Terminal 4450 | Leça da Palmeira | Carapaus de Comida

Eis mais um estaminé que estava na lista dos “a visitar com urgência” praticamente desde que abriu, pois que não oiço senão dizer muito bem: o Terminal 4450, sito ali mesmo, no antigo terminal de passageiros do Porto de Leixões, do lado de Leça da Palmeira (onde, uma vez por outra, ainda é possível ver um navio “descarregar” passageiros), não só se encontra numa localização privilegiada como tem uma luz espetacular, daquelas que tornam tudo mais simpático.

Depois de estacionar o carro nas redondezas, o que se revela tarefa mais simples do que à primeira vista se pensa (baste enveredar pelas ruelas do outro lado da Avenida Antunes Guimarães), a entrada no Terminal é a primeira experiência engraçada: sobe-se de elevador (ou pelas escadas, para quem gosta de se massacrar para além do ginásio) e, depois, caminha-se por um corredor que faz lembrar as mangas que conduzem aos aviões, com vista para o rio.

Uma vez chegados ao restaurante, toda a grandiosidade (que se mantém na zona da receção e casas de banho, toda amadeirada e com elementos decorativos de um bom gosto despojado) torna-se aconchegante, apesar do pé direito alto: um grande balcão de madeira rústica, onde se servem os cocktails que fazem do Terminal também um bar, convive com bancos altos e uns sofás, para quem espera e gosta de ir bebericando; uma mesa de mistura anuncia noites musicais, em harmonia com as traves de madeira que remetem inevitavelmente para as construções náuticas.

A sala principal não é enorme e estava cheia que nem um ovo, o que parecia trágico para quem até tinha feito uma reserva, uma semana antes. Fomos convidadas por um dos funcionários (delicadíssimo e profissional, como todos os que passaram pela nossa mesa) a ficar numa sala mais pequena – e se o convite parecia indiciar uma experiência menor, pelo cuidado com que foi feito, veio a revelar-se uma coisa muito boa: a sala “ao lado” tem exatamente a mesma vista privilegiada, mas é bastante mais tranquila, o que é ótimo para quem, como eu, detesta ter de (e ouvir) falar alto às refeições.

Uma vez instaladas, e ainda antes de nos ser trazida a ementa, foi-nos apresentado o menu do dia, uma pechincha que, por 8,50€, nos serve o couvert, sopa, o prato do dia e uma bebida. Aceitámos imediatamente: bem sei que a especialidade da casa são as carnes puras (e não tardarei a voltar para um bife dos muito bons), mas é impossível não aceitar um negócio destes. Assim, começámos por trincar o pão (entre broa com chouriço e pão de mistura) com a manteiga de linguiça (coisa mesmo muito boa) e umas pipocas salgadas com orégãos que fizeram as nossas delícias. Passados uns minutos, veio um creme de brócolos irrepreensível (e eu nem sequer sou grande fã de sopa, a não ser daquelas que são para lá de boas, como esta).

O prato principal era Secretos de Porco Preto com Castanhas e Cogumelos, servidos com Arroz de Frutos Secos (num balde de alumínio) e devo dizer que a coisa estava uma especialidade, de tão boa. As quantidades servidas são sensatas e mais do que suficientes mesmo para gente de (bastante) alimento, como eu.

Inevitavelmente, não pudemos sair sem fazer uma incursão pela oferta de sobremesas, que parece ser outra das grandes forças do Terminal 4450, a aferir pela quantidade de sugestões que tive, mal artilhei uma fotografia do sítio onde estava, no meu Instagram: da Bola de Berlim (que passei por ser recheada com o tradicional creme de pasteleiro, que dispenso) ao Petit Gateau de abóbora com Gelado de Queijo da Serra, os conselhos eram muitos, mas acabei por seguir o meu instinto, que é muito chocolateiro, e decidi-me pelo Decadente de Chocolate, uma deliciosa fatia de bolo de chocolate em três texturas, que rivaliza com o que de melhor já comi, dentro do género. Para a mesa vieram ainda uma Mousse de Chocolate (o doce daquele dia) e uma Tarte de Limão Merengada que, apesar de gostosa e belíssima, só dececionou (em parte) porque o “merengue” era, na verdade, pedaços de suspiros (e a ideia não seria exatamente essa).

