Comida Portuguesa

De Barriga atracada no Cais

17 Fev , 2012  

Taberna do Cais das Pedras | Porto

Domingo, tradicional dia de dolce far niente, ida ao teatro marcada há que tempos, lá fomos nós, os Carapaus e uma fabulosa trupe, gargalhar para abrir o apetite.

Findo o período de cultura, metemos pés e papilas ao caminho, rumo a Massarelos, onde nos esperavam a D. Isabel Gesta e a Taberna do Cais das Pedras.

Chegado ao destino, deu-se um episódio caricato. Ida à casa-de-banho e, querendo lavar as mãos, abeiro-me do lavatório, procuro torneira e não encontro. “Modernices”, penso eu, tentando activar o cada vez mais comum sensor, que liberta o jorro desejado, sem sucesso. “Só faltava não haver água. Começa bem…”, precipito-me eu. Numa última tentativa plena de desespero, espreito debaixo do lavatório e eis que lá está o mecanismo que me dará a vitória sobre este mísero lavabo: um pedal! Não, não sonhei. “Começa bem!”, concluí eu.

A decoração do espaço não surpreende nem decepciona. Algumas antiquidades, quadros
decoram a parede que lhes serve de montra (estão à venda e tenho pena de não ter registado o nome do artista). As cadeiras têm aspecto algo frágil e são, de facto, pouco confortáveis. Gostei das várias antiquidades espalhadas pela sala e do ambiente rústico moderno do espaço.

Na mesa já nos esperavam uns chouriços com óptimo aspecto, que o MS habilmente assou no tradicional recipiente de barro, visto que esta é uma tarefa reservada ao cliente. Havia também pratos com queijo feta e azeitonas, que me escuso comentar visto que, nem um nem outro, me fazem tilitar o bucho.

Seguiu-se então um pão recheado com queijo (não sei qual) que, não estando mau, me deixou saudade de um outro que como habitualmente. Um camembert acabado de sair da fornalha enfeitou também a mesa.

Faço uma pausa nos comes para falar nos bebes. Comecei por provar a sangria, servida em jarro rústico de barro, com gelo e sem fruta. Gostei! Bem fresca e não muito doce (embora com sabor agradável), como é do meu agrado. Seguiu-se a cerveja. Realço que a partir da segunda rodada, foi-nos pedido que nos servíssemos do barril e apontássemos o que fossemos bebendo. Já havia sucedido o mesmo na Taberna do Barqueiro (local onde a D. Isabel servia os seus petiscos antes de se mudar de armas e bagagens para Massarelos), facto pelo qual estou eternamente agradecido, visto ter sido então que aprendi a tirar finos. Até aí, embora já os sabendo sorver feroz e correctamente, dependia de alguém que os tirasse em condições por mim. Houve até quem pedisse a última cerveja preta (não havia mesmo mais nenhuma).

Voltando ao que se trinca, chegaram entretanto alheiras, infelizmente, bastante queimadas. As partes que não estavam, eram bastante saborosas. Veio também um paio que fez excelente companhia ao pão que ainda restava nos cestos.

A esta altura já a malta apresentava sinais de preocupação: tudo tinha muito bom aspecto e estava mais ou menos apetitoso, mas…então e o substrato, aquilo que nos iria deixar a ansiar por uma próxima visita (já para não dizer, satisfeitos naquela tarde/noite)?

Gostava de vos dizer que esse elemento preponderante fez a sua aparição. As moelas ameaçaram sê-lo. Bem cozinhadas, tenras e saborosas (não sendo eu um apreciador de moelas, devo dizer que estas foram a estrela da tainada). Se o molho estivesse mais apurado e picante não lhes causaria dano algum, mesmo assim. Ainda tivémos direito a pimentos padron e cogumelos apresentados numas frigideiras de tamanho mini, a fazer lembrar brinquedos de outros tempos. Dada a panóplia de pratos e recipientes espalhados pela mesa, é bem pensada a utilização destes deste tamanho. Gostei bastante do pormenor.

Para compor o ramalhete, foram servidas umas pataniscas, pequenas, fofas e bastante saborosas, acompanhadas por arroz de feijão, não tão conseguido.

A D. Isabel ter-se-á apercebido da nossa vontade de comer só mais um bocadinho e sugeriu-nos rojões com tripa enfarinhada. Os primeiros estavam algo secos, embora com bastante sabor. De seguida veio também uma morcela, também ela assada na mesa, por um dos membros da trupe.

