bolo de três leites (divino e bem doce, não será para todos os palatos), e a conta foi mais puxada, mas não tem de ser. Palminhas para o serviço cordial e rápido e para a decoração de bom gosto. Único senão: quando cheio (o seu estado normal), é mesmo muito barulhento, o que me deixa com os nervos em franja.

No início da tarde, já na subida para o Príncipe Real, entrámos no The Decadent, um bar de hotel simpático, num patiozinho tão tipicamente lisboeta, numa zona de que gosto particularmente, onde fomos apenas para nos refrescarmos com uma água, numa tarde das bem quentes. Também serve refeições rápidas (devíamos ser as únicas nacionais e as únicas que não estavam a almoçar tardiamente) e apeteceu-me voltar para o brunch.

Acho que nunca entrei num estaminé que cheirasse tão bem como a chocolataria Bettina e Niccòlo Corallo: as tabletes de chocolate e outras iguarias são ali fabricadas e o aroma não engana – estamos no paraíso. Pude provar, graças à simpatia de quem mos ofereceu, o de leite com avelãs, o de sésamo e o de pimenta com flor de sal, e embora tenha um fraquinho por este último, devido às minhas preferências pessoais, todos são do melhor que já me foi dado a provar. O espaço também é bonito e intimista, com a luz de Lisboa e entrar pelas montras grandes. Uma delícia, nem que seja só para tomar café.

Dia 3 – sexta feira, 4 de agosto de 2017

Numa das ruas mais turísticas de Portugal, a Rua Augusta, o Paul, pastelaria de inspiração francesa (e com preços a fazer lembrar os que se praticam em Paris) tem pão e bolos com muitíssimo bom aspeto, melhor inclusivamente do que os sabores. Percebo, mas irrita-me que os valores cobrados sejam mais altos para quem escolhe ficar (a alternativa é comer de pé, na rua, ou enquanto se caminha, o que não adoro). Creio que um espaço destes beneficiaria de uma localização mais sossegada. Ainda assim, e apesar da profusão de gente a entrar e a sair, apreciei a minha tarte de morangos e o café duplo.

Parece que o Boa-Bao é relativamente recente em Lisboa e só tenho a agradecer a quem me levou lá: que estaminé absolutamente delicioso! Fica no Chiado mas ligeiramente afastado da confusão, tem uma decoração fantástica, um ambiente muito agradável, o serviço é lesto e conhecedor (gosto quando peço conselho e mo sabem dar), e a comida… adoro boa comida asiática e devo dizer que tudo o que aqui provei é fantasticamente cozinhado, saboroso, surpreendente e original, e, pesem embora todos os outros do género já visitados, em Portugal e no estrangeiro, não tenho dúvidas em ele ver o Boa-Bao como sendo do melhor onde já entrei. Recomendo vivamente, tanto aos locais como aos visitantes.

Tinha muita curiosidade em conhecer aqueles que muitos dizem ser os melhores hambúrgueres de sempre – e já percebi a fama do Ground Burger: fomos passear aos jardins da Gulbenkian e aproveitámos a hora para ir jantar sem chatices (depois das 20h é difícil, e eles não fazem marcação, pelo que seriam umas 19h40 quando assentámos arraiais). Os ingredientes são fantásticos, a carne (de Angus, como é anunciado à porta) é mesmo muito boa, mas não gostei do pão (demasiado “abriochado” para o meu gosto, embora fresco e ali fabricado). A quantidade é normal, mas não mata a fome a apetites mais vorazes. As batatas fritas são ótimas, bem como a salada. Preços puxadotes, que são justificados certamente pela qualidade, mas não pela quantidade. Têm cuidado e atenção para com crianças pequenas, o que é sempre de louvar.

Já o disse várias relativamente a todas as Padarias Portuguesas que visitei e o mesmo digo em relação ao estaminé de Alvalade: não faço parte da equipa que as acha uma coisa sem alma e, pese embora continue a achar estranho ter uma em cada esquina, aprecio que, quando tudo falha, haja uma em cada esquina. Aqui, perante uma fila insuportável numa geladaria vizinha (a Conchanata, a que acabámos por não ir), valeu-nos o brigadeiro (algo seco, às nove da noite) e a maravilhosa tarde de lima com base de Oreo, para acompanhar os cafés e matar o desejo de doce.

Dia 4 – sábado, 5 de agosto de 2017

Gostei infinitamente mais deste Príncipe Real, restaurante/café à beira-mar plantado, na Lagoa de Albufeira (Sesimbra) do que estava à espera: muito bem que a fome ajudou, mas a conveniência de sair da praia e ir comer um choco frito (que estava mesmo muito bom) com excelente batata frita e mais uns petiscos (omeleta bem servida, bitoque tenro), terminando a experiência com uma bola de Berlim com recheio de chocolate, é impagável. O creme de legumes é surpreendentemente bom. O serviço é um bocado demorado a todos os níveis (o pagamento foi dos mais lentos de sempre), mas é simpático e voltarei por certo, sempre que regressar à Lagoa de Albufeira (mesmo porque não há muita concorrência, mas de todo o modo, gostei).

Comemos muitíssimo bem no Alcochetano, o único dos vários estaminés de Alcochete que pôde receber quatro almas esfaimadas, mas nada previdentes (não marcámos mesa, esquecendo-boa de que a espontaneidade está démodé), depois de um dia de praia. Atacámos os percebes mais frescos que comi nos últimos tempos (embora trouxessem muita rocha agarrada, que também se paga), o entrecosto grelhado estava ótimo, bem como o peixe-espada e os linguadinhos (queria lulas, mas já não havia, assim como as conquilhas). Surpresa também constituíram as sobremesas: quer o bolo de bolacha de chocolate quer o cheesecake de frutos vermelhos eram caseiros e muito recomendáveis. O serviço é típico de um restaurante do género: sem salamaleques, mas despachado, e até havia música ao vivo (que eu, pessoalmente, dispenso quase sempre).

Dia 5 – domingo, 6 de agosto de 2017

Quem conhece a Pastelaria Alcoa original, em Alcobaça, só se sente defraudado pelo tamanho deste estaminé no Chiado e, no entanto, absolutamente agradecido por ter os bolinhos e pasteis que me faziam parar, de cada vez que por ali passava, de Coimbra para as Caldas da Rainha. Chateia-me que não haja mesas e cadeiras (a modernice do comer-em-pé ou on-the-go nunca me convencerá) mas os doces conventuais (e outros) merecem sempre a pena, ainda assim.

O brunch do Museu do Oriente é muitíssimo simpático, num espaço com vista privilegiada para o rio Tejo (contentores incluídos): as opções gastronómicas são inúmeras e (algumas) originais, a reposição é constante e o serviço incansável, apesar da lotação esgotada constante. Há escolha para vegetarianos, para a malta do fit e para quem gosta de enfardar como deve ser. Adorei os ovos mexidos, as chamuças verdes, os queijos e os mexilhões, e gostei de tudo o mais. As bebidas variam entre a água, a limonada, a sangria e o vinho (refrigerantes são pagos à parte). Para quem tem crianças, há um espaço que os entretém. Só não tem cotação máxima porque, em vez de abrir ao meio dia, como deveria ser, abriu 35 minutos depois, e não houve sequer direito a uma explicação.

