Flow Restaurant & Bar | Porto | Carapaus de Comida

Restaurante

Flow Restaurant & Bar | Porto

5 Ago , 2016   Galeria

Não sei há quanto tempo terá aberto o Flow, numa zona em que os novos estaminés (de gama média a alta, também) pululam loucamente, mas diria que talvez há um ano e picos – e desde então que o tenho na lista como um dos “a visitar”. A ocasião (sempre ao jantar) já esteve marcada, já foi pensada, mas acabou por jamais se concretizar, por razões várias que não interessam nadinha. O que importa é que acabou por se trocar o jantar por um almoço e é dessa experiência que aqui venho dar conta, hoje.

Note-se que o Flow tem sido um dos restaurantes-da-moda, embora nos últimos meses o protagonismo vá recaindo noutros, que entretanto foram abrindo (inclusivamente na vizinhança); e eu, que não tenho nada contra tendências, a verdade é que não me costumo deixar convencer por elas só porque sim – é que nestas coisas, como nas demais, há as que correspondem à fama e há as que nem por isso, pelo que prefiro sempre comer para crer.

Tudo isto para dizer que o que nos levou (a mim e à RV, a minha companhia nesta incursão) a escolher o Flow foi, antes de mais nada, a localização (porque nos dava jeito, naquele dia) e, depois, a hipótese de, por 14€ (e não os 12€ que constam da Zomato, cumpre-nos avisar), podermos degustar pelo menos uma entrada e um prato principal, o que nos permitiria aferir se valeria a pena continuar a pensar num jantar, em que o valor final seria muitíssimo mais alto.

E permitam-me começar pelas primeiras impressões, que foram as mais fortes e perenes: o espaço é es-pe-ta-cu-lar. Lindo. Dos mais fantásticos em que esta vossa serva já entrou, seja enquanto Carapau seja à civil. É coisa para valer a pena pagar e não comer nada, que aquilo parece arraçado de monumento, tanto no que diz respeito ao que foi aproveitado no pátio, como no que toca à decoração que, desde o átrio ao bar e à sala principal é de um bom gosto irrepreensível: os azulejos no chão, as madeiras, os recantos em estilo árabe, os candeeiros que pendem do teto, as cadeiras à entrada, o piano de cauda, a luz, os apontamentos de clorofila – tudo tem a marca de quem sabe o que faz (e de quem aproveita o que de bom encontrou no edifício). Também o ambiente, ainda que descontraído e eclético (havia profissionais em intervalo de almoço, turistas, gentes de faixas etárias variadas), é requintado sem esforço (bem sei que é uma redundância porque nenhum requinte que mereça o epíteto será forçado, mas permitam-me a liberdade cronista), o que merece outro aplauso.

Ora portanto, até à altura em que nos sentámos na mesa, conduzidas por um funcionário que nos deu a escolher entre a sala principal e o pátio (e aconselhando-nos este último, já que a canícula não era muita e o espaço é de facto muito convidativo, sobretudo de dia), estávamos encantadas com cada pormenor – e é bem possível que eu tenha passado por turista deslumbrada (ou tão só por deslumbrada, vá), já que tentei registar tudo quanto me foi possível.

Uma vez sentadas, foi-nos trazido o couvert por outra funcionária (cujo tratamento por “as minhas senhoras” não me cativou; exemplifico: “as minhas senhoras já escolheram?” – ná, não aprecio), que aproveitou para recolher os nossos pedidos. Dois apartes, para já: o couvert está incluído no menu mas não é nada de especial (apenas umas fatias de baguete e um pedaço de broa [bastante boa, esta, devo dizer] para imergirmos no azeite); depois, só nos foi apresentada a carta com o menu de almoço – o que não sei se é procedimento habitual porque àquela hora não se serve mais nada, se aconteceu porque temos ar de pindéricas. Fica a dúvida, senhores.

Pareceu-nos que o menu seria alterado diariamente, e o que oferece é simpaticamente diversificado: para entrada, poderíamos optar ou por Sopa de Agrião, Croutons de Pão de Milho, Areado de Avelã e Azeite Extra Virgem ou por 2 Unidades de Crepes de Legumes e Camarão. Mandámos vir um de cada e à primeira dentada apercebi-me de que teria feito melhor se tivesse optado pela sopa, que a RV gabou, já que os crepes eram banalíssimos e poderiam ter vindo de um qualquer take away de comida asiática (talvez com um molho agridoce menos bom, devo conceder).