Para completar o (que podia muito bem ter sido um) banquete, foi-nos dito o que havia para sobremesa. Embora fosse tentado pelo pudim (e nada tentado pelo crocante de maçã, por gosto pessoal), optei pela tarte de limão, que já havia experimentado na incursão à Taberna do Barqueiro, e que tão boa impressão tinha deixado. Não decepcionou e foi um excelente remate para a refeição. Fomos ainda surpreendidos por uma oferta plena de simpatia (e calorias) da D. Isabel: um prato com brigadeiros de chocolate, que não ficam a dever em nada ao divino.

O momento por que ninguém ansiava chegou, pela boca da anfitriã. Por 18€ cada um, evitávamos que alguém ficasse para trás a lavar louça. Pena foi que não soubéssemos o que custou quanto, visto que o total nos foi apresentado numa calculadora, à antiga, sendo que também não nos foi oferecida factura.

De referir ainda que alguns dos tainantes mais próximos da janela sentiram algum frio e que o cheiro a comida no pós-incursão era algo incomodativo.

Como conclusão, não deixaria de aconselhar uma visita à Taberna do Cais das Pedras, embora, voltando, o faça talvez durante a tarde, em jeito de lanche reforçado.

Obrigado por este bocadinho.

Abreijos para todos!

Comida Portuguesa

Da passagem pelo Cais das Pedras

16 Fev , 2012  

Taberna do Cais das Pedras | Porto

Desta vez, o local escolhido para “tainar” foi a Taberna do Cais das Pedras, antiga “Taberna do Barqueiro” que mudou, no final de 2011, de um espaço simples e demasiado pequeno em frente à Alfândega do Porto, para o Cais das Pedras, em Massarelos.

O espaço é acolhedor e despretensioso apesar de não ser muito confortável, culpa das cadeiras de jardim em madeira. O atendimento é feito pela proprietária, Sr.ª D. Isabel, que valoriza a proximidade com o cliente e gere a sua simpatia em função da empatia que se vai criando entre os clientes e a própria.

Não tem estacionamento privativo mas encontra-se facilmente lugar na rua.

A refeição baseia-se na degustação de vários petiscos como, pão, azeitonas, queijo, pão com queijo no forno, camembert no forno, rojões com tripinhas fritas, pataniscas de bacalhau com arroz de feijão, alheira com grelos, entre poucos outros. Caracteriza-se por uma confecção bem caseirinha e os pratos são servidos ainda quentes. E se a lista parece variada para uma refeição tem o inconveniente de ser sempre a mesma.

É um bom local para jantar com calma, ideal para grupos não muito grandes (8 a 10 pessoas) ou mesmo para um jantar a 2.

Debruço-me sobre a sobremesa. Da lista, não física mas verbalizada pela Sr.ª D. Isabel, fazia parte tarte de limão, crocante de maçã e pudim. Optei pela tarte de limão, que havia experimentado anteriormente e à qual não resisti. Deliciosa! Base de bolacha crocante coberta com creme e raspa de limão.

Os cafés foram servidos com brigadeiros de chocolate, cortesia da Sr.ª D. Isabel.

O preço médio com petiscos, bebidas, sobremesa e café ronda os 18€.

Nota negativa para o sistema de exaustão que faz com que nos lembremos do cheiro dos petiscos durante as horas seguintes.

Comida Portuguesa

Com frio não se aconchega a barriga…

15 Fev , 2012  

Taberna do Cais das Pedras | Porto

Domingo dia de mais uma visita com direito a mais uns bitaites gastronómicos na Taberna do Cais das Pedras.

Isto depois de um belíssimo início de tarde, a rir com as palhaçadas do Bruno Nogueira e do Miguel Guilherme na peça É Como Diz o Outro, no seu último dia de exibição e casa cheia, no Coliseu do Porto.

A Taberna do Cais das Pedras situa-se entre Miragaia e Massarelos, duas das mais belas e turísticas freguesias da cidade do Porto, mais propriamente a fazer esquina entre a Rua de Monchique e a Calçada Sobre o Douro e com muito espaço para estacionar.

O local é um espaço amplo mas não muito grande, com uma decoração muito simples: cadeiras (um pouco desconfortáveis) e mesas de madeira com tampos de vidro, toalhas de mesa e cortinas a condizer (vermelhas e brancas aos quadrados) mas com uma condicionante para esta época do ano, o frio; é que  comer sem se sentir aconchegado nunca dá para apreciar a comida da melhor forma, mas agora vamos ao que interessa.