Na Artisani de Alcântara, sita nas Docas, os gelados são bons (e têm opções para diabéticos e celíacos, o que nunca é de somenos) mas, nesta localização em particular, junto ao Tejo, tudo me sabe particularmente bem, nem que seja só um café e uma água. Em dias de calor, a sombra das palmeiras dá um imenso jeito – e deixam-nos sentar nos confortáveis sofás de verga da República da Cerveja, em vez de nas cadeiras de plástico da geladaria.

Já mesmo na iminência do regresso, o Ardina Caffé, em plena Gare do Oriente, foi o último estaminé que me matou a sede –  e longe vai o tempo em que os “cafés de estação” eram sítios tétricos e tristonhos: hoje em dia é possível esperar por um comboio com conforto estético e, até, do palato. Aqui, para além das bebidas comuns, há bolos com bom ar, tostas, sandes e saladas que matam a fome a quem vai ou vem de viajar. O serviço não é muito simpático, mas é despachado e o nome deve-se ao facto de no mesmo espaço morar um quiosque de venda de jornais e revistas.

Data da Visita: 2 a 6 de Agosto de 2017

 

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Copos & Cusquices | Porto | Carapaus de Comida

Nem sei quantas vezes já tinha intentado ir conhecer o Copos & Cusquices, sem sucesso: ou porque não havia mesa, ou porque éramos muitos, sei lá. À quarta ou quinta tentativa, éramos só três e a coisa deu-se: consegui marcar com apenas dois dias de antecedência, mas com algumas restrições – esta nova modalidade das refeições por turnos, que se está a espalhar pelos restaurantes da cidade, terá a sua razão de ser (imagino que houvesse gente que se sentasse à primeira hora e não saísse até ao fecho, mais a conversar do que a consumir), mas é muito desagradável: detesto pensar que tenho de sair até às X horas porque é tempo de entrar o segundo turno. Não é a primeira vez que mudo de ideias, quando me apresentam semelhantes regras mas, neste caso, porque até tínhamos tempo e eu não queria jantar tarde, marcámos a coisa para as 19h30, sendo que teríamos de sair até às 22h.

Quando chegámos, tínhamos a casa só para nós – e que casa: a porta, que não fotografei desta feita, porque estava aberta, está coberta de botões, e mal entramos percebemos que estamos num local onde a decoração não foi feita à balda – o vintage kitsch é algo que se vê muito por aí, mas no C&C foi reinterpretado com carradas de pinta e pormenores muito interessantes. Perceba-se: as “pernas” da mesa onde jantámos são a base de uma máquina de costura como as que tinham as minhas avós (e daí o símbolo deste estaminé, suponho) – não há como não amar cada detalhe.

O Copos & Cusquices é mais um restaurante de tapas/petiscos (confesso que prefiro a nomenclatura nacional), como tantos que abriram, nos últimos anos, na cidade – mas não é, definitivamente, só mais um – adiando desde já que está no meu Top3 de estaminés do género, na cidade e arredores. Confesso que ia filada nuns menus muito interessantes que este estaminé oferece – mas infelizmente, soubemos então, só durante a semana. Falo dos “Sortidos da Casa”, pensados para duas pessoas, que oferecem duas hipóteses de combinação de seis petiscos, mais batatas, por 18€ – e se pensarmos que cada prato custa no mínimo 5€ (2,50€, as batatas), rapidamente percebemos que se trata de um ótimo negócio.

Como era sábado, tivemos de escolher os petiscos, um a um – e a escolha é tanta e tão apetecível, que acabámos por pedir ajuda à simpática funcionária que nos atendeu. Ela sugeriu a Tralheira (cama de grelos, alheira e ovo de codorniz estrelado) e o Timbale de 3 Queijos (servido em pãezinhos individuais), eu escolhi o chouriço assado (nunca falha) e a MJ os Cogumelos Recheados com Queijo Alentejano e Cebolada de Presunto. Também ficou acordado que cada petisco viria com 3 unidades (ou múltiplos de 3, se fosse necessário), o que é coisa simples, mas em que poucos estaminés têm o cuidado de pensar – o meu aplauso, também por isso. Para acompanhar, a bela da cerveja, pois claro.

Enquanto esperávamos, fomos trincando o pão (branco, mas bom), molhado no azeite com orégãos, e as azeitonas (muito boas). Entretanto vieram os finos e a stout e, logo depois, o belo do chouriço, cuja assadura é assegurada pelos clientes. E tratámos de o deglutir, que a coisa era mesmo muito boa, num belíssimo equilíbrio entre a carne, o tempero e a gordura necessária ao processo; também o pré-cortaram previamente, pelo que trinchá-lo se revelou extremamente fácil.

Logo depois, veio o Timbale de 3 Queijos que, estando mesmo muito bom, deve ser comido enquanto quente, sob pena de perder metade da graça – mas não há como mergulhar o miolo tostado do pão num recheio de queijo, caramba (para além de que lembro-me sempre de Astérix Entre os Helvécios, quando se trata de queijo derretido).

De seguida, a Tralheira, especialmente boa porque ninguém (eufemismo para nenhuma-de-nós) resiste a ovinhos de codorniz fritos, benzósdeus. Finalmente, os Cogumelos Recheados com Queijo Alentejano dos que sabem mesmo a queijo (do Alentejo, coisa mais boa) e uma cebolada de presunto que tornava a coisa ainda mais deliciosa.

Este foi o momento em que era preciso de decidir se continuaríamos ou não a enfardar – e eu, já se sabe, jogo sempre na mesma equipa: a dos que não têm limites. Mas as minhas amigas acharam que já chegava, pelo que tratei de direcionar as antenas para outra coisa: as sobremesas. A oferta não é enorme e é toda em formato de “shot”, sendo que para mim veio o de Mousse de Nutella com base de Oreo e para a VP o de Requeijão com Doce de Abóbora, Amêndoas e Canela – vêm num formato pequeno, mas suficiente para quem quer apenas matar o desejo de doces, sendo que ambos mereceram aplausos.

E era tempo de zarpar, também porque as 22h00 se aproximavam rapidamente: pagámos pouco mais de 11€ cada uma e adorámos os bons apetites que ali nos proporcionaram – pelo que voltarei, por certo, e não tarda muito.

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Copos & Cusquices | Porto

Morada: Rua do Almada, 426
Localidade: Porto

Telefone: 919 003 366 | 918 911 152
Horário: Ter a Qui – 18:00 às 24:00 | Sex e Sáb – 18:00 às 02:00
Aceitam reservas? Sim

No Zomato
Copos&Cusquices Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
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Michizaki | Braga | Carapaus de Comida

Sabem aquela sensação raríssima de irem a um restaurante onde gostam mesmo de tudo – e até aquilo que, noutros sítios, seria potencial falha a assinalar, passa a ser só uma caraterística? Ora pronto, hoje temos uma posta dessas, para gáudio de quem acha que eu normalmente sou uma chata e uma picuinhas e tenho sempre coisas a apontar – e tenho, mas neste caso são mesmo muito boas.

O Michizaki é uma tasca japonesa, em Braga (ali pretinha da Sé) – e se há gastronomia que me encanta é a nipónica que, obviamente, inclui o sushi e o sashimi, mas não só não se resume (de todo) a estes como, quando os serve, não vai cá em frutinhas nem queijos-creme, nem frituras (embora possa condescender quanto a esta última caraterística). Foi no Shiko que descobri as muitas maravilhas destes sabores e o Michizaki provou-me que pode deixar-me igualmente encantada.

