Cervejaria O Mercado | Carapaus de Comida

Cervejaria

Uma noite n’O Mercado

10 Fev , 2013   Galeria

Eis que, na Praça Infante D. Henrique, onde outrora foi sito o Mercado Ferreira Borges (ali mesmo, no centro histórico) abriu no Verão passado um dos restaurantes que tínhamos mais curiosidade em conhecer, não apenas pelo espaço mas, sobretudo, porque sabíamos ser um projecto de autor (da responsabilidade do Chef Luís Américo, proprietário do Mesa e chefe executivo/sócio do Forneria São Pedro, na Afurada): O Mercado, paredes meias com o Hard Club – e, na noite em que lá fomos, tendo igualmente na vizinhança o evento Essência do Vinho, no Palácio da Bolsa.

Cervejaria O Mercado

Cervejaria O Mercado

 

Mal a ocasião se porporcionou, lá estávamos: os Carapaus AA e AV, a MAA (já veterana nestas lides) e o PA (que, morando a Sul, já fez três incursões connosco no espaço de dois meses, o que muito nos honra).  Subida a escadaria para o primeiro andar onde se situa o restaurante, a primeira sensação é de surpresa: o espaço é amplo, há muito ferro e metal (nas estruturas, nos candeeiros, nos objectos de decoração que por lá moram), o que causa um ambiente quase industrial; mas há, simultaneamente, beleza e aconchego naquela imensa sala, capaz de albergar umas valentes dezenas de pessoas, em mesas convenientemente distantes umas das outras. De resto, fica-nos a sensação que ali caberiam o dobro das gentes, se se privilegiasse a quantidade em detrimento da qualidade – o que não é, de todo, o caso (e bem, dizemos nós).

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Apesar de o impacto visual ser dos melhores, a verdade é que, uma vez conduzidos à mesa que antecipadamente reserváramos (algo que aconselhamos a toda a freguesia: tratava-se de uma quinta-feira e, apesar de não estar lotado, o espaço estava muitíssimo composto e havia, inclusivamente, um grupo dos grandes em espera – e para isso há ali uns sofás que parecem confortabilíssimos), começámos a sentir o frio que nem os vários aquecedores a gás espalhados pela sala, junto às mesas, conseguiam disfarçar – parece tarefa impossível tornar quente um salão daquele tamanho mas, por outro lado, o mesmo facto afigura-se-nos como algo prometedor, para o Verão.

O Interior

O Interior

 

Mas adiante, que o intróito já vai longo – como looooooonga foi a nossa espera, uma vez sentados. De quinze a vinte minutos, foi o que esperámos, já depois das nove da noite, para que uma das três alminhas que serviam às mesas se dignassem a trazer-nos, ao menos, uma ementa que fosse. Mas nada. Nadinha. Teve de se chamar uma (que não a que nos conduziu à mesa), que disse que já vinha. Mas não veio. E a malta já fumegava das membranas quando uma terceira se aprochegou e nos perguntou, com um ar tão simpático que nenhum de nós foi capaz de grande alarido (para além da transmissão do descontentamento pela ostracização) se já estávamos servidos.

As Azeitonas Panadas

As Azeitonas Panadas

Veio a ementa e a mocinha já não saiu dali sem levar o pedido de entradas e de bebidas: veio um Balde de Minis (que os há em tamanhos vários, sendo que quantas mais o recipiente com gelo levar, mais baratas ficam as maravilhas da Super Bock) e veio o Pão (de mistura, envolto numa espécie de papel pardo lustroso, similar àquele usado para embrulhar as coisas nas drogarias), mais dois Rissóis à Moda do Capa Negra (que em comum com os do Capa Negra só tinham o facto de virem quentes e serem de carne – bons por si mesmos, mas fracos, em comparação, pelo que não se percebe a alusão), Batatas Fritas Caseiras com Casca (servidas também em balde de metal), Chouriço Assado na Brasa (maravilha de enchido, cozinhado no ponto), Azeitonas Panadas (das verdes sem caroço, envoltas num polme acabadinho de fritar), Espetadinhos de FrangoEspetadinhos de Novilho (duas mini-espetadas por dose, sendo que a carne de novilho se revelou já aqui primorosa).

Agora sim, começávamos a sentir-nos em casa: comida da boa, com pinceladas originais e preços honestos, numa auto-intitulada cervejaria cruzada de restaurante-cool-típico-das-grandes-cidades-mundiais (O Mercado assentaria que nem uma luva à insomne Nova Iorque ou à cosmopolita Londres) era tudo o que poderíamos desejar, num estaminé em relação ao qual tínhamos expectativas elevadas. Mas depois foram as segunda e terceira partes e o caldo entornou-se irremediavelmente. De resto, se me obrigassem, sob ameaça de tortura, a relatar a nossa experiência n’O Mercado numa palavra, creio que hesitaria entre os conceitos de confusão e perplexidade, mas já lá vamos.