Finalmente, os cafés e a conta: uma refeição deste calibre, com vinho e sobremesas, ficou por um pouco menos de 18€ por estômago, o que me parece muitíssimo razoável e justo. Claro que, porque não satisfiz toda a minha curiosidade, pretendo voltar em breve, para os bifes e mais sobremesas, de preferência ao jantar – isto porque a busca por bons apetites jamais cessa, por aqui.

[rwp-review id=”0″]

Terminal 4450 | Leça da Palmeira

Morada: Avenida Doutor Antunes Guimarães, Terminal dos Passageiros
Localidade: Leça da Palmeira

Telefone: 919 851 933
Horário: Dom a Qui – 12:30 às 15:00 e 19:30 às 23:00 | Sex e Sáb – 12:30 às 15:00 e 19:30 às 02:00
Aceitam reservas? Sim

No Zomato
Terminal 4450 Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Não Se Esqueçam de Deixar os Vossos Comentários
E vocês, já experimentaram o Terminal 4450? Deixem-nos os vossos comentários no fundo da página. Obrigado!
Casa Ferreira | Porto | Comida Portuguesa | Carapaus de Comida

Fomos à Casa Ferreira comemorar o aniversário de uma amiga e a nossa mesa, para 16, concorria com mais meia dúzia de outras, todas em festa, a maioria de Natal. Ao que parece, já quando estava localizada na Rua do Almada era procurada para jantares de grupo e a mudança para a zona de Cedofeita (na Rua do Breiner) não lhe alterou a característica.

O espaço é amplo e simples, tradicional e sem grandes preocupações decorativas, ainda que estejam patentes um ou outro apontamento mais original. Felizmente, as mesas não estão todas encavalitadas em cima umas das outras, permitindo a cada grupo o convívio entre si, sem ser obrigado a ouvir as conversas do lado.

Uma vez sentados, e (felizmente) ainda sem estarmos todos (porque a fome já apertava), as entradas começaram a vir para a mesa, e devorámo-las deliciados: o paio, tal como o queijo de cabra e as azeitonas, eram francamente bons – só alteraria o pão, trocando as carcaças por pão de mistura ou mais broa de Avintes. Vieram também umas mini-chamuças muito jeitosas e acabadinhas de fritar, bem como tripas fritas, que não posso avaliar – tenho muita pena, mas é coisa de que ainda não consigo gostar (mas ainda não desisti de tentar) – e umas moelas que estavam divinas.

Os problemas surgiram depois, quando já estava o gangue todo reunido: éramos bastantes, alguns tinham vindo de Lisboa e estavam esfaimados (como o estavam duas crianças que também comeram) e o que queríamos eram comer e beber, sem dramas – mesmo porque, como se tratava de um jantar previamente organizado, haviam-nos sido dados dois pratos principais à escolha, nessa mesma tarde: peito de frango com alheira ou bacalhau com natas. E eu, que gosto do prazer de poder escolher o que me apetecer na altura, nem me ralei nadinha: nestas coisas dos grandes ajuntamentos, o que importa é um serviço despachado e sem confusões. Foi, por isso, com estupefação que recebemos a notícia de que as pessoas que haviam escolhido o prato de peixe teriam de optar por outra coisa qualquer, porque “a cozinha não fizera o suficiente” – e o que pode parecer um pormenor sem importância é, na opinião desta vossa criada, capaz de estragar uma experiência, só porque sim.