Éramos quatro e marcámos mesa para as 20h – de resto, é algo que aconselho vivamente, porque as mesas estiveram sempre cheias, durante todo o serão. O espaço, sendo pequeno e muito simples, sem aqueles imensos laivos de criatividade decorativa que, hodiernamente, parecem ser requisito essencial para qualquer estaminé (e que eu acho, as mais das vezes, demasiado forçados), é aconchegante e simpático, beneficia das janelas grandes para a rua, tem um balcão onde nos podemos sentar a ver os chefs/sushimen a fazer magia e tem mesas que albergarão umas 20 a 30 pessoas (não contei, estou a tentar não errar muito no cálculo), pelo que não estão longe umas das outras – e, curiosamente, o ambiente é tranquilo, não ouvimos as conversas do lado e o conforto é a nota principal.

Antes de avançar, um destaque para o serviço, que foi exemplar desde o primeiro minuto. Eu sou uma cliente chatinha, das que querem saber coisas (ingredientes, histórias, sei lá) e nunca compreendo por que diabo se considera, ainda, neste país, que qualquer pessoa com bracinhos e perninhas pode servir à mesa – porque não pode. Ou não deveria. Um empregado de mesa tem de ser formado no sentido de saber explicar aos clientes o que estão a comer: como se chama, de que modo é feito, qual a sua história – eu como com muito prazer e gosto muito de conhecer (também) o que como. E aqui, no Michizaki, tudo é explicado como se não percebêssemos nada do assunto – mesmo porque a verdade é que não percebemos.

Assim, soubemos que há uma ementa para cada estação do ano, toda ela com cerca de duas dezenas de pratinhos em formato de petisco (mais sushi e sashimi, em variações diversas), já que a filosofia é a da partilha – e foram-nos aconselhados cerca de 4 itens por pessoa. Absolutamente avassaladas pela carta, aceitámos imediatamente a ideia de nos ser servido o que o Chef bem entendesse – e, nesse caso, só temos de dar conta de algum tipo de intolerância alimentar (ou preferência), para que não haja surpresas. Como eu e a MBC somos de boa boca e a AC e a SF só intoleram coentros (que ali não se usam), foi só dar início ao festim, que não demorou um par de minutos a ser encetado.

Juro que, nesta altura, tinha intenção de apontar o que comíamos, por ordem cronológica, mas depois percebi que tal só me traria dissabores, porque acabaria por perder tempo quando havia ali tanto para desfrutar e, concomitantemente, ninguém quer ler tanto detalhe. Por isso, permitam-me que resuma: começámos com Nigiri de Barbatana de Pregado (nesta altura ainda estava a apontar, bem entendido), que teve duplo (bom) sabor, porque não só foi uma oferta da casa como se tratou do melhor nigiri que alguma vez me foi dado a provar: o arroz é perfeito, com o toque avinagrado certo, e a conjugação de sabores não poderia ser melhor (palmas para o peixe, tão fresco que só lhe faltava estar vivo). Logo depois, aquela que foi, consensualmente, a estrela da noite: os Onigiri são uma espécie de bolinhos de arroz triangulares, recheados com camarão grelhado e maionese japonesa (bem picantes, como se quer) e envoltos numa alga, que permite que comamos tudo à mão – garanto-vos que isto é iguaria dos deuses. Depois, foi um desfilar de 14 pratos (pelas minhas contas) que só mereceram revirares de olhos (que constituem os melhores elogios, quando se está de boca cheia) e uns breves segundos de trocas de impressões entusiásticas, até que nos trouxessem a próxima iguaria – e também nisso o Michizaki é exemplar, porque não houve, jamais, tempos de espera. O sashimi e o sushi servidos também foram do melhor que já comi, os Shitake Batayaki (cogumelos shitake salteados em manteiga e molho de soja) são tão bonitos que até custa comer e, quando se desgustam, são tão bons que apetece bater palmas, como nos concertos – e tudo o mais que nos foi trazido encantou plenamente (incluindo a Sangria de Saké, de que bebemos duas jarras e que nos soube pela vida).

Juro que poderia estar para aqui mais não sei quanto tempo a relatar o bem que tudo nos soube – mas não quero ser mete-nojo, pelo que me resta sugerir que vão ao Michizaki, ó amantes da boa gastronomia japonesa. Não sairíamos sem provar as sobremesas e optámos por duas, que dividimos: a Tempura de Gelado (rolo de gelado de nata em capa de cereais e calda de chocolate) não só é belíssima, encimada por uma grade de caramelo solidificado, como foi a que melhor me soube; o Anmitsu (doce de feijão azuki, gelado de chá verde, frutas da época, gelatina kanten e calda de açúcar mascavado) é coisa mais saudável e, naturalmente, não me caiu tanto no goto, mas reconheço-lhe a categoria.

Nesta altura, apesar de me apetecer ficar ali a morar para sempre, era já tempo de pedir os cafés – e até aqui o serviço se manifestou exemplar: porque demoraram mais do que o normal a trazê-los, ofereceram-nos. E isto é um gesto de cortesia infelizmente raro, mas que vale tudo, sempre. De resto, tenho de aplaudir esta equipa, que é quase uma família, pelos laços de amizade e parentesco que os unem: ao contrário provavelmente da maioria, eu acho que trabalhar com amigos e familiares pode ser péssimo – e aqui mostram-nos que não e que a competência é contagiosa.

Um único reparo: gostaria que todos os petiscos fossem pensados para serem servidos em número exato (ou múltiplos) dos convivas que estão na mesa, para não surgir aquela situação confrangedora de sobrar uma ou duas peças e estar tudo encavacado, a ver quem se atira a ela – não foi o nosso caso, porque nos conhecemos bem, mas poderia ser.

De resto, 32€ por tão bons apetites pareceu-me preço absolutamente justo – e só penso em voltar, para a ementa de Outono. (Nota: ao almoço, o Michizaki disponibiliza as chamadas Bento Boxes, em três versões: a vegetariana, a de carne e a de sushi, sendo que todas incluem sopa miso, e água ou chá.)

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Michizaki | Braga

Morada: R. Dom Frei Caetano Brandão 169
Localidade: Braga

Telefone: 253 086 587
Horário: Ter a Qui – 12:30 às 14:30 e 19:30 – 23:00 | Sex e Sáb – 12:30 às 14:30 e 19:30 – 24:00
Aceitam reservas? Sim

Data da Visita: 7 de Julho de 2017

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Tasquinha d'Alice | Bobal, Mondim de Basto | Carapaus de Comida

Creio que seria difícil ter ido parar a este estaminé, sito algures em Mondim de Basto, não fora gente da terra (ou dali de perto, Vila Real) ter ali reservado mesa: iríamos fazer um percurso pelo Trilho das Figas de Ermelo (que eu já conhecia, mas a que é sempre bom regressar) e, porque haveria gente que só se nos juntaria a meio (a primeira parte não é aconselhável a quem, não estiver numa forma física razoável), achou-se por bem repor energias a meio. Assim, começámos em Ermelo e percorremos os cerca de 6kms (sempre a subir) até Varzigueto, onde se nos juntaram os elementos da tarde (sobretudo, pais com crianças – ainda que eu considere que mesmo a segunda parte do percurso não seja propriamente para levar miudagem pequena), que nos deram boleia até à Tasca da Alice, em Bobal (a cerca de 10 minutos, de carro).

