Comida Japonesa

(Two)Sushi para degustar

2 Mai , 2013   Galeria

Desta feita, desafiei-as para irmos conhecer um novo restaurante de sushi, o que calhava lindamente, porque todas tínhamos um dia cheio e cansativo, no passado domingo: vai daí, e depois de mesa marcada com cerca de uma semana de antecedência (creio que não será preciso ser-se tão zeloso como esta vossa criada, mas a marcação é muitíssimo aconselhável), rumámos ao Two:su.shi (como os próprios gostam de grafar), na Rua da Picaria que, ao domingo, serve festival de sushi – e o que nós gostamos da possibilidade de repetir até ficarmos saciadas não tem mesura.

Rua da Picaria | A Entrada

Rua da Picaria | A Entrada

O Restaurante Two:su.shi foi-me apresentado por uma aficcionada da comida japonesa, como eu e, a partir daí, fui seguindo (e babando para as fotografias) as publicações diárias, na sua página de Facebook. Ahhh, se todos os estaminés percebessem como é importante esta interacção com enormíssima percentagem de possíveis clientes que usam o Facebook também como fonte de informação, talvez a restauração não estivesse a atravessar uma crise tão profunda. Eu explico: o Facebook é um meio de comunicação gratuito, onde qualquer entidade pode criar uma página e, com toda a facilidade, fazer chegar informação de preços, pratos, promoções e coisas que tais a gente que, de outro modo, dificilmente teria acesso a ela (ao menos de modo tão imediato e quase personalizado, uma vez que questões podem ser colocadas, dúvidas esclarecidas, etc.); o Two:su.shi faz isso muitíssimo bem: foi a visualização, dia após dia, das maravilhas que por lá se cozinham, que me levou a agendar a nossa ida para já. Bom, mas não é a celebração das competências dos responsáveis por um restaurante relativamente às novas tecnologias que aqui me traz, pelo que passemos ao que interessa: o Two:su.shi fica mais ou menos a meio da Rua da Picaria, quem sobe, do lado direito e, a um domingo às oito da noite, foi-nos fácil arranjar lugar mesmo à porta – ainda que, meia hora depois, o estaminé estivesse cheiíssimo, o que nos fez concluir que não fôramos só nós a ouvir falar muito (e bem) desta chafarica aberta há uns meses.

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Fomos recebidas, ainda a casa estava vazia, por uma senhora muitíssimo profissional (que, na nossa linguagem, quer significar: competente no serviço mas sem salamaleques nem melguices), que haveria de nos acompanhar o resto da noite, por vezes auxiliada por um senhor que suspeitamos ser o gerente ou dono. De resto, são as únicas pessoas que se movem numa sala que, não sendo enorme (levará umas trinta a quarenta pessoas, diríamos), é agradabilíssima, tanto em termos de aproveitamento do espaço, como no que toca à decoração, que é simples e de bom gosto. Uma vez escolhido o repasto (“é festival de sushi para três, por favor!”), nem precisámos de consultar a ementa, entregando-nos nas mãos dos chefs: da cozinha, sairiam as entradas e ali mesmo, no balcão por detrás de nós, dois sushimen trabalhavam as peças que haveriam de forrar-nos o estômago.

Tempura de Camarão e Crepes de Legumes

Tempura de Camarão e Crepes de Legumes

As entradas chegaram pouco depois, já as bebidas (Super Bock de garrafa para mim e para a já honorabilíssima AB e Cola Zero para a ex- Carapaua-residente-mas-sempre-presente RV) estavam na mesa: veio primeiro uma travessa de tempura de camarão e crepes de legumes, depois frango com molho de alho e, finalmente, tempura de legumes. Dizer que estava tudo divinal é o mínimo e, contudo, é tudo quanto consigo dizer: o molho agridoce quase se comia sozinho de tão bom, a massa era estaladiça, os camarões rijinhos, os legumes de uma variedade inesperada e até o frango com molho de alho (o menos entusiasmante de todos, à partida) foi deglutido até ao último pedacinho.

Estava a primeira fase terminada e havia que passar ao que verdadeiramente ali nos trouxera: o sushi. O primeiro prato, de dimensões generosas, foi servido pouco depois: ali tínhamos 36 peças de sushi (frios e quentes), umas quantas de sashimi (só salmão e robalo) e, ao centro, umas tirinhas de polvo cozinhado que se revelaram de sabor fabuloso. Não sei em quanto tempo aviámos aquilo (e nenhuma de nós come depressa): o peixe era de excelente qualidade, o arroz vestia na perfeição o papel de acompanhante e até o molho de soja se revelou o melhor que qualquer uma de nós havia provado (pouco salgado, delicioso).

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Na verdade, só aqui começaram os “problemas”: tal como no Kanpai e no Medit (e, noutra escala, na incursão passada, ao Tokyo) as repetições do Two:su.shi, que seriam tantas quantas quiséssemos (embora de acordo com os apetites do chef) acabaram por reduzir-se a duas, por manifesta incapacidade nossa de estar meia hora à espera por cada travessinha (porque o prato original encolheu e não foi pouco), portadora de 16 peças de sushi e uma meia dúzia de sashimi – o que nos coube na cova de um dente, sempre. Depois da segunda travessa (e poderiam vir outras tantas, que as teríamos comido, sobretudo eu e a RV, que a AB é a mais contida e a que sai mais barata das três), achámos por bem desistir e passar à sobremesa: já não era propriamente cedo e não nos apetecia terminar a noite com mais meia hora de nervoso miudinho, em espera por mais umas migalhas. Migalhas excelentes, reafirme-se: trata-se de uma das melhores experiências que já tivemos, em termos de relação qualidade/preço – mas, ainda assim, muito poucas peças por repetição e um tempo infinito de espera, que desespera mesmo quem está entretido com a muita conversa para pôr em dia.

Fondant com frutos silvestres

Fondant com frutos silvestres

Ainda assim, concluímos a incursão com chave de ouro: para sobremesa, escolhemos petit gateau (ou fondant) com frutos silvestres (para a AB), tarte de limão e bolo de chocolate com mousse de chocolate e suspiro (ambos a dividir por mim e pela RV, sendo que eu fiquei a ganhar, porque não conheço o conceito de “doce de mais”). Durante a degustação dos doces, só se ouviram elogios – e, devo dizer, o bolo de chocolate, sendo inspirado naquele que se diz ser “o melhor bolo de chocolate do mundo”, é bem melhor do que ele: a mousse é mais e mais saborosa, o suspiro aparece em menos quantidade e tudo faz sentido. Se saboreado com a tarte de limão (a que, quanto a mim, só faltou que a base tivesse ido cinco minutos ao forno) a fazer contraponto, tem-se ali uma experiência divinal.

No final, e depois de um cafezinho para a AB, as contas resultaram nuns adequados 22,50€ (o festival custa 15,90€, as bebidas, sobremesas e café são pagos à parte), marca de um restaurante equilibrado, simpático e quase requintado, não fora o desespero da espera. Voltar-lhe-ei, talvez a desoras, a ver se saio de lá mais nutrida.

Bons apetites, freguesia de luxo!

Two:sushi

Morada: Rua da Picaria 30, Porto
Telefone: 220 931 884
Horário: Ter a Sáb – 12h30 às 15h00 – 20h00 às 23h00 | Dom – 20h00 às 23h00
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Ana Andrade

Ana Andrade

Agridoce, de tempero forte e gargalhada salgada.
Ana Andrade

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