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Percebes - Tasco do Mar | Marisco | Famalicão | Carapaus de Comida

Quando a SC o sugeriu, a primeira reação foi de surpresa arraçada de desconfiança: que diabo, então íamos marcar um dos nossos jantares (mensais) para Vila Nova de Famalicão, a 30 quilómetros da costa (primeiro tinha escrito 50, não só porque sou péssima a calcular distâncias mas sobretudo porque gosto de drama, mas a coisa não funcionou), quando o menu era de marisco e tínhamos coisas tão boas mesmo no litoral? O que vale é que somos todas umas fáceis e, se uma diz que X é bom, as outras alinham e não se fala mais nisso – o que nunca deu mau resultado.

O Percebes – Tasco do Mar fica numa zona em que o estacionamento não é a coisa mais fácil do mundo, o que é agravado pelo facto de o restaurante também ter um serviço de takeaway muitíssimo requisitado (o que eu percebo lindamente, depois de lá ter estado), o que leva a paragens em segunda fila e torna a coisa ainda mais complicada. De todo o modo, mais para cima ou mesmo na avenida em que entronca a rua Ernesto Carvalho, consegue arrumar-se a burra e ir comer descansado.

Felizmente, a SC achou por bem reservar mesa; de outro modo, não teríamos grande sorte, já que o Percebes, tendo bastantes lugares sentados, entre o piso de entrada e a cave, estava completamente lotado – sendo que houve mesas usadas duas vezes, durante o serão (isto sabemos nós, porque comemos devagarinho a vamos observando os vários turnos). Agora, o facto de haver muitos lugares não significa que o sítio seja espaçoso porque, na verdade, não o é: as mesas estão quase encavalitadas , de tão chegadas umas às outras, e é fácil entrar na conversa da família ao lado (ou, pior, ela na nossa), pela proximidade da mobília.

De resto, o espaço e a decoração não são, de todo, um ponto forte do Percebes: apesar da mobília branca, que confere ao local um aspeto airoso, a conjugação de castiçais de gosto duvidoso com candeeiros de teto do Ikea e imagens de peixum nas paredes deixa muito a desejar – mas isto sou eu, que sou uma esquisitóide, a falar: quem lá vai (eu incluída), estará tão concentrado no que come que se está nas tintas para a decoração.

Uma vez sentadas e já com um balde cheio de torradas com manteiga na mesa (não há mariscada que se preze sem torradas de pão branco com muita manteiga), a primeira coisa que constatámos (mesmo a SC e a MBC, que já conheciam o espaço) foi o baixíssimo preço das doses: que uma sapateira recheada custe menos de 7€ parece impensável, e o resto vai pelo mesmo caminho, pelo que foi ainda com alguma desconfiança que mandámos vir tudo o que nos apetecer, a saber: sapateira, camarão da costa, percebes (nem a SC nem a MFC nem a AC são grandes fãs, mas eu sou e não sei o que me parecia ir ao Percebes sem os trincar), zamburinas, amêijoas e pimentos padrón.

E o que dizer deste banquete, senão que passámos duas horas e tal consoladíssimas, a degustar tudo com o prazer de quem sabe que está a comer bem e vai pagar (muito) pouco? Sobretudo a sapateira fez as nossas delícias, mas tudo o mais era de qualidade muito boa e bem confecionado, o que me levou a afirmar que saía barata a deslocação. De resto, mandámos vir mais uma sapateira e mais três doses de pão, que a coisa estava a cair mesmo bem.

Para beber, pedimos sangria de champanhe e frutos vermelhos, sendo que esta não acompanha os preços ditos low cost: são mais de 10€ por um jarrinho que deu para três (a SC preferiu beberagem cocacoleira), mas só porque não nos quisemos esticar – estou certa de que marcharia outro, se não tivéssemos todas de conduzir uns bons quilómetros para regressar a casa.

Uma nota para o serviço que, apesar de simpático e as mais das vezes eficaz, apresenta algumas falhas, tanto nos tempos (a segunda sapateira demorou o que nos pareceu uma eternidade a ser servida, enquanto que a primeira quase irrompeu à nossa frente, assim que foi pedida) como no conhecimento dos pratos: foi perguntado a um dos funcionários se as amêijoas teriam coentros (nem a SC nem a AC gostam, incrivelmente), ele garantiu que não – e bastou uma prova para que nos apercebêssemos de que afinal sim.

Ainda assim, as pessoas são simpáticas e esforçadas: foi com agrado que recebemos o conselho de, aquando da sobremesa, optarmos pelas Natas do Céu, porque estariam fresquíssimas – e estavam de facto: nem sequer morro de amores pelo doce (não adoro doce de ovos) e gostei muitíssimo, tal como as manas AC e SC. Já a MBC quis o Crumbel (há erro ortográfico, há, mas não é meu) de Morango, que também mereceu nota positiva, pese embora não tão entusiasmada.

Mas o melhor veio mesmo no fim: tínhamos enchido o bandulho como gente grande, estávamos valentemente cheias e o total por estômago não chegou aos 16€ – e é por isso, minha gente, que esta vossa criada afirma que a distância vale a pena, quando estão em causa tão bons apetites.

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Percebes, Tasco do Mar | Vila Nova de Famalicão

Morada: R. Ernesto Carvalho, Ed. Turim Lj 6
Localidade: Vila Nova de Famalicão

Telefone: 252 376 420
Horário: Seg a Dom- 16h00 às 02h00
Aceitam reservas? Sim

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Se há um tipo de estabelecimento em que o Porto é rico é aquele que aglomera os conceitos de restaurante, cervejaria marisqueira e snack-bar. Há-os em quantidade (e qualidade), quase todos na zona (alargada) da Boavista e, normalmente, porque cada cabeça sua sentença, o preferido de uns não é o preferido de outros, embora seja consensual que a qualidade é atributo de praticamente todos. Como se sabe, Carapau é bicho de gosto eclético e dificilmente terá a atitude do “gosto-deste-e-não-vou-a-outro”, o que nos abre um imenso leque de possibilidades; de todo o modo, esta vossa criada tem a tradição familiar dos almoços tardios na (no?!) Cufra desde muito novinha (as refeições de torradas a transbordar de manteiga, a acompanhar camarão da costa, ainda as pernas não eram compridas o suficiente para subir aos assentos do balcão sozinha, são parte das memórias infantis), pelo que há uma sensação de conforto quase caseiro ali – apesar de se tratar de uma casa que alberga dezenas de pessoas e de o sossego não ser a mais marcante das suas propriedades, é a sensação sempre renovada do regresso a um lugar onde já se foi (e continua a ser) feliz. Read more

Ele há restaurantes que são assim uma espécie de porto seguro. Ora, quando a ideia é não arriscar e saber antecipadamente que se será bem servido, é por eles que se opta, sem hesitações. A Marisqueira Majára, na Rua Roberto Ivens (a mesma do Gaveto e do Marujo e da Marisqueira Antiga), em Matosinhos, é um deles: sabíamos ao que íamos e, por isso, fomos com vontade redobrada.

A ideia, a cada Quinta-feira, é comemorarmo-nos: aos Carapaus como um todo, a cada um de nós como indivíduo, aos amigos que alinham nos nossos repastos, às conversas que só acabam quando os restaurantes fecham, às ligações inter-pessoais que a mesa, inevitavelmente, fortalece – e evidentemente, com tudo isto, ter a inspiração necessária para que cada posta de pescada seja do agrado dos que nos lêem. Assim foi. Read more