Uma vez chegados, e depois de alguns nos perdermos a tirar fotografias aos vários elementos de decoração que revestem o pátio e as paredes, aguardava-nos, numa das duas salas (a primeira, parece ser mais usada como café/petiscaria) uma mesa em L, para 21 adultos e meia dúzia de infantes: o menu havia sido previamente definido e só tivemos de escolher os vinhos, sendo que a maioria optou pelo verde branco (da casa, sem rótulo, e bem aprazível), alguns pelo maduro tinto e uma pequena minoria pelo maduro branco. Também houve, obviamente, lugar a água e refrigerantes para quem os quis (e vínhamos todos sequiosos). De resto, é importante de referir que esta Tasquinha só serve pratos por encomenda (e para grupos a partir de 6 pessoas); se aparecermos sem reservar, há direito a petiscos – e, quanto a mim, ficamos mesmo muito bem servidos, sobretudo com eles.

Depois de sentados, e para fazer companhia ao pão que já nos aguardava (a broa era uma coisa de sonho!), os petiscos começaram a cair-nos à frente: o serviço, muito heterogéneo, era despachado (havia um funcionário bastante cordial, e um outro, mais novo, cuja antipatia e enfado eram flagrantes), e nunca estivemos muito tempo em espera.

Assim, vieram azeitonas negras e carnudas (de que comi infinitamente), pratos com salpicão e presunto (deliciosos), pataniscas de bacalhau (sem salsa nem cebola, que adoro e julgava imprescindíveis – e muito boas, estaladiças e carregadinhas de bacalhau) e pratos de enchidos grelhados (alheira e chouriço de sangue, ambos muitíssimo saborosos e tostadinhos), estes já a acompanhar o prato principal: arroz de feijão e carne de porco em vinha d’alhos.

Estava tudo bom e saboroso, embora nada me tenha marcado de tal forma que me apeteça voltar já para a semana – ainda assim, gostaria de ter provado os pratos mais típicos que a casa oferece, nomeadamente os ossos de assuã ou a vitela maronesa, mas já se sabe que em almoços de grupo desta magnitude nem tudo funciona às mil maravilhas.

A conta saldou-se em 13€ certos, o que só parece excessivo porque os 21 adultos pagaram o almoço das 6 crianças (que são menores, mas também comem, não nos iludamos) – mas comemos muito bem, de tal modo que a caminhada depois do almoço foi bastante mais custosa.

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Tasquinha d’Alice | Bobal, Mondim de Basto

Morada: Bobal, Mondim de Basto
Localidade: Vila Real

Telefone: 255 381 381
Horário: ND
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Nook Hamburgueria & Pregaria | Porto | Carapaus de Comida

Embora tenha sido uma decisão espontânea, não posso afirmar que não tenha sido pensada uma dúzia de vezes: quase todos os dias fico parada no semáforo da Avenida da Boavista, frente ao Nook e, desde que dei pela sua existência, penso em ir conhecer esta hamburgueria e pregaria, já que fica tão próxima do meu local de trabalho – ainda assim, ir a pé levaria muito tempo, o que é um inconveniente, por não ser de todo fácil estacionar ali nas redondezas (consegui lugar na São João de Brito mas já quase no cruzamento oposto).

Quando cheguei, num dia em que não combinara almoço com qualquer colega e a ocasião o proporcionou, já passaria um bom quarto de hora das 13h e o espaço encontrava-se praticamente lotado: aliás, grupos maiores (o que não era difícil, já que fui sozinha) tinham de aguardar até que uma mesa que os pudesse acolher fosse libertada – o que é de relevo, se pensarmos que o Nook não fica propriamente numa zona turística ou de passeio, para além de que tem uma boa área (levará umas 30 a 40 pessoas, se o meu cálculo retroativo não me falha) e, em dias bons, uma esplanada cá fora que alberga mais doze clientes.

A sala é mais interessante do que imaginava de fora, e tem alguns elementos singulares, que lhe outorgam carisma: não posso deixar de nomear a placa indicadora dos lavabos como uma das mais giras que vi até hoje. A sensação principal é a de contemporaneidade (as paredes, em cimento, dão-lhe o ar minimalista, despojado e quase industrial, tão em voga), conjugada com apontamentos que tornam tudo mais aconchegante, como sendo o balcão de madeira ou as molduras de talha dourada ou os individuais, na mesa, aos quadrados de cores vivas.

Uma vez sentada (foi-me indicada uma das mesas pequenas junto à janela/montra, o que apreciei), rapidamente me foi trazida a ementa por uma das funcionárias (reparei que, ao menos naquele dia e àquela hora, a equipa de sala era constituída apenas de mulheres) – e a tarefa não foi fácil: estando sozinha, queria escolher algo de verdadeiramente emblemático. Há hambúrgueres (treze, com três opções vegetarianas e uma de frango), pregos (sete), saladas (três), a sopa do dia e um menu de criança. Acabei por achar que, dada a prevalência, deveria escolher de entre a oferta de hambúrgueres e, assente na mesma ótica, optei pelo que dá nome à casa – acho sempre que uma boa chafarica jamais escolherá como homónimo um prato que seja menos do que espetacular.

Enquanto esperava pelo meu Nook (hambúrguer, alface, tomate grelhado, cebola caramelizada, queijo de cabra, cogumelos salteados e molho barbecue), foi-me trazido o chá frio de manga e pêssego (sem açúcar) que pedira e, para ir picando, o paté de atum com pão e tostinhas caseiras, de que gostei particularmente porque não era de todo enjoativo (pareceu-me ter um nadinha de pickles picados, como eu gosto).

O hambúrguer chegou ainda não havia terminado o paté – o que faz do Nook um estaminé com timings perfeitos, para quem tem tempo contado para almoçar (categoria a que pertence, parecendo que não, a grande maioria dos comuns mortais). Fiquei muito agradada, desde logo, com o aspeto: as batatas pareciam as que a minha mãe fazia quando éramos miúdos (claramente desiguais, caseiras e clarinhas) e o hambúrguer era alto e com os ingredientes todos visíveis, que é coisa que aprecio deveras. Concomitantemente, os sabores distinguiam-se todos: a carne suculenta, a fatia de queijo de cabra de grossura assinalável (e como eu gosto de queijo), os cogumelos gordos e saborosos, a cebola bem caramelizada.

Evidentemente, tudo isto vem com talheres, porque seria impossível degustar uma torre desta magnitude sem passar um vergonhão (o que me parece evidente, mas há restaurantes que parecem não entender).

Gostei mesmo muito do Nook, sobretudo porque, mesmo com o couvert, a conta em pouco ultrapassou os 10€, pelo que me parece que será estaminé a que regressarei, mesmo pela conveniência da proximidade com o sítio onde labuto e, sobretudo, porque cada vez mais aprecio serviços simultaneamente afáveis e competentes, que só incrementam os bons apetites.

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Nook Hamburgueria & Pregaria | Porto

Morada: Rua S. João de Brito, 32
Localidade: Porto

Telefone: 220 124 895
Horário: Seg a Sáb – 12:00 às 22:45
Aceitam reservas? Sim

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Backson's Fine Burgers and Mussels | Hamburgueria | Porto | Carapaus de Comida

Este estaminé ficara-me marcado na retina mal vi uma publicação patrocinada a seu respeito, no meu feed de Facebook: adoro mexilhões à belga (servidos com batata frita), tal como já disse noutra publicação onde me deliciei com eles, sendo que, no presente caso, a ementa parecia ser mais abrangente, na medida em que oferecia os moluscos mas também hambúrgueres – o que chega a uma clientela mais vasta.