Eu tinha optado pelo frango, mas os que de nós contavam com o bacalhau passaram um bom quarto de hora “em estudos”, para escolher um dos outros pratos de cozinha tradicional portuguesa que a ementa oferece. Assim, vieram Alheira à Portuguesa (com ovo estrelado, grelos e batata a murro), Secretos de Porco Preto (com a batata e os grelos) e Filetes de Pescada com Arroz de Berbigão, sendo que foi tudo gabadíssimo, bem como o prato de Frango com Alheira, servido com batata frita às rodelas (magnífica), arroz branco e tomate (também recheado de alheira – e aqui já me pareceu alheira a mais).

Ou seja, o problema não reside no que sai da cozinha, mas no modo como as coisas (não) se organizam – porque, de resto, o serviço às mesas é simpático e eficaz, perfeitamente capaz de lidar com uma casa cheia de sorriso nos lábios e trabalho feito. Também me parece que este pequeno engano se terá refletido na conta: a maioria de nós bebeu cerveja de pressão, o pouco vinho foi o da casa, não pedimos sobremesa (porque havia bolo de aniversário) e, mesmo assim, pagámos pouco menos de 17€ – o que me parece desajustado.

Se recomendo a Casa Ferreira? Certamente, pelo que se come. Mas aconselho vivamente, no caso de jantares de grupo, a certificação de que as coisas correm de forma diferente, sob pena de se macular o que, de outro modo, poderia ser quase perfeito.

[rwp-review id=”0″]

Casa Ferreira | Porto

Morada: Rua do Breiner, 248
Localidade: Porto

Telefone: 910 600 747 | 919952169
Horário: Seg – 11:30 às 15:30 | Ter a Qui – 11:30 às 15:30 e 19:30 às 22:00 | Sex e Sáb – 11:30 às 15:30 e 19:30 às 23:00
Aceitam reservas? Sim

No Zomato
Casa Ferreira Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Não Se Esqueçam de Deixar os Vossos Comentários
E vocês, já experimentaram a Casa Ferreira? Deixem-nos os vossos comentários no fundo da página. Obrigado!
Adega São Nicolau | Porto | Carapaus de Comida

Se me permitem a honestidade, começo por dizer que a Adega São Nicolau esteve longe de ser a nossa primeira escolha para a noite em causa – a verdade é que decidimos marcar um jantar para cinco pessoas com 48 horas de antecedência e a coisa estava assim para o difícil, o que só prova que a noite portuense continua vivíssima e recomenda-se. Vai daí, depois de um punhado de tentativas frustradas, seja porque os estaminés que queríamos experimentar estavam cheios, seja porque nos impunham um horário limitado (por exemplo: que nos despachássemos entre as 8h00 e as 21h30, o que para nós, que gostamos de estar à mesa, é absolutamente contranatura), não nos foi possível assegurar qualquer das reservas que primeiramente intentámos.

Já em desespero de causa, não porque na Invicta faltem opções, mas porque nos apetecia um sítio que nos proporcionasse simultaneamente boa comida e um serão bem-disposto e relaxado, ocorreu-me que o meu irmão, que viera ao Porto em trabalho no início da semana, tivera um jantar com os colegas num sítio novo, de que gostara bastante: é aqui que entra a Adega São Nicolau, sita na rua com o mesmo nome, ali mesmo à beira-rio, na Ribeira.

Por boa fortuna (e tenho noção de que foi mesmo um golpe de sorte, sobretudo depois de lá ter estado), havia uma mesa para nós, a partir das 21h (o que significa que alguém ia ser bastante expulso, a esta hora, para nos dar lugar) – e fechei o “negócio” sem pensar duas vezes.

Na noite agendada, tinha chovido violentamente à tarde mas, bendito seja São Pedro, a noite estava húmida mas sem aguaceiros; ainda assim, foi com alguma surpresa que vi a pequena (mas engenhosa) esplanada repleta de gente: pela estreita rua acima, mesas de quatro e duas pessoas contrariam a considerável inclinação, aquecidas por lareiras verticais de exterior – o que me causou uma certa inveja, já que a vista para o rio Douro e para a Serra do Pilar é, dali, deliciosa.

