A sugestão do JP, há uns tempos, levou-nos a escolher a Tasquinha dos Amigos como um dos alvos deste mês dedicado às petiscadas. Sem saber bem o que esperar, fomos até Leça da Palmeira, onde, depois de várias voltas , curvas feitas e pedidas direcções, chegámos finalmente ao nosso destino daquela noite. Desta vez não tivémos cardume alargado; foi uma das raras ocasiões em que os carapaus-fundadores jantaram consigo próprios.

Sabíamos, após a investigação que fazemos sobre os estaminés que estamos prestes a visitar, que a Tasquinha dos Amigos estaria de porta fechada, Devo confessar que, ao saber este detalhe, me passou pelo pensamento que, ou iríamos passar a noite num espaço algo elitista, em que não entraria toda a gente, ou seria um espaço escuro, sujo, cheio de habitués, daqueles que se viram de cada vez que entra alguém que não pertence àquele cenário. Digo-vos que, a existir uma pergunta, a resposta certa seria “nenhuma das anteriores”. O espaço que encontrámos (após recepção calorosa, simpática e acolhedora de quem acabaria por nos servir durante aquela noite) foi um airoso, catita, familiar, limpo e bem iluminado, pronto a receber os de sempre e os de nunca antes. Até a banda sonora desta comesaina nos agradou: música dos anos 80/90, embora não se perdesse o ambiente (antes, o contrário) se o volume não fosse tão elevado. A sala tem o tecto forrado a camisolas e cachecóis de clubes de futebol, as paredes preenchidas de notas escritas à mão, certamente dos Amigos.

 

Restaurante Tasquinha dos Amigos | O Brinde

O Brinde

Passemos então ao que nos levou à Tasquinha dos Amigos. Já nos esperavam na mesa azeitonas, manteigas, um prato de acepipes e um cesto de pão. Do prato de acepipes (composto por um bolinho de bacalhau, um rissol de carne, um croquete, uma coxinha de marisco e um pastel de camarão e natas) saíram as duas primeiras desilusões (temos sempre expectativas altas): os acepipes estavam frios e o croquete era maçudo e pouco saboroso. O pastel de camarão e natas ganhou o primeiro prémio da noite: cremoso e delicioso. Como grande apreciador de pão, devo dizer que o apresentado por este estaminé, me enche as medidas sobremaneira. Os nove(!!) que comi durante esta incursão, não me deixam mentir.

Enquanto matávamos o bicho e abatíamos os primeiros finos, escolhemos o que se seguiria. Como o mês é dedicado aos petiscos, as nossa opções recaíram sobre uma tábua de queijos, duas iscas de bacalhau (que pensáramos serem pataniscas), um pica-pau, chouriço assado, alheira de caça e uma salada que, à falta de tomate (estava esgotado), foi de alface e cebola. O chouriço foi o primeiro a chegar, já assado e cortado, o que nos poupou um ritual que vem sendo habitual nesta visita aos locais de petiscada, e que nos agradou bastante. A tábua de queijos era composta por quatro variedades (curado, amanteigado, vaca e cabra) e reservou-nos uma surpresa que dispensaríamos, tivéssemos escolha: uma das variedades tinha (e sabia bastante) a bolor! Ponto bastante negativo no que, à primeira vista, dada a excelente apresentação, seria um elemento que marcaria pela positiva esta visita.

Depressa percebemos a diferença entre iscas e pataniscas de bacalhau. A AA começou por apontar uma unidade no papel que fornecemos com os nossos pedidos, o qual corrigiu após a minha fervorosa intervenção, clamando por uma segunda unidade. Soubesse(mos) a diferença entre isca e patanisca, e ter-me-ia contentado com uma unidade. O tamanho de cada isca era substancialmente superior àquilo que esperávamos e leva-me a crer que prefiro bastante a bela da patanisca. A massa, o mais agradável, estava bastante estaladiça. mas o conteúdo tinha pouco sabor e muito óleo, combinação que não faz tilitar bucho a Carapau nenhum do Mundo.  O pica-pau, que para mim foi uma estreia, soube-me a francesinha sem pão. O molho, de francesinha, era bom e fez-me considerar voltar à Tasquinha dos Amigos para experimentá-la. Dizem as Carapauas que, comparativamente com outros, este pica-pau tinha pouca carne e queijo a mais. Eu, devo dizer, não me lembrarei desta primeira experiencia ornitóloga durante muito tempo. A alheira estava boa mas não maravilhou.

 

Restaurante Tasquinha dos Amigos | O Mix de Sobremesas

O Mix de Sobremesas

Surpreendentemente (se se considerar o número de pães comidos, talvez não), por esta altura, já estava cheio (eu e a RV; a AA ainda comia mais qualquer coisita, embora estivesse satisfeita). Decidimos passar então às sobremesas, que já nos tinham aguçado o apetite no início da incursão, durante a habitual inspecção à ementa do estaminé. Havia cinco sobremesas à escolha, nós éramos três…a decisão natural, dada a indecisão (passe o contra-senso), foi pedir quatro delas. Escolhemos a mousse de chocolate e a tarte merengada de limão (caseiras), o bolo de chocolate húmido e o bolo de bolacha com fios de ovos. Para mim a única sobremesa que desiludiu foi o bolo de chocolate, embora a AA tenha gostado bastante. Disse a AA que a minha tarte merengada de limão é melhor que a que comemos e eu permito-me concordar. Os fios de ovos não abundavam no bolo de bolacha (na mesma fatia, apanhei dois ou três enquanto que a RV não saboreou nenhum), mas era bastante bom e ocupa o segundo lugar no meu pódio. A mousse de chocolate, mais cremosa que esponjosa, nitidamente caseira, servida em recipientezinho de barro, foi mesmo, para mim, a estrela deste fim de refeição e não me fiz rogado em comê-la mesmo até ao fim.

Depois do café veio a surpresa mais desagradável da noite: a conta. E desta vez foi mesmo dolorosa. Quando decidimos dedicar este mês aos petiscos, pensáramos que a média do que pagaríamos por incursão baixaria consideravelmente. A realidade foi bastante diferente desta feita: coube a cada Carapau 25,50€, o que nos pareceu exagerado para aquilo que se comeu. Felizmente há multibanco.

Em jeito de conclusão, a Tasquinha dos Amigos não deslumbra. Compensa o nível médio da comida com um espaço confortável e acolhedor (bom sítio para se ver a bola) e um serviço excepcional. Pensamos que, se se optar pelas opções de snack (hamburguer, francesinha, etc), a refeição ficará mais em conta. O estacionamento foi fácil e feito na rua, mas presumo que o tenha sido por ser a meio da semana. Ao fim-de-semana poderá ser complicado. Vale a pena a visita, embora, para petiscar, não seja o melhor sítio que já tenhamos visitado.

Muito obrigado por este bocadinho.

Abreijos para todos.

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Alexandre Vicente

Online Strategy Director at The BiZ Weavers
Homem barbudo que fala de tudo.

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