Champ's da Baixa Bistrô | Brunch | Porto

Brunch

Champ’s da Baixa Bistrô | Porto

12 Mai , 2017   Galeria

Era tempo de mais uma refeição mensal das Fab Four (desta feita transformadas em Fab Five) e decidimos que seria um brunch (porque foi assim que a tradição começou): a AC havia lido qualquer coisa de bom sobre o brunch em regime de buffet desta Champanheria da Baixa Bistrô (misteriosamente intitulada de Champ’s da Baixa, nalgumas publicações, o que imagino que se prenda com a existência prévia de outro estaminé com nome surpreendentemente parecido), procedeu à marcação com antecedência e, no dia e hora marcados, lá estávamos nós.

Ora a coisa começou mal, logo nessa altura: aquando da reserva, não deixaram que agendássemos para as 13h porque teriam “um grupo muito grande a essa hora” – o que nos pareceu bem, sobretudo depois de termos chegado e verificado o tamanho da mesa com o buffet: tratando-se de self service e sendo incomportável que mais do que quatro ou cinco pessoas se servissem ao mesmo tempo, seria muito frustrante estar ali sem podermos chegar à comida. Marcáramos, por isso, para as 13h30; qual não é o nosso espanto, portanto, quando entramos e nem grupo grande nem sinal da nossa reserva. Claramente alguém se enganara redondamente na data – o que foi de alguma forma mitigado porque nos arranjaram mesa, mas a verdade é que poderíamos ter começado mais cedo, evitando a confusão que começou a gerar-se a partir das 14h.

O espaço, para mim, é mítico: ali funcionou, durante a minha adolescência e princípio da adultez, a Maluka – célebre loja onde enfeirei muita calça de ganga e um ou outro par de texanas. Nunca imaginei que aquilo desse um bom restaurante – e, afinal, não-imaginei muitíssimo bem: ainda que, de fora, as janelas grandes e redondas (e a esplanada) deem muito charme à coisa, a parte de dentro, com um primeiro andar em sacada, é escura e sombria (como aferirão pelas fotografias anexas), ao que não ajudou o dia cinzento. Gosto da árvore que “nasce” de dentro do bar, a meio da sala, mas não do ínfimo) espaço entre meses e, sobretudo, de haver uma mesa colada àquela onde devemos servir-nos – é tudo pouco prático, apesar da decoração de bom gosto e da pequena zona de sofás, para quem aguarda por mesa.

Uma vez sentadas, tratámos de nos fazer à vida, porque somos gente desenrascada – e os funcionários devem ter-nos tirado imediatamente a pinta porque nenhum nos explicou o modo de funcionamento do brunch. Pelos menus deixados em cima da mesa e pela experiência anterior da IFM, confirmámos o self service e a possibilidade de podermos mandar vir um prato quente, entre a oferta de ovos (omeleta com ervas, ovos mexidos, ovos Benedict, ovos Clementine, omeleta de bacon e ovos estrelados com bacon) e de panquecas (com açúcar e canela, com mel e nozes, com natas e frutos vermelhos e com Nutella).

Era tempo, portanto, de aproveitar que a mesa de buffet parecia ainda intocada, e fomos servir-nos. Tudo ali tem belíssimo aspeto: as cores são lindas e há um ou outro prato que não é comum ver-se noutros espaços – ainda assim, para um restaurante daquela dimensão, teria de haver, pelo menos, mesa similar no andar de cima ou, então, no ponto oposto, atrás do bar, para assegurar que os clientes não se atropelam. Para além disso, parece que é comum as reposições demorarem imensamente, pelo que não me fiz rogada: enchi dois pratos em vez de um, para prevenir a maçada de ter de esperar, quando me levantasse outra vez.