A porta, sita nas arcadas da Rua de Miragaia, convida a entrar: as mesas da pequena esplanada, os dizeres e as flores são de quem gosta de bem receber. Uma vez lá dentro, a primeira coisa que salta à vista é o granito e os pilares unidos por arcadas, tão tipicamente portuenses – aconchega perceber que houve preocupação em manter o espaço, acrescentando-lhe pormenores únicos, como as garrafas de vinho que pendem do teto, junto à parede, presas por uma corda, ou o placard onde consta a password para a internet (“biboportocarago”), a melhor de todas as chafaricas que este Cardume já visitou.

A ementa é tão variada como o nome sugere – e não vou mentir que me causou alguma espécie que este estaminé se propusesse a servir coisas tão diferentes como mexilhões e hambúrgueres, para além de entradas tão diversas que só sob a égide da cozinha internacional fazem sentido; a razão do meu temor prende-se com o facto de eu achar que a dispersão pode ser inimiga da qualidade, enquanto que a especialização tende a ser meio caminho andado para o sucesso – mas não há como experimentar para julgar. Vai daí, decidimos ir com a maré e pedimos: Guacamole Com Nachos para entrada, o Backson’s Ultra Burger (hambúrguer da casa com cheddar, bacon, ovo estrelado, cebola frita, alface, tomate e molho caseiro, servido com batatas fritas) para a MAA e os Mexilhões Meunière (600g de mexilhões com vinho branco, nata e alho francês, acompanhados com batatas fritas e molho branco) para mim.

Enquanto esperávamos, pedimos as bebidas: queríamos cerveja de pressão mas a funcionária que nos estava a atender era nova (de resto, era o seu primeiro dia de trabalho) e não fazia ideia de havia ou não – o que me pareceu estranho, porque é informação básica. Veio aquele que julgo ser o dono explicar que havia, sim, cerveja de pressão, mas artesanal, pelo que acabámos por escolher uma pilsener (em formato de fino) e uma ruivinha (em formato de pint), sendo que a primeira agradou, mas a segunda nem por isso: achei-a demasiado agreste e amarga e bebi pouco mais de metade (mais valia ter pedido um fino).

O guacamole, não sendo dos melhores que já comi (prefiro-o com pedacinhos de cebola e tomate), estava muito bom, embora creia que a quantidade de nachos que o acompanham não é proporcional e peca por defeito. Os pratos principais chegaram logo depois e estavam ambos belíssimos: o hambúrguer veio muito bem-apresentado e a carne é saborosa e suculenta, e os mexilhões eram gordos e tenros. O único defeito a apontar não é menor: as batatas fritas são das pré-fritas e este é um requisito que, quanto a mim, pode influenciar toda a minha apreciação de qualquer estaminé – pelo que deve ser revisto pelos responsáveis.

Para encerrar hostilidades, para além de fruta (que jamais escolho como sobremesa), havia um bolo brigadeiro designado de Sublime de Chocolate a que não consegui resistir e que estava especialmente bom: tendo a achar que a maioria dos bolos de brigadeiro são apenas uma reles imitação, mas este sabia de facto a cacau, era húmido e muito fresco, pelo que mereceu o meu aplauso.

Os bons apetites são um facto, nesta casa em Miragaia plantada – e ficou a vontade de  regressar para experimentar os hambúrgueres gigantes e os mexilhões de cerveja.

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Backson’s Fine Burgers and Mussels | Porto

Morada: Rua de Miragaia, 54
Localidade: Porto

Telefone: 223 196 911
Horário: Seg a Sáb – 12:00 às 23:00 | Dom – 12:00 às 18:00
Aceitam reservas? Sim

No Zomato
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Boulevard Burger House | Porto | Carapaus de Comida

Já tinha lido coisas bem simpáticas acerca desta hamburgueria que se assume de inspiração norte-americana, mas confesso que a sua localização tinha sido o fator que me impedira de a visitar – não que não goste da zona, entre a Maternidade Júlio Dinis e a Rua D. Manuel II, ali perto de Miguel Bombarda e de outros estaminés bem interessantes, mas tenho de lá ir de propósito, o que ainda não sucedera, sobretudo porque o estacionamento pode ser um pesadelo.

Mas acontece que era dia de uma visita histórica pela cidade, sendo que o seu término foi à porta dos jardins do Palácio de Cristal, pelo que se tratou de passar praticamente à porta da Boulevard Burger House, quando foi hora de regressar ao local onde tinha deixado o carro, mais para a Baixa – e achei que não poderia deixar escapar a oportunidade, mesmo não tendo feito reserva. Felizmente, não eram ainda 13h de um sábado e facilmente arranjámos mesa, sendo que o espaço, relativamente pequeno, mas com mesas de tamanho diverso (há inclusivamente uma a pensar em jantares de grupo, onde caberão 8 pessoas), nunca chegou a encher.

A decoração sóbria revela uma inspiração mista, entre os diners norte-americanos e pormenores que homenageiam o Porto, como o painel pintado, ao fundo. O pé-direito alto dá ao local um ar arejado e despojado, que me agrada pelo minimalismo nada assoberbante, com uns poucos apontamentos que lhe conferem caráter e originalidade. O balcão, embora de grandes dimensões, está recuado, como se não quisesse roubar protagonismo à sala, e as montras que dão para a rua fornecem toda a luz necessária, durante o dia (de noite, imagino que os candeeiros de teto, com abajours vermelhos, deem um toque giro).

Uma vez instaladas, tratámos de escolher o que haveríamos de degustar, sendo que não levávamos qualquer recomendação. Passámos a parte das entradas (embora me apetecesse as Onion Rings e as Bufallo Wings), com receio de que fosse comida a mais (eu tinha uma atividade física marcada, dali a horas), e quedámo-nos por dois hambúrgueres, sendo que todos são anunciados como vindo acompanhados de batata frita; podemos escolher o tipo de pão, entre pão-brioche (tipicamente americano) e pão de centeio com sementes, sendo que foi este o selecionado. Também poderíamos pedir que fosse servido no prato, mas acho sempre que a mística se perde, assim. Para beber, dois fininhos, pois claro, que ali são Super Bock (eu gosto de saber estas coisas, por isso as partilho, também).

Escolhemos o Bacon (carne de novilho, queijo cheddar, bacon, cebola caramelizada, alface, maionese e tomate) e o Setas (carne de novilho, queijo cheddar vermelho, tomate grelhado, bacon grelhado, setas, cebola crocante, azeite e alho) e ambos estavam mesmo muito bons, embora o primeiro viesse ainda mais loucamente recheado: são hambúrgueres altos, cheios de coisas, e confesso ter recorrido aos talheres disponibilizados, para não dar um espetáculo triste – mas são perfeitamente possíveis de comer com a mão.

Não posso, contudo deixar de dizer que o que mais me surpreendeu foi as batatas fritas aos palitos, ainda com casca e de soberbo sabor; como se não bastasse, a simpática funcionária (exemplar, devo dizer: não sou servida com tanta delicadeza e educação em sítios onde se cobra muito mais por um almoço) ofereceu-se para trazer as duas maioneses que a Boulevard Burger House disponibiliza, e a coisa ficou ainda melhor – não sei dizer se foi a de alho se a de manjericão que mais me agradou, mas garanto que ambas sabem a caseiro e são deliciosas.