Para comer, esta casa apresenta uma panóplia variada de tapas e para beber podemos escolher entre  cerveja , vinho e Sangria …

Iniciámos esta Maratona Gastronómica com um chouriço de colorau, cuja assadura é controlada pelo cliente, queijo feta com azeitonas e oregãos e salpicão, servidos juntamente com umas tostinhas acabadinhas de fazer.

Passámos depois para o pão com recheio de queijo, moelas (muito tenrinhas) com um molhinho de comer e molhar ainda mais, servidas em tachos que pareciam de a minha sobrinha brincar, alheira de boa qualidade e moira assada, também ao gosto do cliente. Em seguida, fomos presenteados com um queijo camembert saidinho do forno e uns rojões muito tenrinhos e gostosos com tripa enfarinhada bem frita, como mandam as regras.

Saboreámos também umas pataniscas com sabor a bacalhau, que mais pareciam uns sonhos de tão fofinhas que estavam, acompanhadas com arroz de feijão vermelho.

No fim e para sobremesa uma tarte de limão que segundo os convivas é uma especialidade e uns brigadeiros de chorar por mais.

Taberna do Cais das Pedras é um local onde a descontração e o ambiente descomprometido reina, um bom sitio para grupos poderem usufruir de uns agradáveis petiscos, umas cervejolas em self-service em bom ambiente e com umas vistas fantásticas sobre o Douro.

Comida Portuguesa

Do Coliseu ao Cais das Pedras

13 Fev , 2012  

Taberna do Cais das Pedras | Porto

Porque nem só de alimento para o estômago se faz um Carapau de excelência, fomos ao Coliseu preparar as paredes do dito, que se fortalecem com as gargalhadas que nele e dele nascem: a peça É Como Diz o Outro, magnificamente escrita por  por Henrique Dias e Frederico Pombares e brilhantemente interpretada por Miguel Guilherme e Bruno Nogueira (encenação de Tiago Guedes), foi o melhor dos aperitivos. Mas sobre ela, escrevo na outra chafarica, que este é um local onde se fala é de comida.

Rumámos à Taberna do Cais das Pedras (ali mesmo, na marginal do Porto, frente à ponte luminosa, onde outrora era sito o Marraquexe), numa primeira visita, depois da mudança desde Miragaia. O que mudou foi, sobretudo, o espaço, agora consideravelmente mais amplo: a Sra. D.ª Isabel Gesta já consegue mover-se com destreza, numa sala onde cabem 53 pessoas sentadas e há espaço até para duas casas de banho, uma para cada género (woo-hoo!), bem como para elementos decorativos.

O conceito é o mesmo da Taberna do Barqueiro: não há cá mariquices de ementas nem dificuldades na escolha. Quem ali vai, vê desfilar à sua frente uma série de petiscos que a proprietária mantém mais ou menos constantes e que vão desde um magnífico pão de queijo a uns rojões (à Porto, carago, com a tripinha que eu dispenso mas que ouvi dizer estar boníssima) apuradinhos, azeitonas muitíssimo bem temperadas, alheira de qualidade superior (embora um tudo-nada queimada, na porção que me tocou) e todo um manancial daquelas coisas que fazem bem ao estômago e à alma (o que quer que isso seja).

De salientar o acolhimento, tímido, de início, e caloroso, depois, da D.ª Isabel, que nos põe a tirar finos a partir da segunda rodada (privilégio de que só os que lhe caem no goto desfrutam) e a mesa que nos estava reservada (a reserva prévia é algo que se recomenda, nesta casa que facilmente fica lotada), redonda, como se querem as mesas em que doze amigos se sentem como se estivessem em casa.

Fica ainda a nota máxima dada aos brigadeiros (dos melhores que já me foram dados a provar) com que nos brindou, numa oferta generosa (“porque vocês são muito simpáticos!”), já depois da sobremesa (uma tarte de limão de qualidade variável, mas que nunca deixo de pedir), e que souberam divinalmente, com o café.

Relação qualidade/preço normal: 18€ por pessoa, com direito a sangria (nunca barata) para a maioria. Ainda assim, e porque nem tudo são coisas boas, devo exaltar o facto de nunca sabermos quanto estamos a pagar pelo que comemos: não há ementa, como disse já, nem conta parcelada no final, apenas um montante acumulado. Por outro lado, quem gosta de novidade dificilmente ficará satisfeito: das três vezes que me desloquei a este restaurante, sempre com reserva, só fui surpreendida da primeira, uma vez que os  petiscos são sempre os mesmos, não há risco. O principal senão é o sistema de exaustão, num restaurante onde também se fuma: ficar a cheirar a comida nunca é simpático, sobretudo se a noite não acabar ali, o que nem sequer foi o caso.