Creio que provei um bocadinho de tudo (exceção feita para os fiambres e enchidos, que raramente como fora de casa, nem eu mesma sei porquê) e gostei particularmente da seleção de pão, que sinto ser, em certa medida, descurada pelos brunches da Invicta (ao menos os que conheço): pão é um dos meus alimentos preferidos e ver que este estaminé lhe dá protagonista, oferecendo-o fresquíssimo e de muitos tipos, merece o meu aplauso. Para o acompanhar, havia, para além de queijos vários e carnes frias, manteiga numas minitacinhas (que eram tão poucas que nem percebemos se as podíamos trazer para a mesa) e compotas. Também havia uma torradeira à disposição, mas eu, que acho sacrílego tostar pão fresco, nem lhe toquei. Um aplauso também para os croissants, de tipo francês e fantásticos em termos de frescura, sabor e ausência de gordura em excesso. Gostei muito de ali ver arrufadas, que me remetem para a infância: são raras neste tipo de oferta e eram especialmente boas.

Provei também uma tentativa de iogurte+granola+compota servidos em copos de shot – o que não funcionou de todo porque o talher não conseguia chegar ao fundo – e não gostei nadinha: a granola era mole e demasiado doce (não me pareceu, de todo, caseira) e o iogurte demasiado açucarado.

Depois, havia mais frios e folhados, sendo que destes tenho de destacar os tomates recheados (muitíssimo bons) e as mini-quiches (bem saborosas). Não gostei de uma espécie de roscas de bacon, porque a massa folhada estava dura e sem graça – este foi, sem dúvida, o item menos bom de toda a experiência. Como saladas, não havia grande diversidade, mas sempre degustei uma de tomate com mozarela e manjericão (mistura que nunca falha), outra de beterraba com queijo de cabra e uma outra, de massa – nenhuma me encheu as medidas, mas gostei da sua presença.

Entretanto, lá chamámos alguém para pedir os quentes: perante a minha pergunta de o que eram exatamente ovos Clementine, o funcionário que nos calhou na rifa respondeu com um sábio “são ovos com molho Clementine”. Obviamente, porque sou torcida, perguntei o que era exatamente isso – e, ainda assim, atirou-me “ah, mas quer mesmo saber o que é o molho?”. Respondi que com certeza – e lá teve o desgraçado de ir à cozinha, o que estava a tentar evitar desde início. Não foi para chatear (embora possa ter parecido) mas acabámos por pedir quatro Benedicts e umas Panquecas com natas e frutos vermelhos – e tudo foi aplaudido (menos o desconhecimento do empregado e respetiva tentativa de camuflagem).

A acompanhar tudo isto, tínhamos à disposição chá frio, limonada, sumo de laranja (estes à discrição) ou sangria de espumante e vinho (2 copos por pessoa) ou ainda uma flute de espumante: eu fui na sangria, de que me servi a meu bel prazer, na ausência dos funcionários – não ultrapassei os dois copos, e poderia tê-lo feito, só porque aquilo parecia um suminho fracote, não tinha qualquer personalidade. Mas aplaudo a existência de opções com álcool, que nem todos os brunches têm. Também é possível pedir café com leite.

As sobremesas constavam também da mesma mesa e havia algumas coisas boas: os quadradinhos de brownie estavam um sonho, os morangos com natas (pouco doces) também, e uma espécie de queques com recheio de natas e morango apresentaram-se com muito sucesso – o que encerrou muitíssimo bem a experiência, finalizada com um café.

Se acho os 22,50€ excessivos para a oferta? Acho. A concorrência, mesmo ali ao lado, oferece similar e é bem mais barata. Mas a qualidade do que se come é indiscutível e acho que vale a pena a visita – embora não seja sítio onde tencione regressar, pelo valor inflacionado.

Champ’s da Baixa Bistrô | Porto
3.5 Carapaus
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Positivos
O pão, O brownie, Os croissants
Negativos
A escuridão do espaço, O tamanho da mesa do buffet
Resumo
Mais uma opção de brunch na Baixa do Porto, num espaço que oferece uma diversidade interessante e com qualidade.
Serviço3.5
Comida4
Preço/Qualidade3.5
Espaço3
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Champ’s da Baixa Bistrô | Porto

Morada: Rua de Sá da Bandeira, 467
Localidade: Porto

Telefone: 223 235 254
Horário: Seg a Qui – 12:00 às 01:00 | Sex e Sáb – 12:00 às 02:00 | Dom – 12:00 às 24:00
Aceitam reservas? Sim

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Ana Andrade

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Agridoce, de tempero forte e gargalhada salgada.
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