Nesta altura, estava já muito bem impressionada: a comida é muito boa, o serviço é fantástico e já viria embora feliz – mas havia ainda um golpe final: os doces. Confesso que tive dificuldade em escolher, porque gosto muito das típicas sobremesas norte-americanas. Escolhida que estava a Apple Pie para a outra metade, estive muito indecisa entre o New York Cheesecake (de forno, como deve ser, e não como os semifrios que por aí se servem, alguns dos quais sem ponta de queijo) e o Brownie de Chocolate; pedi ajuda ao outro funcionário (igualmente gentil e competente) e, pela descrição dele, acabei por escolher o brownie, que foi descrito como estando “muito guloso”, nesta sua última formulação – e eu adoro casas que não deixa, de procurar melhorar os pratos que servem.

Bom, o que aí veio foi um deleite para os sentidos de quem não tem medo de coisas doces: a Apple Pie, alta e com passas, estava deliciosa, mas o Brownie… agarrem-me para não voltar lá tão cedo, só por causa dele: não é denso nem demasiado achocolatado, inclina-se um bocadinho para o caramelo, tem pedacinhos de suspiro e é de agradecer aos deuses das gentes gulosas. O meu veio com uma bola de gelado, também bom, de frutos vermelhos (sabor que nunca peço), mas passaria bem só com o bolo.

No final, os 15€ por estômago soaram-nos a mais do que justos, numa casa que nos proporcionou tão bons apetites. De referir, ainda, que ao almoço, durante a semana, há menus que tornam a refeição mais barata.

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Boulevard Burger House | Porto

Morada: Rua Adolfo Casais Monteiro, 17
Localidade: Porto

Telefone: 226 000 570
Horário: Seg a Qui – 12:00 às 22:30 | Sex e Sáb – 12:00 às 24:00
Aceitam reservas? Sim

No Zomato
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Champ's da Baixa Bistrô | Brunch | Porto

Era tempo de mais uma refeição mensal das Fab Four (desta feita transformadas em Fab Five) e decidimos que seria um brunch (porque foi assim que a tradição começou): a AC havia lido qualquer coisa de bom sobre o brunch em regime de buffet desta Champanheria da Baixa Bistrô (misteriosamente intitulada de Champ’s da Baixa, nalgumas publicações, o que imagino que se prenda com a existência prévia de outro estaminé com nome surpreendentemente parecido), procedeu à marcação com antecedência e, no dia e hora marcados, lá estávamos nós.

Ora a coisa começou mal, logo nessa altura: aquando da reserva, não deixaram que agendássemos para as 13h porque teriam “um grupo muito grande a essa hora” – o que nos pareceu bem, sobretudo depois de termos chegado e verificado o tamanho da mesa com o buffet: tratando-se de self service e sendo incomportável que mais do que quatro ou cinco pessoas se servissem ao mesmo tempo, seria muito frustrante estar ali sem podermos chegar à comida. Marcáramos, por isso, para as 13h30; qual não é o nosso espanto, portanto, quando entramos e nem grupo grande nem sinal da nossa reserva. Claramente alguém se enganara redondamente na data – o que foi de alguma forma mitigado porque nos arranjaram mesa, mas a verdade é que poderíamos ter começado mais cedo, evitando a confusão que começou a gerar-se a partir das 14h.

O espaço, para mim, é mítico: ali funcionou, durante a minha adolescência e princípio da adultez, a Maluka – célebre loja onde enfeirei muita calça de ganga e um ou outro par de texanas. Nunca imaginei que aquilo desse um bom restaurante – e, afinal, não-imaginei muitíssimo bem: ainda que, de fora, as janelas grandes e redondas (e a esplanada) deem muito charme à coisa, a parte de dentro, com um primeiro andar em sacada, é escura e sombria (como aferirão pelas fotografias anexas), ao que não ajudou o dia cinzento. Gosto da árvore que “nasce” de dentro do bar, a meio da sala, mas não do ínfimo) espaço entre meses e, sobretudo, de haver uma mesa colada àquela onde devemos servir-nos – é tudo pouco prático, apesar da decoração de bom gosto e da pequena zona de sofás, para quem aguarda por mesa.

Uma vez sentadas, tratámos de nos fazer à vida, porque somos gente desenrascada – e os funcionários devem ter-nos tirado imediatamente a pinta porque nenhum nos explicou o modo de funcionamento do brunch. Pelos menus deixados em cima da mesa e pela experiência anterior da IFM, confirmámos o self service e a possibilidade de podermos mandar vir um prato quente, entre a oferta de ovos (omeleta com ervas, ovos mexidos, ovos Benedict, ovos Clementine, omeleta de bacon e ovos estrelados com bacon) e de panquecas (com açúcar e canela, com mel e nozes, com natas e frutos vermelhos e com Nutella).

Era tempo, portanto, de aproveitar que a mesa de buffet parecia ainda intocada, e fomos servir-nos. Tudo ali tem belíssimo aspeto: as cores são lindas e há um ou outro prato que não é comum ver-se noutros espaços – ainda assim, para um restaurante daquela dimensão, teria de haver, pelo menos, mesa similar no andar de cima ou, então, no ponto oposto, atrás do bar, para assegurar que os clientes não se atropelam. Para além disso, parece que é comum as reposições demorarem imensamente, pelo que não me fiz rogada: enchi dois pratos em vez de um, para prevenir a maçada de ter de esperar, quando me levantasse outra vez.

Creio que provei um bocadinho de tudo (exceção feita para os fiambres e enchidos, que raramente como fora de casa, nem eu mesma sei porquê) e gostei particularmente da seleção de pão, que sinto ser, em certa medida, descurada pelos brunches da Invicta (ao menos os que conheço): pão é um dos meus alimentos preferidos e ver que este estaminé lhe dá protagonista, oferecendo-o fresquíssimo e de muitos tipos, merece o meu aplauso. Para o acompanhar, havia, para além de queijos vários e carnes frias, manteiga numas minitacinhas (que eram tão poucas que nem percebemos se as podíamos trazer para a mesa) e compotas. Também havia uma torradeira à disposição, mas eu, que acho sacrílego tostar pão fresco, nem lhe toquei. Um aplauso também para os croissants, de tipo francês e fantásticos em termos de frescura, sabor e ausência de gordura em excesso. Gostei muito de ali ver arrufadas, que me remetem para a infância: são raras neste tipo de oferta e eram especialmente boas.

Provei também uma tentativa de iogurte+granola+compota servidos em copos de shot – o que não funcionou de todo porque o talher não conseguia chegar ao fundo – e não gostei nadinha: a granola era mole e demasiado doce (não me pareceu, de todo, caseira) e o iogurte demasiado açucarado.

Depois, havia mais frios e folhados, sendo que destes tenho de destacar os tomates recheados (muitíssimo bons) e as mini-quiches (bem saborosas). Não gostei de uma espécie de roscas de bacon, porque a massa folhada estava dura e sem graça – este foi, sem dúvida, o item menos bom de toda a experiência. Como saladas, não havia grande diversidade, mas sempre degustei uma de tomate com mozarela e manjericão (mistura que nunca falha), outra de beterraba com queijo de cabra e uma outra, de massa – nenhuma me encheu as medidas, mas gostei da sua presença.