Claro que, bem vistas as coisas, uma mesa interior é sempre mais confortável numa noite de Outono a puxar para o frescote; ainda assim, a nossa sofria de um enorme inconveniente: era uma mesa para quatro, onde tiveram de caber cinco (e não, não no-lo comunicaram de antemão), o que é sempre algo desagradável, mesmo que caibamos, como foi o caso. Aqui, acresce que o espaço entre as mesas é diminuto, o que agrava ainda mais as circunstâncias: quem estava nas extremidades ou de costas para a passagem para a cozinha, tendia a (por mais desembaraçados e cuidadosos ou habituados a desviar-se de “obstáculos” que fossem os funcionários – e eram-no) sofrer algum contacto físico por parte de quem se desloca no ínfimo espaço interior, mesmo que apenas para ir à casa de banho.

Evidentemente que, se não fosse assim, provavelmente, não teríamos tido mesa – e apreciámos sobremaneira a gentileza – mas ainda assim, e porque não há forma de fazer esticar o espaço, era importante dar conta aos clientes dos constrangimentos, de modo a que pudéssemos decidir se nos apetecia sujeitarmo-nos a eles ou nem por isso (e nós se calhar acataríamos a coisa).

Uma nota final para a estética do espaço, que é muito interessante: as paredes são revestidas a madeira clara e fizeram-me lembrar o interior de um barco (também nos pareceu uma pipa de vinho, mas optámos pela interpretação do barco, que sempre é mais elegante) e a luz é quente e acolhedora – embora inimiga das fotografias tiradas com a câmara do telefone-a-precisar-de-ser-substituído, como vos será dado a ver pelos retratos amarelados que acompanham esta prosa.

Quanto à experiência gastronómica em si, só temos coisas boas a apontar: eu e a AC escolhemos as Lulas Grelhadas, que viriam servidas com batatas cozidas e que foram substituídas por batatas a murro, a nosso pedido; a SC e a MBC optaram pelos Bifinhos de Atum Grelhados (mesmo acompanhamento original, igual pedido de substituição) e a MB escolheu a Bochecha de Vitela Estufada, servida no tacho e acompanhada por arroz branco. E a verdade é que, às primeiras dentadas, estava feita a apreciação: das suas (salva seja) bochechas, a MB disse parecerem “um estufadinho caseiro”; os bifinhos de atum só mereceram elogios; já as nossas lulas, encontravam-se no ponto ótimo: tenras mas sem perderem a consistência. É que até as batatas, que primeiramente granjearam olhares de esguelha, por mais parecerem terem levado um tabefe mal dado do que um murro como deve ser, eram saborosas e macias como poucas e combinavam lindamente com a fina cama de azeite a saber a alho, em que repousavam.

Para beber, a nossa perita AC tratou de escolher a beberagem: fizemos a folha a duas garrafas de CARM, um maduro branco do Douro servido fresquinho, que nos soube muitíssimo bem.

A nossa única crítica, nesta dimensão, vai para a falta de legumes: pedimos que nos trouxessem verduras “com fartura”, veio apenas uma travessa de couve cozida (saborosa, mas a precisar de cor); quando quisemos repetir, não havia mais nada – e parece-nos desadequado que um estaminé com tanta afluência não esteja preparado para, num sábado à noite, servir coisas verdes aos clientes, a mais de uma hora do horário de encerramento.

Quando chegou a hora das sobremesas, foi-nos sugerido que deixássemos que escolhessem por nós, pelo que nem olhámos para a ementa – e, se por um lado me agrada que me sirvam o que de melhor a casa tem, por outro fico sempre na dúvida (sobretudo depois da falta de legumes): será que havia mais alguma coisa? Neste caso, não foi preocupante, porque gostámos bastante do que o funcionário nos trouxe: seminaristas (jesuítas pequeninos) frescos e fininhos, toucinho-do-céu saboroso, uma torta de laranja com passas fantástica, e um quindim que reuniu a preferência da maioria – embora nisso não tenhamos estado de acordo: umas gostaram mais de uma coisa, outras de outra… e eu gostei igualmente de tudo, porque não consigo comparar coisas diferentes e sou mocinha de bom palato, vá.

