Novo mês, nova temática: Agosto será dedicado a restaurantes à beira rio (Douro) e, no dia em que comemorámos seis meses de existência (a incursão que deu origem à posta inaugural, sobre a trilogia Bufete Fase/Sincelo/Bonaparte, aconteceu a 1 de Fevereiro), juntámos os quatro Carapaus fundadores e mais uns amigos e fomos festejar ao restaurante Tia Aninhas, ali na Rua do Senhor da Boa Morte, freguesia de Lordelo do Ouro. Trata-se de uma tascósia (na nomenclatura do Cardume: restaurante-tipo-tasco-onde-se-come-bem-e-barato-como-a-gente-gosta) com cerca de cem lugares que se dividem por duas salas, entre o rés-do-chão e o primeiro andar, propícia a jantares de grupo (desde que marcados com tempo e negociados em termos de iguarias a servir) ou a quem gosta de comer comida portuguesa bem (que não excelentemente) confeccionada, a preços muitíssimo decentes.

Porque se tratava de dia comemorativo, tratámos de reunir os Carapaus fundadores (metade dos quais já fora de acção em termos de escrita, mas não de convívio) e a esta vossa criada juntaram-se a RV e o MS (o Carapau em exercício AV viu-se impossibilitado de comparecer) e os já mais do que habitués DB, RC e MSC, bem como os mini-Carapaus JC e LC.

À minha chegada, e uma vez na sala do rés-do-chão, fui confrontada com o facto de a nossa mesa para onze (era o número inicial de convivas, que se viu alterado para sete e depois para oito), marcada oito horas antes, não estar ainda pronta; a justificação que me foi dada foi a de que estava muita gente para jantar, o que era bem verdade, mas nada justificava, na medida em que fizemos a reserva com tempo suficiente. Esperámos cerca de meia hora pela mesa e cerca de vinte minutos adicionais para que viessem recolher o pedido das bebidas e entradas, o que quase nos fez trepar paredes, sobretudo porque tanto eu como a RV já lá jantáramos em dias bem mais complicados, inseridas em jantares de grupo para mais de trinta e o serviço revelara-se bem mais lesto. Mas após esta primeira hora de atrapalhação, a empregada, que era simpática mas estava nitidamente assoberbada, lá engrenou.

Restaurante Tia Aninhas | As entradas

As entradas

Como entrada, e para além do pão e broa (algo secos) com manteiga, queijo e paté de sardinha empacotados, vimo-nos compelidos a pedir um mix de pasteis salgados (rissóis de carne e camarão, croquetes e pastéis de bacalhau), por não haver outra oferta. Não nos arrependemos, contudo: acabados de fritar, quentes e estaladiços, e de boa qualidade, caseiros, acabaram-nos com aquela fome quase irritante de quem já não come há demasiado tempo.
Entretanto, ficámos a saber que a oferta de pratos principais era também ela muitíssimo limitada: nada de filetes de polvo com arroz do mesmo, ou vitela, ou pataniscas – os pratos que deram fama à casa – mas apenas panados de perú, perú à casa (febras com um molho de natas, pimenta e alho francês), alheira, peixe-espada com arroz de feijão e costeleta à francesa (de porco, frita, com molho de francesinha), tudo a 5,50€ – e é aqui que o Tia Aninhas brilha.

Pediram-se quatro costeletas (cujo molho de francesinha poderia chamar-se de outra coisa qualquer, porque só na cor coincidia), dois peixes-espada fritos (que, para a SMC, de revelou pouco temperado), um perú à casa e uma alheira (esta de qualidade inesperada) e saladas mistas para todos. Nada nos deslumbrou mas, do mesmo modo, nada nos desagradou; a quantidade é suficiente e não se fazem rogados se é necessário mais batatas fritas (às rodelas, caseiras) ou arroz (empapado mas saboroso).

Restaurante Tia Aninhas | O leite creme

O leite creme

Passados às sobremesas, verificámos que a oferta é vasta, os preços muitíssimo acessíveis mas a qualidade não convence: nem a tarte de bolacha gelada nem o bolo de bolacha ou sequer o leite creme queimado na altura recolheram quaisquer elogios; salvaram-se os gelados dos miúdos que, sendo Olá, nunca falham. Faltava pedir os cafés e digestivos (sob a forma de Água das Pedras sem sabores, já que não há qualquer outra) e a conta: 11,50€ é um preço que não estamos, de todo, habituados a pagar e que consideramos justo para o tipo de casa e serviço.

O Tia Aninhas é, assim, o típico restaurante para o almoço durante um dia de trabalho ou, no outro extremo, o estaminé ideal para quem quer organizar um jantar de grupo para 30 a 40 pessoas, ficando com a sala de cima só para si, a um preço muitíssimo convidativo e, se bem combinado, com pratos típicos da cozinha tradicional portuguesa de qualidade – ainda que não (de todo) gourmet.

Fiquem-se com mais esta sugestão e aguardem as próximas! :)
Bons apetites, Cardume!

 

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Ana Andrade

Agridoce, de tempero forte e gargalhada salgada.

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