Entretanto, lá chamámos alguém para pedir os quentes: perante a minha pergunta de o que eram exatamente ovos Clementine, o funcionário que nos calhou na rifa respondeu com um sábio “são ovos com molho Clementine”. Obviamente, porque sou torcida, perguntei o que era exatamente isso – e, ainda assim, atirou-me “ah, mas quer mesmo saber o que é o molho?”. Respondi que com certeza – e lá teve o desgraçado de ir à cozinha, o que estava a tentar evitar desde início. Não foi para chatear (embora possa ter parecido) mas acabámos por pedir quatro Benedicts e umas Panquecas com natas e frutos vermelhos – e tudo foi aplaudido (menos o desconhecimento do empregado e respetiva tentativa de camuflagem).

A acompanhar tudo isto, tínhamos à disposição chá frio, limonada, sumo de laranja (estes à discrição) ou sangria de espumante e vinho (2 copos por pessoa) ou ainda uma flute de espumante: eu fui na sangria, de que me servi a meu bel prazer, na ausência dos funcionários – não ultrapassei os dois copos, e poderia tê-lo feito, só porque aquilo parecia um suminho fracote, não tinha qualquer personalidade. Mas aplaudo a existência de opções com álcool, que nem todos os brunches têm. Também é possível pedir café com leite.

As sobremesas constavam também da mesma mesa e havia algumas coisas boas: os quadradinhos de brownie estavam um sonho, os morangos com natas (pouco doces) também, e uma espécie de queques com recheio de natas e morango apresentaram-se com muito sucesso – o que encerrou muitíssimo bem a experiência, finalizada com um café.

Se acho os 22,50€ excessivos para a oferta? Acho. A concorrência, mesmo ali ao lado, oferece similar e é bem mais barata. Mas a qualidade do que se come é indiscutível e acho que vale a pena a visita – embora não seja sítio onde tencione regressar, pelo valor inflacionado.

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Champ’s da Baixa Bistrô | Porto

Morada: Rua de Sá da Bandeira, 467
Localidade: Porto

Telefone: 223 235 254
Horário: Seg a Qui – 12:00 às 01:00 | Sex e Sáb – 12:00 às 02:00 | Dom – 12:00 às 24:00
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Hamburgueria do Mercado da Foz | Porto | Carapaus de Comida

Há já algum tempo que andava para ir experimentar os estaminés mais ou menos recentes do Mercado da Foz, que coexistem com um punhado de bancas que vendem frutas, legumes e flores. Afinal, trabalho a dois passos e é sempre uma boa alternativa à mesmice da cantina ou à marmita no gabinete, quando se trata de almoçar por lá – pelo menos quando temos uma amiga que vem ter connosco ou em dias de festa, já que comer hambúrgueres e cachorros todos os dias não é propriamente o meu sonho.

Marcado que estava o almoço com a CP, encontrámo-nos à porta do Mercado, que está em obras, e, depois de uma voltinha (pequenina, porque este espaço é bem pequeno), decidimo-nos pela Hamburgueria do Mercado da Foz, o primeiro estabelecimento, à esquerda – onde, de resto, encontrei uma série de gente conhecida, já que este espaço é muito frequentado por estudantes da vizinhança, seja da Universidade Católica ou dos colégios e escolas das redondezas. De resto, há ali o cuidado de oferecer um Menu Estudante que, por menos de 5€, dispõe de um hambúrguer, limonada e batata frita.

Não usufruindo nós do estatuto de estudante (ao menos o tradicional, já que, se quisesse bater o pé, a condição de doutoranda permitir-me-ia usufruir de descontos em todo o lado em que não se institui também uma idade máxima para a “profissão”), tratámos de olhar para a ementa, que apresenta 8 tipos de hambúrgueres de carne de vaca, uma opção vegetariana (de cogumelos), uma de peito de frango panado e um prego no pão. Todos os itens incluem batata frita, mas somente os hambúrgueres mais simples (o Mercado e o Castelo do Queijo) oferecem também a bebida.

Absolutamente assoberbadas pelas opções, não tanto porque sejam muitas, mas porque nos parecem todas demasiado parecidas, pedimos conselho ao funcionário (seria gerente ou dono? Fiquei com essa sensação, mas não posso jurar) que nos atendeu, que era de uma educação, disponibilidade e paciência louváveis (logo depois de nós, entraram na divisão de pré-pagamento meia dúzia de rapazinhos de um colégio vizinho, animados e barulhentos, que foram tratados como velhos amigos e clientes – que provavelmente até serão). Foram-nos recomendados dois, o Boavista (pão brioche com sementes de sésamo, hambúrguer de novilho, alface iceberg, ketchup, maionese de alho, queijo das ilhas e ovo) e o Tripeiro (pão brioche com sementes de sésamo, hambúrguer de novilho, alface iceberg, molho barbecue, queijo flamengo e linguiça pincante); porque a ênfase recaiu sobretudo no primeiro, com a sugestão de substituirmos o ketchup por compota de cebola, comprámos imediatamente a ideia.

Não nos foi referido porquê e quais são as circunstâncias, mas cada hambúrguer tem uma versão Slim e uma XL, sendo que nos foi vendida a primeira – e bem, porque não imagino o tamanho descumunal da outra, que custaria mais 1€. Simpaticamente, foram-nos oferecidas as bebidas, por ser a nossa estreia na Hamburgueria, o que considero um ato que merece aplauso, pela amabilidade, mas também um ato digno de um verdadeiro marketeer, o que vale a minha ovação. Uma vez pagas as refeições, que ficaram por 6,35€ a cada uma de nós (pagámos apenas o hambúrguer e o café, já que as batatas vêm incluídas e as limonadas foram oferecidas), sentámo-nos numa mesa ali perto, já que dentro do mini-estaminé só existem dois ou três lugares, ao balcão.

As cadeiras são de ripas, com pés de metal, tal como as cadeiras – o que faz destas uma coisa um nadinha desconfortável e daquelas uma base muitíssimo instável, o que levou a que uma das nossas limonadas fosse entornada ainda mal nos sentáramos. E eu percebo que a ideia seja recolher o material quando se fecha o tasco e que a malta coma depressinha e se ponha a andar, mas, ainda assim, não faria mal apostar mais na qualidade da mobília.

Uma vez chegados os hambúrgueres, depressa concordámos num ponto: o pão, designado de “brioche com sementes de sésamo” é too much, o que o nome já adianta. É coisa quase doce e tem demasiado miolo, o que me incomoda sempre – e este é, para mim, o ponto menos bom do que ali se come, embora também não tenha gostado muito das batatas, que são meio sensaboronas e sem graça. Já o recheio do hambúrguer é coisa boa: os sabores são bem conjugados, o ovo é frito como deve ser e sabe a ovo (o que pode parecer redundante, mas não: há sítios onde o ovo parece plástico) e a carne é mesmo muito boa. Não é fácil comermos sem que corramos o risco de nos sujarmos todas (embora eu tenha conseguido essa proeza) e, sobretudo o ovo é um perigo – mas no fim sobrevivemos.

Em conclusão, a Hamburgueria do Mercado da Foz não é a primeira cozinha do género que recomendaria a quem me pedisse conselho sobre as melhores hamburguerias do Porto, mas não está nada mal e é simpático tê-la como vizinha.