A Posta de Novilho na Brasa

A Posta de Novilho na Brasa

Pedimos uma Francesinha em Massa de Pizza com ovo para o AV, uma Mini-Francesinha para a MAA, Bacalhau à Mercado para o PA e uma Posta de Novilho na Brasa para esta vossa criada, que ficara encantada com a qualidade da carne dos espetadinhos. E desta vez a coisa nem sequer foi demorada, pelo menos numa primeira impressão: vieram as francesinhas e o bacalhau, que também se apresentou envolto em massa de pizza… mas nada de posta. A delicadeza dos convivas mandou esperar por que todos fôssemos servidos – e o facto de não terem trazido a posta antes acabou por arruinar um prato que poderia ser uma das estrelas da companhia: em vez de mal passada, como pedi especificamente, aquele naco de novilho vinha esturricado à volta e apenas moderadamente macio a meio, sem sombra do rosado que se impõe (sendo que eu gosto da carne quase crua, a bem dizer).

Se poderia ter mandado o prato para trás? Poderia. Provavelmente deveria. Mas outra batalha se impunha: a de fazer com que uma das meninas trouxesse para a mesa as batatas que acompanhariam as francesinhas, sendo que estas foram inevitavelmete ingeridas até meio, antes que uma nos atirasse com um “estão a fritar”. E estavam, seguramente, ou começaram a sê-lo no momento do lembrete: apareceram, quentes, já três quartos das francesinhas tinham ido à vida – já agora, ressalve-se a qualidade das carnes que as guarneciam; já o molho, não sendo marcante, também não desagradou. Entretanto, só o bacalhau teve honras de aplauso convicto: posta alta com muita cebola, em formato de calzone, fez as delícias do PA.

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Era tempo de sobremesas e já só queríamos acabar com a experiência agridoce: vieram as sobremesas para mim e para o AV (creme de limão com mousse de chocolate e bolacha e mousse de chocolate, respectivamente) e, para além da qualidade dos doces, apreciámos os frascos em que foram servidos – mais um dos toques que fazem o charme d’O Mercado. Mandámos vir os cafés de enfiada, juntamente com a conta e, mais uma vez se manifestou a (falta de) qualidade do serviço  que maculou uma experiência que tinha tudo para ser memorável: pedido adoçante para quem o quis, passaram-se minutos, muitos minutos, antes que se tivesse de chamar uma das empregadas, a quem se devolveu um dos cafés (o outro bebeu-se mesmo assim, sem doce algum, já em desespero), que já gelara, e se pediu a conta, bem como um cinzeiro (porque fuma-se, n’O Mercado – o que nem sequer é preocupante, dada a dimensão do espaço). A acompanhar o café, frascos com os saudosos rebuçados Bola de Neve e Chupa-Chupas a fazer lembrar a infância de quem cresceu nos anos 80.

Creme de Limão com Mousse de Chocolate e Bolacha

Creme de Limão com Mousse de Chocolate e Bolacha

Era tempo de sobremesas e já só queríamos acabar com a experiência agridoce: vieram as sobremesas para mim e para o AV (creme de limão com mousse de chocolate e bolacha e mousse de chocolate, respectivamente) e, para além da qualidade dos doces, apreciámos os frascos em que foram servidos – mais um dos toques que fazem o charme d’O Mercado. Mandámos vir os cafés de enfiada, juntamente com a conta e, mais uma vez se manifestou a (falta de) qualidade do serviço  que maculou uma experiência que tinha tudo para ser memorável: pedido adoçante para quem o quis, passaram-se minutos, muitos minutos, antes que se tivesse de chamar uma das empregadas, a quem se devolveu um dos cafés (o outro bebeu-se mesmo assim, sem doce algum, já em desespero), que já gelara, e se pediu a conta, bem como um cinzeiro (porque fuma-se, n’O Mercado – o que nem sequer é preocupante, dada a dimensão do espaço). A acompanhar o café, frascos com os saudosos rebuçados Bola de Neve e Chupa-Chupas a fazer lembrar a infância de quem cresceu nos anos 80.

Digamos, para encerrar uma posta que já vai longa (mas nunca tanto como a nossa espera), que o AV conseguiu fumar dois cigarros sem que viesse o cinzeiro – ou melhor, conseguiu apagar o segundo cigarro quando veio o cinzeiro, juntamente com uma factura que demorou uma eternidade a sair e que fechou o negócio: 23€ por estômago seria um bom preço, não fossem os muitos senãos que mancharam a noite.

Creio que poderemos ter tido o azar de apanhar os funcionários numa noite má – é possível. Mas a má experiência, a sensação de completa descoordenação entre a cozinha e o serviço de mesa e a ausência de um chefe de sala com olho de lince não nos sairão da memória tão cedo. E temos mesmo muita pena, porque tudo, n’O Mercado, promete apetites dos bons, como nós gostamos.

N’O Mercado

Morada: Mercado Ferreira Borges, Praça do Infante 95, Porto
Telefone: 222 059 340
Horário: Dom a Qui – 11h30 às 24h00 | Sex e Sáb – 11h30 às 02h00
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Ana Andrade

Ana Andrade

Agridoce, de tempero forte e gargalhada salgada.
Ana Andrade

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