Maus Hábitos | Vícios de Mesa | Brunch | Porto | Carapaus de Comida

Brunch

Maus Hábitos | Vícios de Mesa | Porto

28 Abr , 2017   Galeria

Foi uma belíssima surpresa, esta nossa ida ao restaurante do espaço Maus Hábitos, a convite da gerência (circunstância que quem por cá anda há mais tempo sabe que raramente aceitamos). Na verdade, até começarmos a ser servidos, jamais esperámos pelo que aí vinha, provavelmente porque esta vossa criada desenvolveu uma espécie de resistência aos brunches de menu fixo, tendendo a preferir (quase dogmaticamente) os que oferecem a opção de buffet: não sei, pareceu-me sempre que seriam mais capazes de agradar a mais gente, sobretudo a mim, que não sou de gostar todos os dias da mesma coisa.

Mas adiante: o espaço não era, para mim, novidade, embora tenha sido sobejamente mais agradável conhecê-lo durante o dia, não só porque a sala de refeições (que, de noite, se transforma em bar e espaço dançante) fica airosamente ampla, com as suas muitas janelas viradas para a Rua de Passos Manuel (e não só) mas também porque as cores das outras salas e da esplanada merecem ser vistos. Uma nota negativa para todo o percurso desde a entrada do prédio (mesmo em frente ao coliseu, ao lado de um parque de estacionamento) até ao 4.º andar (onde fica o Vícios de Mesa e restantes Maus Hábitos): o elevador é dos antigos (mas ainda não vintage, se é que me entendem) e nada confortáveis, para além de que, quer no rés-do-chão quer já no quarto andar, o chão “cola” às solas dos ténis.

Haviam-nos reservado uma mesa mesmo junto às janelas que dão para o Coliseu do Porto mas, ainda assim, a simpática funcionária que nos acompanhou durante toda a refeição teve a amabilidade de nos perguntar se preferiríamos ficar na esplanada – que é um sítio amoroso, mas como eu gosto mais de ver gente (nem que seja os trabalhadores do coliseu, nos pisos de cima, ou os transeuntes pequeninos, no andar de baixo), preferi o interior. Também nos foi disponibilizada a ementa, para que pudéssemos tomar conhecimento das várias opções de brunch disponíveis, sendo que acabámos por optar pela que nos apeteceu mais adaptada às circunstâncias, o Brunch Para Partilhar a Dois (30€); em alternativa, haveria o Brunch Para Um, similar ao primeiro mas com um nadinha menos de coisas boas (por 14,50), o Mini-Brunch, mais arraçado de pequeno-almoço generoso (9,50€) ou o Brunch à La Carte, em que cada prato tem um determinado preço e é o cliente quem combina as suas preferências.

O Brunch escolhido assemelha-se em tudo a um banquete, pensado criteriosamente: depois de nos ser perguntado o que desejamos beber (café americano e/ou limonada, de entre os quais escolhemos esta última – e não acumulámos porque nenhum aprecia café americano), é trazida a sopa que, no caso, era de abóbora e batata-doce e estava uma especialidade – o que é ainda mais significativo se pensarmos que eu não sou uma apreciadora de sopa e só gosto de consistências muito cremosas e equilibradas, como foi o caso. Depois, já com as bebidas, o primeiro petisco: pão em carcaça de mistura (fresquíssimo e estaladiço) com lascas mesmo muito finas de queijo parmesão e manteiga caseira de ervas – tudo muitíssimo bom, assim, como o constante da lousa (que, aqui, fazem o papel de travessas) seguinte, com tomate confitado (conjugado com o queijo e o pão ficou um pitéu), iogurte com frutos vermelhos e granola e tacinhas de salada de fruta.

Era, então, tempo para servir os quentes, que estavam a ser cozinhados enquanto degustávamos os primeiros sabores: vieram ovos mexidos polvilhados de pimenta (quanto a mim, passados em demasia, mas eu gosto deles muito cremosos e mal cozinhados, sendo que não o transmiti) e tiras de bacon bem crocante vieram tortillas de trigo de salmão fumado/ricota e de espinafres salteados/ricotta, ambas acompanhadas do molho do chefe, de sabores frescos (a tomate e salsa, pareceu-me); veio uma sandes americana com tudo aquilo a que temos direito, no mesmo pão de mistura e com dois ovos estrelados a desfazerem-se (para nenhum dos Dois se ficar a rir) e vieram duas panquecas tradicionais, uma com compota de frutos silvestres (que acompanhei com a fruta servida anteriormente) e outra com um curd de limão muito bem conseguido.

Evidentemente que, nesta altura, mesmo com a limonada a ajudar a empurrar tudo, e apesar dos belíssimos sabores de que desfrutáramos até então, já tínhamos os estômagos bem perto do knock-out – e, no entanto, Carapau que faz por merecer o nome só abandona o ringue por desistência do adversário que, no caso, ainda tinha para nos oferecer uma belíssima mousse. Ainda por cima, ouvíramos dizer na mesa ao lado que era imperdoável sair dali sem degustar a sobremesa, pelo que tratámos de nos recompor e ouvimos a proposta: havia mousse de chocolate branco, de chocolate negro e de caramelo. Ora, na inconveniência de pedirmos as três (não só porque não queríamos abusar da generosidade mas sobretudo porque estávamos incapazes de ceder à gula), fiz o costume: pedi a recomendação de quem mais sabe da poda, isto é, de quem ali trabalha – e foi-nos vivamente aconselhada a de caramelo, a que adimos a de chocolate negro. E estavam ambas dignas de ser devoradas: cremosas e geladas (mas sem a consistência do gelado), qualquer uma delas brilharia sozinha mas, em conjunto, aquilo soube a sonata gastronómica.

Penitencio-me, por, até agora, ter preferido, de forma quase acrítica, os brunches em formato de buffet: o Maus Hábitos/Vícios de Mesa provou-me que é possível comer à grande e à portuguesa, por um preço simpatiquíssimo, um menu que eu não escolhi mas que assino por baixo e que me proporcionou belíssimos apetites.

Eis mais um estaminé que recomendaremos vivamente, quando nos vierem perguntar por brunches “bons e baratos”.

Maus Hábitos | Vícios de Mesa | Porto
4.8 Carapaus
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Positivos
  • O espaço
  • A sandes americana
  • O queijo
  • O pão
  • As mousses
  • Negativos
  • O estacionamento pode ser complicado
  • O elevador
  • Resumo
    Espaço giríssimo, com uma oferta de brunches (fixos, de entre três opções) muitíssimo boa, quer em quantidade, quer em qualidade, mesmo no coração da Invicta.
    Serviço4.5
    Comida5
    Preço/Qualidade5
    Espaço4.5
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    Maus Hábitos | Vícios de Mesa | Porto

    Morada: Rua de Passos Manuel, 178, Piso 4
    Localidade: Porto

    Telefone: 937 202 918
    Horário: Ter a Qui – 12:00 às 15:00 e 20:00 às 23:00 | Sex e Sáb – 12:00 às 15:00 e 20:00 às 24:00 | Dom – 12:00 às 16:00
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    Ana Andrade

    Ana Andrade

    Agridoce, de tempero forte e gargalhada salgada.
    Ana Andrade

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