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Hamburgueria do Mercado da Foz | Porto/strong>

Morada: Mercado da Foz, Rua de Diu, Loja 1
Localidade: Porto

Telefone: 967 150 060
Horário: Ter a Sex – 10:00 às 19:00 | Seg e Sáb – 10:00 às 14:00
Aceitam reservas? Sim

No Zomato
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DeCastro Gaia | Vila Nova de Gaia | Carapaus de Comida

Foi a convite da Zomato que fomos conhecer o DeCastro Gaia, um restaurante situado no terceiro piso do edifício Porto Cruz, mesmo ali no Cais de Gaia – que raramente elejo como destino, pela grande afluência de turistas e locais, o que torna complicado sobretudo o estacionamento. A ideia, promovida pelo restaurante, era a de dar a conhecer o espaço e a oferta gastronómica e vinícola a alguns bloggers e foodies da cidade, por forma a transformar-nos em veículos de comunicação – o que é sempre uma boa medida. Evidentemente, fazemos questão de clarificar que se tratou de um convite, porque a experiência nunca é tão realista como aquela que teríamos, se lá fôssemos por nossa conta e risco (a começar pela ausência de conta para pagar, não tenhamos ilusões, e a terminar na quantidade de pratos provados).

Seríamos cerca de vinte pessoas e, depois de um belíssimo Porto (eu não sou de todo fã da beberagem, mas soube-me muito bem), houve lugar a uma visita guiada pelo edifício Porto Cruz (um espaço belíssimo, quer por dentro quer por fora), a cargo do gerente do espaço. Os vários pisos oferecem diferentes espaços, com múltiplos objetivos: começámos pelo terraço, no quarto piso, de que naquele dia, graças a um tempo menos simpáticos, não pudemos usufruir na sua plenitude, mas que aposto ser divino em dias de sol, sobretudo ao fim da tarde (a vista para o rio e para o Porto é soberba); depois, no rés-do-chão, há uma loja direccionada para as compras turísticas (vinhos da casa e outros produtos nacionais, como compotas e outras delicatessen); também há uma sala que oferece pequenos filmes, em vários línguas, sobre o douro e os vinhos, assim como um auditório para grupos médios e salas de provas de vinhos (e de refeições para grupos). De resto, quanto a este último ponto, apraz-me saber que se organizam provas de vinhos para grupos de um mínimo de meia dúzia de pessoas, com direito a uns queijos e tudo, pela simpática quantia de 7,50€.

Depois do périplo que nos permitiu conhecer, até, a interpretação de alguns estilistas portugueses do conceito “mulher de negro”, a imagem da empresa Porto Cruz (e logo no rés-do-chão está um modelito de Ana Salazar que vestiria sem hesitar), era tempo de passarmos aos comeres e aos beberes – afinal, o que ali nos levara. E tivemos a sorte de, naquele dia, o DeCastro estar a receber a visita de uma delegação do Governo Regional dos Açores, que lhes levou o primeiro de muitos queijos São Jorge que ali morarão, diariamente, numa parceria que esta amante de queijos adora. Houve lugar a prova, que incluiu umas compotas absolutamente deliciosas, também.

Uma vez sentados, foi-nos apresentado o intuito do menu (à base de petiscos, para que pudéssemos experienciar o máximo de sabores), bem como a filosofia da empresa Porto Cruz, sobretudo no que toca aos vinhos, pela voz do seu responsável máximo, Jorge dias. A partir daí, foi um festim para os sentidos, desde logo a começar pelo couvert, que incluía uma pasta de tomate muito saborosa, um paté de fígado gostoso (nunca o pediria, mas não pude deixar de o provar) e um pratinho de azeite, acompanhados por três tipos de pão do bom. Logo depois, (re)começámos pelos peixes e, nessa categoria, tivemos: Filete de Cavala Fumado com Puré de Batata Doce, Rúcula e Pickle de Cebolaroxa (fantástica abertura); Lascas de Bacalhau Confitado com Escabeche de Cebola e vinho do Porto, Emulsão de Bacalhau e Azeite e Agrião (que até eu, que não sou apreciadora de bacalhau, gostei, sobretudo porque tínhamos o peixe muitíssimo bem demolhado); e Polvo com Maionese de Alhada (sendo que este foi o meu eleito, sobretudo pelo modo como estava cozinhado: ligeiramente crocante por fora e singularmente macio por dentro).

Depois, numa espécie de intervalo, vieram umas Trouxas de Queijo das Beiras e Mel (em massa filo, com salada), que estavam tão boas que não resisti a comer a minha e a da conviva do lado, que não gostava de queijo. Para limpar o palato, foi-nos oferecido uma bola de Gelado de Limão com Porto Branco e Rosmaninho, que não achei que estivesse bem conseguido, dada a função a que se destinava; já como sobremesa funcionaria, porque era doce o suficiente.

E era tempo de passar a mais uma ronda, desta feita a das carnes, ainda que alguns dos comensais apresentassem já sinais de pedido de tréguas – não era o meu caso, não temeis: enquanto houver comida, esta vossa criada tratará do assunto. O primeiro prato não era propriamente de carnes, mas aqui vai: os Espargos Biológicos com Ovo Cozido a Baixa Temperatura e Queijo da Ilha estavam boníssimos, ainda que a RV, a nossa especialista em culinária (e não estou de todo a ser irónica, ela sabe do que fala), tenha achado que o ponto do ovo não estava exactamente como deveria; depois, veio a Morcela da Beira com Maçã e Cebola Caramelizada – e eu, que nem gosto de morcela (é das poucas coisas que normalmente não como), lambi os beiços, de tão saborosa que estava; finalmente, uns nacos de Vitela Maronesa com Molho à Portuguesa, servidos com Açorda de Cogumelos e Enchidos – e se a carne estava satisfatória, a açorda configurou-se, para mim, a melhor das surpresas da noite.

Nesta altura, até eu já me sentia ligeiramente cheia, mas dizer que não à sobremesa constitui  pecado capital, no meu livro de regras de conduta, pelo que foi com entusiasmo que abracei o pratinho que trazia Bolo de Chocolate sem Farinha com Praliné de Avelã (o bolo faz lembrar o da Ribeiro e não é bem o meu género, o praliné era coisa dos deuses) e Toucinho do Céu (dos melhores que já me foram dados a provar) com Gelado de Porto Tawny 10 ano, de que não gostei particularmente, porque não gosto de gelado com este sabor. A título de curiosidade, o Toucinho costuma ser servido com gelado de framboesa.

Não referi, mas toda a refeição foi sendo acompanhada por diferentes vinhos: primeiro, Porto d’Alva 10 anos, depois um branco monocasta, um branco blend (o meu preferido, de toda a refeição), um tinto blend (idealizado pelo Chefe Miguel Castro Silva)e outra vez Porto, para encerrar, ao que se seguiu o cafezinho da ordem (descafeinado para mim).

Esta seria a altura de ficar à conversa, a desmoer o magnífico repasto, mas o facto de estarmos a meio da semana não o permitiu, infelizmente. Ainda assim, viemos com a memória de um serão gastronómico belíssimo (que gradecemos, tanto à Zomato quando ao DeCastro), e a certeza de que o DeCastro é o sítio ideal para levar os amigos que nos visitam na Invicta, e para regressarmos, num fim de tarde soalheiro, para reviver os bons apetites e as boas vistas.

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DeCastro Gaia | Vila Nova de Gaia

Morada: Largo Miguel Bombarda, 23, Cais de Gaia
Localidade: Vila Nova de Gaia

Telefone: 910 553 559 | 220 925 401
Horário: Ter a Sáb – 12:30 às 16:00 e 19:30 às 23:00 | Dom – 12:30 às 16:00
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