Sucesso dos Grelhados | Gondomar | Carapaus de Comida

Churrasqueira

Sucesso dos Grelhados | Gondomar

11 Mar , 2016   Galeria

Tratava-se de um daqueles almoços com hora marcada e era mais importante a conversa a pôr em dia do que propriamente onde iríamos comer – embora isso nunca seja de todo despiciendo, pelo menos para mim e para a RV (Carapaua Fundadora e eterna presença nesta chafarica). Vai daí, e porque o horário era limitado, a RV desafiou-me para ir conhecer um estaminé relativamente perto do trabalho dela, na marginal de Gondomar, a que já tinha ido algumas vezes e que me assegurava ser muito agradável, sobretudo no Verão, e não se comer nada mal.

Estranhamente, o próprio nome do restaurante, “Sucesso dos Grelhados”, que é daqueles que jamais augura algo de muito requintado, induziu-me em erro: imaginava uma churrasqueira tradicional, daquelas bem lusas, como há tantas pela cidade do Porto e, vai-se a ver, deparei-me com um edifício grande e térreo, armado ao modernaço mas com os letreiros luminosos e cartazes próprios dos restaurantes de estrada da EN1, com parque adjacente e mesmo à beira-rio. Na verdade, esquecera-me completamente de que já me haviam falado desta coisa tipo salão-de-festas, que é uma mescla de boa comida, a preço razoável, mas de decoração algo duvidosa.

À entrada ficamos logo esclarecidos que há ali uma pretensão de sofisticação mal alcançada, com a entrada a destacar uma espécie de aparador sobre um apoio feito com as letras SG (Ventil? Filtro? Gigante?) em madeira, mais um espelho que não pertence de todo ali; de seguida, a recepção avantajada, com sofás e um enorme balcão de que não constava ninguém, o que me levou a pensar que se tratava do apoio aos bate-coxa ocorridas na sala de festas (não estava a brincar, lá em cima), quando aquilo se transforma em salão de baile.

Uma vez entradas na sala de refeições, a sensação é uma mescla de ai-que-vista-soberba com que-diabo-de-decoração-é-esta e mais um mas-a-garrafeira-até-tem-pinta. Há para ali muita coluna quadrada absolutamente excedentária, as mesas são quadradas e grandes e, mais uma vez, os contrastes são estranhíssimos: as toalhas são adamascadas mas os guardanapos de papel (e com logótipo, valham-me os deuses do bom gosto). Sorte a nossa: ficámos numa mesa mesmo junto às janelas (a toda a altura do espaço) que dão para o rio e, dali, pudemos observar que a população que almoça no “SG” é predominantemente masculina, aparentemente com cargos de chefia média, provavelmente malta das várias empresas que existem nas redondezas.

Calhou-nos em sorte um empregado que a RV não se lembra de ali ver nos primórdios e que (falta de sorte a nossa) tinha a mania que tinha jeito para a piada de restaurante, algo que os nossos sorrisos amarelos não intimidaram. Felizmente, as visitas foram breves e a comunicação rápida: tratámos de ir picando o couvert (azeitonas pretas das gordas, uns pãezinhos e uns salgadinhos em miniatura, tudo bastante saboroso) enquanto escolhemos rapidamente os pratos principais. Para a RV veio um dos pratos do dia, as Pataniscas de Polvo com Arroz de Grelos, enquanto eu não resisti a meia dose de Costelinhas, que pedi para virem acompanhadas de batata frita e salada. O empregado ainda me chamou a atenção para a quantidade da carne, que era mais do que bastante, mas eu esqueci-me que andava em período de pouca gula e arrisquei ainda assim.

O serviço não demorou e percebi que tinha cometido um erro mal avistei as batatas: não só eram muitas como não eram caseiras, o que me levou a trincar só meia dúzia. Mais, com o apetite (ou falta dele) que grassava em Janeiro, aquela meia dose, tal como a pedi, chegaria perfeitamente para duas pessoas – eu fiz um esforço e deixei um punhado de ossinhos (desolada, porque se há coisa que adoro é entrecosto grelhado ou frito e aquele estava bom). A salada era honesta mas o tempero assim para o fracote, o que me levou a deixar também bastante – mesmo porque a minha prioridade eram os ossos.

Já a RV bendisse as suas pataniscas: mais uma vez, a meia dose era generosíssima e as duas pataniscas das grandes e gordas, Quanto a ela, estavam um nadinha gordurosas a mais (o que é perfeitamente evitável, caramba, não sei por que continuam a cometer-se este tipo de erros básicos) mas muito saborosas, assim como o arroz de grelos, de que gostou particularmente.

No fim, nenhuma de nós foi capaz de acabar com o que lhe competia (ocasião rara e que merece registo), sendo que também a lista de sobremesas não nos conquistou, pelo que terminámos apenas com café.

Contas feitas, pagámos pouco mais de 11€ cada uma, o que é valor muito janota para o que nos foi servido, o que torna o “SG” um sítio apetitoso para quem está por perto – e mesmo para quem não está: adorava voltar, naqueles dias de calor, no Verão, para esquecer a decoração possidónia, apreciar o rio e os bons apetites que saem da cozinha.

 

Sucesso dos Grelhados | Gondomar
3.9 Carapaus
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Positivos
  • A vista
  • a comida
  • o preço
  • Negativos
  • O serviço, demasiado “humorístico”, se é que me faço entender
  • o espaço algo piroso
  • Resumo
    Não se trata propriamente de um restaurante onde se vá almoçar ou jantar; é mais um daqueles onde se vai comer-ali-num-instante. E, nessa categoria, apresenta uma excelente relação qualidade/preço. A vista sobre o rio é fabulosa (já a interior não é propriamente um deleite para o nosso sentido estético).
    Serviço3.5
    Comida4
    Preço/Qualidade4.5
    Espaço3.5
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    Sucesso dos Grelhados | Gondomar

    Morada: Av. Escritor Costa Barreto, 3000
    Localidade: Gondomar

    Telefone: 224 637 286
    Horário: Ter a Dom – 12h30 às 15h00 e 20h00 às 22h30
    Aceitam reservas? Sim

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    Ana Andrade

    Ana Andrade

    Agridoce, de tempero forte e gargalhada salgada.
    Ana Andrade

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