Passámos aos descafeinados e à conta, que se revelou também ela uma excelente surpresa: 22,70€, que passámos a 23,50€ – porque apreciámos o serviço, embora saibamos que poderá não agradar a toda a gente: não discuto a competência, mas a descontração é rainha, o que pode não convir a todos os clientes.

Em jeito de conclusão, a Adega São Nicolau é estaminé que recomendo sem hesitações, não só apenas pelo que lá nos é dado a provar, mas também pela localização privilegiada, que o torna um sítio onde locais e turistas (nacionais e estrangeiros) se encontram, num ambiente eclético e descontraído.

[rwp-review id=”0″]

Adega São Nicolau | Porto

Morada: Rua de São Nicolau, 1
Localidade: Porto

Telefone: 222 008 232
Horário: Seg a Sáb – 12:00 às 23:00
Aceitam reservas? Sim

No Zomato
Adega São Nicolau Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Não Se Esqueçam de Deixar os Vossos Comentários
E vocês, já experimentaram a Adega São Nicolau? Deixem-nos os vossos comentários no fundo da página. Obrigado!
Solar Moinho de Vento | Comida Portuguesa | Porto | Carapaus de Comida

Há já algum tempo que, de passagem pela Rua Sá de Noronha, dizíamos que, quando o tempo arrefecesse, marcaríamos um dos nossos almoços quinzenais ou mensais (depende das alturas) na Baixa para ali. Não sei por quê, mas era consensual entre as três que o Solar Moinho de Vento era coisa para nos saber melhor quando fosse Outono, talvez porque a oferta gastronómica é mais na onda do tradicional português, talvez porque o espaço nos parecia escuro, visto de fora, e não queríamos desperdiçar raios de sol, quando o havia. A verdade é que, depois das férias, o primeiro almoço foi mesmo ali, num dia em que chovia até mais não (e isto não previmos, deve ter sido São Pedro a castigar-nos pelo atrevimento dos planos tão antecipados: “ai querem Outono? Então peguem lá.”).

Não sei bem porquê, as três ficámos bem impressionadas com o interior, que é bem mais acolhedor e bonito do que imagináramos: no andar de baixo, a cozinha e dois grandes balcões onde encontramos fruta, alhos secos, bem como um punhado de mesas pequenas; ao fundo, à direita, a escada que nos leva ao andar superior, com mesas redondas e quadradas ou retangulares, e alguns elementos de decoração interessantes. As paredes também estão revestidas de desenhos de pedaços do Porto e alusões ao estaminé, na imprensa.

Pelo sim, pelo não, a mesa foi reservada, ainda que creia que, numa terça feira de outubro, pelas 13h, não teria sido impossível encontrar mesa, numa incursão espontânea; mas assim ficámos junto a uma das janelas (da frente virada para a Rua Sá de Noronha, já que a outra dá para o Café Progresso), o que nunca é infeliz. O único senão foi estarmos debaixo de um aparelho de ar condicionado demasiado fresco, que a RV pediu para ser desligado.

À nossa espera, na mesa, encontrava-se já um cesto de pão com ar apetitoso (de que só a RV provou um nadinha), azeitona miúda (de que não sou apreciadora), azeite e presunto que até a mim (a “saleira”) pareceu excessivamente salgado – mas não provámos o que quer que fosse, porque ao almoço somos todas bem mais comedidas.