No que toca aos pratos principais, a escolha é mais vasta: há prato de carne, prato de peixe, prato de salada, prato de risotto e menu de sushi (sendo que este pode ser composto de dez peças variadas ou, por mais 2€, de 12 peças de sushi com sashimi), o que é bem mais do que a comum oferta de menus de almoço – e é quase impossível não haver ali qualquer coisa de que se goste. Claro que o meu problema é o oposto: gosto de (quase) tudo e o difícil foi escolher. Acabei por optar pela Salada de Carpaccio de Bacalhau Fumado, Húmus de Grão-de-bico, Broa Frita, Tapenade de Azeitona e Cebolinhas em Balsâmico – e estava boa, soube-me lindamente, mas tenho de destacar os croutons de broa (absolutamente divinos) e dizer que o húmus não me encantou pela consistência cremosa fininha. A RV foi para o Bacalhau Confitado a 55ºC, Açorda de Espargos Frescos e Hortelã, Ovo de Galinha e Aros de Cebola – e este era daqueles que se come desde logo com os olhos; lindíssimo, bem empratado, super-apetitoso. Depois de degustado, concluiu-se que, estando a açorda (ovo incluído) uma especialidade, o bacalhau tinha claramente passado do ponto (os tais 55 graus), apresentando-se seco e chato de comer.

Acompanhámos tudo com água servida de jarros (pelo que não sabemos sequer qual a sua proveniência, o que me parece indigno para um estaminé da gama do Flow), que é a bebida incluída no menu de almoço; obviamente, poderíamos ter escolhido um qualquer vinho ou refrigerante, mas não o fizemos, mesmo porque ambas gostamos de água (e também porque não nos apetecia pagar mais por um refrigerante e o vinho está fora de questão, quando se trata de ir trabalhar de seguida). Pedimos os cafés (também incluídos), porque a única sobremesa disponível (Semifrio de Coco, Abacaxi Caramelizado Com Hortelã e Vidrado de Kima) não nos encantou de todo, pelo que julgámos desnecessário gastar os 3€ que acresceriam à conta, caso a quiséssemos.

No final, a conta foi trazida num tablet (o que é moderníssimo e tal mas é coisa que detesto, mesmo porque é impossível de fotografar como deve ser) por aquela que calculámos que fosse a Chefe de Sala, uma jovem descontraída e simpática que atenuou um nadinha a ideia que até ali construímos acerca do serviço: funcionários esforçados mas aparentemente com falta de treino específico (o que se via nos pequenos detalhes), o que nos pareceu pouco condicente com toda a beleza envolvente.

Em resumo: o Flow não me maravilhou, de todo, enquanto experiência gastronómica. Mas que é um belíssimo espaço para um jantar (e não almoço) especial, ai disso não duvido sequer por um minuto – e apetece-me voltar, mais não seja para conhecer o resto da ementa e para perceber se posso gostar mais do estaminé.

Flow Restaurant & Bar | Porto
3.9 Carapaus
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Positivos
  • O espaço
  • o ambiente
  • Negativos
  • O serviço
  • o bacalhau
  • Resumo
    Pese embora tenhamos almejado conhecer o Flow ao jantar, acabámos por nos estrear neste estaminé da Baixa ao almoço, altura em que há um menu muito amigo da carteira. Espaço fantástico, com uma carta catita, para dias especiais.
    Serviço3
    Comida4
    Preço/Qualidade3.5
    Espaço5
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    Flow Restaurante | Porto

    Morada: Rua da Conceição, 63
    Localidade: Porto

    Telefone: 222 054 016
    Horário: Seg – 20h00 às 24h00 | Ter a Sex – 12h30 às 15h00 e 20h00 às 24h00 | Sáb – 13h00 às 15h00 e 20h00 às 24h00
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    Ana Andrade

    Ana Andrade

    Agridoce, de tempero forte e gargalhada salgada.
    Ana Andrade

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