O Buraco | Porto

Comida Portuguesa

Enfiado n’O Buraco (de bom grado)

28 Fev , 2012  

Noite agradável no centro do Porto. Meio da semana. A rua onde se situa O Buraco pulula durante o dia mas é vítima de metamorfose assim que o sol se põe. Àquela hora já só se via pessoas, poucas, a caminho de casa, presumo eu.

Chegados ao nosso destino não escondi a minha surpresa pelo local. Não conhecendo o espaço e julgando-o apenas pelo nome, esperava um sítio escuro e gorduroso, admito. Ao invés, o espaço é bem iluminado, limpo, os espelhos que enchem as paredes dão-lhe uma dimensão que não tem, mas que me fez sentir bem e à vontade, ainda que iludido. E ao contrário do exterior, n’O Buraco não faltava gente. Deve ser para aqui que é transferida a pululice diurna da Rua do Bolhão.

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A espera foi curta e curto era o espaço onde esperámos (tanto que a RV foi forçada a recuar  para dentro da casa-de-banho feminina um par de vezes, para que fosse possível a fluência de clientes e empregados). Foi o tempo suficiente para que déssemos uma olhada na ementa e ficássemos a par dos petiscos que nos esperariam quando nos sentássemos à mesa.

Antes que pudéssemos dizer Não sei o que me apetece, fomos brindados com uma salada de alface, tomate e cenoura, mal temperada (para o meu gosto)  e bastante pequena para os quatro Carapaus (ou para qualquer outro grupo de mais de duas pessoas, arrisco dizer). Para acompanhar o nosso período de decisão, foi-nos também servido um prato com rissóis. Não creio que haja consenso quanto ao recheio dos ditos: seria peixe? Bacalhau? Só sei dizer que de carne não eram e de marisco tão pouco. Também sei que o comi sem respirar, tal era a fome, embora não possa parabenizar o chefe por este acepipe. Faltaram os guardanapos, situação que foi corrigida a nosso pedido.

Decidi-me pelo último elemento do menu: Bifinhos à Portuguesa. “Já não há”, disse o dono. “Pode ser um Bife à Buraco?”, inquiriu. “Pode pois”, retorqui. E não me arrependi. Bem sei que não é iguaria que mereça ser cantada, mas soube-me pela vida: carne tenra, saborosa e bem cozinhada, montada por um ovo estrelado e acompanhado por batatas fritas às rodelas. Sou Carapau de gosto simples e fácil de agradar.

A dose (ou meia) era pequena e não satisfez pelo que, aconselhados, eu e o MS decidimo-nos a pedir mais meia dose de algo. Também não vos sei dizer exactamente o que era. Disseram-nos que eram costelas assadas…mas não me parece que fossem. Era bom e o resto é conversa!

O vinho escolhido foi o da casa, verde branco. O primeiro trago não foi muito agradável mas
foi o único que custou. A partir daí escorregou bem. Principalmente o que nos foi oferecido após termos pedido a conta.

As sobremesas não me pareceram ser caseiras, à excepção da musse de chocolate. Depois de me aperceber que as duas últimas (musses) tinham sido reservadas, por clientes com certeza assíduos e já prevenidos, e ultrapassada a desilusão, pedi uma tarte gelada de bolacha (daquelas cobertas com creme de ovo). Foi-me dito que tinham acabado de a retirar do congelador pelo que poria em risco a minha saúde dentária. Amendrontado pela visão de ficar sem um ou dois dentes, decidi-me rapidamente por uma tarte gelada de bolacha (daquelas que em vez de cobertura de creme de ovo, têm bolacha ralada). Perfeitamente banal e não justifica mais considerações.

Após o café, não me apercebendo de qualquer área para fumadores, fui fumar um cigarrinho à rua. De volta à mesa, pedimos a conta, foi-nos oferecida factura sem pedirmos (o que é bastante positivo) e pagámos cerca de 15€ cada um. Bem vistas as coisas, a refeição ficou bastante barata.

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O que se seguiu foi um bónus inesperado. A noite era uma criança e de temperatura agradável. Decidimos que seria cedo para tornar a casa e que poderíamos aconchegar o espírito com mais uma rodada de cerveja. O MS sugeriu um bar que, embora não conhecesse, sabia onde o encontrar. Sem hesitação, pusémo-nos a caminho.

Não encontrámos o que procurávamos. E em boa hora, digo eu. A alternativa saiu melhor que a encomenda. Confesso que embora o MS apontasse para a porta de entrada, eu não a vi. Nem a AA, que passando por ela, continuou até à próxima entrada. Não havia (nem deve haver ainda) qualquer identificação exterior do espaço. Mas apenas por isso este bar passa despercebido. Assim que se entra é impossível ficar indiferente. As paredes cruas e despidas, a falta de brilho e tinta nas portas, os móveis e bibelôs antigos (ou com aspecto disso) espalhados pela sala, os naperons estendidos pelas mesas, a média-luz e livros dignos de figurarem nas estantes de casa dos nossos avós, dão-lhe um carácter forte e vincam-lhe a personalidade. O MISS’OPO, embora um espaço frio, é aquecido pela simpatia das proprietárias. Também não faltam aquecedores…

Foi-nos explicado que o bar teria aberto no final do ano passado, sem alarido, e que mesmo assim as noites de fim-de-semana não dão descanso a quem lá trabalha. Os petiscos escritos a giz e carinho na parede ao lado do bar, deixou-nos com água na boca e com muita vontade de dedicar uma crónica inteira ao MISS’OPO. À saída, via-se um papel pendurado que dizia “Volta já!”. Eu sou muito bem mandado e volto sim, misses.

Obrigado por este bocadinho.

Abreijos para todos!

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Alexandre Vicente

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Online Strategy Director at The BiZ Weavers
Homem barbudo que fala de tudo.
Alexandre Vicente

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