No que toca a pratos principais, fomos as três para os de peixe (embora o arroz de costelinhas e moura também me tenha tentado): a JSS quis os Linguadinhos Pequenos Fritos, servidos com Arroz Malandro do Dia (mas pediu para lhe substituírem o arroz por legumes, o que foi prontamente aceite), a RV foi nos Filetes de Pescada Fresca, servidos com Arroz Malandro do Dia, e esta vossa criada, tendo querido primeiramente a Petinga, achou por bem optar pelo Arroz de Polvo Malandrinho. O funcionário que nos serviu fez um nadinha de confusão com os pedidos, embora (como veem) só da JSS tivesse uma alteração; por outro lado, disse-nos que o arroz do dia era de tomate, quando afinal veio a ser de feijão – o que não fez diferença, porque a RV gosta, mas teria feito comigo, que não sou apreciadora.

De resto, estava tudo bom, sobretudo o polvo: super-macio, nacos grossos, arroz bem cozinhado; os filetes (um grande e um médio) também foram gabados, embora a RV os achasse um nadinha salgados, o que acabou por ser equilibrado pelo arroz, que não o estava; os linguados da JSS mereceram aplausos pela qualidade e apupos pela quantidade: eu teria ficado faminta só com aquelas três pecinhas. Eu e a RV acabámos por ter de pedir uma salada mista (pobremente temperada, quanto a mim), porque nenhum dos pratos traz legumes, o que me parece dado a reconsiderar.

Aquando das sobremesas, que nos foram recitadas pelo funcionário, na ausência de lista, preterimos (e refiro de cabeça) as mousses de chocolate e oreo (não me lembro do resto, mas havia mais umas três coisas) e quedámo-nos pelo leite-creme, depois de nos termos assegurado de que que era queimado na hora. E foi, de facto: o maravilhoso cheirinho a açúcar a caramelizar antecedeu a sua chegada à mesa mas a prova foi uma desilusão, porque o creme estava frio e pouco cremoso.

A conta chegou e colocou-nos perante o maior inconveniente deste Solar: os preços. 16,50€ por estômago, sem vinhos (foram pedidas uma Cola e uma água) e só com duas sobremesas (a RV passou esta etapa) pareceu-nos excessivo e desadequado. Come-se bem e barato aqui pela Invicta e é fácil encontrar meia dúzia de estaminés ali mesmo, nas redondezas, que nos dariam a comer o mesmo, por pouco mais de metade do preço, à hora de almoço – e este é um dado decisivo para que dificilmente venhamos a regressar.

[rwp-review id=”0″]

Solar Moinho de Vento | Porto

Morada: Rua de Sá de Noronha, 81
Localidade: Porto

Telefone: 222 051 158
Horário: Seg a Qui – 12h00 às 15h30 e 19:00 às 22h00 | Sex e Sáb – 12h00 às 15h30 e 19:00 às 22h30 | Dom – 12h00 às 15h30
Aceitam reservas? Sim

No Zomato
Solar Moinho de Vento Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Não Se Esqueçam de Deixar os Vossos Comentários
E vocês, já experimentaram o Solar Moinho de Vento? Deixem-nos os vossos comentários no fundo da página. Obrigado!
Portu's | Ribeira | Porto | Carapaus de Comida

Não fora a recomendação da CP, que gosta tanto de comezainas e de descobrir sítios novos como estes vossos criados, e provavelmente nunca teríamos chegado a descobrir o Portu’s (não confundir com o bar com o mesmo nome na Baixa, por onde passámos na Rota das Tapas dois anos a fio), ali meio escondido mesmo no começo da Rua dos Mercadores, se estivermos de costas viradas para o Cubo e para o Douro. Dizia-me ela que tanto os pregos como as francesinhas são coisa do além, já para não falar nas gambas-gigantes grelhadas (a apenas 2€ cada, não lembra ao diabo!). Por isso, no primeiro sábado de 2016, foi este o destino para um almoço em dia de sol, sem grandes discussões e por aclamação quase unitária. Read more

