Porque nem só de alimento para o estômago se faz um Carapau de excelência, fomos ao Coliseu preparar as paredes do dito, que se fortalecem com as gargalhadas que nele e dele nascem: a peça É Como Diz o Outro, magnificamente escrita por  por Henrique Dias e Frederico Pombares e brilhantemente interpretada por Miguel Guilherme e Bruno Nogueira (encenação de Tiago Guedes), foi o melhor dos aperitivos. Mas sobre ela, escrevo na outra chafarica, que este é um local onde se fala é de comida.

Rumámos à Taberna do Cais das Pedras (ali mesmo, na marginal do Porto, frente à ponte luminosa, onde outrora era sito o Marraquexe), numa primeira visita, depois da mudança desde Miragaia. O que mudou foi, sobretudo, o espaço, agora consideravelmente mais amplo: a Sra. D.ª Isabel Gesta já consegue mover-se com destreza, numa sala onde cabem 53 pessoas sentadas e há espaço até para duas casas de banho, uma para cada género (woo-hoo!), bem como para elementos decorativos.

O conceito é o mesmo da Taberna do Barqueiro: não há cá mariquices de ementas nem dificuldades na escolha. Quem ali vai, vê desfilar à sua frente uma série de petiscos que a proprietária mantém mais ou menos constantes e que vão desde um magnífico pão de queijo a uns rojões (à Porto, carago, com a tripinha que eu dispenso mas que ouvi dizer estar boníssima) apuradinhos, azeitonas muitíssimo bem temperadas, alheira de qualidade superior (embora um tudo-nada queimada, na porção que me tocou) e todo um manancial daquelas coisas que fazem bem ao estômago e à alma (o que quer que isso seja).

De salientar o acolhimento, tímido, de início, e caloroso, depois, da D.ª Isabel, que nos põe a tirar finos a partir da segunda rodada (privilégio de que só os que lhe caem no goto desfrutam) e a mesa que nos estava reservada (a reserva prévia é algo que se recomenda, nesta casa que facilmente fica lotada), redonda, como se querem as mesas em que doze amigos se sentem como se estivessem em casa.

Fica ainda a nota máxima dada aos brigadeiros (dos melhores que já me foram dados a provar) com que nos brindou, numa oferta generosa (“porque vocês são muito simpáticos!”), já depois da sobremesa (uma tarte de limão de qualidade variável, mas que nunca deixo de pedir), e que souberam divinalmente, com o café.

Relação qualidade/preço normal: 18€ por pessoa, com direito a sangria (nunca barata) para a maioria. Ainda assim, e porque nem tudo são coisas boas, devo exaltar o facto de nunca sabermos quanto estamos a pagar pelo que comemos: não há ementa, como disse já, nem conta parcelada no final, apenas um montante acumulado. Por outro lado, quem gosta de novidade dificilmente ficará satisfeito: das três vezes que me desloquei a este restaurante, sempre com reserva, só fui surpreendida da primeira, uma vez que os  petiscos são sempre os mesmos, não há risco. O principal senão é o sistema de exaustão, num restaurante onde também se fuma: ficar a cheirar a comida nunca é simpático, sobretudo se a noite não acabar ali, o que nem sequer foi o caso.

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Ana Andrade

Agridoce, de tempero forte e gargalhada salgada.

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