Cafeína | Porto | Carapaus de Comida

Uma das minhas grandes lacunas gastronómicas, no que à oferta da Invicta concerne, é(ra) o Cafeína (e, acrescento já, o seu mano Terra – mas tratarei disso em breve), circunstância que a Zomato, em parceria com o restaurante, fez o favor de alterar quando convidou os dois seres que põem esta chafarica em marcha para um almoço cujo objectivo era reunir alguns dos bloggers e foodies do Porto. Carapau AV, porque impossibilitado de comparecer, num dia útil, ao evento, passou a bola ao TD (um já habitué destas coisas). E lá fomos, ambos sem saber muito bem o que esperar, mas com a certeza de que, o que quer que fosse, seria bom. Read more

Restaurante Casa Inês | Porto | Carapaus de Comida

A ida à Casa Inês estava em espera praticamente desde que, em 2012, a Inês “do Aleixo” (assim se chamava, primeiramente, este estaminé) saiu da Casa Aleixo, regida primeiramente por seu pai e, após a sua morte, em 1980, pela viúva e os dois filhos e abriu este estaminé, na vizinhança. Na verdade, a filha do saudoso Sr. Ramiro, de cujas mãos saíram os pratos que tornaram a Casa Aleixo um ex libris da Invicta, trouxe consigo o saber e parte da equipa que ali trabalhava, pelo que não lhe terá sido difícil montar novo restaurante, mal arranjou espaço para tal, ali mesmo, em Campanhã, e muito perto do negócio de restauração familiar – de onde saiu no decurso de um desaguisado familiar “já antigo”, ao que conseguimos apurar (note-se o timbre jornalístico). Read more

Restaurante Palmeira Olivais | Carapaus de Comida

Estão a ver aqueles restaurantes de bairro (sendo que “bairro” não é o mesmo que “bairro social” mas sim e apenas um aglomerado residencial – está bem, ó conterrâneos portuenses?), que ninguém conhece a não ser os habitantes locais, e onde não é raro encontrar o Manel em camisola interior de cavas e a Maria de bata ou avental e chanatos de andar por casa? Pois muito bem, o Palmeira, ali nos Olivais, mesmo ao lado de uma igreja de que desconheço o nome (não me levem a mal, sempre que lá vou é à noite e carregadinha de fome), é isso mesmo: nas salas interiores e esplanada (onde ficamos sempre que podemos, debaixo da árvore que dá o nome ao estaminé), encontramos 50% de locais e a mesma percentagem de gente que, como nós, descobriu aquilo nem sabe bem como e volta e meia vai lá parar, porque o que se come é bom e barato (ao menos pelos cânones da capital). Read more

Já há muito que aquele sítio me despertava curiosidade. O Cantina LX é um restaurante dentro do LX Factory, um espaço com uma vaidade escondida na sua feiura.

Não esperem luxos, a Cantina LX manteve-se muito fiel às antigas instalações, ou não tivesse sido a cantina dos operários da gráfica Mirandela. É um espaço frio, industrial mas algo me fez acreditar que ali iria ser feliz. Read more

A posta de hoje é a prova de que, por vezes, falhamos no alvo – mas acertamos em local ainda melhor, mesmo ao lado. A malta explica: mal soubemos da abertura da Nut’Braga (temos uma posta sobre a loja do Chiado, pela Carapaua-ocasional LA, mas o Cardume fixo ainda não tinha experimentado a coisa), contactámos as Carapauas honorárias locais, a AC e a SC e tratámos de marcar uma tainada. Obviamente, a sobremesa estava decidida, agora faltava marcar o local para o repasto que a antecede, o que ficou a cargo das nossas anfitriãs – e que bem que elas escolheram, abençoadas: após deliberação breve, ficou decidido que iríamos ao Retrokitchen, espaço relativamente recente, que é propriedade de uns amigos das nossas amigas e sobre o qual já lêramos umas linhas elogiosas na imprensa especializada (com quem nem sempre concordamos, mas gostamos de ir cheiriscar para poder discordar – ou nem por isso). Read more